... não merece confiança.
O que fazer, então, com esta "gentalha?
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Austeridade revista e aumentada
"Numa galáxia demasiado perto de si, um novo pacote de austeridade não representa nova austeridade, mas apenas austeridade que, por ter sido (em parte) anunciada numa carta de Passos Coelho à ‘troika' em Maio, não é nova. Denunciar este embuste é, nas palavras do primeiro-ministro, criar um "choque negativo de expectativas" que pode comprometer o sucesso do programa de ajustamento português. Para Passos, não são os cortes nas pensões, nos salários, na saúde, na educação e em tudo o que mexe que são negativos. Negativo, diz-nos, é a reação dos portugueses a mais este pacote de choque e pavor. Passos sente-se injustiçado. Aparentemente, o primeiro-ministro esperava que os portugueses, ufanos, estivessem a celebrar o seu próprio sacrifício.
Todo o discurso sobre o "novo ciclo" resume-se, afinal, ao seguinte: o "novo ciclo" é igual ao anterior, mas em pior. Em pior por duas razões: porque estas medidas vão fazer regressar a espiral recessiva e agravar a situação no mercado de trabalho; e porque, nesta "nova" fase, o governo reforçou o clima de autofagia nacional. Ao invés de mobilizar os seus cidadãos contra uma política que condena o País à servidão, o Governo prefere fomentar um clima de guerra civil: pobres contra remediados, pobres e remediados contra a classe média, trabalhadores contra pensionistas, público contra privado, novos contra velhos, etc. É a luta de classes, mas ao contrário: não constrói laços entre as pessoas, corrói os que existem; não aproxima ninguém, antes explora o ressentimento e a inveja. Aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não se reforça uma comunidade por esta via.
Numa altura em que Comissão Europeia, BCE, FMI, Barroso e fontes anónimas do Eurogrupo chantageiam o Tribunal Constitucional, responsabilizando-o pelo falhanço deste maravilhoso programa de ajustamento, o que se espera de um governo eleito pelos portugueses é que defenda Portugal. Pedir isto não é pedir demais, porque ser um Estado de Direito Democrático não é um luxo; é o que somos, é o que não podemos deixar de ser e, já agora, é (ou era) uma condição necessária para pertencer à União Europeia.
(...)"
(João Galamba; "Eterno retorno do mesmo"; na íntegra: aqui)
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Um forte cheiro a podre
Que Paulo Portas é um exímio farsante é já um dado adquirido. Não era preciso confirmação, mas ele faz questão de, dia sim, dia sim, apresentar novas provas, porque, pelos vistos, tem orgulho nessa imagem de marca.
Não admira, por isso, que a sua irrevogável decisão de se demitir deste governo, tenha passado a revogável, dum momento para outro. Bastou-lhe, como pretexto, que Passos Coelho (um farsante de menor qualidade, mas, nem por isso, menos perigoso) lhe tenha acenado com a promoção a vice-primeiro-ministro para Portas dar o dito por não dito.
Tanta questão faz Portas em que não haja dúvidas sobre as suas capacidades no capítulo da farsa, que ainda recentemente, nos presenteou com novas provas. Durante a recente conferência de imprensa sobre os resultados da 8ª e 9ª avaliações da troika, Portas usou, uma vez mais, da sua já proverbial habilidade: não só fez passar, como se nada fosse, a derrota, às mãos da troika, da sua posição sobre a necessidade de aumentar o défice para 2014 de 4% para 4,5% do PIB, como teve o desplante de vir garantir que, no próximo ano, os portugueses não teriam de suportar novas medidas de austeridade, garantias que, ainda a procissão não saiu do adro, já estão a ir por água abaixo, com o anúncio de uma nova "TSU" que vai atingir as pensões de sobrevivência dos viúvos (atacando um dos sectores da população portuguesa mais fragilizados) e o anúncio de novos cortes nos subsídios de refeições de trabalhadores de empresas públicas, para já não falar dos cortes a incidir sobre as pensões dos reformados da Caixa Geral de Aposentações, em nome duma falaciosa convergência com as pensões do regime geral, em qualquer dos casos, em completo desrespeito pelos direitos adquiridos, direitos que a prática deste governo vem demonstrando que podem ser impunemente violados desde que as vítimas sejam os mais fracos, como é próprio de um governo "forte" com os pobres e remediados e "fraco" com os ricos.
