De acordo com esta notícia, a "Geórgia vai receber 3,40 mil milhões de euros de ajuda à recuperação", importância proveniente de fundos públicos ( 2,8 mil milhões de euros ) e privados (600 milhões de euros) e com a qual se visa propiciar àquele país os meios necessários à restauração da sua economia grandemente afectada pelo recente conflito entre a Rússia e a Geórgia. Sendo verdade que a Rússia se excedeu na resposta à invasão da Ossétia do Sul por parte da Geórgia (invasão que esteve na base do conflito) não é menos verdade que foi a Geórgia quem tomou a iniciativa de romper o statu quo, aparentemente sem medir as consequências e também aparentemente sem dar cavaco a ninguém, embora quanto a este aspecto tenha as minhas dúvidas. Seja como for, a referida doação é de tal montante que me pergunto se não será caso para se dizer que, por vezes, o crime compensa.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Com o freio nos dentes
Ao insistir na recusa da última proposta de cessar-fogo apresentada pela Geórgia, a Rússia revela que tem a noção de que, nas circunstâncias actuais, nenhum Estado, nem qualquer organização internacional está em condições de lhe fazer frente e mostra que a sua alegação de que, com a sua intervenção visou apenas evitar um genocídio na Ossétia do Sul não passa de um disfarce para as suas verdadeiras intenções.Sejam estas quais forem, do que não há dúvidas é que, efectivamente, nem os Estados Unidos (pelas razões já enunciadas aqui) nem a União Europeia (que não passa de um anão político, como uma vez mais se demonstra, e que, aliás, está à mercê da Rússia, de quem depende no que respeita aos fornecimento de petróleo e de gás natural) estão em condições de travar o ataque da Rússia à Geórgia, mesmo depois de esta se mostrar desejosa de um cessar-fogo. Menos ainda poderá fazer a ONU, onde a Rússia dispõe do direito de veto, em relação a qualquer resolução que venha a ser proposta no Conselho de Segurança.
A Rússia comporta-se, neste caso, como um cavalo com o freio nos dentes (que ninguém controla) desejosa de se vingar das humilhações (verdadeiras ou falsas) que sente terem-lhe sido infligidas na sequência da implosão da União Soviética.
Do que também não há dúvida é que o Presidente da Geórgia, por erro de cálculo, ou por confiança em ajudas prometidas que não chegaram, ofereceu á Rússia uma excelente oportunidade para se reafirmar como potência militar e para alcançar os seus objectivos que, se não me engano, passam, no imediato, pela independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkázia.
ACTUALIZAÇÃO: Confirmam-se as piores previsões: O "cavalo" russo (ou antes, o urso russo) está imparável. Segundo as últimas notícias, tropas russas entraram em território georgiano e estabeleceram nova frente de combate .
(A imagem foi copiada aqui)
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Jogos perigosos !
Aproveitando o início dos Jogos Olímpicos de Pequim, o Presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili desencadeou uma ofensiva para retomar o controlo da capital da região separatista da Ossétia do Sul, tudo indicando que o fez imponderamente, não tendo em devida conta todos os dados em presença.
A Geórgia tem do seu lado o direito internacional (a Ossétia do Sul encontra-se dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas) mas está demonstrado, até por exemplos recentes (Iraque e Kosovo, só para citar alguns) que o direito internacional quando desapoiado da força, é inerme. Essa é a realidade, por muito que se lamente que assim seja.
Sabendo-se que a Ossétia do Sul só tem mantido a sua independência de facto, graças ao apoio indefectível da Rússia, não seria muito ousado prever que, perante a ofensiva das forças da Geórgia, Moscovo viesse, uma vez mais, em apoio dos separatistas da Ossétia do Sul, tanto mais que a Rússia tem agora, com a independência do Kosovo, um bom pretexto para se sentir mais livre para intervir, à margem do direito internacional. Intervenção, aliás, já concretizada e já denunciada pelo Presidente, Mikhail Saakashvili, segundo o qual o seu país está a ser vítima de agressão por parte da Rússia e também já confirmada por correspondentes internacionais .
Tudo indica que Mikhail Saakashvili, ao tomar a iniciativa, terá esperado o apoio por parte dos Estados Unidos, que nele tem tido um aliado seguro e estrategicamente valioso, mas para qualquer observador é evidente que as circunstâncias actuais [envolvimento em vários conflitos (Iraque e Afeganistão), relações tensas com o Irão e a Coreia do Norte e o fim do mandato do Presidente Bush,] não são de molde a permitir um confronto dos Estados Unidos com a Rússia, confronto, que, aliás, mesmo sem tais condicionantes, sempre seria altamente improvável, senão impossível, pelos riscos inerentes, que são óbvios.
Os Estados Unidos vão, decerto, envolver-se diplomaticamente (Condoleezza Rice já anunciou ir desencadear uma iniciativa internacional para tentar resolver o conflito naquela região separatista) mas não irão mais longe do que isso, porque simplesmente não podem. Se dessa iniciativa resultar a reposição do statu quo ante, já a Geórgia terá razões para se congratular, pois, perante a desigualdade das forças em presença, não é de afastar a hipótese de a Geórgia vir a sair fortemente penalizada deste conflito em que se envolveu.
ADENDA : O conflito tem tendência para se agravar, com a intervenção no conflito por parte dos separatistas da Abkhazia, e com os bombardeamentos russos a infra-estruturas económicas e a diversas cidades da Geórgia, incluindo Gori, onde terão sido atacados alvos civis. Como sinal do agravamento, temos, além do mais, a declaração de estado de guerra por parte da Geórgia decretada pelo Presidente Saakashvili e aprovada unanimemente pelo parlamento.
Parece, por outro lado, que a intervenção dos Estados Unidos não irá além das iniciativas diplomáticas, como parece inferir-se das palavras do Presidente Bush que, ainda em Pequim, se limitou a pedir o fim imediato da violência na Ossétia do Sul .
Goradas estarão, pois, as expectativas da Geórgia em obter uma ajuda mais substancial por parte dos Estados Unidos e de outros Estados europeus, o que, a confirmar-se, como tudo indica, revela que os dirigentes da Geórgia cometeram um grave erro de cálculo quando decidiram enveredar pela ofensiva contra a Ossétia do Sul, aproveitando um momento de distracção da comunidade internacional com os olhos postos em Pequim. Foi também um jogo por parte do Presidente Saakashvili, só que este é um jogo perigoso, como o demonstra a situação actual do conflito.
Façamos votos para que este tenha um rápido final.
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