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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Citações # 34

Paulo Pedroso* sobre "Os incidentes da Bela Vista e a necessidade de uma nova política social de habitação":

"A carência de alojamento permanece. Em Almada, por exemplo, ainda abrange milhares de famílias, após trinta e cinco anos de incapacidade para acabar com os bairros clandestinos e a subsistência de alojamento degradado. Pelo que tem que haver novas respostas. Também nestas é necessário combater o folclore das entregas de chaves para efeitos de campanha eleitoral. Pelo contrário, há que diversificar as soluções de realojamento e de apoio social a quem dele carece: rendas sociais em bairros não estigmatizados, inclusão de habitação social, com muito baixa densidade em todas as zonas da cidade, acompanhamento de famílias fragilizadas para prevenir e combater o risco de desfiliação social.
Se não queremos que os incidentes da Bela Vista progridam de incidentes isolados num ou outro bairro especialmente problemático para uma situação generalizada nos grandes guetos urbanos que estão a ser construídos há décadas, é hora de mudar de rumo e definir uma nova política social de habitação, sem grandes concentrações propensas a serem capturadas por lideranças à margem da lei, onde os problemas sociais se concentram, se multiplicam e se agudizam.
A minha proposta a Almada vai nesse mesmo sentido. Paremos de criar novos bairros sociais, já. Diversifiquemos os métodos e soluções de realojamento, imediatamente."
Leia-se o desenvolvimento aqui.

(* Candidato pelo PS à presidência da Câmara Municipal de Almada)

domingo, 10 de agosto de 2008

Simplismos

Os recentes confrontos na Quinta da Fonte (Loures) são sobretudo resultado de uma política de habitação social que concentra pessoas com grandes níveis de pobreza e não de um problema de convivência entre etnias, afirma o ex-ministro Paulo Pedroso.
A opinião de Paulo Pedroso peca, como tantas outras, por excessivo simplismo.
É verdade que alguns bairros sociais, onde inicialmente foram confinadas pessoas sem grandes meios de subsistência (e não foi inteiramente esse o caso da Quinta da Fonte), se tornaram verdadeiros guetos que favorecem a marginalidade. Parece hoje evidente (pelo menos é o que tenho visto defendido por vários autores) que a integração social das pessoas em situação de pobreza será seguramente facilitada se o seu alojamento for feito, não em bairros separados construídos para o efeito, mas em fogos distribuídos pela malha urbana, por forma a propiciar o convívio com outros sectores da população.
Essa constatação, não significa, todavia, que, no caso concreto, não tenha havido outros factores a desencadear o conflito. Não se pode, com efeito, ignorar que os confrontos se deram entre "cidadãos de etnia cigana", por um lado e "de cidadãos de pele negra", por outro, o que faz transparecer que o caso não foi somente o resultado da política de habitação social (agora por muitos considerada errada). Sem esquecer, convém lembrá-lo, que foram consistentemente feitas alegações de que alguns membros de uma das comunidades (a cigana, precisamente) se dedicariam a actividades marginais (tráfico de droga e de armas), circunstância que, decerto, não facilita uma sã e fácil convivência, seja onde for.
(A imagem foi retirada daqui)