A explicação por António Costa
sábado, 6 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Eleições já ! (VI)
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Internamente ninguém acredita nesta trupe de trapezistas e contorcionistas que nos entedia em degradantes espetáculos. Externamente, perdemos capacidade política para negociar o que quer que seja. Todos sabíamos que chegaríamos aqui. Nem todos imaginavam era que fosse tão depressa. É por isso que, à falta do guionista mexicano, é imperiosa a intervenção do presidente da República. Até porque se Cavaco Silva dizia há tempos que não podemos juntar uma crise política a uma crise económica tem agora todos os condimentos para finalizar esta novela."
Eleições já ! (V)
1. A pior coisa que nos pode acontecer neste momento é ficarmos tolhidos pelo medo. O facto é claro desde 15 de setembro: os portugueses não querem Passos Coelho nem as pessoas que pensaram ser possível fazer a TSU. Uma ideia tão absurda como esta, face à realidade do país, eliminou a credibilidade do primeiro-ministro para liderar Portugal. Até Gaspar o compreendeu quando se quis demitir em outubro. Passos deve sair o mais urgentemente possível de cena. Só mesmo ele não percebe que se tornou o principal entrave para sairmos desta crise política. Mas como não parece perceber, alguém tem de lhe fazer um desenho. Ou seja, a rua. Passos está à espera de ser vítima da revolta popular. Vai lançar a polícia de choque contra manifestantes revoltados pela falta de legitimidade de quem quer manter-se no poder a todo o custo. Senhor primeiro-ministro: quer que isto vire definitivamente a 'Grécia', humilhando-nos internacionalmente ainda mais?
2. Sejamos lúcidos: façamos eleições já. A economia privada e exportadora vão tentando remar contra a maré mas Passos e Gaspar conseguiram sempre tornar mais difícil o que já era hercúleo. Quanto mais cedo se clarificar isto, melhor. Um novo ciclo não tem de ser pior do que a situação atual. Estamos sob a 'proteção' do empréstimo da troika até setembro de 2014 - antes de chegarmos aos mercados. Não precisamos de crédito já. Não estamos a sofrer com as "subidas" dos juros de ontem - é falso, é virtual! Façamos isto já porque há liquidez nos cofres do Estado para aguentar as contas até ao fim do ano e entretanto teremos um rumo diferente que os mercados acabarão por valorizar - se tivermos uma estratégia. (...)
3. O ponto central é que não há investimento nem confiança com este primeiro-ministro e este projeto de Governo - e isso é que é decisivo. "Esta estabilidade" não nos dará taxas de juro melhores para a dívida portuguesa se não houver crescimento e emprego. E é mentira que percamos tudo o que sofremos até agora só por irmos para eleições. Se continuarmos assim é que a troika fica cá para sempre.
(...)
8. Este não é um tempo para meias-medidas e meias-palavras. Este Governo acabou. Se não for a bem, infelizmente vai ser a mal.
Eleições já! (IV)
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Exigir eleições, nestas circunstâncias, é exigir o mínimo de decência. É combater o sequestro de um país inteiro por um pequeno grupo de experimentalistas delirantes ao serviço de uma pequena elite financeira com a cumplicidade chocante do Presidente da República. A coisa é simples: Portugal não tem governo, precisamos de eleições para preencher esse vazio indisfarçável. Tudo o resto é insulto para a democracia."
(José Manuel Pureza; "Réquiem"; Na íntegra: aqui)
Eleições já! (III)
"Convenhamos que não faz qualquer sentido um primeiro-ministro escolher a ministra das Finanças sem ter, previamente, merecido a concordância da liderança do parceiro da coligação. Não faz mesmo qualquer sentido...
E, muito embora tenha, desde sempre, sido dos que, na área do Partido Socialista ( que o mesmo é dizer, da social-democracia ), se mostraram a favor da manutenção do actual Executivo até ao final do mandato, não vejo como se apresenta possível, nas presentes circunstâncias, evitar eleições antecipadas.
