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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ir por lã e sair chamuscada

É o que antecipo que irá acontecer à líder do CDS/PP, Assunção Cristas (na imagem), com a iniciativa de apresentar na Assembleia da República uma moção de censura ao Governo, na sequência dos incêndios que têm devastado o país. Antecipo e desejo.
Como ela e o seu partido não estão isentos de responsabilidade no que respeita ao objecto da moção de censura (muito pelo contrário) lenha (*) para se chamuscar, enquanto ex-ministra da Agricultura do governo Passos/Portas, é coisa que não vai faltar. Espero bem.

(*) Uma pequena acha: «Julho de 2012, Catraia, Tavira... Era então Ministra da Agricultura Assunção Cristas... Aquele que foi considerado até este ano o maior incêndio ocorrido em Portugal, devastou 24 000 hectares da Serra do Caldeirão, atingindo os concelhos de São Brás de Alportel e de Tavira, percorrendo mais de 30 km, só parando quase às portas daquela cidade. felizmente não houve vítimas. O relatório elaborado então por Prof. Domingos Xavier Viegas apontou falhas graves na coordenação e combate, erros na percepção e análise do incêndio e falhas estruturais da estrutura de defesa da floresta e falhas nas comunicações (menos no SIRESP)..» (Luís Brás)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A pergunta que se impõe

Um "governo forte e coeso", seguro da sua força e coesão e apostado em continuar a trilhar o mesmo caminho seguido até aqui, segundo se ouviu da boca de  Passos Coelho e de Paulo Portas durante o debate da moção de censura apresentada pelo PEV, e que acaba, a crer nos partidos da maioria parlamentar, de sair reforçado com a rejeição pela mesma maioria da moção de censura, precisa que o PS subscreva um "compromisso de salvação nacional" para quê?
Uma pergunta que é dirigida simultaneamente aos partidos do governo, ao PS e ao visitante e pernoitante nas Ilhas Selvagens. 
Só para ver se a gente se entende. Eu confesso que não estou a entender.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Estranheza por estranheza

Pela boca do deputado Duarte Pacheco, o PSD veio manifestar a sua estranheza pelo facto de o PS ter anunciado que vai votar favoravelmente a moção de censura apresentada pelo partido "Os Verdes", Baseando a estranheza no facto de o PS ter aceite o repto do presidente da República para participar nas negociações tendentes à celebração de um  "compromisso de salvação nacional".
O deputado Duarte Pacheco não deixa de ter alguma razão para falar em "estranheza", mas mais estranho seria que o PS, que já apresentou, ele mesmo, idêntica moção, visando o derrube do governo e que não cessa de reclamar a realização eleições antecipadas, não se manifestasse agora a favor da moção de "Os Verdes"
Onde porém reside o maior motivo para estranheza é no facto de o PS ter cedido à chantagem do presidente da República ao aceitar participar nas referidas negociações que, diga-se, mais não são do que um expediente para Cavaco se eximir às suas próprias responsabilidades. 
Cheguem ou não tais negociações a bom porto, só o simples facto de ter aceite participar nelas já é um sinal de fraqueza. António José Seguro se queria ser tido na conta de um líder à altura das circunstâncias, teria apenas que dizer não.
Cavaco é hoje um presidente em acelerada perda de influência e as ameaças que deixou subentendidas na sua declaração não são sequer para levar a sério, pois o povo também já o não leva a sério. Por isso, para recusar a chantagem, nem era necessária uma grande dose coragem. Pelos vistos e lamentavelmente, Seguro nem essa pequena dose possui.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Um governo de "sucessos"

Derrotada a moção de censura apresentada pelo PS, o governo de Passos, Gaspar & Portas manter-se-á, por ora em funções. Assim o decidiram os deputados da maioria (PSD/CDS) que, pelos vistos, entendem que o governo vai no bom caminho. Terei de estar de acordo, se falhar todas as metas acordadas for sinónimo de êxito e se por "bom caminho", se entender o caminho para o precipício. 
O governo, de facto, é já recordista em "sucessos" vários: no número de desempregados; no aumento da pobreza e da exclusão social; no aumento, em tão curto espaço de tempo, da dívida pública; na queda, no mesmo espaço de tempo, da economia; e no aumento de impostos.
Não sei de que mais precisam os deputados da maioria para concluir que este governo é uma desgraça que o país dificilmente pode suportar por mais tempo.
Pelos vistos, não será mais este "sucesso"  (Número de casais desempregados atinge valor mais elevado de sempre) que é mais um recorde, que os fará abrir os olhos, mas esse dia, duma forma ou doutra, terá que chegar.



