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sábado, 6 de maio de 2023

Dando a palava ao outro (I)

" (... não sei se daqui a dez anos haverá uma escola ou um curso académico de Comunicação que estude o dia 2 de Maio de 2023, nas rádios e na televisão, e os dias subsequentes. De manhá à noite, não encontrará jornalismo. Pensem um pouco e afastem-se da excitação. O que se passou nada tem a ver com o jornalismo e o efeito desse comportamento é tão devastador que já não se sabe o que é jornalismo. Aquilo a que assistimos o dia todo foi a uma comunicação social transformada numa espécie de comício político, num estilo de planfleto exacerbado, com tudo o que não é jornalismo: intencionalidade política, dramatização, julgamentos de carácter, petições de princípio, argumentos ad terrorem (sic), encostar os agentes políticos à parede com dilemas 'humilhantes', apelos a acções cada vez mais drásticas, subindo a temperatura da crise, má-fé, [....] sempre com uma constante - a do maior dano possível para o Governo, o PS e António Costa.[...] 

(José Pacheco Pereira: "A crise do Governo, a crise do Presidente e a crise do jornalismo", in "Público"  - edição impressa de 6 Maio de 2023. 

(A ilustração supra figura no original citado).

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Jornalista ? A mim, dá-me mais ares de biciclista.

"O que deve fazer Marcelo? Nada. É deixar grelhar"
Um título rasca, indicutivelmente, à altura do seu autor que, pasme-se, se autointitula de jornalista. 
Perdoar-me-ão, mas confesso que a mim dá-me mais ares de biciclista. Disfarçado, é claro.
(Imagem do "Publico", edição impressa de hoje)

domingo, 14 de novembro de 2021

"Profundamente dividido" / Profundamente preocupada

 "O PS está profundamente dividido" afiança Ana Sá Lopes em título da sua "Anacrónica" hoje vinda lume na última página do "Público", onde, feita a leitura, nada mais se encontra do que as consabidas diferenças de opinião que, de tão costumeiras, estranho seria que as não houvesse, pois seria sinal de que o PS se teria transformado num partido monolítico que nunca foi. 

" O dia seguinte às eleições não vai ser bonito de se ver", garante, no final da sua crónica,  a  jornalista do "Público", dando mostras de estar profundamente preocupada. Conhecendo a jornalista de outras leituras, não parece que um "PS profundamente dividido" justifique, no seu caso, tão funda preocupação. Algo de diferente lhe anda a tirar o sono. E, se calhar, nem com o dia seguinte às eleições se vão evaporar as preocupações. Dela. Em política, é, com frequência, assim. 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Novo ano, vida nova?

Atentando na capa do Público de hoje, a resposta à pergunta em título não pode deixar de ser negativa, pelo menos no que respeita à falta de isenção dos órgãos de informação nacionais. Pelos vistos, a manipulação da informação e, em particular, o condicionamento do eleitorado por parte dos media é para continuar. Lamentavelmente.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"Acerca da ética do ódio e da credibilidade do jornalismo a sério"

«(...)
Diana Andringa, jornalista veterana, publicou há semanas Funcionários da Verdade, que nos ajuda a perceber alguns dos mais banais (...) riscos na vida dos jornalistas. O livro, que é uma tese de doutoramento e que apresenta uma investigação cuidada sobre a selecção das prioridades noticiosas, o alinhamento dos telejornais, a escolha dos temas noticiáveis e dos temas não-noticiáveis, usa alguns casos fortes para retratar a vida na TV portuguesa: o caso Subtil (um homem que se barricou numa casa de banho da entrada da RTP), a cobertura da campanha do referendo sobre o aborto e o caso do “arrastão” de Carcavelos. Em todos eles, houve enviesamento, escolhas duvidosas, populismo mediático, preconceitos, a lei do mercado das audiências a determinar erros de informação e até notícias falsas.

(...)

No entanto, nada nos prepararia para a ética do ódio, como a que surgiu vibrante no caso Sócrates. Ora, foi neste processo e foi entre jornalistas, como Manuel Carvalho sublinhou, que se exprimiu o mais desbragado ajuste de contas.

