Mostrar mensagens com a etiqueta Orçamento do Estado para 2017. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Orçamento do Estado para 2017. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Grande Centeno!

Se quiser falar de embustes na sobretaxa olhe para o lado, não olhe para mim” [Resposta do ministro das Finanças Mário Centeno ao deputado do PSD Leitão Amaro (que tinha a seu lado a antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque) durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2017]
Na mouche !
(imagem e citação daqui)

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Orçamento do Estado: um problema para a direita

«A direita está um pouco perdida, e não é para menos. Depois de todo o barulho pré-Orçamento, com uma mexida de impostos noticiada quase todos os dias, o argumentário estava preparado.

Dando de barato a legitimidade para o PSD e o CDS reclamarem contra o aumento de impostos, o problema foi outro. É que, mais uma vez, o Governo trocou as voltas a quase todos. E também à direita. 

É um exercício que consolida com pouca ou nenhuma "austeridade", que prevê um crescimento naturalmente incerto mas não extraordinariamente fantasioso, devolve rendimentos e faz um ajustamento estrutural. (...)

Tal como Centeno "escreveu direito por linhas tortas" - no feliz título de um trabalho publicado ontem pelo Negócios - ou seja, vai conseguir cumprir o défice por caminhos muito diferentes dos anunciados, em 2017 há também essa ausência de linearidade simplista. Resultado: a direita manteve os argumentos já preparados antes de conhecer os números, mesmo que o aumento da receita seja limitado. 

(...)

Surgem agora, naturalmente, os paladinos do crescimento. Que estiveram escondidos durante anos, vestidos de paladinos da consolidação e que agora criticam a rigidez de Mário Centeno no que toca às contas públicas, com efeitos nefastos sobre a economia. (...)

Agora, no Orçamento para 2017, mais de metade da consolidação prevista vem do crescimento da economia (PIB maior, logo menor défice em função do PIB). A provar que, quando se está a subir, todos os santos ajudam. 

Há alguns truques (o BPP e os dividendos do Banco de Portugal como ajuste estrutural, por exemplo) e muitas incógnitas no documento, que está dependente de factores externos que podem obrigar novamente a um maior aperto na despesa. Mas ninguém se atreveu a dizer que não existe uma possibilidade razoável de o exercício dar certo. E só esta possibilidade é uma enorme diferença face aos últimos anos, e um problema para a direita resolver

(Tiago Freire; "A subir todos os santos ajudam". Na íntegra: aqui)

Um não que é garantia de qualidade

Dizem as notícias que Pedro Passos Coelho, o (graças a Zeus) ainda lider do PSD, garantiu, em entrevista dada recentemente ao Público, que "o Orçamento do Estado para 2017 é mau".
Passos Coelho não será a pessoa mais indicada para se pronunciar sobre a qualidade do Orçamento do Estado, ou sobre qualquer  outra matéria relacionada com finanças públicas, sabendo-se que, enquanto primeiro-ministro, foi incapaz de elaborar um único Orçamento que não carecesse de ser objecto de um ou mais rectificativos. 
Não será, dizia eu e não é mesmo. Ainda assim, porque a credibidade que atribuo à palavra dele é tanta que um não pronunciado por ele tem para mim o valor de um sim, tomo a afirmação dele como garantia de qualidade do Orçamento do Estado para 2017. Se, para Passos Coelho, o Orçamento é mau, para mim é bom. Forçosamente, ainda que, por força dos muitos constrangimentos, alguns da responsabilidade do dito cujo, não se possa falar de um Orçamento excelente.
(Notícia e ilustração daqui)

domingo, 16 de outubro de 2016

Chamem o exorcista!

Chamem e com urgência, porque o mafarrico anda mesmo a fazer das suas.
O primeiro-ministro António Costa garantiu, durante o debate quinzenal que teve lugar no passado dia 14, que o diabo, ao contrário do vaticinado por Pedro Passos Coelho, não só não pediu para entrar no país, como nem sequer se apresentou aos balcões do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Ainda que não ponha em dúvida a afirmação do primeiro-ministro, a verdade é que tudo indica que o demo, ainda que por caminhos ínvios e utilizando portas e travessas, entrou no país e se encontra entre nós.
De facto, não encontro outra explicação para o comportamento que tem vindo a ser atribuído a alguns dos principais responsáveis pela política de austeridade do governo cessante, com particular destaque para a ex-ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque (MLA), a qual, segundo a comunicação social, terá proferido afirmações que são a perfeita negação de tudo quanto ela defendeu e levou à prática, enquanto governante. 
Com efeito, alguém acredita que ela, uma pessoa supostamente séria, responsável, enquanto ministra do governo cessante, não só por cortes nas pensões e nos salários e por aumentos de impostos como não há memória, e pelo agravamento das desigualdades como nunca se viu em tempo algum, seria capaz de afirmar que o OE assenta muitíssimo no aumento de impostos generalizado e vai reforçar a injustiça social e as desigualdades”? Eu muito simplesmente não acredito, tanto mais que é certo que, com frequência, MLA  tem vindo a acusar o actual Governo precisamente do contrário.
Maria Luís Albuquerque, já se viu, ao longo dos últimos anos, é capaz de muita coisa, mas nem a ela julgo capaz de tamanho descaramento. Resta, por isso, a hipótese, que tenho na conta de certeza, de as afirmações que lhe são atribuídas não serem dela, mas do manhoso que, perito em disfarces, se tem feito passar por ela.
Alguém tem dúvidas? Admito que sim e por isso faço o apelo: chamem o exorcista! Só  ele poderá, afinal, pôr tudo em pratos limpos.
(Ilustração daqui)

sábado, 15 de outubro de 2016

A esganiçada

"Estamos aqui em Bragança, no Nordeste Transmontano, onde a caça é relevante, de facto parece que abriu a época da caça ao contribuinte, porque todos os impostos ou foram mexidos ou foram agravados ou foram criados novos impostos" (Assunção Cristas)
Uma afirmação desta natureza, na boca da actual líder do CDS/PP, proferida depois de serem já conhecidas as linhas gerais do Orçamento de Estado que apontam para uma diminuição, ainda que limitada, da carga fiscal, como é quase unanimemente reconhecido, é ao mesmo tempo desprovida de sentido e reveladora do desconforto de quem durante quatro anos e meio fez parte do governo responsável pelo maior aumento de impostos de que há memória. 
É dos livros que quando não se tem razão, eleva-se o tom de voz para disfarçar o vazio da argumentação. Com fracos resultados, dizem também os livros.
Assunção Cristas, pelos vistos, não leu os livros, concluo eu. Como ainda é nova, pode ser que ainda vá a tempo de aprender.  À sua própria custa, espero bem.
(Ilustração daqui)