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terça-feira, 4 de maio de 2010

"Mea culpa, mea maxima culpa"

Parece confirmar-se a realização, no próximo dia 10, de um encontro entre Cavaco Silva e um grupo de ex-ministros da Finanças, já qualificado, bem apropriadamente, como a "brigada do reumático". Não obstante concordar com a designação, prefiro, contudo, incluir os referidos ex-ministros no rol dos "padres da vinagreira" de que fala Frei Bento Domingues. Pois não é verdade que aqueles, à semelhança destes, mais não fazem do que meter medo e contribuir para criar um clima de depressão colectiva?
Dizem por aí que o encontro se destina a debater o tema dos grandes investimentos públicos. Ora, não creio que tal vá ser o objecto da reunião e por duas razões. À uma, porque a questão dos investimentos públicos (grandes ou pequenos) é do foro e da competência do Governo (que, por isso, terá de responder por eles) e não da Presidência da República. Não tem, pois, Cavaco Silva legitimidade para meter o bedelho no assunto, nos termos da Constituição que ele tantas vezes invoca. É verdade que muitas vezes, em vão. Mesmo assim, sobra-me, em todo o caso, uma outra razão e com muito maior peso: tratando-se de uma reunião entre o "pai do monstro" (Cavaco Silva, segundo Cadilhe) e ex-ministros das Finanças, todos, em maior ou menor grau, responsáveis pelo descontrolo das contas públicas, o mais natural e, logo, o mais provável é que aproveitem o ensejo para fazer um "mea culpa" colectivo.
Dito isto, só espero que não batam com a mão no peito com tanta força, nem façam tanta penitência quanto a requerida pela gravidade das faltas, pois não desejo que saiam da sessão penitencial a necessitar de tantos cuidados médicos que ponham em causa o Serviço Nacional de Saúde. Que, por essa forma, ou por outra, lá capazes disso são eles!
E de muito mais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Em boa hora...


Foi hoje adjudicada a concessão do troço do TGV Poceirão-Caia, integrado na ligação ferroviária de Alta Velocidade entre Lisboa e Madrid.
Como assinalou o primeiro-ministro, José Sócrates, feitos os estudos que havia a fazer, o facto de se viver actualmente numa situação de crise mundial, é mais uma razão para avançar na concretização do projecto, pois o país precisa de mais investimento e de oportunidades de emprego, oportunidades que este projecto vai trazer, ao criar milhares de postos de trabalho.
E, contrariamente ao que proclamam os profetas da desgraça, pelo menos para este projecto, os fundos não faltam, dispondo-se o consórcio vencedor a investir 1359 milhões de euros.
(Imagem daqui)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A lição mal estudada ?

Quando Manuela Ferreira Leite nos vem dizer, repetidamente, que "não há dinheiro para nada" e vemos o Presidente da República convergir com a posição do Governo, defendendo que os investimentos rentáveis, privados ou públicos, devem ser concretizados e que não é por causa da crise que devem ser adiados, temos que concluir que a "aluna" tem a lição mal estudada.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A mensagem não passa ...

...diz ela. E quando passa, dá nisto, digo eu. "Não há dinheiro para nada", repete Manuela Ferreira Leite.
Eis, que, entretanto, o Estado português e o Banco Europeu de Investimento (BEI) assinaram hoje um acordo que prevê o financiamento de 40 mil milhões de euros nos próximos dez anos destinado a projectos de infra-estruturas, incluindo o novo aeroporto e o comboio de alta velocidade. (Neste parágrafo, quase só o sublinhado é meu).
Desenvolvimento da notícia: aqui.
"Cada cavadela, minhoca", diria o outro.

sábado, 25 de outubro de 2008

Já agora, quais ?

Finalmente, o PSD, pela voz de Rui Rio, vem também responder à entrevista de José Sócrates dada ao Diário de Notícias e à TSF, criticando a opção do governo em continuar com o investimento em obras públicas, com o argumento de que tais obras vão secar o crédito às empresas (afirmação que está por provar). Defendeu também que os investimentos públicos devem ser "muito bem ponderados" (e tem razão) e que o Governo, nesta altura, deveria apenas avançar "com aqueles que contribuam para um grande reforço da competitividade da economia" (e tem novamente razão). Mas já agora pergunto: Quais e onde ? A um político, com as responsabilidades de Rui Rio, como vice-presidente do PSD, exige-se mais do que simples generalidades, acho eu.
Até posso concordar que o endividamento externo do país pode ser excessivo. Em todo o caso, o endividamento justifica-se mais em épocas de crise do que em tempo de vacas gordas. Ora, os tempos em que vivemos e os que se aproximam são de vacas magras e as empresas e as famílias não se governam só com crédito. Porventura, nesta altura, o que mais faz falta é confiança e esta não se ganha sem alguma dose de optimismo, digo eu.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Venha de lá a receita ...

Vítor Bento lamenta crescimento “anémico” em encontro da Sedes
Lamentar também eu lamento. A um economista pede-se um pouco mais: venha de lá a receita para inverter a situação. Criticar é fácil. Fazer, um tanto mais difícil.
Na peça para que remete o link supra, o orador advertiu ainda "para o facto de os investimentos públicos de grande dimensão deverem ser reavaliados de forma criteriosa".
Também acho e até suponho que estudos e avaliações foi coisa que não tem faltado. Então no que respeita ao novo aeroporto é conhecida a profusão de estudos feitos. Admito, todavia, que, em face das novas circunstâncias (petróleo caro e sem perspectivas de alteração) se justifique a realização de novos estudos para ter em conta a nova realidade e, designadamente, para definir quais os grandes investimentos a que deve ser atribuída prioridade. Isto, claro está, se não houver ainda compromissos já firmados e cuja resolução nos faça gastar dinheiro sem proveito.
Segundo Vítor Bento, o défice externo é a “maior ameaça exterior” ao controlo da economia portuguesa. Concordo inteiramente, mas já agora convinha esclarecer como é que se convencem os portugueses de que Portugal não é um país rico e que apertar o cinto (para quem tem possibilidades disso) é uma medida inteligente. Não é e não vai ser nada fácil, digo eu.