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domingo, 28 de novembro de 2021

Eram favas contadas...


Para a generalidade dos órgãos da comunicação social a vitória de Rangel sobre Rui Rio na disputa pela presidência do PSD era mais que certa. E, afinal, contra todas as previsões entretanto avançadas, a vitória acabou por sorrir a Rui Rio que não teve a seu favor, nem a comunicação social que, pelo contrário, não se cansou de acarinhar Rangel, nem a confiança, e menos ainda o apoio, de boa parte das estruturas distritais e concelhias do partido. E, há que dizê-lo, não sendo uma vitória estrondosa, também não foi uma vitória "poucochinha", atendendo às circunstâncias, visto que se tratou de uma vitória contra a lógica clubística. Rangel tinha, com efeito, o apoio de toda uma forte claque movida a frustração e raiva, que nele justamente se revia.
Rui Rio teve coragem para afrontar a claque e o mérito de a derrotar. É verdade que não lhe faltarão motivos de preocupação e muito trabalho pela frente, mas, seja como for o futuro, para já, é merecedor de parabéns. 
(Foto daqui. Créditos: Lucília Monteiro)

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Metendo a foice em seara alheia ....

... diria eu que, antes de mais ninguém, quem não apreciará a vitória de Paulo Rangel na disputa para a presidência do PSD, será André Ventura. 

De facto, quem é que, tendo Rangel, ainda precisa do Chega?

sábado, 27 de março de 2010

As "directas" do PSD e as surpresas

A vitória de Passos Coelho nas "directas" ontem realizadas para eleição do presidente do PSD não constitui, de per si, nenhuma surpresa, já que as sondagens, entretanto realizadas, por pouco credíveis que fossem, segundo os especialistas, já apontavam para esse resultado. As surpresas surgem quando se olha para os números, que traduzem uma vitória folgada: 61,06% para Passos Coelho, contra 34,47% para Paulo Rangel, 3,61% para José Pedro Aguiar-Branco e 0,23% para Castanheira Barros.
Ora, estes números significam que, não obstante a candidatura de Aguiar-Branco ter sido cilindrada pela bipolarização criada  à volta de Passos Coelho e Paulo Rangel, nem assim este conseguiu uma votação que pudesse ombrear com a do vencedor. Daí que se possa dizer que, dada a bipolarização, os grandes vencidos tenham sido Paulo Rangel e os "caceteiros" que o acompanhavam (J. Pacheco Pereira e V. Graça Moura, p.e) a par de pessoas estimáveis, como António Capucho. De facto, o candidato Castanheira Barros não contava e tanto assim que, no discurso de vitória, Passos Coelho nem a ele se referiu (o que não condiz muito com o perfil que dele traçam) e Aguiar Branco, dadas as circunstâncias, também já não podia alimentar grandes esperanças.
Recambiado para o Parlamento Europeu, o taumaturgo de verbo fácil (mas que, afinal, nem no interior do partido faz milagres) fica o PSD entregue a Passos Coelho e ele sim pode vir a constituir uma grande surpresa (boa ou má) porque, de facto, politicamente, Passos Coelho é uma melancia por abrir. Sabe-se que representa uma corrente mais liberal dentro do PSD e que é uma pessoa cortês, mas, como é óbvio, tais dados são insuficientes para lhe definir a estatura como político.
Natural é, pelas ideias que perfilha, que venha a ser uma má surpresa para Paulo Portas e para o CDS, que, com um PSD mais inclinado para a direita, poderão ver travada a ascensão verificada nos últimos tempos. Diria o contrário para Sócrates e o PS, mas muito dependerá de outros factores. Se Passos Coelho for capaz de traçar um rumo e de apresentar soluções alternativas credíveis, deixando para trás a política do "bota-abaixo" da direcção antecessora, tudo pode acontecer.
Como não sou futurólogo direi: veremos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

"À espera de Godot"

Ao que parece, o que os militantes do PSD, que hoje irão a votos para eleger o próximo presidente do partido, vão escolher não é o dirigente que melhor sirva os interesses do país, mas sim  o candidato que derrote o PS.
Sendo assim, atrever-me-ia a sugerir que esperassem sentados, porque, para além de se me afigurar que a motivação não é a mais nobre, também não me parece que os dois candidatos melhor posicionados, segundo as sondagens que se conhecem, tenham o perfil para atingir tal desiderato.
Passos Coelho, com as suas ideias liberais de redução do Estado social ao Estado mínimo, surge em contra-ciclo, num momento em que é mais necessária a intervenção do Estado  na protecção dos mais desfavorecidos. A Rangel, bom no uso da palavra para atacar e destruir, faltam as ideias para construir. Essa receita (atacar, sem apresentar soluções alternativas) foi a estratégia seguida por Manuela Ferreira Leite enquanto dirigente do PSD e, designadamente, durante a última campanha eleitoral. Com os resultados que se conhecem. A experiência colhida pela "madrinha" Ferreira Leite deveria ter-lhe servido de lição, mas, pelos vistos, nem isso.  

domingo, 21 de março de 2010

A surpresa !...