Francisco Gonçalves, “editor do Mundo” no Correio da Manhã, destacada função, escreve que José Sócrates não “parece merecer melhor destino do que a prisão”, até porque “se há alguma coisa a lamentar no seu caso é que a detenção tenha chegado tão tarde”.

No PÚBLICO, João Miguel Tavares clamou pelo seu direito pessoal “de presumir, face ao que leio nos jornais, às minhas deduções, às minhas convicções, à minha experiência, à minha memória e ao esgotamento de sete presunções de inocência, que Sócrates é culpado daquilo de que o acusam”. Ou seja, pelas “minhas deduções” e pela “minha experiência” em coisas como a compra da TVI pela PT, “presumo” que Sócrates recebeu não sei quantos milhões de euros sei lá de quem e que comprou uma casa milionária no Seizième.

Com o mesmo acinte, José Manuel Fernandes argumenta superiormente, noObservador, que “a a dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado”.

Ou seja, todos eles sabem que o homem é culpado e lamentam que a detenção seja tardia. Têm motivos de sobra para ter a certeza que ainda falta ao tribunal: João Miguel Tavares foi levado a tribunal por Sócrates, num processo patético por difamação, logo sabe que um sujeito tão arreliante só pode ser culpado; José Manuel Fernandes sabe, simplesmente porque sabe tudo; e o homem do Correio da Manhã sabe porque decerto leu as manchetes do seu jornal.

Ora, quando os jornalistas escrevem opinião – dizendo o que entendem sobre o que entendem – estão a arriscar-se a subordinar o seu dever de informação, bem como o peso social gerado pela visibilidade da função de informar, ao seu direito de ajustarem contas, de tomarem partido, até de suspeitarem. É porque são jornalistas com coluna publicada ou com editorial que a sua opinião conta, ou seja, importam porque se presume que farão o trabalho de jornalistas, mesmo quando o estão a contrariar, substituindo informação por uma campanha. Naturalmente, quando se dedicam a fazê-lo sob a forma sublime da conversa de café, o uso do poder discricionário da sua opinião sentenciosa é mais flagrante.

Este é o caso dos acórdãos de Tavares, Fernandes e Gonçalves sobre o processo em apreço. De facto, eles não sabem nada: não sabem o suficiente sobre os factos, porque ninguém o sabe entre o público, e mostram saber pouco sobre a lei, que tinham obrigação de conhecer. E, se apresentam conclusões, simplesmente porque consideram que o seu próprio ódio pessoal é suficiente para condenar outrem, estão não só a desmerecer a profissão de jornalista, porque abusam do seu poder, como estão a escrever torto por linhas pouco direitas.

O que se esperaria de um jornalista seria o tratamento da informação com os dados disponíveis, sem aceitar ser porta-voz de alguém que na acusação (ou, noutros casos, na acusação ou na defesa) use a comunicação social para ganhar tempo e convicção para a investigação que ainda não terá obtido resultados bastantes. E esperar-se-ia igualmente que tratasse todos os casos da justiça com o mesmo critério: seja Ricardo Salgado, seja José Sócrates, seja quem for tem o direito a essa resistente regra social, que abrange do mesmo modo as obrigações da informação e da opinião pública, que é o direito de defesa.

Se esse direito for enfraquecido, teremos o pior de todos os resultados: a corrupção será facilitada, pois a justiça claudicará, acusará erraticamente e condenará quando calha, porque lhe faltará investigação que conduza a acusações consistentes sobre factos, preferindo então usar a facilidade da coluna de jornal e substituindo as provas pelo imediatismo da sentença lavrada em ódios de estimação. Era melhor levar a sério o perigo da corrupção, que é monumental em Portugal: a transparência da vida social, a informação rigorosa e a lei equitativa podem combatê-la, mas o jornalismo serviçal de uma ideia, de uma pessoa ou de um ódio é manifestamente irrrelevante ou prejudicial contra a justiça justa.»

