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sábado, 5 de junho de 2010

Até "onde chega a miséria moral" ?

Por exemplo, a de um indivíduo que dá pelo nome de José Manuel Fernandes e que, em crónica na edição de ontem do "Público", jornal de que foi director, se pôs a sentenciar sobre " a miséria moral da esquerda jacobina que temos"?
Não será este indivíduo o mesmo que é responsável, juntamente com o jornalista Luciano Alvarez, pelo caso mais vergonhoso de manipulação jornalística e política de que há memória, o das suspeitas sobre as escutas em Belém e que nem sequer teve a hombridade de contestar as responsabilidades que o assessor da Presidência, Fernando Lima lançou, nas páginas do "Expresso", sobre o jornal de que ao tempo era director?
Não será este individuo, o mesmo que apoiava incondicionalmente o ex-Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush e que defendia, à outrance, de par com o JPP, a guerra do Iraque, como o mais fanático  dos neocons ?
É, de facto, este o mesmo indivíduo que, para levar a sua água ao seu moinho, nem recua, ao longo da crónica, em citar o caso de Inês de Medeiros, afirmando que a ora deputada se candidatou, apresentando uma morada em Lisboa, quando se sabe que tal afirmação é redondamente falsa, havendo documentação tornada pública que prova exactamente o contrário.
Que moral tem, pois, este indivíduo para dissertar sobre a moral dos outros ?
Nenhuma. E vergonha também não.
(Fica-me ainda uma dúvida que gostava de tirar a limpo. Não terá sido este indivíduo o jornalista que quando estava no Público,escrevia reportagens em Israel com tudo pago pelas autoridades israelitas ?)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Da arte de bem tirar o cavalinho da chuva

"Uma vez que este editorial – sobre o afastamento de Fernando Lima da chefia do gabinete de assessoria para a comunicação social do Palácio de Belém – será lido com mil lupas e, se se mantiver o registo dos últimos dias, facilmente treslido, comecemos por relembrar os factos essenciais.
Primeiro facto: há 17 meses um editor do PÚBLICO enviou uma mensagem a um jornalista pedindo-lhe para apurar um conjunto de factos. Esse jornalista não apurou nenhum elemento que fosse susceptível de ser noticiado, e nada foi noticiado. Dados fornecidos por uma só fonte que se quer manter anónima não são notícia no PÚBLICO.
Segundo facto: a 18 de Agosto o PÚBLICO editou uma notícia, baseada numa fonte identificada como “membro da Casa Civil do Presidente da República” em que esta assumia que esta se interrogava: “Será que em Belém passámos à condição de vigiados?” Uma tal suspeição, assumida por uma fonte do Palácio de Belém, é notícia em qualquer parte do mundo. No dia seguinte essa notícia não só não foi desmentida, como foi confirmada por outros órgãos de informação. Escrevi então em editorial: “Se a Presidência da República quis que se soubesse das suas suspeitas sobre o não cumprimento das regras do jogo por alguns actores políticos é porque sente que pode ficar no olho da tempestade depois das eleições de 27 de Setembro”.
Terceiro facto: quase um mês depois desta notícia, parte do conteúdo de uma troca de mensagens entre a direcção editorial do PÚBLICO, um editor e um jornalista, trocadas exclusivamente no interior do jornal, é entregue a um jornalista da secção política do Expresso. Essa entrega, feita em papel, não foi realizada por ninguém do PÚBLICO, como já explicou o director daquele semanário. O mesmo material terá sido poucas horas depois encaminhado para o Diário de Notícias, uma vez que o Expresso informou a sua fonte que primeiro teria de investigar o significado dessas mensagens. Já o Diário de Notícias optou por revelar correspondência privada com o objectivo de expor a fonte da notícia de 18 de Agosto. Não se sabe como esse conjunto de mensagens saiu para fora do PÚBLICO nem o DN esclareceu como as recebeu.
Estes são os factos essenciais. Sobre o comportamento dos vários órgãos de informação envolvidos já muito foi escrito. É matéria de opinião que envolve directamente o PÚBLICO sobre a qual não nos pronunciaremos nem hoje, nem aqui. Relevante é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos.
A primeira questão que se coloca é a de saber se o afastamento de Fernando Lima corresponde ao assumir pela Presidência da República de que as notícias sobre as suas suspeitas de estar a ser vigiada eram falsas ou, então, exageradas. As declarações feitas ainda em Agosto pelo Presidente, assim como o que disse na sexta-feira passada, já depois das notícias sobre Fernando Lima, não permitem concluir que essas suspeitas não existem. Mais: se o Presidente as quisesse por fim desmentir teria ontem podido fazê-lo ao afastar o seu assessor das suas anteriores responsabilidades. De novo isso não aconteceu. Só aconteceu o que não podia deixar de acontecer: Fernando Lima deixou de ter condições pessoais e políticas para falar aos jornalistas, logo foi afastado das relações com a comunicação social.
A segunda questão a discutir, e a mais importante, é o comportamento da Presidência da República. Na verdade, ao permitir que esta questão assumisse a dimensão que assumiu, Cavaco Silva, que já iria estar no olho da tempestade depois das eleições, colocou-se no olho de outra tempestade antes delas. Por isso, das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado, porventura de forma irremediável. Sendo que este processo não se resolve com uma simples queixa à Procuradoria-Geral da República ou o rastreamento do Palácio de Belém para descobrir eventuais aparelhos de escuta. E ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas.
Há porém uma terceira questão que não pode ser esquecida: a forma como este tema “rebentou” num jornal, isto é, as condições em que correspondência interna do PÚBLICO saiu deste jornal e quem a levou a um jornal que não quis fazer investigação própria, ao contrário do Expresso.
PS. Este jornal deve um esclarecimento de facto aos seus leitores: ao contrário do que afirmou o Provedor do Leitor, ninguém nesta empresa lhe “vasculhou” a correspondência electrónica. O PÚBLICO continua sim a ser o espaço de liberdade que lhe permitiu fazer as críticas que fez."

