quarta-feira, 8 de abril de 2009

Desespero a quanto obrigas !

Os temas tratados e a forma e o tom usados por Paulo Rangel, no debate parlamentar de hoje, indo ao ponto de considerar como "fraude eleitoral" o exercício de funções que o Governo tem a estrita obrigação de cumprir até ao final da legislatura, revelam um político e um partido desesperados perante os resultados das últimas sondagens, a última das quais mostra que a popularidade da sua líder se encontra em queda vertiginosa, (embora, se calhar, por pudor, o "Expresso" se tenha abstido de publicar os números donde extraiu a conclusão) comprovando as restantes que, não obstante a crise (internacional, sem dúvida, mas que também nos afecta a todos) o PSD continua a patinar muito abaixo dos valores creditados ao PS, sabendo-se que estes já reflectem, forçosamente pela negativa, o descontentamento gerado pela crise, seja esta ou não, da responsabilidade do Governo por ele apoiado.
Se o PSD não cresce, em termos intenções de voto, só se pode queixar de si próprio, pois só ele é responsável: pela não apresentação de propostas alternativas de governação (se existem estão bem escondidas para, como diz Manuela Ferreira Leite, não serem copiadas); e pela escolha da actual líder a quem os portugueses, segundo as sondagens, não atribuem o mínimo de credibilidade exigível a quem ambiciona vir a chefiar o Governo do país.
Sibi imputet, pois !
Actualização:
O "desesperado discurso" de Paulo Rangel tem, pelos vistos, como já era de presumir, origem em Manuela Ferreira Leite, que vai ao ponto, segundo esta notícia, de desvalorizar "os poderes atribuídos constitucionalmente ao Governo". Tendo em conta os fracos resultados de antecedentes tomadas de posição pouco equilibradas, talvez seja recomendável um pouco mais de serenidade. Isto, claro está, se a senhora estiver interessada em ser levada a sério.
É impensável, com efeito, que ela se permita afirmar que mais vale a ética (em abstracto, ou a dela, ficou por esclarecer) do que as regras constitucionais. Lê-se e mal dá para acreditar que uma pessoa que preside a um partido com ambições de poder, possa fazer uma tal afirmação. Já a tínhamos ouvido falar em suspender a democracia. Ouvimo-la agora falar em substituir a Constituição, pela "ética". Por este caminho, onde é que o PSD vai parar ?

Equilibrada

Equilibrada (entre a bela Teresa Caeiro e o Diogo Feio) é como, com rigor, se pode qualificar a lista de candidatos às próximas eleições para o parlamento europeu que hoje vai ser apresentada pelo CDS-PP, tanto mais que vai ser liderada pelo Nuno Melo que, só por uma letra, não é Belo.

Insensível sim, mas faz jus à fama

O pedido de Silvio Berluconi, primeiro-ministro italiano, dirigido aos milhares de sobreviventes e desalojados pelo sismo que há dois dias atingiu o centro de Itália para encararem a situação como "um fim-de-semana no parque de campismo", revela até que ponto chega a sua insensibilidade perante a desgraça que atingiu os seus concidadãos e a sua irresponsabilidade como governante. O caso, no entanto, também torna patente a sua faceta de entertainer, actividade que desempenhou no início da sua carreira, como cantante e intrattenitore sulle navi da crociera. Tendo este ponto em consideração, deve reconhecer-se que Berlusconi, com a sua sentença, também faz jus à fama.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Os "grandes" também se abatem

O Futebol Clube do Porto acaba de fazer uma excelente exibição e de alcançar um não menos excelente resultado no jogo com o Manchester United, ao empatar 2-2, no campo do adversário, que é, nem mais nem menos, que o detentor dos títulos de campeão europeu e de campeão mundial de futebol. Tal resultado faz crescer as expectativas e a perspectiva de o FCP conseguir passar à fase seguinte da Champions League. Basta-lhe conseguir uma exibição de igual nível no Estádio do Dragão, nada que, pelos vistos, não esteja ao seu alcance.
Como sportinguista aqui ficam os os meus parabéns ao FUTEBOL CLUBE DO PORTO (com letras grandes, que bem merece!)
(Imagem daqui)