Que as mesmas representam um custo elevado para o País, é verdade. Mas, quais são, neste momento, as alternativas? Um Governo de iniciativa presidencial? Se há alguma certeza sobre o que o Presidente pensa acerca do exercício das suas funções, é que entende que não deve substituir-se aos partidos e ao Poder Executivo.
E, muito embora tenha, desde sempre, sido dos que, na área do Partido Socialista ( que o mesmo é dizer, da social-democracia ), se mostraram a favor da manutenção do actual Executivo até ao final do mandato, não vejo como se apresenta possível, nas presentes circunstâncias, evitar eleições antecipadas.
Que as mesmas representam um custo elevado para o País, é verdade. Mas, quais são, neste momento, as alternativas? Um Governo de iniciativa presidencial? Se há alguma certeza sobre o que o Presidente pensa acerca do exercício das suas funções, é que entende que não deve substituir-se aos partidos e ao Poder Executivo.
(...)
O Governo caiu. O Governo PSD-CDS já não existe. E, por conseguinte, goste-se ou não da solução, não me parece que exista qualquer alternativa à realização de eleições. Mas, convirá, em primeiro lugar, sublinhar a actuação inaceitável do Primeiro Ministro. Jamais deveria ter proposto para o lugar de Ministra das Finanças alguém que não merecia o apoio do parceiro da coligação. É de uma irracionalidade total, completa e absoluta, para além de condenável ao nível dos valores. Em segundo lugar, convém sublinhar a actuação infeliz, para não dizer desastrosa, de sua excelência o Presidente da República.
(...)
(António Rebelo de Sousa; "Sem sentido". Na íntegra: aqui) (Destaque da minha conta)
Eleições já! (II)
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Este Governo está a implodir, e por culpas apenas próprias. Por muito que quem tem o poder a ele se queira agarrar é inevitável que, senão já, a muito breve trecho, o Governo se demita, ou que seja dissolvida a Assembleia da República. Vamos, mais dia menos dia, para eleições. Não acaba aí o Mundo. O fim da história não chegou. A ‘troika' esperará pelas eleições e falará com quem as ganhar. A Europa também. Os países em assistência ou perto dela já todos passaram por eleições e não houve nenhum dos cataclismos com que agora nos acenam.
Sabendo-se que teremos de ir para eleições, o melhor momento é já. Duas razões: os investidores gostam de tudo, menos de incerteza, e quanto mais cedo souberem com quem vão ter de lidar melhor e, neste momento, há liquidez para um ano e não vamos ter nenhuma ruptura de pagamentos. O Orçamento do Estado seria apresentado mais tarde e entraria só em final de Janeiro ou início de Fevereiro. Mas daí também não virá nenhum mal ao Mundo. Antes isso que este Governo apresentar um Orçamento para 2014 e depois haver eleições e só termos um orçamento de 2014 definitivo muito mais tarde.
(...)"
(Marco Capitão Ferreira; "A brigada do reumático". Na íntegra: aqui. Destaque meu)
Eleições já! (I)
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Com este cenário, ao fim de três dias e múltiplas reuniões, Passos Coelho e Paulo Portas continuam a brincar à política partidária e incapazes de apresentar uma solução. Hoje foi mais um dia sem Governo. E, se alguma surgir, será sempre fraca e má. A ruptura dentro da coligação é profunda e, mais importante, os portugueses perderam o respeito por este Governo. Mesmo que continue em funções, não terá força, nem apoio, para fazer as reformas necessárias para tirar Portugal da crise. Por tudo isto, só há uma solução para este imbróglio: eleições, o mais rapidamente possível."
(Bruno Proença; "Eleições já". Na íntegra: aqui)
quinta-feira, 4 de julho de 2013
A "brincadeira" continua
Dizem que Paulo Portas (PP) é muito inteligente. Pode ser, embora as suas atitudes mais recentes indiquem precisamente o contrário. Em qualquer caso, do que não restam dúvidas, é que PP não é consequente, ao dar o dito por não dito.