(Editorial de José Manuel Fernandes (JMF) hoje publicado na edição impressa do "Público" e também acessível on line).

***

JMF trata os leitores do "Público" como gente com memória curta, disposta a aceitar, à primeira, a sua versão (branqueada) de toda a "estória" sobre "o caso das escutas". E é rápido, pois com uma só penada ("Relevante é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos") tenta "tirar o seu cavalinho da chuva". Pese embora a sua indesmentível habilidade e arte na matéria, a sua tentativa falha porque, antes da "estória", ele ainda podia enganar alguém. Hoje, depois de conhecida a tramóia, o seu "Omo" já não branqueia coisa nenhuma.
PS. O aldabrão não é ele, JMF. Mentiroso, na sua versão, é o Provedor do Leitor, pois ninguém dentro da empresa lhe "vasculhou"a correspondência electrónica. Estou plenamente convencido que JMF ainda vai ter que engolir mais esta acusação. O Provedor do Leitor já demonstrou que tem uma estatura moral que, de todo, lhe falta a ele. A ver vamos.

domingo, 20 de setembro de 2009

A tramóia e um homem sem vergonha

“A questão principal"

" Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes (J.M.F.), acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, J.M.F. admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega (T.N.), correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma "anormalidade" ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no PÚBLICO, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade.
A onda de nervosismo, na verdade, acabou por extravasar para o próprio mundo político, depois de o Diário de Notícias ter publicado anteontem um e-mail de um jornalista do PÚBLICO para outro onde se revelava a identidade da presumível fonte de informação que teria dado origem às manchetes de 18 e 19 de Agosto, objecto de análise do provedor. A fuga de informação envolvia correspondência trocada entre membros da equipa do jornal a propósito da crónica do provedor. O provedor, porém, não denuncia fontes de informação confidenciais dos jornalistas - sendo, aliás, suposto ignorar quem elas são -, e acha muito estranho, inexplicável mesmo, que outros jornalistas o façam. Mas, como quem subscreve estas linhas não é provedor do DN, sim do PÚBLICO, nada mais se adianta aqui sobre a matéria, retomando-se a análise que ficou suspensa há oito dias.
Em causa estavam as notícias dando conta de que a Presidência da República (PR) estaria a ser alvo de vigilância e escutas por parte do Governo ou do PS. O único dado minimamente objectivo que a fonte de Belém, que transmitiu a informação ao PÚBLICO, adiantara para substanciar acusação tão grave no plano do funcionamento do nosso sistema democrático fora o comportamento "suspeito" de um adjunto do primeiro-ministro (PM) que fizera parte da comitiva oficial da visita de Cavaco Silva (C.S.) à Madeira, há ano e meio. As explicações eram grotescas - o adjunto sentara-se onde não devia e falara com jornalistas -, mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO, que não citavam qualquer fonte nessa passagem da notícia (embora tivessem usado o condicional).
A investigação do provedor iniciou-se na sequência de uma participação do próprio adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo (R.P.F.), queixando-se de não ter sido ouvido para a elaboração da notícia, apesar de T.N. ter recolhido cerca de seis meses antes a sua versão dos factos. O provedor apurou que na realidade T.N., por solicitação de um dos autores da notícia, o editor Luciano Alvarez (L.A.), já compulsara no Funchal, logo após a visita de C.S., e enviara para a redacção informações que se convergiriam com aquilo que R.P.F. lhe viria a afirmar um ano depois (e que o correspondente entendeu não ter necessidade de comunicar a Lisboa, convencido de que o assunto morrera). Esses dados, contudo, não haviam sido utilizados na notícia (foi por tê-lo dito na crónica que o provedor recebeu de J.M.F. o epíteto de mentiroso, não tendo recebido entretanto as explicações que logo lhe pediu). O provedor inquirira J.M.F e L.A. sobre as razões dessa omissão mas não obtivera resposta.
