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segunda-feira, 30 de março de 2015

A propaganda cavaco/governamental não resiste...

...ao cheiro do LIXO.


«A reduzida confiança no cumprimento das metas do défice pelo Governo e, principalmente, a revisão em baixa do potencial de crescimento da economia fizeram a agência de notação financeira internacional Fitch manter o rating português em BB+, isto é, a um nível que ainda é classificado como “lixo”

(Citação e imagem: daqui)



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Em matéria de propaganda, não é parvo

Afinal, o mal-estar instalado na sociedade portuguesa, perante as inauditas medidas de austeridade decretadas e anunciadas pelo actual governo, deriva tão só do facto de terem sido mal comunicadas. Quem o afirma é a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.
Creio bem que está enganada a ministra. Marques Mendes, ex-presidente do PSD, personagem que, embora não fazendo parte do governo, "bebe do fino", acaba de revelar que "há medidas no orçamento, que não foram até ao momento divulgadas, de incentivo à economia e ao emprego". A crer em Marques Mendes, o mais correcto será concluir que a estratégia de comunicação e propaganda deste governo até está muito bem afinada, ao deixar para o fim o anúncio de medidas que, de algum modo, podem servir de paliativo em relação às medidas gravosas já conhecidas. 
Diria, até, a confirmar-se o facto, que, em matéria de propaganda, este governo, ou alguém a trabalhar para ele, não é nada parvo.  

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"O léxico autorizado"

Mais um excelente texto de José Vítor Malheiros publicado ontem na edição impressa do "Público" (sem link), com o título em epígrafe, que tomo a liberdade de transcrever parcialmente:

"(...) Uma grande parte da política passa por criar e tentar impor na arena social, na imprensa, no debate político, determinadas visões do mundo - determinadas narrativas -, como bem sabem os mestres da propaganda. Mas essas narrativas são construídas por palavras e, quando determinados termos se impõem, há narrativas que se organizam quase naturalmente à sua volta.
Tomemos a "ajuda". "Ajuda" é uma coisa boa. Todos gostamos de ajudar, todos gostamos de ser ajudados. Não é fácil criar uma narrativa onde o mau da fita é alguém que "ajuda". Quem ajuda é, forçosamente, nosso amigo.
E como apareceu a expressão "ajuda financeira"? De facto, aquilo que designamos por "ajuda financeira" é, simplesmente, um empréstimo. E empréstimo é não só uma expressão mais correcta como mais neutra. Sabemos isso porque há empréstimos que nos aliviam e outros que nos entalam. É possível criar narrativas diferentes à volta da expressão "empréstimo". Posso dizer "aquele empréstimo permitiu-lhe salvar a empresa" ou "o que o levou à falência foi aquele empréstimo". Posso dizer que o "empréstimo negociado com a troika tem um juro usurário", mas já não o posso dizer se lhe chamar "ajuda". As palavras não deixam. Um "resgate" também é uma coisa boa. Salva-nos. Não é possível dizer nada de mau de quem nos resgata. (...)"
***
Curiosamente, também aqui no blogue se referiram, ontem, exemplos  de uso das palavras, para criar uma narrativa que, não correspondendo à realidade, tem a virtualidade de a esconder. Ontem foi a vez do ministro Gaspar (das Finanças) e do ministro Álvaro (da Economia). Hoje é o secretário Moedas a usar da mesma técnica. Diz ele (Moedas) que a economia portuguesa se está a "ajustar rapidamente". "Ajustar", como diria o José Vítor Malheiros, é uma coisa boa. Quem é que não gosta que as coisas se ajustem? Porém, se Moedas dissesse que "a economia portuguesa está a contrair-se mais do que o previsto", como acontece na realidade,  já seria uma coisa má. 
Isto só para dizer que os actuais governantes podem não saber como fazer crescer a economia; podem não conseguir conquistar a confiança dos mercados, mas de propaganda sabem eles. Muito, como se vê pelos exemplos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Embuste ?



A acusação de Louçã surge a propósito da ida do Ministro da Economia, Manuel Pinho, a um supermercado anunciar que os preços baixaram com a descida da taxa máxima do IVA para 20%.
Mas onde é que está o embuste ?
"Embuste" significa "mentira artificiosa, patranha, ardil, engano, e logro" (Lexicoteca - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa - Círculo de Leitores , 1985). Ora não se vê onde é que o ministro faltou à verdade, pois é certo que, por efeito da descida da taxa máxima do IVA, há preços que baixaram, como se pode ver aqui.

O que o ministro fez foi propaganda, a meu ver, perfeitamente dispensável, mas, pelos vistos, os políticos não passam sem ela e, manda a verdade que se diga que ninguém foge à regra, incluindo Francisco Louçã que, na matéria, é um perito e esta sua intervenção até serve para o comprovar.

(A imagem foi retirada daqui)