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terça-feira, 2 de outubro de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

As "sanguessugas"

Eles (Relvas & C.ª) bem que falavam, antes do assalto ao poder, em "gorduras" do Estado. Afinal, Relvas, pelo menos, sabia muito bem do que falava, por experiência própria. De facto, segundo as contas da "Visão" (edição de hoje) a autarquia de Tomar, gastou, só nos últimos seis anos,  a bela maquia de 26.463 euros com o telemóvel atribuído a Relvas.
Poderá objectar-se que é tudo legal. Mesmo perante a eventual objecção, nem sequer me vou dar ao trabalho de saber se a atribuição de um telemóvel ao presidente da Assembleia Municipal de Tomar (ou de qualquer outro município), sem limites na sua utilização e à custa do contribuinte é legal ou não. Pela razão simples de que se é legal, é evidente, a todas as luzes, que não o deveria ser.
Não estou com isto a defender que a atribuição de telemóveis de serviço deva ser simplesmente abolida. Muito longe disso,  porque, em muitos casos, essa atribuição tem plena justificação.  É o caso dos membros dos executivos governamentais e camarários e dos directores-gerais e chefes de serviço da administração central e local. Nesses casos faz todo o sentido, dentro de certos limites, como óbvio.
Não assim no caso ora vindo a público, nas páginas da Visão, em relação a  Relvas, caso que, admito, não será único.
Seja ou não seja caso único, é inadmissível que alguém, na situação de Relvas (presidente duma qualquer assembleia municipal) tenha direito à atribuição de telemóvel para usar como bem entender e ainda por cima, como no caso dele, sem limitação nos gastos. A participação, durante um ano, em meia dúzia (se tantas) reuniões da Assembleia Municipal de modo nenhum o justifica, até porque as reuniões são convocadas com antecedência e não é por telemóvel.
Quem assim procede, gastando quantias exorbitantes, como no caso de Relvas, usando em proveito próprio, dinheiros públicos, sem qualquer justificação (legal, ou não) merece inteiramente o nome de  "sanguessuga". 
Não ganhou, porventura, esta espécie o direito a tal designação exactamente porque se alimenta  sugando o sangue alheio? E qual a diferença?

sábado, 17 de setembro de 2011

Um grande logro

O anúncio do Plano de Redução e Melhoria da Administração Central do Estado (PREMAC) que prevê a supressão de 142 organismos e a criação de 26, onde se incluem medidas já anunciadas pela enésima vez, como a extinção dos governos civis, com uma poupança estimada de 100 milhões de euros (valor insignificante se comparado, por exemplo, com a dívida encoberta pela Administração  Alberto João Jardim) é a prova provada de que o Governo PSD/CDS, é incapaz de cortar nas "gorduras do Estado", o que não deixa de ser surpreendente tratando-se de partidos que, durante a campanha eleitoral, já sabiam muito bem onde cortar e até já tinham as contas feitas. 
Estamos, é claro, perante um logro de todo o tamanho que nos vai sair caro a todos. Já sabemos parte do que vamos pagar pela via dos sucessivos aumentos dos impostos e das tarifas dos transportes públicos, ainda assim insuficientes para reduzir o défice e consolidar as contas públicas, tarefa agora dificultada pela descoberta dos "esqueletos" guardados no armário pelo Governo Regional da Madeira, liderado pelo PSD*. Ora sendo assim, e visto que o Governo não é capaz de cortar nas "gorduras", é mais que certo que o Governo vai reduzir as despesas sociais, na área da saúde, da educação e da segurança social, o que vale por dizer que serão, de novo, os cidadãos, e em especial a classe média, a suportar a factura e a sofrer na pele as consequências do logro.
Ainda haverá, por aí, alguém que não se sinta logrado?
(*Ironias do destino: quem falava de "esqueletos no armário" acaba de os encontrar na própria casa!)

domingo, 4 de setembro de 2011

Mas que raio de "gorduras" são estas ?

Depois dos sucessivos aumentos de impostos, o Governo veio finalmente anunciar uns quantos cortes nas despesas sociais, cortes a suportar pelos Ministérios da Saúde (810 milhões de euros) da Educação (309,3 milhões de euros) e da Segurança Social (200 milhões).
Mas alto lá, que estes cortes nada têm a ver com os prometidos cortes nas "gorduras do Estado". Estes cortes são, isso sim, cortes na pele dos cidadãos. Ou antes, cortes na carne, que quem corta assim, corta forte e feio.
E, sendo assim, parece que, afinal, quem paga, uma vez mais, a factura são os cidadãos, os mesmos que já são vítimas dos aumentos de impostos. Os cortes nas "gorduras" ficam, de novo e pelos vistos, à espera que cheguem as calendas gregas. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Lesto a "sacar", lento a cortar

Sobre a dissonância entre o que diz o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, nº 2 do Governo e o e o que sai da boca do nº 1 (Passos Coelho) sobre a justificação para o surpreendente  imposto extraordinário já disse aqui o que tinha a dizer.
Reparo agora, ao ler esta notícia, que Passos Coelho é tão lesto a criar novos impostos quão lento a cortar na despesa. Diz ele que as medidas de contenção serão anunciadas até ao final de Agosto.
Com franqueza, não se compreende como é que o homem que, aquando das negociações para a viabilização do Orçamento de Estado de 2011, já sabia onde é que havia que cortar na despesa para não haver aumento de impostos, agora, que é primeiro-ministro, não sabe ainda, a estas horas, por onde começar. No final de Agosto, saberá ?
Duvido e tenho todas as razões para duvidar. De facto, se a primeira medida que tomou foi precisamente a de criar um novo imposto, traduzindo-se a apregoada justiça na repartição dos sacrifícios em ir ao bolso dos mesmos contribuintes de sempre (os que vivem do fruto do seu trabalho) fica mais que legitimada a dúvida sobre a credibilidade a atribuir às palavras do primeiro-ministro. Isto, claro, para quem ainda lhe atribuía alguma.