Num país decente, Portas (e quem diz Portas, diz qualquer outro governante que siga a mesma cartilha - e o que não falta neste governo é gente desta) já teria sido sacrificado na ara da comunicação social com a consequente perda de credibilidade. Em Portugal, porém, tal não acontece. Com uma ou outra sempre honrosa excepção, o que mais se vê, é gente a incensar Portas pela inauguração de um novo "estilo" fruto da sua "inegável habilidade", posto em confronto com o "estilo" do ex-ministro Gaspar que seria (dizem) marcado pela "seriedade".
Se, como já se tem dito por aqui, este governo fede, a verdade é que o fedor que paira na sociedade portuguesa não provém apenas dos lados do governo. Da comunicação social também sopra um forte cheiro a podre.
Daí a pergunta: com gente desta, no governo e na comunicação social, onde é que este país vai parar?
Adenda:
Portas, acabo de ler, tem uma explicação para a não divulgação do corte das pensões de sobrevivência: a medida ainda não estava desenhada. Como, afinal, ainda não está. Mas que importa este pormenor a um sujeito que, para além de ser um mentiroso, faz gala em sê-lo?
Adenda:
Portas, acabo de ler, tem uma explicação para a não divulgação do corte das pensões de sobrevivência: a medida ainda não estava desenhada. Como, afinal, ainda não está. Mas que importa este pormenor a um sujeito que, para além de ser um mentiroso, faz gala em sê-lo?
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Farsa
A declaração de Paulo Portas feita ontem à tarde, a propósito das medidas de austeridade anunciadas dois dias antes pelo barata-tonta (vulgo: primeiro-ministro), tem de ser encarada como o 2º acto duma farsa (o 1º acto esteve a cargo do alegado primeiro-ministro), se considerarmos, como julgo que é o caso, que as suas afirmações não são para levar a sério e não passam de mais um exercício de cinismo em que ele é exímio.
Se as suas afirmações são para levar a sério, é evidente que, ao recusar, tão assertivamente, a aplicação de mais um imposto sobre as pensões e reformas, o país já não tem um governo, mas dois. Ou seja, nenhum.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
É injusto chamar-lhes "filhos da mãe"
O discurso lido pelo ainda primeiro-ministro Passos Coelho pode ter um tom mais Maduro do que passista, mas as medidas anunciadas e, em grande parte não quantificadas, revelam que o governo prossegue na mesma senda de mais austeridade seguida de mais austeridade.
Se esta vai acabar por atingir todos os portugueses, de forma directa, (com a degradação dos serviços públicos, designadamente nas áreas da saúde e da educação), e de forma indirecta (através do agravamento da economia, decorrente da retracção do consumo, senão também do investimento) as medidas são dirigidas em primeira linha contra os funcionários públicos (transformados por este governo numa espécie de bode expiatório de todos os males da nação) e sobre os reformados e pensionistas.
O ataque aos funcionários públicos, que é feito sob a alegada preocupação de uma maior equidade, tem, como os precedentes, o efeito de cavar divisões entre os portugueses, matéria em que este governo se especializou, mas que tem efeitos perversos na coesão social.
No caso dos reformados e pensionistas nem a alegada equidade é invocada e, de facto, ninguém a consegue descortinar. A razão que motiva a obstinação deste governo contra este sector da população tem pois que ter outra explicação. À falta de outra mais plausível, adianto esta: se gente desta estirpe ataca, de forma tão continuada e agressiva, reformados e pensionistas é porque não deve ter, nem pai, nem mãe. Nem avós.
Apelidá-los de "filhos da mãe" é, pois, uma injustiça. Não são "filhos da mãe", nem do pai, obviamente.
A boa notícia
Não é pelo facto de a notícia dizer directamente respeito ao estado de Maryland que deixa de ser uma boa notícia. Pelo menos, para quem considera que o valor da vida, seja lá onde for, é inestimável.
E quanto a boas notícias, ficamo-nos por aqui, porque o que se prevê é que, dentro de poucas horas, iremos ter, pela boca do ainda primeiro-ministro, mais uma dose cavalar de más notícias.
De facto, embora as medidas pré-anunciadas sejam a repetição, pela enésima, vez da mesma receita, não deixam de ser más notícias.