Confrontado com a recente sondagem relativa às intenções de voto dos militantes do PSD, nas próximas "directas" para eleição do líder do Partido, que apontava para a fraca hipótese de vir a ser eleito, Aguiar-Branco, um dos quatro candidatos em liça, prometeu uma surpresa para o dia das eleições.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Directamente para o desastre...

Ao que dizem os comentadores encartados, a luta para a liderança do PSD resume-se a dois candidatos: Passos Coelho e Rangel. Castanheira Barros não conta, pois a comunicação social ignora-o por completo e Aguiar-Branco, porventura o mais capacitado, também é, pelos vistos, uma carta fora do baralho.
Se assim for, do meu ponto de vista, qualquer que venha a ser o vencedor das "directas", estas são o caminho mais directo para o desastre.
Passos Coelho tem um discurso mais estruturado, sem dúvida, mas a sua receita, como se pode deduzir por estas declarações, significa muito simplesmente a transformação do Estado Social num Estado Mínimo, seguindo a cartilha liberal.
Rangel, à falta de um programa coerente, dispara em todas as direcções e em tudo o que mexe. Dá para um bom guerrilheiro da palavra. Só que dirigir e governar não é falar. E, menos ainda, arremeter contra tudo e contra todos, como é seu vezo.  É planear e fazer. O quê, Paulo Rangel?

sábado, 6 de março de 2010

À espera de S. Marcelo

Multiplicam-se o apelos para que o Prof. Marcelo se candidate à liderança do PSD. Desde Alberto João, que apela à desistência dos três candidatos já assumidos, passando por Marques Mendes e Santana Lopes, não faltam as vozes a rogar a Marcelo para que desça lá do alto.  
Não é preciso pôr mais nada na carta para ficarmos a saber o que, no interior do partido, se pensa das actuais candidaturas. Pelos vistos, não é lá grande coisa.

quinta-feira, 4 de março de 2010

E vão duas (derrotas)

Mais um debate entre candidatos à liderança do PSD, hoje entre Paulo Rangel e Aguiar Branco e, mais uma vez,  Rangel, o "palrador da República" (insisto que a expressão é de Moita Flores) levou para contar. O rapaz, pelos vistos, não teve tempo para se preparar. A "ruptura" que nos propõe, ou dá para rir (é o caso da proposta de atribuição do estatuto de secretários de Estado aos presidentes das cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) ou é um regresso ao passado (as suas propostas sobre educação não desmerecem da política do Estado Novo).
Para criticar, tem lábia e tem jeito. Para governar, Zeus nos acuda!

terça-feira, 2 de março de 2010

PSD: as "Directas", os candidatos, as facções e o mais que adiante se verá

Tenho por bem assente que a próxima eleição para a liderança do PSD não vai acabar com as facções que se têm vindo a degladiar no seio do partido, contribuindo, por essa forma, para o seu enfraquecimento. Como é notório.
Para começar, o actual sistema de eleição não ajuda, pois, não havendo segunda volta, é eleito o candidato que obtenha o maior número de votos. Concorrendo mais de dois candidatos é difícil que algum deles venha a obter mais do que uma maioria relativa, sendo, inclusive, de admitir que, tal como aconteceu nas anteriores "directas", o candidato vencedor não fique a grande distância  de um ou dos dois candidatos vencidos. À partida, um tal resultado diminui a legitimidade e a autoridade do vencedor. Como é óbvio.
Depois, também é verdade que nenhum dos actuais três candidatos à liderança reúne, nem as  condições, nem as  qualidades para conseguir a desejável unidade.
 De facto, é, desde logo, evidente que as três candidaturas são portadoras de projectos políticos diferentes: mais social-democrata a de Aguiar Branco; mais conservadora a de Rangel; e mais liberal a de Passos Coelho.
Mas se há diferença de projectos, o mesmo se pode dizer em relação aos candidatos, também eles com personalidade bem distinta:
Aguiar Branco, a correr sob o lema da unidade, é uma pessoa aparentemente cordata, mas falta-lhe, a meu ver, carisma e tem um discurso pouco entusiasmante, pelo que é natural que não venha a galvanizar o eleitorado, ainda que ele seja, julgo eu, aquele que dos três teria mais condições para estabelecer consensos e alcançar a unidade que proclama.
Paulo Rangel surge como o candidato da ruptura, embora, paradoxalmente, venha na linha de continuidade da actual direcção que, dizem, o apadrinhou. O seu estilo palavroso e agressivo pode vir a gerar entusiasmo entre os militantes ansiosos por chegar de novo ao poder e tal pode vir ser um factor relevante nesta eleição. Ele é, no entanto, dentre todos os candidatos, o que mais dificilmente conseguirá unir o partido. Por um lado, é um facto que já criou grandes anticorpos no interior do PSD. Por outro, o seu conservadorismo (por alguma razão, pretendeu esconder a sua militância no CDS) e a pouca credibilidade em termos de respeito pelos compromissos assumidos (Aguiar Branco que o diga) não são de certo bons augúrios para atingir aquele objectivo.
Mudar é o lema de Passos Coelho que tem, de resto, legitimidade para falar em mudança, pois ele encabeçou, nas anteriores "directas", uma corrente que tem vindo a ser qualificada de liberal e, durante o mandato da actual direcção, não só não se afastou dessa orientação, como tem surgido como seu representante. Só que o lema da mudança, bem vistas as coisas, tem também o significado de corte com o passado e o corte traduz-se, afinal, em ruptura. E lá estamos de novo caídos em facções.
O mais certo, pois, é que as lutas internas, seja qual for o vencedor, estejam para ficar e durar.
Demonstratum quod erat demonstrandum, diria, para finalizar, que as opções até agora conhecidas não são de molde a gerar grande entusiasmo entre os militantes do PSD, pois, se bem julgo, nenhum dos candidatos reúne condições para vir a ganhar eleições legislativas, porque também nenhum deles tem perfil para desempenhar o cargo de primeiro-ministro:
Aguiar Branco tem a seu favor o parecer uma pessoa sensata e o facto de ter alguma experiência política, quer como deputado, quer como ministro da Justiça. Falta-lhe, no entanto, carisma e o seu discurso é tudo menos entusiasmante, como já disse. E também é verdade que a sua passagem pelo Ministério da Justiça, além de breve, não deixou rasto.
A Rangel não falta discurso. No entanto, o que lhe sobra em palavras, falta-lhe em actos, ou seja, é palavroso, mas inconsequente. E há abundantes provas disso. Para além de que tem agressividade a mais e sentido das conveniências (ou de Estado) a menos: as suas intervenções no Parlamento Europeu não têm outro significado. Até os seus companheiros de partido o reconhecem. Finalmente, da sua passagem pelo Ministério da Justiça, como secretário de Estado, não reza a história. Simplesmente.
Passos Coelho não tem qualquer experiência governativa. A aposta nele é, pois,  uma aposta de alto risco. Vivendo o país dias difíceis, quem se disporá a arriscar nele ?

