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segunda-feira, 3 de março de 2025

Quem é que precisa duma "Spinumviva" ?

Seguramente que não é a SOLVERDE:
A Solverde tem cinco juristas a tempo inteiro e é assessorada por duas sociedades de topo” (Francisco Rodrigues dos Santos, antigo líder do CDS-PP) (Fonte)
A pergunta tem uma resposta. Óbvia. Que Montenegro não quer dar, mas está à vista.
O caso, aliás, cheira tão fortemente a esturro que se estranha que o Mº Pº não tenha ainda tomado a iniciativa de deslindar o caso, como é sua obrigação. Na falta de explicações cabais por parte de Montenegro (até estou convencido que ele não está em condições de as dar, sem se prejudicar) é evidente que o Mº Pº tem de agir, pois o Governo da República, por exclusiva actuação de  Montenegro, está sob suspeição. Séria e que durará até completo esclarecimento do caso. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A título de ensaio sobre a incoerência


"Depois das ideias originais, mas que não eram boas, acerca das suas competências em tempos de crise, o Presidente da República acabou por fazer o mais previsível de todos os discursos. Um observador de curto prazo diria que o primeiro-ministro ganhou tudo o que queria. O Presidente nem se esqueceu de aceitar a mitologia de um "novo ciclo", em que cabe uma moção de confiança e, adivinha-se, a aceitação da remodelação que colocará Paulo Portas como número 2 do executivo. Foi pena que o Presidente se tivesse esquecido de referir que esta crise não resultou da falta de consenso nacional sobre a época crítica que se vive em Portugal, mas da ausência de uma vontade convergente no interior da mesma coligação a que agora dá renovado apoio. Exatamente três semanas depois da carta de demissão de Vítor Gaspar, a política portuguesa parece ter sido devolvida à casa de partida. Este Governo, com os mesmos homens e mulheres que o compunham (com mais algumas eventuais aquisições), vai ter de resolver a quadratura do círculo: reduzir 3% do PIB em despesa pública (os famosos 4700 milhões da alegada "reforma do Estado") e ao mesmo tempo entrar na desejada "fase de investimento", o que implicará, se quisermos passar da retórica aos factos, uma mudança, ainda incerta, da estratégia do diretório europeu na condução geral da crise na Zona Euro. Na verdade, esta crise fútil e vã, gerada por aqueles que agora são reconduzidos pelo Presidente à mesma responsabilidade de que não foram dignos, torna Portugal menos competente para ajudar a construir o consenso que verdadeiramente nos falta: o consenso europeu para nos libertar do labirinto onde todos nos arriscamos a perder o futuro."
(Viriato Soromenho-Marques; "De um labirinto para outro". Aqui)

domingo, 21 de julho de 2013

Isto sim, é coerência!

A Cavaco Silva, tal como  José Sócrates dizia, há momentos, na RTP, não bastava que a direita tivesse um governo, uma maioria e um presidente da República. Ao propor um "compromisso de salvação nacional" onde alinhasse o PS, Cavaco queria também ter "a oposição no bolso".
Tal é a confiança que este governo merece a Cavaco Silva que, não obstante, acaba de anunciar que o vai manter em funções.
Não há dúvida que isto é "coerência"! A coerência de um presidente da República, com letra minúscula.

Um perigo!

Como Adriano Moreira confessava há dias, num dos canais de televisão (a RTP, se não estou em erro) também não tenho o dom da adivinhação. No entanto, como tudo quanto o que é comentador televisivo, e não só, antecipa que Cavaco Silva vai optar por manter em funções o governo descredibilizado de Coelho & Portas, com ou sem remodelação, aceito também como boa essa hipótese. E não só aceito, como acho que é meu dever vir em socorro dessa tese.
É que, de facto, partir para eleições é uma iniciativa perigosa. Direi mesmo que é perigossíssimo dar a palavra ao povo e nada conforme com uma democracia à moda de Cavaco, Coelho e Portas, democracia que é do tipo "destrua-se embora o país, mas, ao menos, salve-se o calendário".
Imaginem só o perigo que Portugal correria se os "tugas" se lembrassem de ter a ousadia de escolher um governo que fosse capaz de fazer ouvir-se por essa Europa fora e bater o pé ao estrangulamento forçado da economia do país e ao empobrecimento generalizado dos portugueses!
Manter um governo de "bons" alunos, como Pedro e Paulo, que não só aceitam todas as exigências dos mercados e dos credores como até têm ido mais além em matéria de sacrifícios, é muito mais prudente. E não só. É também a única forma de os portugueses se poderem redimir de todos os "pecados" de terem vivido "acima das suas possibilidades". Com um Governo insubmisso, os portugueses corriam o sério risco de não alcançar esse objectivo prosseguido desde a primeira hora e com o fanatismo próprio dos recém convertidos, pelo governo de Coelho & Portas. 
Com o governo de Coelho & Portas, os portugueses vão continuar a perder couro e cabelo, mas, no final da penitência, é muito provável que ainda lhes sobre pano para fazerem uma túnica tão alva que quem os vir há-de julgar que são uns "anjinhos". E não será favor nenhum. É que são mesmo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sem olhar a meios