O impossível, há dois dias, está a caminho de se tornar viável, visto que, ao que se anuncia, as negociações para manutenção da coligação governamental estão bem encaminhadas, tudo apontando para a hipótese de Portas vir a assumir a pasta da Economia.
Se as divergências entre Passos e Portas eram assim tão fáceis de resolver, muito se estranha que não tenham sido resolvidas atempadamente. A remoção do "Álvaro" da pasta da economia, reclamada desde a primeira hora, nunca foi obstáculo de monta.
Os factos demonstram à saciedade que Passos e Portas não têm um mínimo de sentido de estado; que Passos não vê um palmo à frente do nariz; e que Portas não é de fiar. Remendado ou não, o governo perdeu de vez a credibilidade e a instabilidade veio para ficar. Se Cavaco persistir em apoiar esta solução governativa, é mais que certo que a "brincadeira" vai continuar.
(imagem daqui)
Os dias contados
Quando um jornal como o "Público" escreve em editorial que "O Governo tornou-se uma vergonha ambulante" e que "se continuar será um factor de instabilidade", é sinal de que o governo de Passos & Portas tem os dias contados.
Se os líderes dos dois partidos da coligação governamental tivessem em alguma conta o interesse nacional e a credibilidade externa do país, Passos, em vez de se agarrar ao poder com os braços que já não tem, teria, de imediato, pedido a sua demissão de primeiro-ministro, seguindo o caminho deixado aberto pela demissão de Paulo Portas. De facto, é hoje evidente que, quaisquer que sejam os remendos deitados no pano roto, a credibilidade, a legitimidade e a autoridade deste governo estão definitivamente postos em causa.
Espera-se, por isso, em nome do interesse nacional e da credibilidade externa do país, que Cavaco não volte a dar a extrema-unção a este governo moribundo. Se insistir em manter o governo (remendado ou não) em funções, só estará a contribuir para lhe prolongar a agonia. Com consequências desastrosas para o país, consequências, que, de resto, estão já bem à vista.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Giroflé, flé, flá!
Sobre Passos Coelho já ouvimos, da boca de dirigentes do CDS e em vários tons, que é um primeiro-ministro "impreparado" e "incompetente", ideia que, tendo em conta a carta de despedida do ex-ministro Gaspar e por ele tornada pública, parece também ser partilhada pelo "impressionante" ex-ministro das Finanças.
Mas o que dizer de um partido como o CDS que depois Paulo Portas, o líder do partido, ter anunciado a sua demissão de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, afirmando tratar-se de uma decisão irrevogável, aceita renegociar a coligação, mandatando (imagine-se!) o mesmo líder que acaba de bater com a porta, para se reunir com o "incompetente" Passos Coelho de forma a encontrar uma "solução viável do Governo"?
Esta gente, com Paulo Portas à cabeça, como é óbvio, anda por certo a brincar com a vida dos portugueses e a comissão executiva que tomou tal decisão só pode ser encarada como uma cambada de garotos reunidos num jardim infantil apostados em continuar com a brincadeira.
Haja quem ponha termo à brincadeira, porque a governação do país não não pode estar entregue a esta garotada.
Haverá? Em circunstâncias como as actuais é que se nota a falta que faz um Presidente da República. Com Cavaco, pelo menos até agora, não houve.
(reeditada)
Haverá? Em circunstâncias como as actuais é que se nota a falta que faz um Presidente da República. Com Cavaco, pelo menos até agora, não houve.
(reeditada)
Há, ou não há, Presidente da República?
"Passos Coelho e Paulo Portas podem querer continuar a reclamar terem ganho a batalha da credibilidade externa do País. Mas aprestam-se para deixarem os juros da dívida pública nacional de novo bem acima dos 7%, acompanhada de um exército de desempregados, um défice ainda descontrolado, um endividamento crescente, uma espiral recessiva instalada, centrais sindicais na rua e confederações patronais unidas na recusa deste caminho para a economia.
Esta é a realidade - e ela desmente o discurso do primeiro-ministro, que tem da ação do seu Governo uma perspetiva delirante.