(Francisco Louçã. Na íntegra: aqui)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Um rapaz com falta de assunto


O director dum semanário como o "Expresso" a dissertar sobre a justeza da condecoração de Barroso por Cavaco, invocando em abono da sua tese que "Formalmente Portugal tem obrigação de reconhecer [sem mais] o trabalho de Durão barroso (sic) em Bruxelas" e que "as democracias assentam em muitas formalidades" é porque, manifestamente, é um rapaz com falta de assunto.
Aparentemente, Ricardo Costa dá sinais de que está a precisar, também ele, de ser "condecorado" com uma qualquer sinecura, porque como director do "Expresso" já terá dado o que tinha a dar.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A choldra

Na minha terra, um indivíduo a quem fosse atribuída a prática dos actos relatados nesta peça * não se livrava de ser tido na conta de um vigarista. Ou de um escroque.
Num país chamado Portugal, com dirigentes que, pelos vistos, convivem bem com todo o tipo de trapaças, o dito cujo é primeiro-ministro. E, porque Portugal, de há uns anos a esta parte já não tem Presidente da República, o tal indivíduo, primeiro-ministro é, e primeiro-ministro continuará a ser.
Conclusão: Portugal pode não ser a choldra de que falava Eça, mas não há dúvida de que está entregue à choldra. E uma grande choldra.

(*A peça, em  reprodução parcial)

"Afinal qual é a importância de Passos Coelho ter estado ou não em exclusividade na Assembleia da República entre 1995 e 1999? A resposta é simples: se esteve em exclusividade não podia ter recebido qualquer pagamento pelo exercício de actividades profissionais exteriores ao Parlamento. E se não esteve em exclusividade, como disse esta segunda-feira o secretário-geral do Parlamento, isso quer dizer que recebeu indevidamente cerca de 30 mil euros, correspondentes a parte do subsídio de reintegração que requereu e foi aceite.
Mas se for verdade que recebeu cinco mil euros por mês da empresa Tecnoforma, entre 1997 e 1999, para desempenhar as funções de presidente do Centro Português para a Cooperação (CPPC) — uma organização não-governamental criada por aquela empresa para lhe angariar financiamentos internacionais —, então o problema é bastante mais complicado: terá violado as regras da exclusividade e terá incorrido num crime fiscal por não ter declarado tais rendimentos nas suas declarações de IRS.

A referência aos pagamentos alegadamente feitos pela Tecnoforma, empresa de formação profissional de que Passos Coelho foi consultor a partir de 2002, e mais tarde administrador, surgiu na revista Sábado, que noticiou na semana passada o facto de o Ministério Público estar a investigar uma denúncia nos termos da qual o actual primeiro-ministro recebeu cerca de 150 mil euros naqueles três anos para dirigir o CPPC, estando em exclusividade.

Já em 2012 Passos Coelho tinha-se recusado a responder a uma pergunta do PÚBLICO sobre se tinha recebido alguma remuneração pelo cargo que desempenhara na organização. Respondeu a todas as outras perguntas, menos a essa.

Este fim-de-semana não negou que tivesse recebido os valores referidos pela Sábado, limitando-se a dizer — como fez hoje ao PÚBLICO, ao ser confrontado com o facto de ele próprio ter declarado à Assembleia da República que tinha estado em exclusividade — que “mantém a convicção de que sempre cumpriu as suas obrigações legais”.

No entanto, as declarações feitas na quinta-feira ao PÚBLICO pelo antigo patrão da Tecnoforma, Fernando Madeira, no sentido de que Passos Coelho receberia efectivamente retribuições da Tecnoforma pelos serviços prestados ao CPPC, vão no mesmo sentido da denúncia feita ao MP.

O que as declarações de IRS que entregou em São Bento para receber o subsídio de reintegração provam é que Passos Coelho não declarou ao fisco qualquer outro rendimento que não fosse o vencimento de deputado e os cerca de 24.100 euros (4.825 contos) que recebeu pelas suas colaborações em vários órgãos de comunicação social. Ou seja: se recebeu algum dinheiro da Tecnoforma naquele período cometeu um crime de fraude fiscal. Crime que estará prescrito há vários anos.