Tanto quanto me é dado saber, ainda não vi nenhum adversário do "acordo de compromisso de salvação nacional" proposto por Cavaco ao PS, PSD e CDS, usar de meios ilegítimos para se opor à concretização do dito "compromisso". O que tenho visto são pessoas politicamente responsáveis e empenhadas que consideram que tal acordo é sim um "compromisso de destruição nacional" e que, considerando-o como tal, se têm manifestado contra a sua assinatura por parte do PS, num exercício mais que legítimo de cidadania, expressando publica e livremente a sua opinião. 
Seria de esperar de um presidente da República, mesmo com letra minúscula, que soubesse que, em qualquer democracia digna desse nome, os cidadãos têm o direito de se expressar e de se manifestar livremente, cumprindo-lhe a ele, em primeira mão e mesmo discordando das opiniões expressas, respeitar o exercício desses direitos. 
Diria mais: neste caso, Cavaco teria toda a conveniência que se abstivesse de usar expressões como "não (...) olhar a meios", porque há factos que falam por si e onde o "não olhar a meios" se pode aplicar com toda a propriedade. 
Basta lembrar a "inventona das escutas" urdida na Presidência da República, durante o seu primeiro mandato, que visava derrotar o PS nas eleições legislativas de 2009; ou os discursos proferidos na sua última tomada de posse e no 25 de Abril 2011, que envergonhariam qualquer Presidente da República com um mínimo de sentido de Estado, discursos que objectivamente serviram para incentivar a oposição a derrubar o último Governo de José Sócrates. 
É que, digo eu, todo o cuidado é pouco para quem tem telhados de vidro. É mais ou menos esta a lição que se pode tirar do que diz o povo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A pergunta que se impõe

Um "governo forte e coeso", seguro da sua força e coesão e apostado em continuar a trilhar o mesmo caminho seguido até aqui, segundo se ouviu da boca de  Passos Coelho e de Paulo Portas durante o debate da moção de censura apresentada pelo PEV, e que acaba, a crer nos partidos da maioria parlamentar, de sair reforçado com a rejeição pela mesma maioria da moção de censura, precisa que o PS subscreva um "compromisso de salvação nacional" para quê?
Uma pergunta que é dirigida simultaneamente aos partidos do governo, ao PS e ao visitante e pernoitante nas Ilhas Selvagens. 
Só para ver se a gente se entende. Eu confesso que não estou a entender.

"Compromisso? Para quê?"