É obvio que esta crise é má para Portugal. Mas sendo Passos Coelho e Paulo Portas os únicos responsáveis pelo que se está a passar, um elementar sentido mínimo de bom senso deve aconselhá-los a saírem de cena muito rapidamente. Se lhes faltar isso, resta esperar que Cavaco Silva saiba sair do estado de hipnotismo em que entrou e acabar com a palhaçada. O pós-troika, agora, vai ter de esperar. E o País precisa de saber se tem ou não Presidente da República."
(João Marcelino; "Uma crise patética". Na íntegra: DN) (Os destaques são da minha responsabilidade)
O naufrágio
A Bolsa de valores a cair estrondosamente e os juros da dívida pública a subir de hora a hora, são sinais evidentes de que a situação do país já não é apenas pantanosa. Para os "mercados", pelos vistos, a situação que o país enfrenta é já a emergência de um naufrágio.
Enquanto isto, o Coelho náufrago limita-se a esbracejar e Cavaco, a quem a Constituição impõe o dever de garantir o funcionamento das instituições da República, dando-lhe os meios e os poderes para o assegurar, limita-se a observar.
Haja alguém que explique o comportamento dos dirigentes políticos a quem o povo entregou a responsabilidade de dirigir o país, sem fazer apelo ao conceito de insanidade. Haverá?
terça-feira, 2 de julho de 2013
O pântano
Quem se tenha dado ao penoso trabalho de ouvir a declaração de Passos Coelho motivada pelo demissão de Paulo Portas não deve ter ficado com muitas dúvidas sobre a sanidade mental do ainda formalmente primeiro-ministro dum governo que, de facto, já não existe. O "rapazola" entrou definitivamente em estado de negação.
Para Passos Coelho, pelos vistos, há já sinais de que o país vai no bom caminho e ele está pronto a tudo fazer para se manter em funções e para dar continuidade à política em que já ninguém acredita, nem os seus ministros, como resulta, com meridiana clareza, dos pedidos de demissão dos únicos ministros de Estado do governo, Gaspar e Portas.
Certo é que, não tendo Passos Coelho tirado as devidas consequências do pedido de demissão de Paulo Portas, o país vai entrar num período de turbulência com consequências gravíssimas.
Pesa sobre Cavaco a responsabilidade de pôr termo a esta situação pantanosa. Por muito que ele se escude sob a alegação de que o governo não depende politicamente da Presidência da República, certo é que é ao PR que cabe assegurar o regular funcionamento das instituições e este está manifestamente em causa. Não pode Cavaco continuar a lavar as mãos como Pilatos. A gravidade da situação não lho consente. Acho eu.
Pum!
A bomba explodiu: Paulo Portas demitiu-se do governo.
Os estilhaços terão chegado até onde? É só o que falta saber, sendo certo que dificilmente o governo de Passos conseguirá sair ileso deste evento, tendo em conta que estamos perante a demissão do líder do segundo partido da coligação governamental.
A queda imediata do governo seria, a todas as luzes, a consequência normal desta demissão, mas, como a política portuguesa com estes dirigentes (Cavaco, Passos e Portas) se transformou numa grande palhaçada não me atrevo, para já, a antecipar qual será o desenvolvimento do caso, tanto mais que, para Cavaco, aparentemente, tout va bien.
A queda imediata do governo seria, a todas as luzes, a consequência normal desta demissão, mas, como a política portuguesa com estes dirigentes (Cavaco, Passos e Portas) se transformou numa grande palhaçada não me atrevo, para já, a antecipar qual será o desenvolvimento do caso, tanto mais que, para Cavaco, aparentemente, tout va bien.
"Certidão de óbito"
"Vítor Gaspar sai do Governo como não se esperava, especialmente de quem assumiu todo o protagonismo, e nunca o recusou, zangado com a sua incapacidade para levar a efeito a reforma do Estado, zangado com o primeiro-ministro por ausência de uma liderança de suporte ao ajustamento, zangado com os seus colegas de Governo. E assinou (...) a certidão de óbito deste Governo. Só falta saber a data.