Enriquecimento ilícito: O busílis da questão


Levantado em primeira mão, se não erro, pelo ex-deputado do PS, João Cravinho e depois de uma certa letargia motivada por dúvidas sobre a constitucionalidade das propostas, eis que o tema da criminalização do enriquecimento ilícito regressa de novo em força, pela mão de todos os partidos, tendo ainda agora sido objecto de nova tomada de posição por parte do PCP, durante as suas jornadas parlamentares. Só o PS parece manter alguma prudência por considerar (a meu ver, bem) que continuam por esclarecer as mencionadas dúvidas constitucionais levantadas pela questão.

Convém à partida, para evitar equívocos, saber do que se fala quando se propõe a criminalização do enriquecimento ilícito. É que, em boa verdade, o enriquecimento ilícito já é punido, na medida em que ao enriquecimento ilícito subjaz sempre um crime, que, por definição, tem também sempre associada uma punição, pois não há crime sem sanção. Quando se fala, pois, da criminalização do enriquecimento ilícito, o que, na verdade está em causa é a criação de um novo tipo legal de crime que, à falta de melhor, me permito designar por "crime de enriquecimento ilícito presumido".

E aqui, no "presumido" é que está o busílis da questão. Com efeito, a criação de tal tipo legal de crime, significa que os agentes abrangidos pela tipificação legal (que, por desconhecimento de formulações concretas, suponho incluirá apenas os titulares de cargos públicos e quem desempenhe funções públicas) terão de ser eles a provar a licitude do seu enriquecimento, quando as suas fortunas, face às fontes de rendimento declaradas e conhecidas não tenham aparente justificação. Ou seja, a criminalização do enriquecimento ilícito, nos termos que ficam acima definidos, implica a postergação do princípio constitucional da presunção de inocência e consequentemente a inversão do ónus da prova: não é o Estado que terá que provar que o agente incriminado é culpado, mas sim é este que terá que provar que é inocente.
Diga-se desde já que o abandono do preceito constitucional da presunção de inocência não é assunto de somenos importância. Pelo contrário, é algo de extremamente grave, pois trata-se de um princípio estruturante do estado de direito e é uma conquista civilizacional que levou séculos a alcançar, a par de outros de igual relevância, como, por exemplo, a proibição da tortura e a não admissão da confissão como meio único de prova em processo penal. Com a consagração destes princípios evitaram-se os abusos e as arbitrariedades do poder, uns e outras responsáveis por milhares e milhões de inocentes que foram (e ainda são, onde tais princípios não são respeitados) arrastados para as prisões, ou condenados à morte, pela forca, pela guilhotina e até (suma injúria) através do recurso à chama da fogueiras.

Já vi escrito que é possível a nova criminalização sem violação daquele princípio. Não conheço nenhuma formulação do novo tipo legal de crime que tenha alcançado tal desiderato e, muito sinceramente, não vejo como é que se vai conseguir, pois, pelo menos, aparentemente, estamos perante mais um caso em que se pretende alcançar a inatingível quadratura do círculo.

O que se deixa dito, dá para concluir que estou muito longe de ser um adepto da criação de tal tipo legal de crime. Pelo contrário, sou manifestamente contra, a menos que, tal como o PS tem defendido, seja possível concretizá-lo, sem ofensa dos princípios constitucionais, o que, volto a dizer, me parece pouco provável, senão impossível.

Esta posição, todavia, não significa que nada se faça ou que nada se possa fazer para sancionar a corrupção e outros crimes que estão na base do enriquecimento ilícito. Entendo mesmo que há que caminhar nesse sentido e que é possível fazê-lo. Não sou especialista em direito criminal, nem em direito processual penal, matérias em que já não toco há muito, mas parece-me que muito se pode avançar no sentido de se alcançar a punição de tais crimes, de um modo bem mais efectivo, quer agravando as molduras penais (o que é fácil, concedo) quer, sobretudo, admitindo novos meios de prova, quer deixando de atribuir a toda e qualquer irregularidade formal (sem qualquer relevância para o apuramento da verdade material) a virtualidade de, através da sua arguição, determinar a nulidade das provas carreadas para o processo. Neste último aspecto há mesmo, a meu ver, muito a alterar, pois não é aceitável, por exemplo, que a prova obtida através de escutas telefónicas e de outros meios tecnológicos, possa ser sistematicamente posta em causa por meras irregularidades formais. Isto, claro está, desde que a prova obtida o tenha sido por meios que possam ser objecto de verificação e controlo pela defesa, por forma a que seja assegurada a genuinidade da prova.
(Imagem daqui)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O bombo da festa