"O apelo presidencial ao compromisso político de "salvação nacional" provocou uma significativa comoção e uma animada polémica na sociedade portuguesa.
Por princípio nada me move contra os apelos democráticos ao compromisso entre forças políticas diversas. O conflito e o compromisso fazem parte da matriz fundadora da moderna democracia.
É na natureza, objetivos e consequências do apelo presidencial que está a questão central desta inovação.
A crise política que irrompeu da paz podre em que vivia a coligação, com as demissões de Gaspar e Portas, não foi uma surpresa resultante de maus humores, infantilidades ou incompetências. Ela resulta da sua incapacidade de gerir o fracasso de uma política económica e social com mais de dois anos. Resulta da perceção, assumida ou não, de que o modelo de "austeridade expansionista" fracassou e que as tentativas de o remendar, que a maioria ensaiou entre a quinta e a sétima avaliação da troika, não são viáveis.
Acerca disto - da substância da crise - o Presidente nada disse. Muito falou acerca dos inconvenientes de chamar o povo a decidir, mas nada disse sobre os resultados de não o fazer.
Acredito há muito que Portugal precisa de um compromisso e existem muitos pontos de confluência na nossa sociedade acerca do presente e do futuro. Mas há dois aspetos em que esse compromisso não pode ser equívoco: a política económica e orçamental para 2013/14 e a gestão da dívida pública.
O único compromisso que serve a economia e a sociedade portuguesa é um compromisso para travar a espiral recessiva, a política de acrescentar mais recessão à recessão, para impedir novas medidas de austeridade.
A razão é simples: não há nenhuma hipótese de recuperar ou estabilizar a situação económica, de parar o crescimento do desemprego, se as opções económicas da carta de Passos Coelho à troika de 3 de maio forem concretizadas.
Relembro que, dos 4,3 mil milhões de euros que o ainda PM [primeiro-ministro] prometeu cortar para 2014, pelo menos 3,3 mil milhões são diretamente em salários e pensões. Para além dos problemas constitucionais de algumas das medidas, para além da sua brutalidade em termos sociais, tal significa uma redução do rendimento das famílias em mais de 2% do PIB. Se para o Presidente é isto o fechar do programa da troika, e nada nos sugere o contrário, então não falamos de compromisso, nem de salvação nacional, falamos de encontrar uma forma de prolongar uma política face à qual os seus autores ou não acreditam ou não têm capacidade de concretizar. Nenhum compromisso político alargado pode passar por aqui.
Quanto à dívida pública, poucas questões têm reunido uma convergência tão alargada na sociedade portuguesa. Ainda que com visões diferentes, vozes da esquerda à direita têm insistido na necessidade de renegociar os termos e o modelo de pagamento da dívida pública.
Esta convergência resulta duma verdade relativamente simples: os juros da dívida que resultarão da ficção do regresso aos mercados em 2014 e o nível dessa dívida que se arrisca a atingir os 140% do PIB, asfixiam qualquer hipótese de crescimento económico capaz de gerar os recursos suficientes para... pagar esses juros.
Qualquer compromisso que não seja construído com base nesta dura realidade e que não desista de construir uma outra saída, não será um compromisso mas apenas um ato de cumplicidade com uma perigosa ilusão.
Sim, Portugal necessita de um compromisso alargado para recuperar a confiança na saída desta terrível crise económica e para poder assumir sem hesitações a sua pertença à União Europeia e à Zona Euro. É certo que é preciso que da Europa soprem novos ventos. Mas até para isso, para ajudar a forçar essa mudança de ventos, um compromisso alargado é importante.
Um compromisso que mostre à Europa aquilo que, nela, tantos já sabem: que mais austeridade não corrige o défice nem trava a dívida, que uma quebra do investimento que em três anos recua em mais de um terço arrasa as possibilidades de recuperação económica e orçamental, que a destruição do emprego de forma brutal retira as bases mínimas de coesão social e que estamos demasiado perto de romper as bases do contrato social do Estado de Direito.
Um compromisso que mostre à Europa que é possível outro caminho para responder à crise das dívidas soberanas, e que não é aceitável que na União Europeia existam alguns que ganham com o sofrimento sem fim de outros.
Só assim será útil um compromisso democrático e nacional. Largo, difícil e exigente. Mas viável.
Dir-me-ão que este novo compromisso não é possível com Passos Coelho. É muito provável ou mesmo quase certo. Não ouviram falar em eleições antecipadas? Pois, é mesmo isso."
(J.A. Vieira da Silva, deputadodo PS. Aqui)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Cavaco, a direita, o PS e o interesse nacional

Sob a invocação do "interesse nacional" Cavaco veio "impor" aos partidos do governo e ao PS a celebração de um "compromisso de salvação nacional" que, por muito estranho que possa parecer, tem tem fortes hipóteses de vir a ser subscrito pelo PS.
Digo muito estranho, porque qualquer que venha a ser o desenho final do famigerado  "compromisso", este não tem em vista o "interesse nacional", pois não passa de um expediente que permita salvar a pele de Cavaco e do seu governo de direita que, tendo abraçado, levianamente, o caminho da austeridade "custe o custar", estão, nesta altura, metidos num atoleiro até ao pescoço. 
O "interesse nacional" perfilhado por Cavaco e pela direita que o elegeu confunde-se sempre com os seus próprios interesses. E, se dúvidas houvesse bastaria atentar no que se passou nos idos de Março de 2011. Nessa altura, Cavaco e a direita, recusaram a aprovação do PEC IV forçando, com tal recusa, a demissão do então primeiro-ministro José Sócrates e a queda do Governo PS, quando estava mesmo à vista que o "interesse nacional" passava pela aprovação do PEC IV, aprovação que teria evitado a entrada da troika no país com todo o cortejo de desgraças que se lhe seguiram.
Cavaco e os partidos da direita não viram então as coisas por este prisma e, por isso, não quiseram salvar o país da humilhação resultante da intervenção da troika. Ontem, como hoje, o "interesse nacional" que invocam não se distingue do seu próprio interesse, que, na altura, ditava que o importante era que o "pote" do poder lhes caísse nas mãos o mais depressa possível. Como, de facto, veio a acontecer.
António José Seguro tem, pelos vistos, fraca memória. Só a falta de memória pode explicar que Seguro alinhe com Cavaco e com os partidos do governo nesse tal "compromisso" que põe sem dúvida em causa tudo aquilo que o próprio PS defendia como sendo do interesse nacional. Este, a crer nas declarações proferidas pelo PS, nos últimos tempos, passava pela queda deste governo e pela realização imediata de eleições antecipadas.
Pelos vistos, Seguro, além de fraca memória, também tem um conceito volátil do que seja o  "interesse nacional".
Cá se fazem, cá se pagam. Tão certo como 2 e 2 serem 4.


