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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

De castigo!

Os serviços públicos estão abertos devido à decisão do governo de Passos Coelho de não dar tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, mas, no geral, estão às moscas, por falta de utentes. Sendo assim, os funcionários estão lá, mas, na melhor das hipóteses, a trabalhar a meio gás. Usando uma expressão doutros tempos bem se pode dizer que "não estão a ganhar para o petróleo". 
Sabendo o governo que "uma parte significativa das empresas públicas e privadas vai parar no dia de Carnaval devido aos contratos colectivos de trabalho e aos acordos de empresa que consideram a Terça-feira Gorda um dia feriado" mandaria o simples bom senso que se mantivesse a tradição, pelo menos durante este ano, até que fosse revista a situação.
Mas, pelos vistos, bom senso é artigo que este governo não gasta, pelo que não custa concluir que, além do mais, esta gente é estúpida.
A alternativa (do tipo "pior a emenda que o soneto") é considerar que Passos Coelho achou por bem mandar trabalhar os seus "alunos", por castigo. Como anda armado em "moralista", lá capaz disso é ele.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Marcha à ré

A decisão de Passos Coelho de não conceder tolerância de ponto no Carnaval foi recebida com tantas manifestações de desagrado que o homem do leme já começou a fazer marcha à ré.
Assustado com tanta rebeldia, vinda donde menos esperava, a começar pelas regiões autónomas, autarquias, serviços públicos e empresas, Coelho já fez saber que, afinal, "a tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval não acabou". Foi simplesmente suspensa, porque estamos num "ano emergência nacional" e porque a troika vai estar por cá durante os festejos carnavalescos e mal parecia que enquanto a troika trabalha, o país estivesse a folgar.
Boas razões, sim senhor, mesmo sabendo que, pelos vistos, "o país vai estar praticamente parado" na terça-feira de Carnaval, quer Passos queira, ou não queira.
Alguém, mal intencionado, diria que o aparente recuo se fica a dever ao facto de Coelho ter receado que lhe acontecesse o mesmo que ao então primeiro-ministro Cavaco, por idêntica decisão. 
Eu, que me esforço por ser simpático, embora, verdade se diga, não acredite numa palavra do que ele diz e é por tal que qualifico o recuo de aparente, considero apenas que a justificação não cola e que a emenda não sabe melhor do que o soneto. E por uma razão simples. É que, a ser verdadeira a justificação, Coelho já devia ter instituído o sábado e o domingo como dias de trabalho, porque a "troika" tem o "bom" hábito de nem nesses dias se dar ao descanso. Ou será que a "solidariedade" com a "troika" tem dias ?