A "história" é simples e conta-se depressa: João Miguel Tavares (JMT) entendeu por bem e no uso da sua liberdade escrever nas colunas do Diário de Notícias uma crónica com o título "José Sócrates - o Cristo da Política Portuguesa" começando por esta elegante afirmação: "Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte da Cicciolina". A frase não contém propriamente um elogio e o visado entendeu, também no uso da sua liberdade que não é menor do que a do cronista, processá-lo judicialmente. Tal atitude por parte do primeiro-ministro tem sido censurada por tudo quanto é sítio e nos mais diversos tons. O "Público" não podia obviamente deixar passar a oportunidade para uma vez mais fustigar o "ódio de estimação" do seu director (pelo menos) e aborda o tema, na sua edição impressa de hoje, em dois locais, que eu tenha visto: no editorial assinado por José Manuel Fernandes (JMF) (com o imaginativo título "Pressões, processos, desnortes e saber ser livre") e na coluna assinada por Rui Tavares, com o título original "Tavares & Tavares".

Antes de passar aos citados textos, convém aqui deixar duas observações prévias que, reconheço, Monsieur de La Palice não desdenharia: 1. O uso da liberdade de expressão ou outra tem associada a correspondente responsabilidade e a quem escreve nos jornais até é exigível maior sentido de responsabilidade, pois produzir qualquer afirmação em desdouro de alguém num órgão de comunicação social é bem mais grave do que idêntica afirmação proferida entre paredes ou mesmo na praça pública; 2. O recurso aos tribunais por parte de quem se sente ofendido não é mais que o exercício legítimo de um direito de qualquer cidadão, incluindo os políticos, como é próprio de qualquer sociedade democrática e civilizada. O tempo das bengaladas já lá vai, suponho que até mesmo em Portugal.

Posto isto, direi ainda que, pessoalmente, até preferiria que o primeiro-ministro, neste e noutros casos, tivesse feito vista grossa a tanta tolice que sobre a sua pessoa se tem escrito. Todavia quem sou eu para censurar José Sócrates por seguir esta via, quando é certo que ele já ultrapassou, em muito e há muito tempo, a capacidade de resistência a tanta maledicência, a tanta difamação e calúnia, a tanto boato e a tanto insulto soez, capacidade de resistência que avalio, usando para o efeito a minha bitola, que, suspeito, não há-de ser muito menos exigente do que a daqueles que, todavia, nem precisam de ensaio para o criticar.

Mas passemos aos textos.

Passo de largo pela crónica de Rui Tavares, pessoa por quem nutro respeito, que qualifica a atitude de José Sócrates como um erro táctico, um erro político, um erro pessoal e um erro moral. É muito erro junto e tanto erro não me convence, não só porque quanto aos primeiros três, cada um sabe de si, e quanto ao erro moral, só tenho a dizer que, na matéria, os factos da vida cada vez mais me convencem que a moral é relativa. Depende de muitas circunstâncias, incluindo as de lugar e de tempo, como Rui Tavares, que é historiador e cronista, deve saber melhor do que eu. Em boa verdade, devo, no entanto, acrescentar que não prescindo da minha.

Atenhamo-nos pois ao editorial de JMF. O director do "Publico" afirma não só que a instauração de um processo judicial contra jornalistas é uma forma clássica de pressão, como, socorrendo-se de jurisprudência estrangeira e nacional, quer levar-nos a aceitar que qualquer político, só pelo facto de o ser, deve ser considerado como um "bombo da festa" e que o político se deve comportar como tal ou seja: "levar pancada e cara alegre". O político que não aceite assumir, submisso, a função de "bombo da festa", é porque, (é lícito concluir) não sabe o que é ser livre.

