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sábado, 1 de junho de 2013

Negócios de amendoins

Na coluna "Altos e Baixos" na 2º página do caderno de Economia do "Expresso" de hoje um tal Vítor Andrade eleva Paulo Portas às alturas só porque, em resultado da concessão de vistos "gold" a quem se disponha a aplicar capitais em Portugal, (uma medida que o próprio "colunista" afirma ter sido encarada como "uma coisa com piada") já deram entrada 20 milhões de euros.
Estranha-se um tal entusiasmo, quando as necessidades de financiamento da economia portuguesa se cifram em muitos milhares de milhões de euros. Num tal universo, é óbvio que a referida quantia de 20 milhões de euros não passa de uma migalha que está longe de merecer qualquer destaque. A medida pode ser, de facto "uma coisa com piada", mas não mais do que isso. Nem é preciso sequer forçar a nota para se poder afirmar que se trata de um negócio de amendoins.
Ainda assim, ficamos sem saber se o "negócio" não é o equivalente àquele em que alguém oferece um chouriço,  em troca de um presunto.
Por falar nesta "coisa com piada", veio-me à lembrança um outro muito elogiado "negócio" patrocinado pelo mesmo Portas, aquando da sua visita ao Japão. Atribuiu-se, na altura, ao "ministro dos Negócios no Estrangeiro" o mérito de ter conseguido uma encomenda de carne de porco, tendo o feito merecido amplo destaque na comunicação social.
Suponho que tal "negócio" deve ir de vento em popa, embora  nunca mais se tenha falado no assunto e, pelo que se sabe, a  celebrada encomenda ainda não tenha tido reflexos no aumento das exportações.
Perante "estórias" como estas, não pode deixar de surgir a dúvida sobre se não estaremos perante casos de publicidade enganosa, com factura endossada aos contribuintes que, seguramente, não será paga com com sacos de amendoins.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os contribuintes que paguem a factura

O argumento de Relvas (“A ausência de publicidade é condição de uma exigência superior tanto nos conteúdos como na grelha do canal que se manterá na órbita pública”) é simplesmente ridículo, pois não faz o menor sentido.
Todavia, a decisão, que é uma clara cedência aos interesses dos operadores privados do audiovisual, não me surpreende, vindo de quem vem. Aliás, em boa verdade, até já era esperada. Não dizia eu, há dias, que o relatório do Grupo de Trabalho (GT) coordenado por Duque era um relatório à medida daqueles interesses? 
Como se comprova. De facto, o relatório não vale um chavo, como tem sido afirmado por múltiplas vozes, mas nele era feita a defesa da extinção da publicidade no canal público, ideia que o ministro Relvas, obviamente, aproveitou. Desconfio, aliás, que tenha sido com a finalidade de obter apoio para tomar essa medida que Relvas se deu à maçada de constituir o GT, desconfiança que tem suporte no facto de Relvas ter mandado para o lixo as restantes conclusões do relatório.
A inexistência de publicidade no serviço público significa que o peso da factura com o serviço público de televisão vai recair por inteiro sobre os contribuintes, em claro benefício dos operadores privados, como o companheiro Balsemão, que ficou, naturalmente, agradado com a decisão, mas que, mesmo assim, não agradece, pois quer mais: Nas actuais condições do mercado publicitário, se aparecer mais um canal privado, as empresas privadas já existentes não aguentarão".  
Relvas só não lhe faz a vontade, porque andam por aí outros interesses que Relvas não pode deixar de salvaguardar. Alguém tem dúvidas?

domingo, 23 de outubro de 2011

Coitados dos nossos banqueiros!

Lendo este título  "Banqueiros portugueses na segunda divisão das remunerações na Europa" fica-se com a ideia que estamos perante uma campanha de "marketing". Este, porém, não é, pelos vistos, dirigido a todos os leitores, mas apenas aos que se ficam pela leitura dos títulos.
É que quem ler a notícia, na íntegra, fica também a saber que  "os executivos dos principais bancos portugueses receberam em 2010, em média, cerca de 845 mil euros por ano, estando em nono lugar num ranking que inclui treze países", mas "à frente  dos dinamarqueses, noruegueses, holandeses e belgas."
Coitados dos nossos banqueiros! Não será caso para exclamar ?