Passos Coelho nunca inscreveu no seu registo de interesses da Assembleia da República, como estava obrigado a fazer, o facto de ter presidido ao CPPC desde 1997. Na declaração de rendimentos que entregou no Tribunal Constitucional em 1995, no início do mandato, não mencionou quaisquer rendimentos que tivesse obtido no ano anterior, o último do seu primeiro mandato de deputado. No final desse mandato, em 1999, não apresentou a declaração de rendimentos a que a lei o obrigava, só voltando a satisfazer essa imposição legal quando assumiu a direcção do PSD em 2010.")


domingo, 4 de maio de 2014

O homem que mordeu o cão

Passos Coelho, Portas e Maria Luís Albuquerque que,  ainda há poucos dias, haviam garantido que não estavam previstos nem novos aumentos de impostos, nem novos cortes, acabam de dar razão a quem acha que se alguma característica pode, com inteira justiça, ser atribuída a este governo é a sua fraca/nula relação com a verdade. Pouco dias volvidos, aí está o Documento de Estratégia Orçamental que desdiz, ponto por ponto, tudo o que antes fora anunciado. Não só é aumentado o IVA, como sobe a contribuição dos trabalhadores para a segurança social. Trata-se, num caso e no outro, de subidas marginais (0,25% num caso e 0,2%, no outro) é certo, mas qualquer dos aumentos está em contradição com o que antes fora garantido. Com a agravante de o agravamento (passe o pleonasmo) incidir sobre as mesmas vítimas desde que este (des)governo entrou em disfunção: os trabalhadores.
Não se pode dizer que, desta vez, a mais recente aldrabice de Passos Coelho, Portas & Cª não tenha sido objecto de múltiplos comentários desfavoráveis nos media. Para dizer a verdade, eu que já vi passar em claro, nos media, quando não com aplauso, medidas bem mais gravosas e mentiras bem mais descaradas (a começar nas debitadas durante toda a campanha eleitoral que deu o excelente resultado que está à vista de quem não for cego, ou não fechar os olhos), confesso que esta reacção desfavorável, tão desproporcional em relação a outras no passado, não me surpreende, pois tem uma explicação simples: desta feita, as medidas não se dirigem, em primeira e única linha, às vítimas preferidas da corja que está no poder (funcionários públicos, reformados e pensionistas) pois também atingem quem trabalha na comunicação social. Se nos lembrarmos da comoção que varreu o país, há um ano e tal, com o anúncio do aumento da TSU,  podemos ver na actual reacção dos media a estas medidas, uma réplica daquela outra, réplica  menos violenta, é verdade,  mas apenas porque a medida também é menos gravosa. 
Quererei eu, com este arrazoado, minimizar o interesse da contestação em curso? De forma alguma, pois se alguma coisa desejo é que a contestação a este governo cresça de dia para dia, já que se trata, a meu ver, de um governo ilegítimo, porque nascido da fraude, digam os juristas o que disserem, julgue Cavaco o que julgar.Um dia a menos, com estes farsantes no governo, é um dia ganho para o país.
O que eu quero dizer, na minha, é que o relato sobre as aldrabices deste governo, useiro e vezeiro nessa "arte", já não é notícia, tal como, utilizando o exemplo de escola tão citado pelos jornalistas, não é notícia o facto de um cão ter mordido um homem. Notícia é relatar a estória do homem que mordeu o cão. No caso deste governo, merecedor de notícia seria a eventualidade de Passos ou alguém da Cª ter resolvido falar verdade ao país. Uma notícia de que, pelos antecedentes, não estou à espera, pois a mentira vicia e este governo sofre desse vício desde a nascença.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O jornalismo que (não) temos

"Uma piada que corre há uns anos nos EUA diz que os americanos vêem programas de humor como o “Daily Show” do humorista Jon Stewart para ficarem informados e programas de informação como os da Fox News para se rirem. É verdade que os programas de Jon Stewart são particularmente informativos e fazem uma atenta leitura crítica da realidade poilítica americana e que os programas da reaccionária Fox News são particularmente manipuladores e desonestos, mas o aforismo é verdade em geral e não apenas para os EUA.
Humoristas como os americanos Jon Stewart e George Carlin, como os britânicos Monty Python ou Ricky Gervais, como o francês Coluche ou como os portugueses Mário Viegas, Bruno Nogueira ou Ricardo Araújo Pereira tiveram ou têm um papel mais importante na visão crítica da sociedade e na denúncia de injustiças ou de absurdos do que a esmagadora maioria dos media de informação e dos jornalistas profissionais.

