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domingo, 25 de junho de 2023

Putin, ainda não foi desta...


Ainda não foi desta vez que chegou a hora da partida para Putin. Fica para a próxima (que se deseja esteja para breve) porque é mais que evidente que a força do Presidente da Federação Russa já conheceu muito melhores dias. De facto, o mais surpreendente em todo este caso da "rebelião" desencadeada pelo chefe do grupo mercenário que responde pelo nome de Wagner, foi a facilidade com que Prigozhin tomou a importante cidade de Rostov e do respectivo comando militar  e como conseguiu chegar com parte das suas tropas a 200 quilómetros da capital Moscovo, sem encontrar forças militares da Federação que de forma séria lhe tivessem oferecido resistência, como seria expectável. 
Do acordo negociado para pôr termo à cavalgada em direcção a Moscovo, resultou, para já, no "exílio" de Prigozhin na Bielorússia, não sendo de excluir o seu assassnato a mais ou menos curto prazo, seguindo os usos e costumes do Kremlin, segundo é fama. Putin permanece no cargo, mas duvido que nesta altura ainda haja na Rússia muita a gente a vê-lo como uma reincarnação do czar Pedro I, o Grande. Mais depressa será visto como o fanfarrão manhoso, sem escrúpulos e fraco que, de facto, é.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Desta nos livrámos nós...

A guerra do gás entre a Rússia e Ucrânia parece que, por agora, terá chegado ao fim e, como consequência, prevê-se para breve o retomar do fornecimento dos gás russo aos países europeus que dele foram privados enquanto durou o conflito.
A Europa terá contudo que tirar lições do caso, pois não é ousado conjecturar que a situação de corte de fornecimento se volte a repetir. Diversificar as fontes de abastecimento parece ser a conclusão a tirar, se bem que o assunto não diga directamente respeito a Portugal, uma vez que as nossas fontes de abastecimento se situam noutras paragens. Por uma vez, beneficiámos com a posição geográfica de Portugal, no extremo ocidental da Europa. Alguma vez havia de ser!

domingo, 28 de setembro de 2008

E porque não ?



A proposta apresentada por Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, durante o seu discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, com vista à realização de uma cimeira europeia para debater uma proposta para a criação de um novo sistema de segurança colectivo na Europa, tenderá a ser vista pelos países ocidentais, como uma forma de desviar as atenções da recente invasão da Geórgia e da ocupação das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkásia, por parte da Rússia.
É possível que a ideia tenha sido essa, mas também pode muito bem representar um desejo genuíno de estabelecer um relacionamento descomplexado entre todos os países europeus, por forma a pôr termo a dezenas de anos de desconfiança. Seja como for, a meu ver, a ideia é boa a todos os títulos, já que só traria vantagens para todos os países europeus, Rússia incluída e, em boa verdade, a criação de um sistema de segurança colectivo na Europa tem lógica e faz sentido, pois a Rússia, volens nolens, é um país europeu e, ultrapassada que foi a fase da construção do "socialismo", os seus valores não diferem grandemente dos vigentes nos restantes países europeus.
A proposta, no entanto, dificilmente fará caminho nos tempos mais próximos, pois contará, à partida, com a oposição frontal dos Estados Unidos, cuja influência na Europa viria a diminuir drasticamente, se o sugerido sistema de segurança viesse a ser concretizado. Provavelmente, a maioria dos políticos dos países europeus (demasiado enfeudados aos interesses norte-americanos, apesar do unilateralismo defendido e praticado pela actual administração Bush) também não revelará grande entusiasmo. E, finalmente, contará certamente com a desconfiança dos países outrora integrados na órbita da União Soviética, ou como seus membros, ou como países signatários do Pacto de Varsóvia.
Quem sabe, no entanto, se a ideia não poderá germinar e um dia florir? O mundo tem dado tanta volta!
(A imagem de Serguei Lavrov é daqui)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sem surpresa ...

Embora se trata de uma simples opinião, esta não andará longe da realidade, embora me pareça que o correcto é falar em integração e não em anexação. Importa, aliás, reconhecer que o mais difícil nesse caminho está já está ultrapassado. Depois da invasão da Geórgia pela Rússia, aproveitando o ensejo proporcionado pela imprudência do presidente georgiano, veio o reconhecimento da independência das duas regiões separatistas. Agora só falta mesmo que as populações da Abkásia e da Ossétia do Sul se pronunciem formalmente no sentido da integração na Federação Russa, resultado que não é difícil alcançar, conhecida que é a sua preferência.
Não tendo pretensões a vidente, a verdade é que este resultado não constitui para mim qualquer surpresa, pois, de tão lógico, já aqui tido sido previsto.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Com o freio nos dentes