Censurado

Ainda que, previsivelmente, a moção de censura apresentada pelo PS seja derrotada pelos votos contra dos partidos da maioria, uma coisa coisa é certa: o governo de censurado por todas as oposições já não passa. E não é menos certo que, caso os parlamentares do CDS votem contra a moção, como se anuncia, Paulo Portas não mais pode dizer que tem as mãos limpas da "porcaria" que este governo é e faz. 
E, claro, Cavaco já não pode escusar-se a intervir, sob o pretexto da existência de um vasto consenso. Este já não existe. Felizmente.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Finalmente, a ruptura

Provavelmente, a moção de censura apresentada pelo PS não terá como efeito a queda imediata do governo de Passos, Gaspar & Portas, mas ao proclamar que Só um novo Governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional", fica claro que o PS liderado por António José Seguro rompeu final e definitivamente com a política deste governo, facto que, não tenho dúvidas, terá consequências. Pelo menos, deixará de poder continuar a falar-se no consenso mole entre os partidos signatários do Memorando.
Faltará, porventura, apresentar um desenho mais consistente de uma nova política que passará, desde logo, pelo abandono da postura subserviente do actual executivo perante a União Europeia e a troika, cujos resultados desastrosos  estão bem à vista de quem quer ver, na linha defendida, na última edição da Quadratura do Círculo,  por António Costa, para quem a queda do governo de Passos et al. não tarda, sobretudo se se confirmar, como é previsível, o pronunciamento do Tribunal Constitucional no sentido de que as medidas inscritas no Orçamento do Estado sujeitas a fiscalização sucessiva estão feridas de inconstitucionalidade.  De facto, em tal hipótese, dificilmente, o governo terá outra saída que não seja a porta da rua, porque, como se diz por aí, Passos, Gaspar e Portas não dispõem de alternativa. Numa tal eventualidade, nem o patrono Cavaco lhe vai valer.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ó Jerónimo, desculpa lá!

Eu até que gostava que o PS votasse, contra este governo, todas as moções de censura, as que há e as por haver, mas tenho de reconhecer que o teu cinismo, ao manifestar "preocupação" com o facto de o PS ficar "numa posição muito fragilizada" se não apoiar a moção de censura apresentada pelo PCP, ultrapassa os limites do admissível, quando é evidente que bem te esforçaste para que tal não aconteça.
De facto, ao mesmo tempo que manifestas a tal "preocupação" não te ensaias nada para afirmar que "quando apresentamos esta moção de censura não branqueamos o PS, as suas responsabilidades durante 36 anos e as suas responsabilidades recentes, a sua assinatura no memorando da "troika".
Achas que é à cotovelada no parceiro do lado que o convences a votar uma moção que é, porventura e antes de mais, uma censura a si próprio?
Desculpa lá, Jerónimo, o desabafo, mas, por esta via, não chegamos a lado nenhum. E o mais certo é que também tu vais ficar pelo caminho.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Manobras de Outono

No pé em que as coisas estão do lado da oposição, sem um mínimo de concertação  entre os partidos de esquerda e com o PCP acantonado na sua "quinta" e sempre às cotoveladas no PS,* as moções de censura anunciadas pelo PCP e pelo BE não passam de manobras de diversão. Ou de Outono, se preferirem. O governo, nestas condições, há-de cair sim, mas de podre.
(*Se houvesse alguma seriedade por parte do PCP ao anunciar a sua moção de censura, é óbvio que  Jerónimo de Sousa em caso algum se poderia permitir fazer uma afirmação como esta: Não contem com o PS para travar este Governo”.)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Da arte de bem desfazer um nó górdio