(...)
Quem quiser saber o que se passa de facto na política portuguesa ou europeia, quais serão os impactos desta ou daquela política, tem hoje de dedicar um tempo insano à leitura de blogs de especialistas e comentadores independentes, de textos de organizações partidárias e profissionais, de estudos académicos. O jornalismo costumava fazer-nos poupar tempo mas deixou de o fazer. O que o grosso do jornalismo hoje nos oferece (e a televisão tem aqui o principal papel) não é mais do que a repetição de um discurso hegemónico, de carácter propagandístico, de direita (defensor da desigualdade), que nos repete que não há alternativa (TINA) ao crescimento da pobreza, à desigualdade, ao enriquecimento dos mais ricos, à destruição do estado social, à degradação do trabalho, à exclusão dos pobres.
(...)
Veja-se o que se passa com a invenção do “aumento do emprego” do discurso de Passos Coelho, ou com a aldrabice da “retoma económica” que o Governo tem vindo a repetir, ou com a ficção do “programa cautelar” delicodoce que Cavaco Silva elogia ou com a abjecção da “insustentabilidade das pensões” que PSD e CDS apregoam. Não há pessoas a denunciar estas e outras aldrabices? Há, e há-as da esquerda radical à direita democrata-cristã (a sério) e as vozes que o dizem são reconhecidamente competentes e respeitadas. Mas são vozes singulares num mar de discurso propagandístico avassalador que repete a voz do dono e onde as televisões ocupam a parte de leão. Este é o cancro que se encontra no centro do problema político das sociedades actuais."
(José Vítor Malheiros; "O sonho evanescente de um jornalismo independente". Na íntegra: aqui)


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Porque é que a direita tem medo?

António Costa, director do Diário Económico, publica hoje um artigo de opinião a que dá o título
"O que falta para o poder cair na rua?", donde se infere que a direita de que ele é, frequentemente, porta-voz, teme que o poder caia na rua.
Não vejo razão, com base nos factos que o levam a formular a pergunta, para tamanha apreensão do opinante. Em todo caso, devo dizer que me parece de longe preferível que o poder caia na rua, que é por onde anda o povo (o detentor da soberania) do que continue nas mãos dos actuais (des)governantes que mais não têm feito que não seja impor sacrifícios aos portugueses, aumentar a pobreza e o desemprego e, em suma,  destruir a coesão social e a economia do país.
Será que a direita e o citado António Costa ainda têm dúvidas sobre os resultados desta (des)governação,  apesar do acumular dos factos e das evidências?
Ou será que é, precisamente, devido a este acumular de evidências, que a direita já não esconde que tem medo?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Caso Relvas/Público: assunto arrumado