Quanto ao facto de não se ter contactado o visado para a produção da notícia, como preconiza o Livro de Estilo do PÚBLICO ("Qualquer informação desfavorável a uma pessoa ou entidade obriga a que se oiça sempre 'o outro lado' em pé de igualdade e com franqueza e lealdade"), respondeu L.A. ao provedor: "Ao fim do dia da elaboração da notícia, eu próprio liguei para Presidência do Conselho de Ministros [PCM], para tentar uma reacção de R.P.F., mas ninguém atendeu. Cometi um erro, pois deveria ter, de facto, ligado para São Bento, pois sabia bem que era aí que R.P.F. habitualmente trabalhava, já que uma vez lhe tinha telefonado para São Bento para elaboração de outra notícia".
Numa matéria desta consequência, em que se tornaria crucial ouvir o principal protagonista, o provedor regista a aparente escassa vontade de encontrar R.P.F., telefonando-se ao fim do dia (em que presumivelmente já não estaria a trabalhar) e para o local que o jornalista sabia ser errado. A atitude faz lembrar os métodos seguidos num antigo semanário dirigido por um dos actuais líderes políticos (que por ironia tinha por objectivo destruir politicamente C.S., então PM), mas não se coaduna com a seriedade e o rigor de que deve revestir-se uma boa investigação jornalística. Se o jornal já possuía a informação há ano e meio, porquê telefonar ao principal protagonista pouco antes do envio da edição para a tipografia? É um facto que R.P.F., segundo afirmou ao provedor, estava então de férias, mas isso não desculpa a insignificância do esforço feito para o localizar.
Também J.M.F. reconheceu ao provedor "o erro de tentar encontrar R.P.F. na PCM e não directamente na residência oficial do PM", acrescentando, porém: "Tudo o mais seguiu todas as regras, e só lamentamos que os recados deixados a R.P.F. não se tenham traduzido numa resposta aos nossos jornalistas, que teria sido noticiada de imediato, antes no envio de uma queixa ao provedor - a resposta não impediria que se queixasse na mesma, mas impediu-nos de noticiar a sua posição e de lhe fazer mais perguntas".
O provedor considera, porém, que nem "tudo o mais seguiu todas as regras". As notícias do PÚBLICO abalaram os meios políticos nacionais, e o próprio PM as comentou, considerando o seu conteúdo "disparates de Verão". O assunto era, pois, suficientemente grave para o PÚBLICO, como o jornal que lançou a história, confrontar a sua fonte em Belém com uma alternativa: ou produzia meios de prova mais concretos acerca da suposta vigilância de que a PR era vítima (que nunca surgiram) ou teria de se concluir que tudo não passava de um golpe de baixa política destinado a pôr São Bento em xeque. Não tendo havido qualquer remodelação entre os assessores do Presidente da República (PR) nem um desmentido de Belém, era, aliás, legítimo deduzir que o próprio C.S. dava cobertura ao que um dos seus colaboradores dissera ao PÚBLICO. Mais significativo ainda, o PÚBLICO teria indícios de que essa fonte não actuava por iniciativa própria, mas sim a mando do próprio PR - e essa era uma hipótese que, pelo menos jornalisticamente, não poderia ser descartada.
Afinal de contas, o jornal até podia ter um Watergate debaixo do nariz, mas não no sentido que os seus responsáveis calculavam.