E o facto de o grosso das medidas recair mais uma vez sobre os funcionários públicos, reformados e pensionistas, as notícias não vão ser de molde a que alguém fique com vontade de rir, porque a arbitrariedade e a injustiça das medidas vai provocar mais um golpe na confiança depositada na política deste governo, com consequências na retracção do consumo. O que terá, inevitavelmente, reflexos na actividade privada. Tem sido assim a cada nova fornada de austeridade e assim vai ser. As mesmas causas produzem os mesmos efeitos, por muito que jornalistas e pretensos economistas, a soldo do governo, digam o contrário.
sábado, 27 de abril de 2013
A corda parte, ou Portas mete, uma vez mais, a viola no saco?
Gaspar, o "impressionante" ministro das Finanças, propôs no Conselho de Ministros da passada sexta-feira mais cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões, revelando que, para além de "impressionante", é também e sobretudo incompetente, porque incapaz de encontrar soluções alternativas para a diminuição do défice e da despesa pública que não passem por um novo esmagamento dos funcionários públicos e dos pensionistas.
Desta vez, porém, segundo conta o i, encontrou forte oposição da parte de vários ministros, incluindo Paulo Portas que terá ameaçado romper com a coligação. Estranhamente, de Passos Coelho, não reza a história. E daí, talvez a omissão não seja tão estranha quanto isso, atenta a sua indisfarçável insignificância.
A ameaça de rompimento por parte de Portas e a oposição de vários outros ministros terão sido as razões por que o Conselho de Ministros não chegou a qualquer conclusão, remetendo a decisão sobre a estratégia orçamental para um Conselho de Ministros extraordinário a ter lugar na próxima terça-feira.
Que havia fortes tensões no seio da coligação já se sabia, embora, no dizer de Pacheco Pereira, não se saiba da missa a metade.
Perante o avolumar da tensão, será que é desta que a corda parte, ou será que Portas volta a meter a viola no saco?
Ao que tudo indica, na próxima terça-feira, teremos a resposta.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
"Perdei toda a esperança"
Se alguém continua a ter dúvidas sobre se este governo é, ou não, uma fraude, recomendo-lhe, para as dissolver, a leitura deste escrito de João Pinto e Castro.
E, a propósito de fraude, acrescente-se que o relatório ontem apresentado como sendo do FMI, não passa também de outra fraude, pois não passa duma encomenda elaborada a pedido do governo como forma de "legitimar" a chamada "refundação" do Estado que o governo se propõe levar a cabo.
Não é verdade que foi elaborado com a colaboração de quase toda a equipa ministerial, com excepção do Relvas (será que já não é ministro?) como resulta do próprio relatório?
As medidas ali propostas estão, aliás, de acordo com a política de austeridade seguida por este governo e não representam outra coisa que não seja o agravamento da austeridade para além do impensável, como forma (errada, uma vez mais) de resolver os problemas da falta de crescimento da economia e do descontrolo do défice público, com origem, precisamente, nas políticas adoptadas. É claro que reforçar a dose de austeridade para combater as consequências da austeridade é uma política estúpida, mas a verdade é que este governo é mesmo estúpido.
A "encomenda" do governo acaba por reduzir a pó as ideias que o patarata ministro da Economia tem vindo a expor sobre crescimento da economia, sobre inovação, sobre educação e o diabo a quatro. O relatório, onde não há sequer uma medida que contemple a reanimação da economia, deixa claro que o "Álvaro" não só não sabe do que anda a falar, como ignora, estranhamente, as intenções e as orientações do governo.
Perante o relatório, como não considerar também como risíveis os apelos à confiança dirigidos por Cavaco Silva aos portugueses, na mensagem de ano novo? As medidas contidas no relatório são, de facto, de tal forma brutais que toda a esperança é vã, enquanto este governo se mantiver em funções.
Parafraseando Dante e a sua "Divina Comédia" (aqui citada de memória), o relatório está mesmo a anunciar aos portugueses e a quem vem de fora: "Perdei toda a esperança".
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
A víbora e a factura
Acaba de surgir, com o estrondo duma bomba, a 4ª tranche da factura a pagar pelos portugueses em razão das escolhas feitas em Junho de 2011, mês em que os eleitores decidiram beneficiar, em vez de penalizar, os infractores, ou seja os responsáveis pela demissão do Governo de Sócrates, com a alegação de que o PEC IV exigia sacrifícios insuportáveis. Na altura, porque, depois de ter acedido ao poder, para a direita deixou de haver limites para os sacrifícios. Os portugueses que o digam.