Após o esclarecimento hoje publicado pelo "Público", na edição impressa e on line,  os dados da questão estão agora à disposição de qualquer cidadão para poder fazer um "julgamento" sobre o caso, a começar pelo mais simples e que se traduz na constatação de que estamos em presença de duas narrativas contrastantes: a do ministro Relvas que nos diz que não pressionou e não ameaçou, e que terá apresentado um pedido de desculpas à editora Leonete Botelho em razão, tão só, do tom usado nos telefonemas precedentes. 
Diga-se, desde já, que a versão do ministro não tem ponta por onde se lhe pegue, ou, se preferirem, que mete água por todos os lados. Nem preciso de alinhar uma qualquer série de razões para chegar a tal conclusão. Contento-me com a inverosimilhança da narrativa. A ser verdadeira, todo o caso não passaria duma "invenção" do "Público", hipótese que para ser credível, passaria pela prova da existência dum qualquer motivo que o ministro teria que invocar. E se não o faz é porque não existe. Obviamente.
Ao invés, o esclarecimento do "Público", que o leitor pode ler na íntegra através do "link" supra, onde se confirmam as pressões e ameaças é tão minucioso e circunstanciado que não deixa margem para dúvidas sobre a realidade dos factos. E mais: o esclarecimento é tão objectivo que acaba por favorecer a posição do ministro.
Explico-me: aquando da publicação das primeiras notícias sobre o caso ficou a pairar a dúvida sobre a gravidade da ameaça relativa à divulgação de dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira. Hoje, o "Público" esclarece que o que ministro Relvas se propunha divulgar era que "a autora da notícia vive com um homem de um partido da oposição", o que, a meu ver, retira gravidade à "ameaça", porque a divulgação do facto, embora do foro privado da jornalista, não põe gravemente em causa a privacidade  da pessoa visada, pois o relacionamento em questão não é por certo secreto.
No entanto, se, por um lado, o conhecimento do facto que seria objecto de divulgação retira gravidade à "ameaça" a verdade é que, por outro lado, acaba por constituir mais uma prova de que o ministro falta à verdade. É que passa a fazer sentido que tenha passado pela cabeça de Miguel Relvas "falar" no assunto, pois a divulgação da relação da jornalista com um politico da oposição era-lhe favorável. A revelação, pelo menos do ponto de vista dele, diminuiria a credibilidade atribuída às notícias elaboradas pela jornalista em causa.
Se retiro gravidade à "ameaça" não a retiro ao caso. Ou melhor, aos casos, porque é evidente que Miguel Relvas mentiu à ERC e ao divulgar publicamente a sua versão do seu caso com o Público, mas, o que é ainda mais grave, faltou também à verdade ao ser ouvido no Parlamento,  na Comissão de Ética, sobre o seu relacionamento com o ex-espião Silva Carvalho. A "estória" por ele contada na comissão tem incongruências, como a jornalista Maria José Oliveira detectou e que ele não quer ver divulgadas. Só esse facto explica a reacção destemperada de Miguel Relvas, perante as perguntas da jornalista, "pidescas" no dizer dele. Ou então, conclusão que lhe não é mais favorável, Miguel Relvas tem um temperamento tão irascível que é impróprio de quem ambiciona ser e é ministro. 
Seja como for, para mim é assunto arrumado: o ministro Miguel Relvas não tem condições para continuar a sê-lo. A sua demissão, por iniciativa própria ou decidida por quem de direito, já tarda.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Coisa de somenos

O facto de o governo de Passos Coelho andar, por um lado, a afirmar, para consumo interno, que Portugal não precisa, nem de um novo regaste, nem de mais tempo para consolidar as contas públicas e  de, por outro lado, andar lá por fora de mão estendida, como agora se veio a saber através da conversa entre Gaspar e o ministro alemão das Finanças, surpreendida e captada pela TVI, não é para o editorialista do "Público" razão para excessiva preocupação.
Se se entender que a seriedade é coisa de somenos, como parece ser o entendimento perfilhado por esta espécie de governantes e por esta espécie de jornalismo, o editorialista é capaz de ter razão.
Vai-se a credibilidade de uns e de outros? Questão de pouca monta, como se tem visto. Até ver.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Então, e as boas notícias?

 No Dinheiro Vivo
O titulo: 
"Corte nos ratings: As boas, as más notícias e o que é preocupante"
A fotografia
O texto:

"A agência Standard & Poor's cortou o rating de nove países da zona euro, mas castigou sobretudo Portugal, Espanha, Itália e Chipre. França, a segunda maior economia do euro, também foi despromovida. Portugal está agora num nível considerado "lixo". Conheça as consequências


AS MÁS NOTÍCIAS

1. O financiamento da União fica mais caro

O Fundo de Estabilização Financeira utiliza os ‘ratings’ AAA de alguns países para conseguir emitir dívida e esta descida dos ‘ratings’ francês e austríaco promete tornar mais caro o financiamento da União. Nos últimos meses, o FEEF tem pago juros baixos para emitir dívida, cobrando depois aos países resgatados – Portugal, Grécia, Irlanda – um prémio suplementar. Se o custo base da dívida pago pelo FEEF subir, é provável que os juros que Portugal paga à UE também subam.

A grande dúvida é que acontecerá nas próximas semanas, admite o jornal Expansion. O fundo europeu (FEEF) foi classificado como AAA por integrar países com o mesmo ‘rating’, mas resta saber como irão avaliar agora as agências de rating um fundo que mantém a Alemanha e Holanda como AAA, mas tem na França e Aústria dois países pior classificados. Já em Dezembro, o presidente do BCE tinha avisado que “as consequências da perda pela França do AAA” são uma questão importante, acrescentando que a o BCE estava a trabalhar activamente para compensar todos os cenários. 