domingo, 22 de junho de 2008

Não é só ele


Pedro Passos Coelho não é o único a pensar e a dizer que MFL ainda não nos disse qual o seu projecto para o país. E, pessoalmente, julgo que não dirá: A mudez da senhora já não é de agora, pois, se bem me lembro, a campanha dela para as Directas já foi feita de silêncios.
Se Manuela Ferreira Leite julga que, com meia dúzia de frases feitas vai lá, está enganada e, se calhar, enganados estão muitos dos que neste momento a incensam.

domingo, 1 de junho de 2008

Directas do PSD - Em louvor do vencido

(Foto copiada aqui)

Está a tornar-se um lugar comum e é de bom tom fazer declaração de interesses quando se pretende emitir opinião sobre qualquer assunto. Seguindo tal procedimento, devo dizer que, por razões que não vêm ao caso, a minha simpatia pela figura do deputado Patinha Antão, candidato à presidência do PSD nas directas que ontem tiveram lugar, é curta e o meu interesse é nenhum.
Em todo o caso e porque não sou partidário do Vae victis (ai dos vencidos) entendo que Patinha Antão é merecedor de uma palavra de apreço pelo simples facto de ter levado a sua candidatura até ao fim.
Sabendo, pois é pessoa inteligente, que a sua candidatura não tinha o favor da comunicação social (que a tratou com indisfarçado desdém e nalguns sectores até com alguma ironia) e que, face às múltiplas sondagens, também não suscitava grande entusiasmo entre os militantes do PSD, entendeu mesmo assim chegar até à boca das urnas.
Tal facto revela que pelo menos uma qualidade não lhe falta: Tem pele dura, o que não é pouco nos dias que correm em que é comum desistir logo que surge a primeira dificuldade.
Honra, pois, ao vencido!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Presunção ...

Ferreira Leite garante ter obrigado o PS a “cerrar fileiras”

"Presunção e água benta cada um toma a que quer" é o ditado que imediatamente me ocorreu ao ler no "PÚBLICO.PT" tal proposição. A campanha (?) da candidata à presidência do PSD é a melhor prova da vacuidade da afirmação .

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Directas do PSD - A retirada

Ficou ontem a saber-se que o presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim, decidiu-se, finalmente, depois de avanços e recuos vários, pela retirada da corrida à presidência do PSD, desistindo da sua participação nas Directas que terão lugar no final deste mês.
Em abono da verdade, deve dizer-se que a intenção dele, tanto quanto é lícito presumir, nunca foi a de se candidatar. O que ele, na verdade, sempre quis, foi que os militantes do PSD o elegessem por aclamação. Daí os seus apelos aos demais candidatos para que se afastassem e lhe deixassem o caminho livre. Habituado às largas maiorias na Madeira, o Dr. Jardim não quis correr o risco de ser derrotado pelos votos dos seus próprios companheiros. Está no seu pleníssimo direito.
Os outros candidatos e os demais militantes recusaram fazer-lhe a vontade e eles lá sabem porquê. O Dr. Jardim é que não percebe. A sua megalomania, alimentada por dezenas de anos de bajulação (e disso não é ele, porventura, o principal culpado) não lhe permite ter a noção da sua real estatura política.
Manifestamente, ele não se "enxerga", como diria o outro!