Vamos por pontos. Não se nega que o recurso aos tribunais, por parte seja de quem for, político ou não, é uma forma de pressão. JMF até concede que tal procedimento pode ser uma forma de pressão legítima "pois o bom nome é defendido na lei", seja o visado político ou não, acrescento eu, que não tenho quaisquer dúvidas sobre o assunto e até é suposto que ninguém as tenha sobre tal matéria. Não é, todavia, bem o caso de JMF que, logo a seguir, dando um passo atrás, ou uma cambalhota (não sei bem, porque percebo pouco de ginástica) afirma precisamente o contrário, admitindo que o recorrer à via judicial por parte do ofendido também possa ser considerada uma forma de pressão ilegítima, porque "com tais processos vêm, por regra, pedidos de indemnização milionários" que arruinariam o jornalista processado.

A lógica de JMF é, como se facilmente se conclui, uma "batata", passe a vulgaridade da expressão. O montante da indemnização pedida pode ter a ver com a intensidade da pressão (sentida ou não) mas não contende minimamente com a legitimidade. Em matéria de legitimidade não há lugar para o ser e o não ser. Ou é legítima ou não é e ponto final.

Aliás, voltando à questão da pressão, em bom rigor, até se pode dar o caso de o jornalista não se sentir minimamente pressionado e por duas razões: Por um lado porque se pode sentir confortado com a jurisprudência que JMF cita (e em que ele, pelo que deduzo, não acredita excessivamente) e por outro, porque pode estar de consciência tranquila, hipótese que nem abstracto, nem em concreto, excluo. A decisão cabe aos tribunais, entidades nas quais JMF parece, pelo que se lê no final, não ter grande confiança, mas cuja independência não pode ser posta em causa, pois a magistratura judicial dispõe, de direito e de facto, de todas as condições para decidir livremente, quaisquer que sejam os juízos que se possam emitir sobre outros aspectos do funcionamento da justiça.

Vindo a talhe de foice, direi ainda que, se JMF pretende não perder toda a credibilidade (porque, suponho, a preza) deve evitar, nas suas análises e no seu comportamento enquanto director de um jornal, a duplicidade de critérios. Recordo a este propósito, porque o caso não se passou há muito, que quando surgiram na comunicação social umas ligeiras referências a pretensas e, a meu ver, infundadas e, por isso, não invocáveis ligações do Presidente da República ao BPN e aos seus dirigentes, JMF foi o primeiro a alertar os "incendiários" para o risco que se corria de o fogo alastrar a toda a floresta. No meu modesto entender, fez bem. Só não percebo qual a razão por que o primeiro-ministro deste país não há-de ter o mesmo tratamento (objectivo e sem favores) nas páginas do "Público", quando o risco de incêndio não é menor.

Ora, é público e notório que José Sócrates no "Público", pela pena do seu director (mas não só) tem servido de autêntico "bombo da festa". E com tal afinco que, para termo de comparação, só encontro a defesa porfiada por parte de JMF das guerras e de outras tropelias da responsabilidade do ex-presidente Bush.

Suponho que não são as más companhias que explicam a diversidade de tratamento dado aos dois políticos com maior relevância na vida política portuguesa: num, nem com uma pena se pode tocar. No outro, é "malhar" todos os dias. Paciência, tem este. E muita, digo eu.

(Imagem daqui)

domingo, 5 de abril de 2009

Avifauna portuguesa # 33 - Pilrito-comum (Calidris alpina)

Pilrito-comum (Calidris alpina L. )
(Local e data da captação da imagem: Lagoa de Santo André; 12-10-2008)
(Para ampliar, clicar sobre a imagem)

sábado, 4 de abril de 2009

Toda a verdade !