Ao insistir na recusa da última proposta de cessar-fogo apresentada pela Geórgia, a Rússia revela que tem a noção de que, nas circunstâncias actuais, nenhum Estado, nem qualquer organização internacional está em condições de lhe fazer frente e mostra que a sua alegação de que, com a sua intervenção visou apenas evitar um genocídio na Ossétia do Sul não passa de um disfarce para as suas verdadeiras intenções.
Sejam estas quais forem, do que não há dúvidas é que, efectivamente, nem os Estados Unidos (pelas razões já enunciadas aqui) nem a União Europeia (que não passa de um anão político, como uma vez mais se demonstra, e que, aliás, está à mercê da Rússia, de quem depende no que respeita aos fornecimento de petróleo e de gás natural) estão em condições de travar o ataque da Rússia à Geórgia, mesmo depois de esta se mostrar desejosa de um cessar-fogo. Menos ainda poderá fazer a ONU, onde a Rússia dispõe do direito de veto, em relação a qualquer resolução que venha a ser proposta no Conselho de Segurança.
A Rússia comporta-se, neste caso, como um cavalo com o freio nos dentes (que ninguém controla) desejosa de se vingar das humilhações (verdadeiras ou falsas) que sente terem-lhe sido infligidas na sequência da implosão da União Soviética.
Do que também não há dúvida é que o Presidente da Geórgia, por erro de cálculo, ou por confiança em ajudas prometidas que não chegaram, ofereceu á Rússia uma excelente oportunidade para se reafirmar como potência militar e para alcançar os seus objectivos que, se não me engano, passam, no imediato, pela independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkázia.
ACTUALIZAÇÃO: Confirmam-se as piores previsões: O "cavalo" russo (ou antes, o urso russo) está imparável. Segundo as últimas notícias, tropas russas entraram em território georgiano e estabeleceram nova frente de combate .
(A imagem foi copiada aqui)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jogos perigosos !

Aproveitando o início dos Jogos Olímpicos de Pequim, o Presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili desencadeou uma ofensiva para retomar o controlo da capital da região separatista da Ossétia do Sul, tudo indicando que o fez imponderamente, não tendo em devida conta todos os dados em presença.
A Geórgia tem do seu lado o direito internacional (a Ossétia do Sul encontra-se dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas) mas está demonstrado, até por exemplos recentes (Iraque e Kosovo, só para citar alguns) que o direito internacional quando desapoiado da força, é inerme. Essa é a realidade, por muito que se lamente que assim seja.
Sabendo-se que a Ossétia do Sul só tem mantido a sua independência de facto, graças ao apoio indefectível da Rússia, não seria muito ousado prever que, perante a ofensiva das forças da Geórgia, Moscovo viesse, uma vez mais, em apoio dos separatistas da Ossétia do Sul, tanto mais que a Rússia tem agora, com a independência do Kosovo, um bom pretexto para se sentir mais livre para intervir, à margem do direito internacional. Intervenção, aliás, já concretizada e já denunciada pelo Presidente, Mikhail Saakashvili, segundo o qual o seu país está a ser vítima de agressão por parte da Rússia e também já confirmada por correspondentes internacionais .
Tudo indica que Mikhail Saakashvili, ao tomar a iniciativa, terá esperado o apoio por parte dos Estados Unidos, que nele tem tido um aliado seguro e estrategicamente valioso, mas para qualquer observador é evidente que as circunstâncias actuais [envolvimento em vários conflitos (Iraque e Afeganistão), relações tensas com o Irão e a Coreia do Norte e o fim do mandato do Presidente Bush,] não são de molde a permitir um confronto dos Estados Unidos com a Rússia, confronto, que, aliás, mesmo sem tais condicionantes, sempre seria altamente improvável, senão impossível, pelos riscos inerentes, que são óbvios.
Os Estados Unidos vão, decerto, envolver-se diplomaticamente (Condoleezza Rice já anunciou ir desencadear uma iniciativa internacional para tentar resolver o conflito naquela região separatista) mas não irão mais longe do que isso, porque simplesmente não podem. Se dessa iniciativa resultar a reposição do statu quo ante, já a Geórgia terá razões para se congratular, pois, perante a desigualdade das forças em presença, não é de afastar a hipótese de a Geórgia vir a sair fortemente penalizada deste conflito em que se envolveu.
ADENDA : O conflito tem tendência para se agravar, com a intervenção no conflito por parte dos separatistas da Abkhazia, e com os bombardeamentos russos a infra-estruturas económicas e a diversas cidades da Geórgia, incluindo Gori, onde terão sido atacados alvos civis. Como sinal do agravamento, temos, além do mais, a declaração de estado de guerra por parte da Geórgia decretada pelo Presidente Saakashvili e aprovada unanimemente pelo parlamento.
Parece, por outro lado, que a intervenção dos Estados Unidos não irá além das iniciativas diplomáticas, como parece inferir-se das palavras do Presidente Bush que, ainda em Pequim, se limitou a pedir o fim imediato da violência na Ossétia do Sul .
Goradas estarão, pois, as expectativas da Geórgia em obter uma ajuda mais substancial por parte dos Estados Unidos e de outros Estados europeus, o que, a confirmar-se, como tudo indica, revela que os dirigentes da Geórgia cometeram um grave erro de cálculo quando decidiram enveredar pela ofensiva contra a Ossétia do Sul, aproveitando um momento de distracção da comunidade internacional com os olhos postos em Pequim. Foi também um jogo por parte do Presidente Saakashvili, só que este é um jogo perigoso, como o demonstra a situação actual do conflito.
Façamos votos para que este tenha um rápido final.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não sei que vos diga nem que vos conte...


Perante esta notícia, não sei que vos diga nem que vos conte, mas lá que este cavalheiro não parece funcionar bem da tola, é bem verdade.
Não faltam neste nosso planeta focos de tenção internacional. Perguntar-se-á, por isso, qual o interesse em criar mais um, desta feita às portas dos Estados Unidos? É sabido que Chávez não morre de amores pelos Estados Unidos, mas chegar a este ponto, já parece desvario a mais. Esperemos que a Rússia tenha o bom senso de recusar o convite, o que estou convicto virá a ser o caso, pois não estará disposta a embarcar em aventureirismos.
(A ilustração foi tirada daqui)