"Tenha[m] medo, muito medo"

Não há como não dar a mão à palmatória: o "bom sinal" avistado no "post" anterior, era, afinal, um sinal de fumo. Na verdade, estava já a ser queimada qualquer  hipótese de haver um qualquer entendimento à esquerda, entendimento que já se antevia difícil face às posições tomadas pelo PCP, mas que a recusa do PS em "entrar no jogo" tornou impossível.
Aparentemente, a crer no que se escreve hoje nos jornais, o PS prefere dar a mão a Cavaco e a toda a direita, alinhando no tal "compromisso de salvação nacional".
António José Seguro lá saberá as linhas com que se cose, mas, a meu ver, é caso para repetir aqui o aviso hoje deixado no "Público" (edição impressa) pelo Rui Tavares: "Tenha[m] medo, muito medo".


terça-feira, 16 de julho de 2013

Apesar de tudo, um bom sinal

Provavelmente a proposta apresentada pelo BE ao PS e ao PC no sentido de iniciarem conversações tendentes á "aprovação das bases programáticas de um governo de esquerda" não passará de mais uma iniciativa votada ao insucesso, tendo em conta que o PCP não parece disposto a dialogar com PS, pois o excluiu de uma série de encontros por ele proposta, encontros com vista à "afirmação de um Portugal desenvolvido e soberano”, seja lá isto o que for.
Em todo o caso, a iniciativa do BE parece demonstrar que pelo menos este partido não está disposto a refugiar-se numa retórica ultrapassada que, infelizmente, o PCP continua a cultivar,  a sonhar, por certo, com os "ontens" que não cantaram. Com o proveito que, ao longo destes dois últimos anos, tem estado bem à vista.
Mesmo assim, a iniciativa do BE tem que ser vista como um passo  em frente na direcção da união das esquerdas e, só por isso, já é de saudar. Como é de saudar a resposta pronta do PS em anuir à iniciativa. O que não estou a ver muito bem é como é que o agora tão requisitado PS, à direita e à esquerda, consegue desdobrar-se por forma a dar resposta a tanto convite, nem que respostas vai poder dar, no final.
Até por esse motivo me parece que houve da parte da direcção do PS uma grande dose de precipitação, para não dizer mais, ao responder lesta e positivamente ao repto lançado, tarde  e a más horas, pelo presidente da República, tendente à obtenção de um "compromisso de salvação nacional" com os partidos do governo, pois tal compromisso mais não é que a forma encontrada para Cavaco salvar a face e para, ao mesmo tempo, escamotear as responsabilidades do  actual governo, por ele patrocinado, na situação de desastre a que conduziu o país.
O país precisa, sem dúvida, de uma alternativa a esta governação, mas não se compreende muito bem como é que essa alternativa pode passar por qualquer dos partidos responsáveis pelo desastre. Se é para o desastre continuar, que continue com os mesmos responsáveis: Cavaco, PSD e CDS, a troika cá do sítio.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Estranheza por estranheza

Pela boca do deputado Duarte Pacheco, o PSD veio manifestar a sua estranheza pelo facto de o PS ter anunciado que vai votar favoravelmente a moção de censura apresentada pelo partido "Os Verdes", Baseando a estranheza no facto de o PS ter aceite o repto do presidente da República para participar nas negociações tendentes à celebração de um  "compromisso de salvação nacional".
O deputado Duarte Pacheco não deixa de ter alguma razão para falar em "estranheza", mas mais estranho seria que o PS, que já apresentou, ele mesmo, idêntica moção, visando o derrube do governo e que não cessa de reclamar a realização eleições antecipadas, não se manifestasse agora a favor da moção de "Os Verdes"
Onde porém reside o maior motivo para estranheza é no facto de o PS ter cedido à chantagem do presidente da República ao aceitar participar nas referidas negociações que, diga-se, mais não são do que um expediente para Cavaco se eximir às suas próprias responsabilidades. 
Cheguem ou não tais negociações a bom porto, só o simples facto de ter aceite participar nelas já é um sinal de fraqueza. António José Seguro se queria ser tido na conta de um líder à altura das circunstâncias, teria apenas que dizer não.
Cavaco é hoje um presidente em acelerada perda de influência e as ameaças que deixou subentendidas na sua declaração não são sequer para levar a sério, pois o povo também já o não leva a sério. Por isso, para recusar a chantagem, nem era necessária uma grande dose coragem. Pelos vistos e lamentavelmente, Seguro nem essa pequena dose possui.

