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sábado, 20 de julho de 2013

O único que sai a perder

Não falta quem garanta, nos media, com frequência, sem qualquer convicção, mas apenas e só com o propósito de enganar pategos, que com o rompimento das negociações do "compromisso de salvação nacional" proposto por Cavaco Silva, os partidos envolvidos nas negociações sairão sempre a perder.
Não me parece que seja assim, pois independentemente de se saber a quem cabe a responsabilidade ultima pelo desenlace (feliz, a meu ver) a credibilidade de qualquer dos intervenientes não foi minimamente beliscada, pois que se sabia, à partida, que o compromisso era impossível, a menos que os partidos do governo, por um lado e o PS, por outro, fizessem tábua rasa do essencial das posições que têm vindo a defender. Se tal tivesse acontecido, aí sim, haveria razão para ser legítimo desconfiar do partido que mais longe tivesse ido nas cedências.
Não tendo sido o caso, quem saiu a perder em toda a linha foi apenas e só Cavaco Silva que, frustrada a sua tentativa de sacudir a água do capote, vai ter que optar por uma das duas soluções que tinha em cima da mesa e que rejeitou: ou convoca eleições antecipadas, hipótese que os comentadores dão como improvável, embora seja a única que, do meu ponto de vista, permitiria uma clarificação da situação política e uma mudança de rumo (inevitável, mais cedo ou mais tarde), ou aceita a manutenção em funções deste governo, remodelado ou não, mas de todo o modo desacreditado e ao qual nem o próprio Cavaco Silva já atribui capacidade, nem competência para levar a nau a bom porto.
Qualquer que venha  a ser a opção, Cavaco Silva vai ter que fazer marcha atrás e engolir o que disse, o que não pode deixar de afectar a sua reputação e de diminuir a sua influência enquanto órgão de soberania.
Uma última nota:
Não falo sequer sobre se, com o rompimento das negociações, o país saiu a ganhar ou a perder, porque o interesse do país, tal como eu objectivamente o entendo, nem foi tido nem achado na farsa montada por Cavaco Silva, o que se tornará ainda mais evidente se o PR  mantiver em funções um governo em que, pelo menos alegadamente, já não confia.

"O seu a seu dono"

Que Cavaco Silva age em função dos seus interesses e não tendo em conta o interesse do país, já era para mim uma evidência. A última farsa por ele ensaiada com a proposta de um "compromisso de salvação nacional" a assumir pelo PS, PSD e CDS, confirma a minha convicção.
A recusa por parte de António José Seguro em dar continuidade à farsa, para além de reforçar a credibilidade do PS como alternativa política a este governo desacreditado, teve também o indiscutível mérito de forçar Cavaco Silva a assumir, com toda a clareza, as suas responsabilidades, entregando "o seu a seu dono". Como deve ser.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Proposta de "Compromisso de Salvação Nacional" apresentada pelo PS

Na íntegra, aqui.

Temos homem!

Contra a maioria das previsões e as expectativas optimistas expressas ontem por Cavaco Silva e não obstante as pressões vindas do patronato e da própria Igreja Católica, António José Seguro acaba de anunciar que o PS não vai assinar o "compromisso de salvação nacional", proposto por Cavaco Silva.
Ficámos a saber que, afinal, Seguro não transige na defesa dos valores por que o PS sempre se bateu.
Só posso congratular-me com esta decisão. Afinal, temos homem!
Temos homem, e continuamos a ter oposição e alternativa. Graças a Zeus!
Se há, ou não, governo é que não sabemos. Cavaco terá agora de desembrulhar, como lhe competia desde a primeira hora, a embrulhada em que se meteu e em que nos queria meter.

Sem olhar a meios

Tanto quanto me é dado saber, ainda não vi nenhum adversário do "acordo de compromisso de salvação nacional" proposto por Cavaco ao PS, PSD e CDS, usar de meios ilegítimos para se opor à concretização do dito "compromisso". O que tenho visto são pessoas politicamente responsáveis e empenhadas que consideram que tal acordo é sim um "compromisso de destruição nacional" e que, considerando-o como tal, se têm manifestado contra a sua assinatura por parte do PS, num exercício mais que legítimo de cidadania, expressando publica e livremente a sua opinião. 
Seria de esperar de um presidente da República, mesmo com letra minúscula, que soubesse que, em qualquer democracia digna desse nome, os cidadãos têm o direito de se expressar e de se manifestar livremente, cumprindo-lhe a ele, em primeira mão e mesmo discordando das opiniões expressas, respeitar o exercício desses direitos. 
Diria mais: neste caso, Cavaco teria toda a conveniência que se abstivesse de usar expressões como "não (...) olhar a meios", porque há factos que falam por si e onde o "não olhar a meios" se pode aplicar com toda a propriedade. 
Basta lembrar a "inventona das escutas" urdida na Presidência da República, durante o seu primeiro mandato, que visava derrotar o PS nas eleições legislativas de 2009; ou os discursos proferidos na sua última tomada de posse e no 25 de Abril 2011, que envergonhariam qualquer Presidente da República com um mínimo de sentido de Estado, discursos que objectivamente serviram para incentivar a oposição a derrubar o último Governo de José Sócrates. 
É que, digo eu, todo o cuidado é pouco para quem tem telhados de vidro. É mais ou menos esta a lição que se pode tirar do que diz o povo.