No prosseguimento da cobertura do caso, o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio PR com as suas responsabilidades políticas na matéria. Tendo o provedor inquirido das razões dessa inacção, respondeu J.M.F.: "O PÚBLICO tratou de obter um comentário do próprio Presidente, mas isso só foi possível quando este, no dia 28 [de Agosto], compareceu num evento em Querença previamente agendado, ao qual enviámos o nosso correspondente no Algarve. Refira-se que, quando percebemos que não conseguiríamos falar directamente com o PR para a sua residência de férias, verificámos a sua agenda para perceber quando ia aparecer em público, tendo notado que a notícia saíra da Casa Civil exactamente antes de um período relativamente longo em que o Presidente não tinha agenda pública".
Em Querença, C.S. limitou-se, porém, a invocar "os problemas do país" e a apelar para "não tentarem desviar as atenções desses problemas", tendo faltado a pergunta essencial: como pode o PR fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento?
E, como qualquer jornalista político sabe, havia muitas maneiras de confrontar a PR com a questão e comunicar ao público a resposta (ou falta dela), não apenas andando atrás do inquilino de Belém.
Do comportamento do PÚBLICO, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da PR, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter. E isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles, além dos já antes referidos, permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR), leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar:
haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?
Noutras crónicas, o provedor suscitou já diversas observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra - não importando quais são elas, pois o contrário seria igualmente preocupante. Julga o provedor que não é essa a matriz do PÚBLICO, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores. É, pois, sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos.”
(Joaquim Vieira, Provedor do leitor - "PÚBLICO" - Domingo 20 Setembro 2009)
(Transcrição copiada daqui, com agradecimentos)
***
Como o prometido é devido, Joaquim Vieira retomou, na edição do PÚBLICO de hoje, a análise do tratamento dado pelo jornal ao "caso das escutas de Belém" iniciada na edição do domingo anterior (v. aqui) e o seu texto é demolidor, quer para a pessoa do seu director, quer para a o actual inquilino de Belém.
Deixando de parte o "inquilino", pois, sobre ele, já disse o que tinha a dizer, centro-me na personagem José Manuel Fernandes, que, pelo que é descrito na coluna do Provedor, não passa de um homem sem vergonha, que não hesita em chamar mentiroso a quem o não o é, como é fácil perceber pelo desenvolvimento da peça, como vasculha ou manda vasculhar a correspondência electrónica do Provedor e a de outros jornalistas do PÚBLICO, sem aviso prévio, praticando assim actos de gravidade idêntica aos que ele, sem quaisquer provas e com a arrogância de quem se sente no direito de as dispensar, atribuira aos SIS, ao acusá-los, sem mais aquelas, da prática de actos de intrusão na correspondência electrónica do jornal, acusação que, mais tarde se viu forçado pelos factos, a retirar, mas que, entretanto, serviu de pretexto para a Drª Leite, com o seu conhecido amor pela "Verdade", retomar o tema da "asfixia", mesmo depois de feito o desmentido.
Para chegar a uma tal conclusão, nem é preciso grandes divagações. Basta vê-lo agora a passear-se pelos vários espaços televisivos postos à sua disposição a afirmar uma coisa e, a seguir, o seu contrário e sempre com a mesma cara.