aqui se escreveu que, enquanto não for cabalmente esclarecido o caso Freeport, as próximas eleições não serão, nem livres, nem justas, pois somos todos reféns do processo: os que (como é o meu caso) não admitem que o primeiro-ministro de Portugal não seja uma pessoa eticamente irrepreensível e os que, mesmo sem provas, apostam e se esforçam por demonstrar exactamente o contrário.
Junto, por isso, a minha voz à do director do "Expresso" que, no seu editorial da edição de hoje, exige o não arquivamento do processo, para que se esclareça definitivamente se estamos perante um caso de corrupção, ou se, ao invés, estamos a assistir a uma "conspiração para desprestigiar, atacar ou mesmo derrubar um primeiro-ministro democraticamente eleito".
O processo deve, por isso, prosseguir e chegar até às últimas consequências.
O Ministério Público ainda tem tempo útil para, pesem embora os muitos disparates já cometidos, prestar esse inestimável serviço ao país e para, de alguma forma, "salvar a honra do convento".
Deixem-se, por isso, de tricas, e mãos ao trabalho, que o país agradece !
Desconfio, porém, que tão desejado resultado (o total apuramento da verdade) venha a ser alcançado. É que receio que a teia de cumplicidades estabelecida entre investigadores, jornalistas e políticos que o montaram, (facto já provado em tribunal, como o Bastonário da O.A. veio recentemente lembrar) e os que todos os dias alimentam o caso, através da violação do segredo de justiça e da difusão de insinuações e de boatos, sejam suficientemente fortes para impedir que algum dia se faça luz.
Oxalá me engane!

E a Banca, Louçã?

De acordo com a última sondagem publicada (Sondagem Expresso, SIC e Rádio Renascença) o Bloco de Esquerda (BE) surge a perder terreno nas intenções de voto, pondo fim a alguns meses de consistente subida, correndo agora o risco de vir a ser ultrapassado pela quarta força (a CDU, que ficou a distar daquele por escassas duas décimas).
Nestas circunstâncias, não pretendendo o Bloco, por certo, perder a cabeça da corrida, é forçoso impor um novo reforço à pedalada. Ora, para reforçar nada como recorrer à energia. Compreende-se assim que o Bloco avance também agora com a ideia da renacionalização do sector da energia.
Mas chegados aqui, surge a interrogação:
E então a Banca, Louçã?
Não é pelo facto de o PCP já ter apresentado essa proposta que o Bloco a deve deitar para trás das costas. Há, pelo contrário, duas fortes razões, pelo menos, para retomá-la. À uma, porque, abandonando-a, o BE corre o risco de se deixar ultrapassar pelo concorrente mais directo. Por outro lado, é evidente que sem "massa" não há "energia". É o que dizem os físicos, julgo eu e, se não é bem isso, é algo que vai dar ao mesmo.
Atenção, pois !

E o dinheiro vai buscá-lo aonde ?

Bloco de Esquerda defende “renacionalização” do sector de energia
Ah, sim ? E o dinheiro vai buscá-lo aonde ?
Não há dúvida que ao Bloco continua a fugir-lhe o pé para a chinela e a boca para a demagogia!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mais uma bela exibição !

Não discuto a absolvição de Pinto da Costa e dos restantes dois arguidos envolvidos no chamado "caso do envelope", um processo do "Apito Dourado" relativo ao jogo Beira-Mar/FC Porto, realizado em Abril de 2004, porque não conheço o bem (ou mal) fundado da decisão.
Constato sim que o resultado só pode ser fruto de uma acusação mal elaborada, por não justificada, ou de uma acusação mal defendida. Seja como for, esta sentença é mais uma derrota averbada pelo Ministério Público que, nos últimos tempos, pelo menos através do que é conhecido através da comunicação social, não tem grandes motivos para se ufanar do seu trabalho.
Todavia, tal circunstância não tem impedido que alguns dos seus dirigentes, particularmente os ligados ao respectivo sindicato, continuem a perorar em tudo quanto é comunicação social sobre tudo e ainda mais alguma coisa, indício de que na magistratura do M.P. há muita gente mais vocacionada para as luzes da ribalta, do que para esforçado trabalho dos gabinetes. Não os vejo, no entanto, assumirem as responsabilidades perante tanto fracasso, responsabilidades que, admito, podem não ser exclusivas, mas que são suas em primeira mão.
Não admira, porém, que assim seja, pois toda a gente embandeira em arco perante as vitórias, mas as derrotas, ainda por cima, se em resultado de más exibições, costumam ficar solteiras. Hélas!