2. Há o risco das garantias junto do BCE apertarem

Atualmente, o BCE aceita como colateral para empréstimos a dívida soberana de países classificados até BBB-. Com uma condição: é preciso que pelo menos uma agência de rating tenha classificado esse país até esse nível mínimo. Assim, e por agora, as condições de empréstimo devem manter-se. Os países resgatados – Grécia, Irlanda, Portugal – beneficiam de uma excepção, já que estão muito abaixo do patamar mínimo do BCE



3. Os juros pagos nas câmaras de Compensação devem subir

Quando um banco de financia nas Câmaras de Liquidação e Compensação, utiliza como garantia os títulos de dívida soberana que tem na sua carteira. Nestas operações é normalmente considerada o ‘rating’ do país mais baixo entre as três agências e estabelece-se um custo para o empréstimo. Com este corte generalizado nos ratings, um banco que até agora apresentava títulos franceses como AAA, 

pagará mais pelo empréstimo, já que a França sofreu um corte. 




AS BOAS NOTÍCIAS

Apesar de ser negativa, esta queda nos ratings já era esperada. Nas últimas semanas, os mercados de dívida já tinham descontado a hipótese da França sair do clube AAA, aumentando o custo de financiamento (exigindo mais juros) no mercado secundário. Mesmo assim espera-se que a França dê como alternativa a esta descida um reforço das garantias para os seus empréstimos, assegurando aos investidores que a sua dívida continua a ser tão segura com o AA como era com o AAA. 





O QUE É MAIS PREOCUPANTE

1. Faltam duas agências

A S&P é a mais relevante das três agências de rating, mas a maioria dos mecanismos de crédito leva em conta mais do que uma agência. Se a Moody's e a Fitch também acompanharem, o cenário pode pior significativamente. 



2. A Grécia parece não ter solução

Os investidores privados que há semanas negociavam a reestruturação da dívida grega anunciaram hoje que não chegaram a qualquer tipo de acordo. Apesar do Conselho Europeu ter previsto um corte de 50% na dívida grega detida por privados, a falta de acordo torna insustentável um corte eficaz e atira a Grécia para o default e para uma possível saída desordenada da zona euro.



3. O BCE está desconfiado

O Banco Central Europeu condicionou uma acção mais agressiva a um plano orçamental rigoroso dos países da zona euro. É essa a matriz do novo Tratado, mas o BCE já admitiu que poderá ser fácil para os países contornarem as novas regras orçamentais, o que retira credibilidade a este novo pacto."


*****************
As más notícias e as preocupantes estou a vê-las bem. As boas notícias, apesar de referidas, é que não estou a descortiná-las. Como não me parece que seja uma boa notícia o facto de a queda já ser esperada, tudo indica que o Miguel Pacheco, ou não encontrou, apesar da evidente boa vontade, nenhuma notícia para nos alegrar, como é o mais provável, ou por distracção, deixou-as ficar no tinteiro.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Frete é frete. Ponto final.

Este pessoal do "Jornal de Negócios" faz cá cada frete! Presentes de Natal da Troika?
Qual troika qual carapuça! Só se for da troika Gaspar, Passos & Portas. Será que no "Jornal de Negócios" anda toda agente a dormir e não sabe que o governo Gaspar, Passos, Portas & Cª tem todo o gosto em ir para além das exigências da troika propriamente dita. 
Branquear as responsabilidades do actual governo nas medidas de austeridade que toma e que vai tomar, pode agradar ao poder instalado, mas não é jornalismo sério.

sábado, 26 de novembro de 2011

Canalhice

Não tenho qualquer simpatia, nem pela pessoa, nem pelo estilo do deputado João Semedo até porque já o vi assumir, durante a anterior legislatura, o papel pouco dignificante de "grande-inquisidor".
Tal não me impede de considerar que associação feita pelo "Expresso", na primeira página, entre o nome do dito deputado e o do BPN, com toda a carga negativa que uma tal associação tem nos dias de hoje, não passa duma canalhice, tanto mais quanto é certo que a notícia anunciada na 1ª página e desenvolvida numa página interior não revela a existência de qualquer comportamento menos próprio por parte do deputado.
Sabe-se, até pelos número de exemplares vendidos do Correio da Manha, o campeão da imundície, que a canalhice compensa, vistas as coisas pelo lado do vil metal, mas traduz-se numa perda, pelo lado da credibilidade.
Tratando-se do "Expresso", como seu leitor de há décadas, tenho pena.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O que é que o cu tem a ver com as calças ?