domingo, 14 de julho de 2013

Produto fora de prazo

"Se o Governo fosse um produto transacionável, a ASAE já o teria removido das prateleiras da democracia e responsabilizado os partidos da maioria parlamentar que o suportam. Apesar de um prazo de validade nominal de quatro anos, este "produto" começou a dar sinais de degradação ao fim de apenas um ano, acabando por apodrecer ao fim de dois, isto é, apenas a meio do prazo.
(...)
A liderança, corporizada pelo primeiro e pelos restantes ministros, deixou dúvidas desde o primeiro dia. Entregar megaministérios a governantes inexperientes, sem peso político para se imporem perante os pares e sem o conhecimento necessário para trabalharem com os atores da sociedade e da economia é, naturalmente, erro de principiante. Mas o melhor diagnóstico deste elenco ministerial foi a imagem derrotada e acabrunhada da bancada do Governo no debate do estado da Nação de sexta-feira. Ministros que não se olhavam, um ministro demissionário que ao que parece tinha já arrumado o gabinete, outro que tem guia de marcha para ser substituído, outra que poderá ver o seu Ministério partido a meio, enfim, uma vergonha para a nossa democracia.

A ASAE é, neste caso, o presidente da República. E, ao contrário da atenta e diligente ASAE da vida real, Cavaco Silva foi dando espaço a um produto em decadência, ao ponto de, quando finalmente a podridão se manifestou de dentro para fora, ver o seu espaço de manobra muito limitado. O caminho, por muito que custe ao presidente, será fatalmente uma eleição antecipada, quanto antes, melhor. Porque em democracia não há artifício político que contorne o sufrágio. Tem consequências na execução do plano de assistência? Certamente que sim. Mas se há dois anos foi possível juntar as três principais forças políticas e negociar um memorando com a troika num quadro de eleições antecipadas, não vejo por que razão não se pode agora renegociar o programa de ajuda, envolvendo as mesmas forças, partindo para um ato eleitoral que nos traga um Governo mais capaz.

Vale aqui recordar o famoso artigo de Cavaco escrito em 2004, no qual recuperou a lei de Gresham para estabelecer o paralelo entre a má moeda que expulsa a boa moeda e os políticos incompetentes que expulsam os políticos competentes. O professor alertava à data para a necessidade de inverter este efeito. Pois bem, esta é a hora de, na primeira pessoa, o agora presidente protagonizar aquilo que no passado defendeu: substituir o mau produto, fora de prazo, por um outro com validade.
(José Mendes; "Governo fora de prazo". Na íntegra: aqui.)

Obviamente ! (II)

"1- Cavaco não se importou que este Governo demonstrasse a sua incompetência a toda a hora, conviveu calmamente com a profunda impreparação, suportou o deslumbramento ideológico e a ignorância, mas não aguentou ser humilhado e chantageado pelos líderes da coligação. Enquanto foi com o País, o Presidente aguentou, quando lhe tocou a ele, a conversa foi outra e acabou a confiança. Digamos que se esperava bem mais de Cavaco Silva. Mas, convenhamos, nem este presidente, disposto a tudo para não exercer as suas funções, poderia pactuar com o lamentável espectáculo das últimas semanas. Nem o mais inconsciente dos presidentes teria mantido a confiança nos presidentes dos partidos da coligação.

Passos e o ex-político Portas são tão credíveis e Cavaco Silva confia tanto neles que aquela espécie de golpe de Estado, em que um partido com 12% dos votos passava a governar o País sob o olhar de um primeiro-ministro que passaria a ser um rei das Berlengas com residência em São Bento, não lhe mereceu uma palavrinha que fosse.

Como é que o Presidente quer que CDS, PSD e PS façam um acordo, ou seja, que confiem uns nos outros quando ele próprio não tem o mínimo de confiança nos líderes dos dois partidos da coligação? Que parte do "vocês estão a mais" Passos e Portas não perceberam?

2- Parece, porém, que Passos e Portas não perceberam que o Presidente não confia neles e nem quer ouvir falar do take-overdo Governo pelo CDS. O primeiro-ministro, aliás, confessou no debate do Estado da Nação que ainda tem de interpretar "aquilo", leia-se o discurso do Presidente da República. Talvez fosse por isso que repetiu que tem um mandato e quer cumpri-lo, esquecendo que Cavaco já lhe tinha, pelo menos, cortado um ano.

Já Portas, o politicamente incompatível, ou pelo seu óbvio problema em entender o significado das palavras ou por estar irritado por lhe terem estragado a barganha, insistiu. Disse, no seu discurso, que a remodelação proposta era a solução para todos os problemas de coesão governamental. Só faltou mesmo dizer que ele e Passos beberam alguma coisa que lhes tinha finalmente feito ter sentido de Estado.