Coube ao deputado Pedro Silva Pereira defender a posição do PS durante a discussão na Assembleia da República da "moção de censura" apresentada pela bancada parlamentar do PCP, tendo o seu discurso (reproduzido no vídeo supra) sido "aplaudido com um entusiasmo nunca visto na actual bancada socialista", pelo menos, a crer no que escreve Fernando Madrinha na última edição do "Expresso", entusiasmo para o qual Madrinha não encontra outra explicação que não seja  a "nostalgia socratista". 
Não viria daí grande mal ao mundo, acho eu,  se esse fosse o caso, mas o que é estranho é que não passe pela cabeça de Fernando Madrinha que a explicação possa muito simplesmente residir no facto de Silva Pereira ter proferido um discurso muito bem estruturado e melhor conseguido. E tanto mais estranha é a posição de Madrinha quando é o próprio a reconhecer, no mesmo passo, que o orador tem "talento oratório e segurança argumentativa" quanto baste.
Discurso bem estruturado e melhor conseguido, insisto eu,  porque Silva Pereira, que tinha pela frente a tarefa nada fácil de justificar a abstenção do PS em relação à moção de censura, alcançou claramente esse objectivo ao demonstrar que a "moção de censura" não passava de uma manobra pensada pelo PCP com outros objectivos que não o de derrubar o governo, objectivo este inatingível, através da moção de censura, com a actual composição da Assembleia da República. Note-se que, neste particular, o discurso de Silva Pereira coincide, no essencial, com a opinião maioritária dos comentadores políticos da nossa praça que, logo após o anúncio da moção, consideraram que ela não tinha outra finalidade que não fosse criar dificuldades ao PS, ou seja, "entalar o PS" (expressão frequentemente usada), dificuldades que Silva Pereira, no seu discurso, ultrapassou ao chamar à colação as inegáveis responsabilidades do PCP no acesso da direita ao poder, desatando assim o nó górdio armadilhado pelo partido alegadamente censurante que acabou de sair do debate na posição de "censurado". 
Desatado o nó, Silva Pereira, aproveitou então a corda livre  para zurzir no governo, pondo a claro que a  austeridade, nos aspectos mais gravosos para a vida dos portugueses, é o resultado de opções do governo  PSD/CDS que nada têm a ver com o memorando acordado com a troika, na sua versão inicial, abrindo caminho, por essa forma, para distanciar o PS da política governamental. 
Tenho de admitir, porque me parece evidente, que ao entregar a Silva Pereira a tarefa de apresentar a posição do PS na discussão da moção de censura e ao aceitar os seus termos, António José Seguro quis certamente significar que acabou o tempo do consenso e do discurso mole e que, a partir de agora, o PS vai fazer oposição a sério.
Que assim seja, porque já não era sem tempo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hipocrisia versus cobardia

Os termos da anunciada moção de censura do Bloco de Esquerda (BE) eram, de facto, difíceis de engolir para os partidos da direita. O Bloco tinha, aliás, consciência disso, como fez questão de afirmar. Não faz, por isso, nenhum sentido que o BE venha agora 'acusar o CDS de ser o primeiro a dizer ‘fique’ a Sócrates' ou a 'dizer que PSD voltou "a dar o braço ao PS' perante o anúncio das decisões por parte do CDS e do PSD no sentido de se absterem na votação da moção. Ou antes, faz todo o sentido, desde que encaremos as declarações do BE como um exemplo acabado de hipocrisia.
Não obstante os termos da moção não serem de fácil ingestão,  a verdade é que já se engoliram sapos por muito menos, pelo que não será despropositado concluir que nos partidos da direita, se bem que ansiosos por ter o poder, não abunda a coragem em assumi-lo, enquanto prevalecerem as dificuldades. Ultrapassadas que sejam estas, já se sabe que a direita tentará o derrube do Governo. Mas só então, de acordo com a estratégia anunciada pelo Prof. Marcelo.
Gente "corajosa" esta !

