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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Com o mal dos outros pode ela bem


Esta prosa da autoria de Helena Garrido, directora-adjunta do Jornal de Negócios, é mais uma prova de que a grande maioria dos que têm voz na comunicação social estão de corpo e alma com a política seguida pelo executivo passista/portista, para o qual a reforma do Estado não passa de uma sucessão de cortes incidindo sempre sobre os rendimentos das mesmas vítimas: funcionários públicos, empregados de empresas públicas, reformados e pensionistas. 
Do ponto de vista daqueles e na lógica do "com o mal dos outros posso eu bem", a defesa dos cortes até se compreende. Como também se entende perfeitamente que, na mesma lógica, se recuse liminarmente o aumento de impostos, mesmo que abrangendo apenas os que estejam em condições de os pagar.
Todavia a quem tem a responsabilidade de escrever (ou de intervir de qualquer outra forma) em órgãos de comunicação social não se pede que se pronuncie tendo apenas em conta o seus particulares interesses, antes se exige um tratamento objectivo dos assuntos em questão.
Ora, deste ponto de vista, é óbvio que o aumento dos impostos, quando tal seja necessário em função das dificuldades que o país atravessa,  é uma opção que, sendo embora desagradável para quem os suporta, é muito mais justa do que a seguida pelo actual executivo traduzida em sucessivos cortes sobre os rendimentos só de alguns. 
Até o povo que, na sua grande maioria, não andou em nenhuma faculdade, nem cursou economia, tem perfeita noção de que é assim, quando, na sua sabedoria, recomenda que se "divida o mal pelas aldeias". De facto, só desta forma se tratam todos os cidadãos por igual, como manda a justiça.
Não será assim?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O trunfo

A indigitação de José Sócrates para formar o novo Governo põe termo às especulações sobre a possibilidade de Cavaco Silva vir a indigitar alguém que não fosse oriundo do partido mais votado nas eleições legislativas, ou seja, o PS, hipótese que nunca admiti, por grande que seja o desnorte que paira em Belém.
Com a indigitação, começam as dores de cabeça de Sócrates que, no entanto, não terá dificuldades em formar Governo, já que boa parte dos actuais ministros transitarão para o novo executivo. Pelas minhas contas, metade do Governo estava, à partida, escolhida. As dificuldades (de monta) resultam de ir formar um Governo sem apoio parlamentar maioritário, sendo certo que não conta com a boa vontade das oposições, com a possível excepção do CDS/PP (excepção que não será a que mais agrade ao PS) já que o que se tem ouvido por parte dos dirigentes de outros partidos com assento parlamentar e, em particular, do PSD e do BE é sinal de oposição extremada, a roçar, de perto, pela irresponsabilidade.
Não me admiraria, todavia, que, a confirmarem-se as dificuldades do governo minoritário, não se assista, a breve trecho, ao surgimento, entre os eleitores, da ânsia por uma nova maioria absoluta que, passando por cima da vontade das corporações, consiga levar a efeito as reformas e a tomar as medidas de que o país precisa. Este é um trunfo de que o PS e José Sócrates dispõem e, por certo, não deixarão de o lembrar quando for caso disso.

terça-feira, 21 de abril de 2009

A lei da paridade ainda custa a engolir

A lei da paridade deve-se apenas e tão só ao PS, já que, quer a iniciativa, quer a aprovação, a ele se ficaram a dever.
Numa iniciativa que pode considerar-se na linha da referida lei, vem agora a deputada do PS, Maria de Belém Roseira, "defender que os Governos devem estender o critério da paridade aos cargos de nomeação da Administração Pública e aos conselhos de administração das empresas públicas".
Se bem nos damos conta, a ideia de Maria de Belém não colheu, por ora, grandes aplausos. Pelo menos, a posição de Teresa Caeiro (CDS) não vai nesse sentido. Ora se é verdade que, como ela afirma, o acesso das mulheres à tomada de decisão faz-se em primeiro lugar através da criação de condições para a conciliação da vida familiar e profissional, não menos verdade é que "do ponto de vista sociológico, sabemos que se reproduz o género no poder" e que "ou há alguma medida que faz cortar esse ciclo, que é vicioso, ou então é difícil de quebrar", tal como sustenta Maria de Belém.
A posição de Maria de Belém, faz, a meu ver, todo o sentido, para quem defende a igualdade entre mulheres e homens. É o caso.

sábado, 14 de março de 2009

PS-1 + PS-2

[José Pacheco Pereira: Uma coligação do PS-1 (Sócrates) com um PS-2 (Alegre) in "Público", edição impressa, de 14-03-2009, citado aqui.]

Na linha do que escrevi aqui, no "post" La donna é mobile.
Pelos vistos, estou, por uma vez, de acordo com Pacheco Pereira.
Acontece!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Promete e cumpre ...

Depois da decisão de encerrar Guantánamo; de pôr fim aos métodos de tortura no interrogatório de prisioneiros; de acabar com as comissões de julgamento especiais; o Presidente Barack Obama toma medidas para aumentar eficiência energética e reduzir dependência do petróleo.
Tal como havia prometido !
Actualização:
Como se pode constatar, perante esta notícia, também em política externa se assiste a uma viragem na política americana que, não sendo de 180 graus, representa contudo uma nova forma de encarar o mundo, em especial o mundo muçulmano, a quem o Presidente Barack Obama se dirige, afirmando que "os americanos não são seus inimigos”, acrescentando que “Por vezes cometemos erros" e "Não somos perfeitos”, postura que está bem longe da arrogância e dos triunfalismos de Bush (de triste memória).

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A nuvem por Juno



O equivocado até posso ser eu, mas não me parece que os dirigentes do PSD, tenham, por ora, razão para festejarem, nem para se sentirem satisfeitos com a sua actuação, e, em verdade também não me parece que as perspectivas futuras lhe sejam favoráveis. Pelo menos é o que transparece da última sondagem conhecida (a da Católica) que ao PSD não augura grandes resultados: De acordo com a mesma, o PSD mantém a percentagem que já tinha em Fevereiro (32%) e, ao invés, o PS sobe de 39%, em Fevereiro, para 40%, agora .

Aliás, se bem julgo (azar dos Távoras) até a imagem de rigor, com que a actual líder do PSD foi apresentada, corre o risco de ir por água a baixo, à medida que vão sendo conhecidos mais dados relativos ao negócio da venda dos créditos fiscais por ela celebrado com o Citigroup.

Finalmente, não me parece que a posição adoptada por Manuela Ferreira Leite, ao declarar que " o papel do PSD na oposição não é apresentar alternativas às propostas do Governo, mas sim fiscalizá-lo", seja de molde a entusiasmar as tropas. Ficaremos sempre sem saber se tal posição é fruto da falta de ideias (o mais provável, pelo que se tem visto) se é por matreirice e esperteza. Seja qual for a explicação, nenhuma das razões é boa.

Tudo visto, parece-me que Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel estão simplesmente a tomar a nuvem por Juno.

Melhor seria para o país que assim não fosse, pois seria sinal de que o PSD teria encontrado, desta vez, dirigentes à altura das circunstâncias para os tempos difíceis que o país atravessa. Infelizmente, julgo que não terá sido o caso.
(A imagem foi copiada aqui)