Talvez por estar a ver que Passos e Portas, o que obedece à sua consciência, não teriam percebido a parte do discurso em que demonstrava que já não contava com eles, talvez por não estar a gostar do espectáculo degradante que estava a ser levado à cena no hemiciclo, em que um ex-ministro demissionário ou ex-futuro vice-primeiro-ministro ou actual ninguém sabe o quê discursava, ex-futuros ex-ministros sorriam como se nada fosse, ex-futuros ministros fantasmas pairavam sobre a sala e um primeiro-ministro reafirmava o sucesso da sua política sem sequer sorrir, o Presidente da República fez um comunicado durante o debate do Estado da Nação ordenando aos partidos que se despachassem. Mais, lembrou que transmitiu aos líderes dos partidos quais eram os elementos que deviam ser tomados em conta.

Comunicar aos partidos àquela hora que tinham de chegar depressa a um acordo e quais eram os elementos que deviam ter em conta foi como dizer que o que se estava a passar na Assembleia era uma perda de tempo e que ele, e não os partidos, é que sabia o que estava em causa.

3- Cavaco tinha razão: aquele debate foi uma perda de tempo. Como também é uma perda de tempo o que ele está, tarde e a más horas, a tentar fazer. Promover um acordo de regime com estes interlocutores, neste momento, já não faz sentido. É inútil repetir que a perda de credibilidade em Passos e Portas é total, que a falta de sentido de Estado dos dois é chocante. É inútil voltar a lembrar o desastre das políticas. É inútil recordar a carta de Gaspar, a demissão de Portas, a sucessão de trapalhadas. É demasiado evidente que este Governo já não governa, apenas estrebucha e que não há remodelação que o regenere.

Claro que o Presidente sabe que um acordo com esta gente é impossível, que manter o País onze meses em campanha eleitoral é insustentável, que Seguro não pode aceitar nenhum tipo de acordo, que o resgate ou outro nome que lhe queiram dar é inevitável. Cavaco está apenas a fingir que acredita num acordo para que possa marcar eleições antecipadas agora dizendo que tentou tudo.

Sim, fazer já eleições é uma péssima solução, mas é a melhor de todas. A que permite limpar o ar, a que permitirá montar uma solução de consenso com alguma credibilidade, sem estes líderes, portanto."

(Pedro Marques Lopes; "Insustentáveis". Daqui)

Obviamente ! (I)

"O objetivo de Cavaco é entalar o PS" (Manuel Alegre)

Para discutir o quê e para acordar o quê?

Para Cavaco se ter lembrado de vir agora exigir  aos partidos que assinaram o memorando com a "troika", "um compromisso de salvação nacional", alguma coisa deve ter, entretanto, mudado, a menos que a explicação para a nova postura de Cavaco resida naquilo a que o Nuno Saraiva designa por "Magistratura de vingança". 
Que Cavaco é "vingativo e egocêntrico"  é um facto reconhecido por muita gente, mas não me parece que a mudança de atitude face ao governo PSD/CDS possa ser ser explicada por forma tão simples fazendo apelo apenas aos seus humores e rancores. Não é que os estados de alma de Cavaco não possam explicar algumas das suas voltas e reviravoltas, como tudo indica que foi o que se passou aquando da série de acontecimentos que levaram à queda do último Governo de José Sócrates,  queda que ele promoveu e patrocinou. 
Seja assim ou seja assado, tudo indica que Cavaco se deu conta finalmente de que o "barco" mete água por todos os lados, embora tenha chegado a tal conclusão muito tarde e a más horas para alguém que se vangloria de ser um economista com enorme experiência (pergaminhos que, embora falsos no que respeita à enorme experiência, até lhe serviram para se valorizar como candidato à Presidência  da República) e provavelmente  apenas após o surgimento dos alertas deixados pelo ex-ministro Gaspar na sua carta de demissão. Isto passa-se quando o falhanço do governo já era denunciado por pessoas de todos os quadrantes, desde dirigentes dos partidos da oposição e militantes dos partidos do governo até dirigentes sindicais e patronais e comentadores de todas as tendências salvo um ou outro como os fanáticos José Gomes  Ferreira e Camilo Lourenço. Tal era, aliás, de há muito,  perfeitamente visível através dos indicadores oficialmente postos à disposição até do cidadão comum. A persistência de Cavaco em negar a evidência, mantendo, ao longo dos dois últimos anos, a postura de forte esteio do governo não abona nada a favor da sua agudeza de julgamento, para não ir mais longe. Mas enfim, como diz o outro, mais vale tarde do que nunca.
Acontece, porém, que a leitura que, presumivelmente, Cavaco agora faz da situação está muito longe de coincidir com a opinião do governo Passos/Portas.
Para os dirigentes dos partidos que formam o governo tudo vai bem e acabam de o reafirmar durante o debate da Nação, debate onde Passos e Portas até se congratularam com a iniciativa do partido "Os Verdes" que se lembrou de apresentar uma moção de censura, porque tal iniciativa lhes vai proporcionar a oportunidade de demonstrar que o governo continua a gozar do apoio firme da maioria parlamentar, estando em condições de prosseguir o seu caminho, agora, pretensamente ainda mais forte  e coeso, depois da promoção de Portas a vice-primeiro-ministro, apesar de tal promoção estar ainda no congelador de Cavaco Silva.
Sabe-se, por outro lado, que não é essa a visão do Partido Socialista que não só apresentou, há tempos, uma moção de censura, como não se tem cansado de exigir, nos últimos tempos, a realização, quanto antes, de eleições antecipadas.
Perante este cenário, que não estou a inventar, e não tendo o governo, nem os partidos que o sustentam reconhecido publicamente até agora que a política por eles prosseguida falhou redondamente todos os objectivos e conduziu o país a uma situação de desastre, faz algum sentido que o PS esteja disponível para se sentar à volta da mesma mesa com os partidos do governo?
Para discutir o quê e para acordar o quê?