Acto falhado

As declarações do líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, segundo o qual a direita cairia no ridículo se viesse a apoiar a moção de censura que o Bloco de Esquerda se propôs apresentar na Assembleia da República com um mês de antecedência, tendo em conta os termos da moção, já o indiciavam. As decisões já tomadas pelo CDS, primeiro, e hoje também pelo PSD,  no sentido de se absterem na votação só vêm confirmar que a moção do BE foi um acto falhado ainda antes de ser um acto.
Falhado, digo eu, inútil e incompreensível. Louçã, manifestamente, não esteve, neste caso, num dos seus melhores dias.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Oportunismo em forma de sermão

Se bem entendi o habitual sermão do Prof. Marcelo proferido, ontem à noite, na TVI, o que o PSD tem a fazer é  "chumbar" a moção de censura anunciada pelo Bloco de Esquerda, posição que a liderança do partido deveria ter logo anunciado. Outra decisão seria impensável, pois, no dizer do Professor, os termos em que a moção vai ser apresentada são não apenas de censura ao Governo, mas também de censura ao PSD enquanto co-responsável pela aprovação do Orçamento para 2010, por via da sua abstenção. Além de que outra posição não seria coerente, uma vez que foi em nome das dificuldades que o país atravessa que o PSD chegou a acordo com o Governo para viabilizar o Orçamento de Estado e a situação de crise ainda não foi ultrapassada. Nestas circunstâncias, permitir a aprovação da moção não seria bem compreendida pela generalidade dos portugueses, nem faria sentido. E, de facto, não faz.
Marcelo defende, no entanto, que lá para o fim do ano, por ocasião da discussão do Orçamento para 2012, se a crise da dívida soberana tiver sido, entretanto, debelada e se a execução orçamental tiver corrido bem, então sim será boa altura para derrubar o Governo. E justifica-se com "boas" razões: o derrube do Governo, nessa altura, seria a  forma de, por um lado, não permitir que Sócrates e o PS se viessem aproveitar do bom desempenho das contas públicas e da ultrapassagem da situação de crise e de evitar, por outro lado,  que Passos Coelho venha a ser levado na enxurrada de um qualquer (Rui) Rio, conhecida que é a impaciência que grassa nas hostes laranjas para chegar ao poder.
Claro que o Prof. Marcelo embrulha toda esta conversa em considerações sobre os interesses do país, interesses que, todavia, não vejo. O mais que consigo descortinar, nas suas palavras, é uma lição de oportunismo político.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

BOA-BAY-ELA


Se o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Marques da Silva Pureza, acha que a direita "cairá no ridículo" se apoiar a moção de censura  que o Bloco anunciou ir apresentar, então forçoso é considerar que, para o Bloco, a moção de censura não passa de uma brincadeira e que a República Portuguesa não difere duma qualquer " Real República"  da praxe coimbrã. Da "BOA-BAY-ELA", por exemplo.
(Imagem daqui)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quem não tem cão, caça com gato

É um facto que o Bloco de Esquerda não tem, nem de longe,  a implantação do PCP no mundo laboral e, por certo, inveja a capacidade de mobilização deste partido. É, reconhecidamente, um fenómeno urbano alimentado por alguma intelectualidade com mérito, mas desligada da generalidade da população. Para fazer prova de vida, tem, pois, que recorrer à criação de factos políticos que obtenham eco na comunicação social, onde, verdade seja dita, se movimenta com êxito.
O anúncio da moção de censura insere-se, claramente, nesta linha de actuação, própria do caçador que não tendo cão caça com gato, actuação que é ambivalente: se, por um lado, assegura a visibilidade nos media indispensável ao Bloco, por outro lado constitui um claro sinal da sua fraqueza.
Não me parece, pois, que o anúncio da moção de censura tenha sido uma boa aposta. Até porque, quer a moção venha a ser aprovada, quer não, é mais que certo que o Bloco nunca sairá a ganhar. A direita, talvez, se engolir o sapo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

terça-feira, 17 de junho de 2008

E não têm mais que fazer?





Sabendo à partida que a moção de censura não vai ter resultados práticos, visto que a aprovação da moção não significa a retirada do pelouro dos espaços verdes ao vereador Sá Fernandes, pois tal competência é do presidente da Câmara (que não deve estar para aí virado) pergunta-se: Será que os vereadores do PSD não têm mais que fazer?
Aliás, importa dizer que os factos imputados ao dito vereador não parece revestirem especial gravidade. Terão sido erros de análise e nem isso é seguro: Podem ter sido prejudicados alguns munícipes, mas o Município também angariou alguns proventos.
Assim sendo, estamos apenas perante casos de lana caprina que, seguramente, não merecem tanto ruído.
(Nota: foto retirada daqui)