Não é, porém, caso para se dizer que temos o que merecemos, porque, em boa verdade, nenhum povo merece que lhe calhe em sorte um governo de farsantes e, ainda por cima, incompetentes e porque, reconhecidamente, não é fácil saber, antes da eclosão do ovo, o que dele vai sair: se pinto, se víbora.
No entanto, nesta altura, só alguém que não esteja em seu perfeito juízo pode ter dúvidas de que do "ovo" saiu uma víbora, pelo que deixou de haver desculpas. Ou o povo "mata" o réptil, ou então "aguenta, aguenta". A decisão é nossa. Não é do FMI.
(Título reeditado)
(Título reeditado)
sábado, 20 de outubro de 2012
Onde é que o bastonário anda com a cabeça?
Quando uma figura pública com as responsabilidades de Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, se atreve a defender que não cabe aos tribunais pronunciarem-se sobre medidas de austeridade do Governo e designadamente sobre as constantes da proposta de Lei do Orçamento, dada a sua natureza política, é caso para perguntar se a Constituição levou súbito sumiço e, com ela, todas as normas nela insertas atinentes à competência dos tribunais, maxime do Tribunal Constitucional e, outrossim, se os tribunais ainda são órgãos de soberania.
Curiosamente, o bastonário justifica a sua tese com base no princípio da separação de poderes. Curiosamente e, digo eu, contraditoriamente, porque, na leitura que ele faz de tal princípio, nem sequer tem sentido falar em separação de poderes, pois que o poder, se os actos do Governo não forem controlados pelos tribunais e designadamente, pelo Tribunal Constitucional, tenderia a ficar concentrado apenas e só no Executivo que, embora dela emane, acaba, na prática, por controlar a própria Assembleia da República, quando nela dispõe de apoio maioritário.
É, pois, também caso para perguntar: onde é que bastonário anda com a cabeça?
(imagem daqui)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Em roda livre
A Comissão Europeia, pelos vistos, já aprovou as medidas alternativas que o Governo apresentou para compensar o recuo nas mudanças na Taxa Social Única (TSU). Apresentou em Bruxelas, mas, por cá, ninguém foi havido nem achado, a começar nos partidos da oposição e a acabar nos parceiros sociais.
Não sei por que razão este governo ainda fala em concertação social e na necessidade de um amplo consenso social. Alegadamente importante, dizem, até para os credores, para a troika e para os parceiros europeus. Mas só alegadamente, porque na prática é só isto: um governo a avançar em roda livre a caminho de bater contra a parede.
No mínimo, espera-se que António José Seguro tire desta actuação do governo todas as consequências e se desmarque definitivamente desta política suicida.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Medidas justas? Não há!
Medidas justas de austeridade? Não há, diz o ministro Aguiar Branco.
E, de facto, é verdade que cá não há, embora devesse haver. Se não há é porque este governo as não quer tomar.
Não será?
Não há medidas justas de austeridade, mas, em contrapartida, asnos não faltam cá!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Muda-te tu, ó Camilo
O indivíduo que suponho ser jornalista e que dá pelo nome de Camilo Lourenço acaba de descobrir, após a reunião do Conselho de Estado, que o mal está em que "o país não quer mudar". E o pior é que, segundo ele, o "mal" tanto afecta a Esquerda como a Direita.
Estivesse certo o diagnóstico de Camilo e o caso era grave, pois o mal, afectando a Direita e Esquerda, não tinha mesmo remédio. Felizmente, acontece que o diagnóstico de Camilo, para além de apressado, é errado.
A prova de que o país quer mudar está nas recentes manifestações populares demonstrativas de que o povo quer sair do sufoco criado pelas medidas tomadas pelo governo de que ele é, sem dúvida, um dos últimos e um dos mais acérrimos e mais acríticos defensores, medidas que se revelaram claramente contraproducentes, razão por que o país se recusa a aceitar mais do mesmo, uma vez que as medidas anunciadas vão no mesmo sentido e, ainda por cima, vêm acompanhadas de agravantes.
Há, no entanto, que reconhecer que o país não quer mudar para o modelo perfilhado por Camilo e por este governo que é o de, através da baixa de salários e do corte, a torto e a direito, dos direitos dos trabalhadores, transformar Portugal na China do Ocidente.