Alguma racionalidade está de volta

Saúda-se a tomada de posição da FNE. Além de respeitadora da liberdade individual dos dirigentes em causa, espera-se que tal decisão seja também um sinal de regresso da racionalidade às escolas.

Pressões que valem a pena

Por uma vez, pelo menos, valeram as "pressões" e o bom senso do visado. Com a renúncia ao cargo de presidente do conselho de administração da Braval, na sequência das pressões vindas de todos os quadrantes políticos e não apenas de alguns (que têm por hábito porem-se em bicos de pés), o empresário Domingos Névoa resolveu o imbróglio jurídico que a sua eleição tinha gerado e revelou maior sentido de oportunidade do que aqueles que, por unanimidade, o tinham eleito. Por unanimidade, repito, porque as responsabilidades também não eram exclusivas de uma só pessoa a quem toda a minha gente tem apontado o dedo. Com ou sem razão, ainda estou para saber, porque não alinho em campanhas.
Seja como for, ainda bem que Domingos Névoa tomou tal decisão, pois o ar ficou assim mais respirável. Mesmo que seja só por alguns momentos, já valeu a pena.

Tardou, mas chegou!

Depois do Bloco de Esquerda e de alguns membros do PS (Alegre e Cravinho, pelo menos ) a direcção do PS e os demais partidos com assento parlamentar manifestaram-se contra a nomeação do empresário bracarense Domingos Névoa para a presidência da empresa intermunicipal de gestão de resíduos Braval.
Essa nomeação, depois do que se passou no caso Bragaparques, é na verdade uma nódoa. O repúdio generalizado por tal nomeação tardou, mas chegou. Haja Zeus !

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Agradecimentos e Parabéns !

Tiveram a gentileza de endereçar cumprimentos ao "Terra dos Espantos" pela passagem dos mil "post"aqui comemorados, o "Câmara Corporativa", o "A Forma e o Conteúdo", o "Direito de Opinião" e o "Câmara de Comuns", além de outros amigos que, para o efeito, utilizaram a caixa de comentários. Para todos aqui ficam os meus agradecimentos.
Ao "Câmara de Comuns" são também devidos parabéns pela passagem do seu primeiro aniversário e pela bem conseguida renovação da imagem. Seguem os parabéns, com ligeiro atraso, mas nem por isso menos sinceros. Ad multos et bonos!

A mesma ladainha também cansa

O Ministério da Educação reagiu com inusitada vivacidade, qualificando como “ridículas e ignóbeis” (termos fortes) as acusações feitas ontem pela Fenprof e dirigidas ao Ministério, segundo as quais, este estará a promover o “desinvestimento” e a favorecer “clientelas privadas” no campo do ensino especial.
A serem verdadeiros os números e os factos adiantados pelo Ministério da Educação, em defesa dos seus pontos de vista e não vejo razão para deles duvidar, já que se trata de números e factos passíveis de comprovação, a indignação do Ministério tem toda a razão de ser e, em boa verdade, já é altura de chamar os bois pelos nomes.
Já se viu que a Fenprof, com bons ou maus modos, não vai lá, até porque também já não restam dúvidas sobre a agenda que tem entre mãos e que, seguramente, não é uma agenda sindical.
A Fenprof já teve tempo, aliás, para concluir que a sua ladainha já só convence os convictos. É que a mesma ladainha a toda a hora também cansa.