À interrogação formulada pelo Provedor sobre se haverá uma agenda política oculta na actuação do jornal, parece-me difícil não responder afirmativamente. Só que a agenda não é oculta, pois está bem à vista que JMF, acolitado por Luciano Alvarez (e não só) e contando com o empenho militante de Pacheco Pereira, colunista do PÚBLICO e censor encartado, tem levado a cabo uma estratégia de transformar o "PÚBLICO" num órgão oficioso de Belém e num promotor de um partido (o PSD). Foram, no entanto, longe de mais e hoje a tramóia está à vista de toda a gente. Só não a vê quem teima em fechar os olhos.

Posto isto, parece-me importante e justo dizer que, como leitor habitual, não confundo o "PÚBLICO" com o seu director e seus comparsas, pois o jornal, não obstante os esforços daquele e destes, em sentido contrário, continua a ser um espaço onde é possível encontrar o confronto de opiniões e liberdade de expressão. A manutenção do actual Provedor do leitor (já, em tempos, louvado por estas bandas) é um bom sinal nesse sentido.

Assim seja.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Elefante e bailarino? Ná !



(Clicando, amplia)
De há muito que, nesta casa, se considera o "Público" como o jornal oficioso de Belém. As sucessivas notícias ali vindas a lume "sopradas" por "fontes de Belém" são prova suficiente e, uma vez por outra, fui fazendo eco desse facto, como se pode comprovar fazendo uma pesquisa aqui no blogue, etiqueta "Público". O que não se imaginava é que além de jornal oficioso, o "Público" fosse também uma central de investigação ao serviço da Presidência da República.
A notícia e o "e-mail" (v. supra) hoje publicados pelo Diário de Notícias (DN) ("e-mail" qualificado aqui como "alegada mensagem de correio electrónico") demonstram à saciedade que o "Público" sob a direcção de José Manuel Fernandes, coadjuvado pelo autor do "e-mail, o inenarrável Luciano Alvarez, se deixou instrumentalizar pela Presidência da República, ou, pelo menos, pela central de contra-informação nela sediada e liderada por Fernando Lima.
Convém, a propósito, recordar que as notícias veiculadas pelo DN, surgem na sequência do texto publicado, no passado domingo, no "Público", pelo respectivo Provedor do Leitor, Joaquim Vieira, (para não ir mais longe o texto pode ser lido aqui) onde se considerava que tudo o que o jornal havia publicado sobre as escutas, "não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém".
Confrontados com as notícias e o "e-mail" ora publicados, o dito Luciano Alvarez nega a existência do "e-mail" (existência que, entretanto, o seu destinatário - Tolentino da Nóbrega - se recusa a a confirmar ou desmentir) e José Manuel Fernandes, sem negar a sua existência, garante ter sido falsificado, embora afirme que o desconhecia. Solicitado a comentar o caso, José Manuel Fernandes não só não faz mea culpa, como qualquer pessoa dotada de bom senso apanhada com a boca na botija, como aproveita para disparar contra o SIS, atribuindo a este a responsabilidade pela divulgação do material publicado. Ora, José Manuel Fernandes, esquece-se de um pequeno pormenor: segundo o próprio, havia cinco ou seis pessoas dentro do jornal que estavam a par do caso. José Manuel Fernandes talvez o não saiba, mas a verdade é que cinco ou seis pessoas, num caso deste melindre, são uma multidão e não haveria motivo para grande espanto se, estimulado pela iniciativa do Provedor do Leitor, algum membro da redacção, se tivesse sentido enojado com tanta violação das regras deontológicas e tivesse resolvido desmascarar a actuação da direcção do "Público" num caso de extrema gravidade. É Joaquim Vieira quem como tal o qualifica, na coluna do Provedor do leitor.
A parte final do "e-mail" do Luciano Alvarez "Um abraço e vai-te a eles" diz tudo sobre o que o seu autor e a direcção do "Público" entendem por jornalismo. Proselitismo, fazem seguramente a favor do "cavaquismo" e de outros "ismos", como "ferreiraleitismo" o que vem a dar no mesmo. Jornalismo é que não.
Pergunta:
Um elefante pode ser bailarino profissional? Eu diria que não. Pois bem, face ao comportamento de um e de outro, se me perguntassem se José Manuel Fernandes e Luciano Alvarez podem ser considerados jornalistas, responderia o mesmo.
Adenda:
Enquanto Francisco Louçã, comentando o caso, põe o dedo na ferida: “Foi sempre muito evidente que se tratava de manipulação de informação, de empolamento de factos, de uma construção mistificadora, de uma fantasia, para reduzir a política a uma telenovela mexicana" também há quem pretenda desviar as atenções, como Paulo Portas, (o que não admira) e quem, como Jerónimo de Sousa, se faça desentendido, (o que já não se compreende).

