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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Como é que os artolas que nos (des)governam vão descalçar esta bota?

Parabéns, antes de mais, aos deputados do PS e de BE que não se atemorizaram perante os terroristas da direita que nos (des)governa e que ousaram questionar junto do TC a constitucionalidade do esbulho de que foram vítimas os funcionários públicos e pensionistas.
Lamentável, do meu ponto de vista, é a determinação sobre os efeitos da declaração. Sendo inconstitucional o corte, não me parece nada curial a justificação sobre a limitação de efeitos da declaração. O governo destes artolas ficava em maus lençóis é verdade, sim senhor, mas quem lhes mandou ser imprudentes, para não dizer temerários. Nesta parte, o acórdão acaba por representar um benefício a favor do infractor.
Feita esta observação, há que saudar esta decisão do TC. Não só porque é inteiramente justa, porque não cauciona a iniquidade deste governo, mas, sobretudo porque prova que, não obstante as tentativas em contrário deste executivo, ainda vivemos num estado de direito. Se já não podíamos confiar, nem neste governo que não tem qualquer vergonha em atropelar a Constituição quando muito bem lhe apetece ou lhe convém, nem no actual presidente da República que, depois de ter feito não sei quantos avisos sobre a inconstitucionalidade da medida, acabou, cobardemente, por promulgar a Lei do Orçamento, sem sequer se dar ao trabalho de requerer a verificação prévia da constitucionalidade do diploma, como por muito boa gente lhe pediu. A conclusão só pode ser a de que, tendo jurado defender e fazer cumprir a Constituição, as juras de Cavaco não são para levar a sério. Nem as juras, nem ele, obviamente.
Felizmente, pelos vistos, ainda se pode confiar em algumas instituições da República e, em especial, no Tribunal Constitucional. Felizmente, digo eu, porque a sensação de opressão e de arbítrio estava a tornar-se insuportável.
Ainda que outra razão não houvesse, só a certeza, fundada nesta decisão, de que o Tribunal Constitucional é um obstáculo sério ao arbítrio destes governantes, é mais que motivo para me regozijar.
(Reeditada)

sábado, 21 de abril de 2012

Quem te manda a ti, sapateira, tocar rabecão?




Paula Teixeira da Cruz, que passa por ser ministra da Justiça, que não das Finanças, não garante o regresso dos subsídios de férias e de Natal em 2015.
Diz a abelhuda, mas excelente senhora, que os subsídios só serão repostos desde que  “a situação europeia não se agrave”.
Além de abelhuda (está a meter o nariz onde não é chamada) a estimável senhora revela ser também muito espertinha. Com que então tudo depende  da "situação europeia", hein! E eu a julgar que a questão do corte dos subsídios tinha apenas a ver com a desgraçada situação dum país chamado Portugal governado por uma tal Comissão Liquidatária presidida por Passos/Coelho e de que a senhora faz parte. Quanta ingenuidade a minha! 
(notícia e imagem daqui

sábado, 14 de abril de 2012

Os "lapsos" também podem sair caros

Os sucessivos "lapsos" do governo,, sobre a duração do corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas, não põem apenas em causa a sua credibilidade. Também podem sair-lhe caros.
É que depois do último "lapso" de Passos/Coelho sobre a matéria, a remeter o fim da "suspensão" daqueles subsídios para as calendas gregas, o Tribunal Constitucional, ao emitir o juízo sobre a constitucionalidade da medida, não pode simplesmente fazer de conta que o corte não passa duma suspensão temporária limitada a dois anos. E terá, obviamente, se quiser fazer justiça, que tirar daí todas a consequências.
Melhor dizendo:  em boa verdade, até pode, desde que fique exarado no respectivo acordão que o que Passos/Coelho diz não se escreve, justificação, a meu ver, perfeitamente válida, atendendo a que Passos/Coelho é extremamente rápido a dizer uma coisa e a fazer outra.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Quando a incompetência pede meças à hipocrisia

A resposta do Banco de Portugal (BdP) às exigências feitas por vários deputados no sentido de serem aplicados os cortes dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários do BdP não podia ser mais contundente em relação aos deputados da maioria parlamentar (PSD/CDS): Legislem nesse sentido.
Digo em relação aos deputados da maioria, porque são eles os que têm a faca e o queixo na mão. Eles e o governo que, pelos vistos, não tomaram, por via legislativa, as medidas que se impunham.
Andam a dormir, ou são hipócritas? Escolham.