De forma que, Camilo, se não estás de acordo com a opção da maioria da população, tens bom remédio: muda-te tu para a China e aproveita para levar contigo toda a pandilha que segue a tua cartilha. (Digo pandilha só para rimar).
Ah! e antes que me esqueça: leva também o Crespo e larga-o em Washington. Fazes-lhe um favor a ele, que está mortinho por viver lá, e outro a muitos de nós, ou, pelo menos, a mim que já tenho, há muito, o enorme desejo de o ver pelas costas.
Segue o meu conselho e se, daqui por uns tempos, deres uma volta por cá, verás que até o ar se tornou muito mais respirável.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Há saída? Sim, pela porta dos fundos
Parece evidente que Passos Coelho, pela forma como procedeu, sem ouvir os parceiros sociais e sem ao menos se ter concertado com o seu parceiro de coligação, ao anunciar as novas e mais duras medidas de austeridade que mais não são que o resultado do seu próprio falhanço, pois, apesar da gravidade das medidas anteriores, nem sequer conseguiu atingir as metas previstas para o défice público, meteu-se numa camisa de onze varas de que agora não será fácil sair.
Perante a reacção da população, bem demonstrada nas manifestações do passado sábado e que vão ter continuação pois já estão outras anunciadas e, não contando, sequer, com a aceitação das medidas por parte dos seus pretensos beneficiários (as empresas) como já hoje se confirmou novamente, é evidente que algumas das novas medidas e, designadamente, as alterações na Taxa Social Única, não têm hipótese de vingar, a menos que o governo esteja preparado para aguentar uma fortíssima contestação social que não se sabe, por ora, até onde poderá ir.
Por outro lado, um recuo na adopção das medidas por parte do governo, deixaria a claro (o que para muita gente já não é novidade) que o governo é dum amadorismo que até confrange, pois revela uma completa incapacidade para tomar as medidas adequadas para resolver as dificuldades do país. Amadorismo que, em conjunto com o fundamentalismo que Passos e o seu governo professam, só tem criado novas dificuldades, cada vez mais difíceis de ultrapassar. Hoje, este resultado até já é evidente para muitos dos apoiantes deste governo e para os supostos beneficiários das medidas entretanto tomadas.
Significa isto que Passos Coelho e o seu governo já não têm saída?
À pergunta, eu respondo que sim. Têm saída pela porta dos fundos. Passos Coelho que ultimamente já só usa a porta dos fundos para entrar em qualquer lugar, até já conhece o caminho.
A massa de que são feitos
A massa de que são feitos os partidos da direita conta, entre os seus vários ingredientes, além da insensibilidade social, uma enorme dose de aldrabice e outra, não menor, de hipocrisia. Esta pode bem resumir-se desta forma: os sacrifícios pedidos em Março de 2011, para consolidar as contas públicas e diminuir a dívida, eram insuportáveis. Uma vez no governo, os sacrifícios, cada vez mais violentos, exigidos pelos mesmíssimos partidos a alguns portugueses, com excepção dos ricos e poderosos, de insuportáveis passaram a francamente aceitáveis e de temporários a eternos.
É dito e feito
A eficiência deste governo é tanta que já nem precisa de concretizar as medidas de austeridade. Basta anunciá-las. O desastre, como resultado, é imediato.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
O facto (in)consumado
Em editorial, o "Público", na sua edição de hoje considera que, por pressão da Comissão Europeia, o governo já não pode recuar na aplicação das anunciadas alterações da Taxa Social Única através das quais se opera uma brutal transferência de rendimentos dos trabalhadores para os detentores do capital. Essas alterações seriam, na perspectiva do "Público" um "facto consumado".
Como assim?
Pressão por pressão, ainda estou para ver qual das pressões é mais "pressionante" (passe a redundância): se a pressão da Comissão Europeia, se a pressão do povo.
Além do mais, é bom não esquecer que foi este governo quem sugeriu à troika a adopção dessa e doutras medidas para remediar o fracasso da sua própria política, inclusive no que respeita à consolidação das contas públicas.
Se agiu impensada e estupidamente e colocou o país numa situação absurda, cabe-lhe a ele resolver o problema, com a apresentação de outras medidas que não firam o sentimento de justiça dos portugueses. E, depois disso, ficar-lhe-ia bem demitir-se para dar o lugar a alguém que tenha a prudência e a competência que este governo comprovadamente não tem.
Até os macacos, Pedro!