As divergências convergentes da Cimeira do G20

As divergências que se anunciavam antes da reunião da Cimeira do G20, parece terem-se esfumado, pois foi possível aos líderes mundiais presentes na Cimeira de Londres chegar a um “acordo de acção global” para reactivar a economia internacional e, designadamente, sobre: a bem necessária reforma do sistema bancário [com a mais que urgente a penalização dos paraísos fiscais (e por que não avançar já para sua erradicação?)]; a criação de um pacote de um milhão de milhões de dólares para reforçar a capacidade de intervenção das instituições financeiras internacionais e de um fundo de 250 mil milhões de dólares destinado a financiar e dar garantias às exportações e importações, durante os próximos dois anos. Isto a par das decisões sobre uma nova regulamentação para as agências de notação e os fundos de investimento (que dela bem carecem, pelo que se tem visto) e sobre a ajuda ao desenvolvimento dos países mais pobres a levar a efeito através da acção do FMI que foi autorizado a vender parte das suas reservas de ouro para tal fim.
Boas decisões! Venham agora as boas obras que urgentes são elas.
ADENDA:
Pelo que se lê, os dirigentes mundiais sairam satisfeitos com os resultados da cimeira: Para Obama a cimeira do G20 foi um "ponto de viragem" no combate à crise; Sarkozy e Merkel falam em "compromisso histórico" .
Será desta ? Zeus o queira !

Avifauna portuguesa # 32 - Pilrito-das-praias (Calidris alba)

Pilrito-das-praias (Calidris alba Pallas)

(Local e data da captação da imagem: Lagoa de Santo André; 12-10-2008)
(Para ampliar, clicar sobre a imagem

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Entradas de leão e saídas de sendeiro

É um título que define bem o comportamento do eleito presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) que, logo após a sua eleição, denunciou a existência de pressões sobre os magistrados encarregados do processo Freeport, a tal ponto inadmissíveis que justificaram o pedido de uma audiência urgente ao Presidente da República (!) denúncia que serviu para gerar grandes manchetes nos media do costume. Este resultado terá sido, tudo o indica, o efeito pretendido, o que mostra, a meu ver, que o presidente do SMMP é portador não de uma agenda sindical, mas o executor de uma linha política que já vinha detrás e que tem produzido os resultados que estão à vista de toda a gente que quer ver.
A esta "entrada de leão", sucede-se, de imediato, "a saída de sendeiro" traduzida na nota de imprensa ontem difundida pelo SMMP, após a divulgação do comunicado da Procuradoria-Geral da República, comunicado que a dita nota de imprensa saúda como "manifestação pública de confiança do Ministério Público nos magistrados".
Em que ficamos, se, ao mesmo tempo, a nota avisa que "continuará a denunciar todas tentativas de intervenção no trabalho dos investigadores". Continuará como, se até agora, denúncia não se viu nenhuma? O SMMP não ignora, suponho, que para se poder falar de denúncia, é preciso que haja, além de factos em concreto, a indicação de alguém responsável por eles e, como é público, o sindicato sobre a matéria guardou de Conrado o prudente silêncio, mesmo depois de instado a fazê-lo.
Nesta matéria, o mais que se viu até agora, e não pela via do SMMP, foi a referência a um encontro entre o procurador Lopes da Mota, presidente do Eurojust, e os magistrados encarregados do processo, encontro que, todavia, segundo aquele, se inseriu no âmbito do apoio e acompanhamento da cooperação judiciária entre Portugal e o Reino Unido, no estrito cumprimento das suas atribuições, considerando ele absurdo que se tenha pretendido ter havido da sua parte o propósito de pressionar quem quer que fosse.
Seja assim, como Lopes da Mota afirma, ou seja assado, não deixa de ser surpreendente que alguém se sinta pressionado por um seu par.
Aliás, como bem diz Maria José Morgado, "nenhum magistrado que é corajoso é pressionável". Eu, que, noutros tempos, já exerci essas funções, não diria melhor.
Quem o não for (corajoso) deve escolher outra profissão. A de pastor, por exemplo, ou antes outra, que ser pastor também exige coragem. Para enfrentar lobos e intempéries!

A minha "mentirinha" do 1º de Abril

Correspondendo a uma solicitação da MDSOL, endereçada aos leitores do seu branco no branco, até eu ousei fabricar uma mentirinha que saiu como segue:"A cadela encarregada de dar à luz o "cão d'água português" para servir de mascote às filhas do Presidente Obama, não conseguiu levar a gestação a bom termo. Hélas!"
Muito inocentezinha, como se vê !
A MDSOL que me desculpe a divulgação antecipada, que admito dê direito à exclusão do concurso, mas, sendo a minha imaginação pouco produtiva, tenho que aproveitar aqui, na "Terra dos Espantos", as poucas chispas que dela ainda brotam, uma vez por outra.