(...)
Quando são muitas as dúvidas sobre a capacidade do Governo de levar a cabo a reforma do Estado, Vítor Gaspar deixa claro que não tem dúvidas nenhumas. Não será mesmo para fazer, ou, então, muita coisa tem de mudar. A certidão de óbito está passada, é mais grave do que qualquer declaração de António José Seguro ou qualquer greve geral, e tem a assinatura do mais insuspeito dos subscritores, o próprio Gaspar."
Coelho ou rato?
A carta de demissão que ex-ministro Gaspar, num gesto inédito, tornou pública, pode, sem necessidade de grande esforço interpretativo, ser vista como uma estocada no debilitado e "impreparado" Coelho. e na sua liderança. Há quem estranhe que, perante a virulência, ainda que camuflada, do ataque, se não tenha ouvido uma palavra de Passos Coelho e que este se mantenha calado que nem um rato.
Ainda haverá quem tenha dúvidas sobre a espécie a que pertence o (ainda) primeiro-ministro?
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Em desespero de causa
Não vale a pena disfarçar o que é mais que evidente: a demissão de Gaspar representa, nem mais nem menos, do que o completo reconhecimento do seu próprio falhanço no cumprimento das metas acordadas com a troika e, bem entendido, o falhanço da política de austeridade prosseguida pelo governo, na medida em que era sob a sua batuta que se regia a orquestra desafinada, formalmente liderada pelo "impreparado" Passos Coelho.
Tendo em conta que o seu pedido de demissão já não é recente, tal significa que Gaspar há muito tinha consciência desse falhanço. Estranhamente, só Cavaco Silva, entretanto transformado em simples marioneta manipulada por Passos, (como se se viu recentemente com o caso da promulgação ultra-rápida da lei que protelou o pagamento do subsídio de férias dos funcionários públicos, dos reformados e pensionistas, para o mês de Novembro) é que ainda não se apercebeu disso.
Que Cavaco vai continuar a esconder a cabeça na areia para não ver o que se passa, tenho poucas dúvidas. Melhor dizendo, nenhumas.Será que Portas vai continuar a fazer o mesmo?
É que se a saída de Gaspar do governo acaba por ser reveladora da decomposição a que o actual executivo governo chegou, a escolha da pessoa encarregada de o substituir (Maria Luís Albuquerque) torna ainda mais claros os sinais da decomposição.
Como é evidente, a "ilustre" secretária de Estado do Tesouro, agora, estranhamente, promovida a ministra das Finanças, deveria, se neste governo existisse um réstia de decência, ter seguido o mesmo caminho que o trilhado por dois dos seus colegas de governo, responsáveis, tal como ela, pela contratação de swaps, caminho que só poderia ser o do olho da rua. A qualificação eufemística ("exóticos", por contraponto a "tóxicos") atribuída aos swaps em que ela interveio em nada modifica o julgamento, porque, substancialmente, não se consegue enxergar qualquer diferença.
Mas, o que torna esta nomeação ainda mais inverosímil, para não dizer inconcebível, é o facto de a "excelente senhora" ter acabado de ser desmentida pelo ex-ministro Gaspar em relação a firmações feitas por ela no Parlamento ao negar que o Governo anterior tivesse prestado a informação de que dispunha sobre swaps. Passos Coelho não escolheu seguramente a pessoa indicada para tomar conta do Ministério das Finanças, mas, ao que tudo indica, encontrou uma sucessora à altura de Miguel Relvas no que respeita ao tratamento da verdade a que o Parlamento tem direito.
Pelo que fica dito, a nomeação da nova ministra das Finanças tem todos os ingredientes de um verdadeiro escândalo, para o qual só vejo uma explicação: Coelho não encontrou, por certo, nenhuma personalidade com perfil e credibilidade que aceitasse ser ministro/a das Finanças de um governo em decomposição. Por isso, Maria Luís Albuquerque tem de ser vista como uma escolha em desespero de causa.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
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