"As manifestações de dia 15 vieram dizer que o limite para a iniquidade foi ultrapassado há muito
No passado sábado, horas antes das ruas portuguesas se encherem com os gritos de indignação de centenas de milhares de manifestantes, o futurólogo americano Andrew Zolli fazia no Centro Cultural de Belém uma conferência no âmbito do encontro “Presente no Futuro - Os portugueses em 2030”.
Zolli mencionou um estudo hoje clássico do primatólogo holandês Frans de Waal, onde dois macacos, em jaulas contíguas, são treinados para realizar uma dada tarefa, recebendo como recompensa um pedaço de pepino. Os macacos fazem a tarefa repetidamente sem problema. A dada altura, a recompensa muda: um dos macacos recebe na mesma um pedaço de pepino, mas o outro recebe uma uva, um alimento que estes macacos capuchinhos adoram. A reacção do outro macaco é de espanto e agitação e acaba por atirar ao tratador com raiva o pedaço de pepino que lhe é dado. Quando a cena se repete, o macaco pura e simplesmente entra em greve e deixa de realizar a tarefa, recusando o pepino, furioso com o tratamento desigual.
A experiência, que teve um enorme impacto no mundo da biologia e das ciências sociais, sugere que o sentimento de justiça, de equidade, é um sentimento natural, extremamente poderoso e com raízes muito anteriores às que a civilização, a cultura ou a religião possam ter criado. Talvez mais espantosamente ainda, em certas repetições desta experiência há casos em que o próprio macaco que recebe as uvas se recusa a trabalhar se não houver equidade no tratamento - numa demonstração de empatia e solidariedade que não pode deixar de nos fazer pensar. E que poderia fazer pensar Pedro Passos Coelho ou Vítor Gaspar para além dos seus clichés, caso o exercício os motivasse.
(...)
As manifestações de dia 15 vieram sem dúvida dizer que há um limite para os sacrifícios e que ele já foi atingido. Mas vieram principalmente dizer que o limite para a iniquidade foi ultrapassado há muito. Há situações onde as sociedades conseguem levar os seus sacrifícios a extremos muito mais dolorosos do que os que vivemos hoje em Portugal, mas quando conseguem fazer isso é porque o fazem em nome de um objectivo definido e partilhado por todos, é com base num princípio de solidariedade que não admite excepções, é quando existe uma confiança total na justiça da distribuição dos sacrifícios.
(...)
Esquecer que existe um forte e animal sentimento de justiça em todos os homens e mulheres é apenas um dos seus pecados. O pecado que todos os fanáticos como Vítor Gaspar cometem, o pecado que todos os políticos servis como Pedro Passos Coelho cometem, porque pensam que a força dos fortes os protegerá sempre da fúria dos fracos. Mas isso nunca acontece para sempre. "
(José Vítor Malheiros; É a injustiça, estúpido! ; Na íntegra: aqui)
Não são só os "macacos" que se apercebem da injustiça e da iniquidade e as rejeitam. Aperceber-se delas até alguns ministros conseguem.
Só Pedro e Gaspar, embora tendo olhos e não sendo cegos, as não vêem.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Declarações de guerra
Em menos duma semana, Passos Coelho fez duas declarações de guerra contra o povo em geral, e contra os trabalhadores, os reformados e pensionistas, em especial, a última das quais, ontem, durante a entrevista dada à RTP. Como nem os avisos dos seus companheiros de partido, nem os alertas dos empresários e dos patrões (seus supostos amigos) o demoveram, Passos Coelho deve estar ansioso pelo início da batalha.
Espera-se que o povo não o desiluda. Comigo pode contar: vou a todas.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
"Tempo da raiva"
"As medidas anunciadas pelo primeiro-ministro para o OE2013 equivalem a deitar três baldes de gasolina por cada balde de água, que se lança para uma fogueira a dar sinais de se tornar incontrolável. Socialmente, o que Passos Coelho decidiu é insuportável: os remediados terem de transferir para os seus patrões (acionistas ou Estado) 7% dos seus rendimentos brutos afunda, de uma vez por todas, a ideia de equidade nos sacrifícios entre pobres e ricos. A fadiga fiscal tem limites. A paciência cívica, também."
António Perez Metelo (Na íntegra, aqui)
(Isto, sem contar com os "baldes" lançados ontem na fogueira pelo ministro Raspar! )
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