sábado, 13 de julho de 2013

O beco


"Completamente absurda. A solução que o Presidente da República apresentou na quarta-feira ao país consegue ser muitíssimo pior do que aquilo que estava em cima da mesa: ou a continuação do Governo em funções (...) ou eleições antecipadas.

Pois com o inesperado gato que tirou da cartola, Cavaco Silva parece ter querido várias coisas. A primeira foi acertar contas antigas com Paulo Portas e com a afronta que este lhe fez, ao demitir-se quando a nova ministra das Finanças ia a caminho de Belém para tomar posse. A segunda foi fazer o mesmo com Pedro Passos Coelho, de quem não gosta e ao qual critica a forma como tem lidado com os reformados e pensionistas. A terceira foi, mais uma vez, dar a entender que está acima dos políticos e que não se mistura com tais pessoas. E a quarta foi 'entalar' as lideranças do PSD, CDS e PS, com o compromisso de salvação nacional, num quadro político que está longe de estar clarificado.

Acontece que, com a decisão que tomou, Cavaco lançou um boomerang, que está a dar a volta e vai acabar por o atingir violentamente. Na verdade, o que o Presidente fez foi acabar com a remodelação em curso e anunciar que vai manter em funções um governo de gestão, obviamente fragilizado e que não terá qualquer capacidade para alcançar aquilo que ele defendia, a saber: a estabilidade política e financeira, a reforma do Estado, o corte de €4,7 mil milhões da despesa pública e a luz verde da troika na 8ª e 9ª avaliações.


Mais: ao pedir um acordo de médio prazo entre PSD, CDS e PS, está a colocar o PS em maus lençóis, porque António José Seguro, que tem defendido eleições antecipadas e que recusou colaborar no corte de 4,7 mil milhões na despesa pública, terá de enfrentar uma revolta interna se voltar com a palavra atrás e pode mesmo ver a sua liderança colocada em causa.

Aliás, ao afirmar que "se esse compromisso não for alcançado, os portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que aspiram a ser Governo", o que Cavaco propõe é a decapitação das atuais lideranças do PSD, CDS e PS e a sua substituição por um primeiro-minístro da sua confiança.
O pequeno problema é que os delírios presidenciais, além de lançarem o país num pântano político e numa crise sem fim à vista, que virá acompanhada pela turbulência dos mercados, não são exequíveis. Ou alguém no seu perfeito juízo acredita, como disse Cavaco, que esse acordo, que deve incidir sobre "a governabilidade do país, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade e a criação de emprego", "não se reveste de grande complexidade técnica" e "poderá ser alcançado com alguma celeridade"? E como se chega ao que Presidente quer, sem o apoio dos partidos, que ele descredibiliza?

Há quem acredite que, com isto, conseguiremos renegociar o memorando de entendimento. Mas isso já o teríamos de fazer com este ou outro Governo, porque o memorando é incumprível. E fazê-lo tendo por pano de fundo um Governo de gestão e uma campanha eleitoral de oito meses será sempre mais difícil. Foi nessas circunstâncias que Cavaco colocou o país."
(Nicolau Santos; "O beco em que Cavaco nos meteu". Texto publicado hoje no Caderno de Economia do "Expresso")

"Resmas" de bom senso

Precisam-se para entrega urgente no Palácio de Belém. 
Cavaco tinha na mão duas soluções bem simples e facilmente exequíveis para resolver a crise política originada com a demissão de Gaspar e com o pedido de demissão de Portas:  ou dava seguimento à remodelação proposta por Passos Coelho, caso mantivesse a confiança no governo saído da actual coligação, ou, no caso contrário, dava a palavra ao povo, convocando de imediato eleições antecipadas. Qualquer destas soluções, ainda que contestáveis, ou à direita, ou à esquerda, conforme a opção, era inteligível. A solução por que optou para além de incompreensível é, de longe, a mais prejudicial ao país, porque o lança num caos que se pode prolongar indefinidamente, situação que não desagrada, por certo, aos especuladores que apreciam águas turvas, onde encontram o melhor ambiente para fazer os seus negócios. Para além de excelente para especuladores, a proposta de Cavaco também pode ser vista como uma forma de o próprio não assumir as responsabilidades que sobre ele impendem. Lançando sobre os partidos a responsabilidade de encontrarem uma saída para a crise, Cavaco lava uma vez mais as mãos como Pilatos. Suponho que não foi para isso que ele foi eleito.