terça-feira, 14 de julho de 2009

"Como foi possível" ?

Interroga-se hoje o "Público" na coluna "Sobe e Desce" como foi possível que tivesse chegado ao poder em Washington uma figura como Dick Cheney, a quem é atribuída a responsabilidade por manter em segredo os planos da CIA para assassinar selectivamente os membros da rede terrorista.
A pergunta é duplamente curta, porque a interrogação devia abranger, pelo menos, a dupla Bush/Cheney e não faltam motivos que justifiquem a interrogação, a começar, como é óbvio, pela guerra no Iraque e pelas mentiras que levaram ao seu desencadear.
Reconhece-se, em todo caso, que a pergunta é boa. Pena é que a pergunta tenha ficado sem resposta quando estava mesmo à mão de semear: José Manuel Fernandes, director do "Público", um indefectível apoiante da citada dupla e da agenda por ela levada a cabo, tinha certamente a resposta.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Por onde tens andado, Zé Manel ?

Impressionado com o desfecho do caso da menina entregue à mãe biológica por decisão de um tribunal da relação (com os resultados já conhecidos) e aproveitando o ensejo proporcionado pela nomeação, pelo Presidente Obama, de uma mulher de origem hispânica, para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, José Manuel Fernandes (JMF), no editorial de hoje do "Público", faz um ensaio de comparação entre o funcionamento da Justiça nos Estados Unidos e em Portugal, para, depois e em conclusão, desancar forte e feio na judicatura portuguesa que qualifica de corporativa, qualidade a que associa " um atavismo deprimente em que quase todos se amparam uns aos outros". E por isso protesta e conclui: "apesar de toda a retórica, temos mais depressa uma democracia corporativa do que uma democracia aberta".
JMF tem, em parte, razão. Só que, lamentavelmente, chega a tão brilhantes conclusões demasiado tarde. Convém lembrar-lhe que, enquanto director do "Público", tem dado acolhimento e sustentação (militante) a todas as manifestações de "corporativismo" que entretanto têm surgido na sociedade portuguesa, a começar exactamente pelas corporações ligadas ao poder judicial. Para não recuar muito no tempo, basta a tal propósito, recordar o apoio dado às "corporações" dos professores na luta contra as reformas levadas a cabo pelo actual Governo (quando era mais que evidente que a luta desencadeada tinha e tem apenas como objectivo a defesa dos seus interesses de classe) apoio que chegou ao ponto de dar voz na sua edição on line ao blogue de um tal professor Guinote, blogue que, por uma questão de pudor, me abstenho de nomear. Ou, ainda mais recentemente, todo o protagonismo dado ao actual presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público que, a avaliar pela suas atitudes e tomadas de posição, não passa, segundo o meu fraco juízo, de um "pobre pateta".
É, pois, caso para, num exercício de retórica, perguntar ao director do "Público": Por onde tens andado, Zé Manel ?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Jornalismo de referência ?