Correio da Manhã

Lendo a notícia, que mais não é que a reposição da manchete da véspera e que, tal como esta, não reporta qualquer acto imputável, de perto ou de longe, à pessoa de José Sócrates, cabe perguntar: o que é que o HOMEM tem a ver com o que fazem os tios e os primos?
A resposta não pode deixar de ser: Nada. Pelo que, ou a sanha desta gentinha, porque é grande, leva muito tempo a esgotar-se,  ou então o Correio da Manha anda, com este lixo, a querer tapar o sol com a peneira, desviando a atenção da desgraça que por aí vai e para a qual, com a sua informação manhosa, também contribuiu. Não garanto que as duas suposições não sejam ao mesmo tempo verdadeiras.
Desculpem, mas, se este lixo é jornalismo, vou ali e já volto.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Demencial

Julgava eu que já tinha visto a mais extrema manifestação de ódio a José Sócrates na expressão de Manuela Ferreira Leite ou no escrito mencionado no "post" anterior. Estava redondamente enganado: hoje, nas páginas do "Público" (P2)  (felizmente sem link) Eduardo Cintra Torres lança-se, como gato a bofes, sobre o discurso proferido por Sócrates após a derrota nas eleições legislativas (reconhecido em vários quadrantes como uma belíssima peça, pela elevação de que dá provas) e daí parte para atacar José Sócrates com tal furor que só pode ser fruto dum ódio demencial.
 Free at last ! Free at last! Thank God Almigthy, we are free at last, termina ele citando Martin Luther King. As palavras citadas, na boca de quem as proferiu, são um "grito de alma" à altura da sua grandeza e da grandeza do momento. Escritas pela pena de quem as cita não passam dum "escarro" dum colunista a precisar de tratamento urgente. O homem que escreve o que ele escreveu está doente. Forçosamente.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um nojo

i
A direita nojenta não recua, nem perante a mentira mais descarada, pois basta ler a notícia para concluir que o título é uma aldrabice de todo o tamanho. Todavia, quem passa no quiosque lê o título e para a direita nojenta é quanto baste.
Não haverá leis, nem justiça, neste país ?
PQP.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Jornalistas ou papagaios?

O jornalista e investigador norte-americano Steve Doig calcula [de acordo com a metodologia por ele usada e explicada no seu blogue (a que cheguei por esta via)] que o número de participantes na manifestação, contra as medidas de austeridade, promovida pelos sindicatos da função pública afectos à CGTP, no passado sábado, terá andado entre 8 mil a 10 mil pessoas, enquanto a organização aponta para os 100.000  participantes, número este que é o único divulgado pelos jornais diários que ontem me dei ao trabalho de folhear (DN, JN e "Público") indo o DN ao ponto de nem sequer indicar que o número era o indicado pela organização.
Compreende-se perfeitamente que os promotores deste tipo de iniciativas tenham por hábito (que, pelos vistos, consideram normal) empolar os números, porque é em função dos divulgados que se afere o seu êxito ou o seu fracasso: quanto mais elevado o número, maior o sucesso.
Ao invés, já não se compreende lá muito bem a forma acrítica como os media em geral engolem com tanta facilidade os números que lhe são assoprados, até porque, como o demonstra o trabalho do jornalista norte-americano, é possível para qualquer jornalista dotado de um mínimo profissionalismo e de sentido crítico avançar com os dados resultantes da sua própria observação.
Limitar-se a debitar números fornecidos pela organização não é jornalismo, nem digno de jornalistas: qualquer papagaio era capaz de fazer o mesmo.
Infelizmente, constata-se todos os dias que jornalistas-papagaios é o que mais há por aí.