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sábado, 3 de janeiro de 2009

Faixa de Gaza: Coisas que não entendo !

O Conselho da União Europeia, presidido pelo primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolánek disse que a ofensiva de Israel por terra na Faixa de Gaza era defensiva e não ofensiva. (O Bold é meu).

Se entrar pela casa do vizinho, adentro, com as armas na mão, é defensivo, o que será ofensivo ? Há coisas (como esta posição do Conselho da União Europeia, em si própria, contraditória nos termos) que, embora me esforce, não compreendo !
E tanto ódio de parte a parte e tanta morte horroriza-me. Simplesmente!

PEACE NOW !
(Imagem daqui)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Porquê a guerra e não a paz?

Quem, com a serenidade e a objectividade possível, procure analisar o conflito entre o Estado de Israel e os Palestinianos, ao longo das últimas décadas, ou tão só a actual intervenção das forças armadas israelitas contra o Hamas na Faixa de Gaza, só pode concluir estarmos perante uma obra de loucos. Duma parte e doutra, diga-se desde já, porque é evidente que nem a luta do Hamas, nem os ataques israelitas, conseguirão atingir os seus objectivos declarados.
Na verdade, estou certo que nem o mais obtuso dos dirigentes do Hamas acredita ainda que venha a ser possível a destruição do Estado de Israel. A existência do Estado de Israel é um facto e a história demonstra que Israel tem meios mais que suficientes para derrotar qualquer adversário que se disponha a enfrentá-lo, incluindo o Hamas, por muitos que sejam os apoios de países árabes ou de países islâmicos de que beneficie ou de que possa vir a beneficiar.
Por outro lado, é também evidente que Israel, pese embora toda a sua força militar, não conseguiu no passado, e não conseguirá no futuro, neutralizar as organizações palestinianas que se lhe opõem. Pela força das armas, Israel só conseguiria alcançar tal objectivo se pudesse exterminar todo um povo. Ora é seguro que não só não pode, como não quer.
Mas sendo assim, como explicar o facto de Israel continuar a investir na guerra e não na paz ? E falo em Israel, porque, como é óbvio, é Israel quem está em posição de poder adoptar uma nova atitude para com o povo palestiniano acantonado na Faixa de Gaza. É ele quem controla todos os acessos a Gaza e é por isso o responsável pelas restrições e humilhações que são infligidas diariamente à população que ali vive, como é testemunhado pelas organizações internacionais autorizadas a operar no terreno.
O coração dos povos conquista-se, não com a guerra, que só serve para o endurecer, mas sim apostando na compaixão e esta é verdadeiramente a senha para obter a paz .
Dir-se-á que esta é uma visão simplista e utópica. Simplista é-o seguramente, porque, propositadamente, se ignoraram as razões de queixa de uma e de outra parte, por se entender que, pela via dos ressentimentos, não se chegará a nenhuma conclusão. Utópica, admito que sim, mas, paradoxalmente, a única realista, pois que, pela via da força, não foi possível até agora alcançar a paz e, pelo que ficou dito, também não será essa a via para a atingir no futuro.
De qualquer modo, esta visão não é sequer original. Não faltam movimentos num e noutro lado da barricada que entendem que este é o caminho a seguir e nem sequer falta a figura inspiradora de um Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel assassinado quando participava num comício pela paz na Praça dos Reis, em Tel Aviv. Por um louco, digo eu, numa terra de loucuras e de desesperos vários (a Palestina)!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cada guerra, uma benção...para os especuladores

Será demasiada ousadia afirmar que as fomentam, mas do que não há dúvida é que as guerras são uma benção para os especuladores. Foi assim com as guerras no Iraque e com as perpectivas de intervenção no Irão (para só citar casos relativamente recentes) e o mesmo está a acontecer agora com o conflito entre a Rússia e a Geórgia. Com esta guerra, eis que, uma vez mais, o preço do petróleo volta a subir.

Com o freio nos dentes

Ao insistir na recusa da última proposta de cessar-fogo apresentada pela Geórgia, a Rússia revela que tem a noção de que, nas circunstâncias actuais, nenhum Estado, nem qualquer organização internacional está em condições de lhe fazer frente e mostra que a sua alegação de que, com a sua intervenção visou apenas evitar um genocídio na Ossétia do Sul não passa de um disfarce para as suas verdadeiras intenções.
Sejam estas quais forem, do que não há dúvidas é que, efectivamente, nem os Estados Unidos (pelas razões já enunciadas aqui) nem a União Europeia (que não passa de um anão político, como uma vez mais se demonstra, e que, aliás, está à mercê da Rússia, de quem depende no que respeita aos fornecimento de petróleo e de gás natural) estão em condições de travar o ataque da Rússia à Geórgia, mesmo depois de esta se mostrar desejosa de um cessar-fogo. Menos ainda poderá fazer a ONU, onde a Rússia dispõe do direito de veto, em relação a qualquer resolução que venha a ser proposta no Conselho de Segurança.
A Rússia comporta-se, neste caso, como um cavalo com o freio nos dentes (que ninguém controla) desejosa de se vingar das humilhações (verdadeiras ou falsas) que sente terem-lhe sido infligidas na sequência da implosão da União Soviética.
Do que também não há dúvida é que o Presidente da Geórgia, por erro de cálculo, ou por confiança em ajudas prometidas que não chegaram, ofereceu á Rússia uma excelente oportunidade para se reafirmar como potência militar e para alcançar os seus objectivos que, se não me engano, passam, no imediato, pela independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkázia.
ACTUALIZAÇÃO: Confirmam-se as piores previsões: O "cavalo" russo (ou antes, o urso russo) está imparável. Segundo as últimas notícias, tropas russas entraram em território georgiano e estabeleceram nova frente de combate .
(A imagem foi copiada aqui)