No "Sobe e desce" do "Público" de hoje, José Sócrates é presenteado com uma seta para baixo. Para se saber o motivo aqui fica a transcrição, que a arenga não é longa: "Anunciar uma medida como a redução das prestações da casa em 50 por cento no caso de famílias com desempregados parece uma boa ideia. Mas quando se fica a saber que a partir de 2011 todos os "beneficiados" vão começar a pagar logo o que ficou para trás, com o risco de aumentar muito o montante das prestações ainda em dívida, já o caso muda, e muito, de figura".
Não sei quem é o autor da prosa, que não vem assinada, mas não me admiraria muito se por ali tivesse passado a mão do director do "Público" que, na mesma edição, nos oferece um editorial sobre o mesmo assunto e que vai na mesma linha, com o título " O socorrista que pode ajudar a afogar os mais aflitos" e que, em resumo (do jornal), nos diz que "Aliviar o pagamento das prestações em ano eleitoral, mas permitindo que reapareçam mais tarde, mais altas e com juros, é tomar por parvo quem está aflito"
Parvos devem ser, na mente do Director do "Público", os leitores do jornal, para se permitir publicar duas peças deste jaez. Com efeito, só um parvo é que pode considerar que seria uma boa medida, o Estado substituir-se aos particulares no pagamento total ou parcial das suas dívidas. Na lógica do "Público" ou do seu director, hoje eram as prestações da casa, amanhã as contas da mercearia.
O director do "Público" não consegue ver que a medida, temporária e expressamente limitada aos agregados familiares com desempregados, é perfeitamente adequada à crise que se vive e que afecta principalmente os destinatários?
Se não consegue, é porque ele, não sendo parvo, faz questão de passar por tal.
"Público", jornalismo de referência ? Pois sim, que vou ali e volto já!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Público": Nova estratégia, ou jornal oficioso de Belém ?

No passado dia 26 de Novembro, num editorial de que se deu nota aqui, o director do "Público", José Manuel Fernandes (JMF) a propósito da crise do BPN e da associação que vinha sendo feita ao facto de estarem ligados ao caso diversos nomes que fizeram parte dos Governos de Cavaco Silva, alertava para o perigo de o país se arriscar (...) a regressar ao clima de uma guerra de "terra queimada" onde nenhuma referência se salva: nem Governo, nem oposição, nem Presidente", finalizando com um aviso no sentido de que "... numa democracia em tempos de crise, optar pela táctica da "terra queimada" pode ser suicidário". Ao mesmo tempo, JMF insinuava que a associação do nome do PR ao caso BPN seria uma manobra levado a efeito por alguém com interesse em desviar as atenções (alguém que, concluía-se, pelo contexto, só poderia ser o Governo ou o PS).
Hoje é Luciano Alvarez, quem nas páginas do "Público", num comentário intitulado "A moribunda cooperação começa a resvalar para o pântano" afirma haver sinais de que "há uma estratégia do PS para atacar o Presidente da República enquanto político e enquanto cidadão". E os sinais que Luciano Alvarez detecta resumem-se aos seguintes factos: recusa do PS em "mexer no texto do Estatuto dos Açores"; recusa do PS em dar seguimento à sugestão do PR no sentido de ser criado um mecanismo de acompanhamento da nova Lei do Divórcio; tomada de posição de um assessor do primeiro-ministro que terá criticado em Outubro o veto presidencial ao Estatuto dos Açores; e finalmente, a referência, por parte de José Lello à "existência de rumores sobre Cavaco Silva e o BPN" (facto este tão grave ou tão pouco quanto as notícias que o Público foi veiculando sobre o assunto, ou quanto as declarações de Pedro Passos Coelho sobre o provável desconforto que toda a envolvência do caso estaria a criar em Belém).
Na perspectiva do jornalista e comentarista estes factos têm tal gravidade que o homem não está com meias medidas e vai de qualificá-los como "terrorismo político"! Nem mais, nem menos.
Que dizer perante estes escritos?
Falar em "guerra" e "terrorismo político" perante divergências absolutamente normais numa democracia, não só é claramente excessivo, como legitima, a meu ver, que se tire uma de duas conclusões: Ou (o que é mais provável) estamos perante uma nova estratégia do "Público" e do seu director que visa, sob o aparente tomar das "dores" do Presidente da República, continuar o ataque contra o Governo e o PS a que JMF já há muito se vem dedicando sob os mais diversos pretextos; ou (hipótese menos provável) o Público foi transformado pelo seu director, sponte sua, em órgão oficioso de Belém. Das duas uma, repito. JMF, que escolha.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Por que não tomar do próprio remédio ?