Se não for pedir muito, convém que na encomenda venham também "resmas" de coragem para entrega a António José Seguro para que ele seja capaz de recusar um acordo que é, a todas luzes, prejudicial para o partido que dirige e, o que é mais importante, para o país. Não curando agora dos riscos que o PS corre se alinhar no compromisso que Cavaco propõe, porque são mais que evidentes, há que reiterar com firmeza que o povo português precisa e tem direito a que lhe sejam apresentadas alternativas claras pelas quais possa optar. A democracia não se compadece com soluções pré-formatadas que, no essencial, é o que Cavaco propõe. Negociações, se delas houver necessidade, só depois de eleições em que o povo tenha tido a possibilidade de dizer livremente o que quer. 
Se Seguro não quiser ser cilindrado pelos manhosos no poder, não pode exigir outra coisa que não seja a realização imediata de eleições e sem condições prévias. Se Cavaco não quiser seguir por aí, que assuma ele a responsabilidade de manter a actual coligação no poder, pois a decisão cabe-lhe a ele. Seguro só tem que ter a coragem de devolver a bola a Belém. Parece-me que nem  é preciso ter muita coragem para dar um tal chuto. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O belo estado a que isto chegou

O debate sobre o estado da Nação foi mais propriamente um debate sobre o estado a que isto chegou: um estado, sem dúvida, lamentável em que os principais actores políticos mais não fazem que representar uma cena de pantomina. Passos Coelho faz de conta que tem a sua legitimidade e a sua credibilidade intacta, como se não tivesse sido desautorizado e humilhado publicamente pelo presidente da República; Portas profere o discurso de encerramento como se não fosse um ministro demissionário; e até Cavaco Silva se lembra de emitir, durante o debate, um comunicado em que exige aos partidos que concluam num prazo muito curto as negociações tendentes à celebração do "compromisso de salvação nacional", como se os termos desse compromisso estivessem já minimamente estabelecidos e como se a celebração de tal compromisso fosse um dado assente. Que não é.
Disse pantomina, mas deveria antes falar de teatro do absurdo, pois os últimos desenvolvimentos políticos se para algum lado apontam é para o absurdo da situação em que o país vive. País que, por esta altura, é um pântano onde existe um presidente da República que vai além dos seus poderes, mas não usa os que a Constituição lhe confere;  um governo que é assim, mas que quer ser assado; e uma oposição que não se une e, como tal, não ata, nem desata.
Belo estado a que isto chegou!

Os "mercados" também são idiotas

Pelos vistos, os "mercados" também  não compreenderam a mensagem de Cavaco.
Ó gentes, então não se está mesmo a ver que a solução de Cavaco é portadora de ESTABILIDADE?
Não repararam que Cavaco recusa partir para eleições antecipadas em nome da ESTABILIDADE? Cavaco faz tudo, mas mesmo tudo, incluindo o patrocínio do derrube de governos (como no caso do anterior) para assegurar a ESTABILIDADE.
Não está mesmo à vista?
Não se façam desentendidos. Vamos lá parar, JÁ, com essa desenfreada subida das taxas de juro!

Temos presidente?

António Capucho, em artigo de opinião publicado no "Público" de hoje, acha que sim, que temos presidente, embora não se fique a perceber bem porquê. Ora, é evidente a todas a luzes que o que  temos é um presidente que não está `altura das suas funções, pois não toma atempadamente as decisões que o estado do país reclama. O que está vista  é a confusão instalada depois das últimas declarações de Cavaco Silva, que muito boa gente não percebeu aonde quer chegar, nem o modo de atingir o objectivo pretendido. Mas não é apenas a  confusão que está instalada. Também a instabilidade que já tinha assentado arraiais, recrudesceu após a intervenção de Cavaco, pois ninguém sabe qual vai ser a saída para a crise política iniciada com o pedido de demissão de Portas e agravada pela inabilidade de Cavaco em a resolver de uma vez por todas.
A prova está, aliás, bem à vista: os juros e o risco de bancarrota dispararam.
Se é isto o que os apoiantes de Cavaco esperam de um Presidente da República, então não há dúvida de que estão muito bem servidos. O povo português é que não!