No "Público" de hoje lê-se um editorial assinado pelo seu director, José Manuel Fernandes (JMF) em que este, a propósito da crise do BPN e da associação que tem sido feita ao facto de estarem ligados ao caso diversos nomes que fizeram parte dos Governos de Cavaco Silva, sugere que estaremos perante uma manobra de diversão tendo como finalidade desviar as atenções do "crescendo da contestação social, protagonizado sobretudo pelos professores mas latente em muitos sectores da sociedade" e, não se ficando por aqui, alerta para a gravidade da situação em que "o país [se] arrisca ... a regressar ao clima de uma guerra de "terra queimada" onde nenhuma referência se salva: nem Governo, nem oposição, nem Presidente", finalizando com um aviso no sentido de que "... numa democracia em tempos de crise, optar pela táctica da "terra queimada" pode ser suicidário".
Este alerta e o aviso chegam a ser "comovedores" vindos de quem não tem feito outra coisa que não seja lançar achas para a fogueira contra o Governo legítimo do país, ora fazendo ataques sucessivos de par com o colunista José Pacheco Pereira (parceria que este não se coibiu de confirmar), ora antecipando e promovendo, nas primeiras páginas do jornal que dirige, tudo quanto são lutas contra o Governo (a luta dos professores, para quem acompanhado o tratamento dado ao caso, é, neste aspecto, exemplar), quer ainda patrocinando (como director) a devassa da vida do primeiro-ministro (devassa de que se têm encarregado: o jornalista António José Cerejo e, em menor grau, o jornalista Luciano Alvarez, o autor da denúncia das "fumaças" no voo aéreo para Caracas).
É caso para perguntar ao director do "Público", porque não toma, ele, do remédio que receita aos outros ?
É que ele, não só não faz mea culpa, como insinua que alguém com interesse em desviar as atenções (que só pode ser o Governo ou o PS) está por detrás da manobra. Isto, partindo do pressuposto (como ele parte) de que tal manobra existe, pressuposto que não aceito, pela razão simples de que ainda não vi assacar qualquer responsabilidade ao PR no caso BPN. O que tenho visto sim, até nas páginas do "Público" (mais uma razão para JMF bater com a mão no peito) são referências a factos conhecidos (há pessoas ligadas ao BPN que fizeram parte dos governos do actual PR) ou a factos sem qualquer relevância para o caso (contribuições de accionistas do BPN para a campanha presidencial de Cavaco Silva).
Ou seja, o director do "Público" ao mesmo tempo que quer fazer de "bombeiro" (daí o alerta e o aviso) não se esquece de continuar a sua tarefa de "incendiário" (ao lançar suspeitas para o ar).
Enternecedor! Concluo eu.