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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pavão que as suas penas despe e alheias veste...

O Pedro, o tal que é uma espécie de primeiro-ministro, tem vindo a reclamar para si próprio e para o governo de caricatura que alegadamente lidera, o mérito da descida nas taxas de juro incidentes sobre a dívida pública portuguesa, descida que ultimamente tem vindo, de facto, a ocorrer.
Para se constatar que tal não corresponde à realidade, basta atentar nos gráficos infra, onde é bem visível que a baixa das taxas de juro tem ocorrido, simultaneamente, em todos os países da zona euro com problemas de sustentabilidade da sua dívida pública.

Tem sido assim na Grécia;
na Espanha;

em Itália;

tal como em Portugal:

Como é óbvio, a simultaneidade da descida das taxas de juro em relação à divida pública de todos estes países só pode ser explicado pelo aumento da confiança dos "mercados" no que respeita à solvabilidade da dívida pública dos países em questão, graças às medidas entretanto adoptadas pelo BCE. 
Sobre isso ninguém de boa fé tem dúvidas, tanto mais que a absoluta irrelevância, a nível europeu, do Pedro nem sequer consente que a dúvida se instale.
O Pedro até pode armar-se em pavão, mas está à vista que as penas com que se enfeita não são as dele.
Cuida-te, pois, Pedro: pavão que as suas penas despe e alheias veste, o mais certo é ficar nu. 
(Os gráficos foram retirados daqui)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Um dia duplamente histórico

PPC considerou, a propósito da assinatura do acordo de concertação social, que estávamos a viver um dia histórico. É capaz de, pela negativa, ter mais que razão. De facto, tendo em conta, além do mais, a assinatura do acordo, que representa um retrocesso em termos históricos no que se refere aos direitos laborais, também  os "mercados"  resolveram associar-se às comemorações, assinalando a data com a subida das  taxas de juro da dívida portuguesa no mercado secundário  para  um novo recorde  (14,6%). Dia não simplesmente histórico, como diz PPC. Duplamente histórico, diria eu!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sinais

Como muito bem diz o Álvaro das bandeirinhas, "vêm aí tempos difíceis".
De facto, não vêm aí. Já cá moram: Juros cobrados a Portugal nunca foram tão elevados.
Ao que parece, os "mercados" não se mostram impressionados com os "pequenos sinais" dados pelo Governo. Pelo contrário, tudo indica que  dão mais atenção aos grandes sinais e que a confiança que depositam na capacidade do Governo do senhor Passos Coelho em dar a volta ao texto, é pouca. Se calhar lembram-se que o actual Governo é constituído por dois partidos que, ao recusar o PEC IV, deram o inequívoco sinal de que estavam mais interessados em "chegar ao pote" do que em resolver a situação de aperto financeiro em que o país se encontrava.
Ora, os erros pagam-se e até os mercados têm memória.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O último "optimista" # 2

Todavia, ao invés do que se sugere na peça para que remete o link supra, não me parece que, ao contrário do que diria e disse há alguns meses, se justifique a urgência em baixar a taxa de referência do BCE. É que não me parece, por um lado, que, neste momento, seja o custo do dinheiro o factor determinante das intenções de investimento e, por outro lado, também não convirá penalizar excessivamente a poupança e os aforradores, pelo menos, se a inflação se mantiver a um nível superior a 1%, como é o caso.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

As baratas tontas



Os políticos europeus e os responsáveis pelos bancos centrais mais parecem baratas tontas à procura duma saída. Parece (com muitas reservas) que, finalmente, estarão a dar com o caminho.
Indicadores: 1) O BCE ( ao qual já dedicámos o "post" Tem Banco que é cego ... ), a Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco de Inglaterra resolveram, em concertação, cortar hoje em meio por cento as suas principais taxas de juro de referência. (A medida é tardia e provavelmente não poderão ficar por aqui, mas mais vale tarde do que nunca);
2) Gordon Brown sugeriu a adopção de um plano europeu de financiamento do sistema bancário, plano que, a todas as luzes, já devia estar em execução, pois não é nenhuma novidade que as taxas de juro no mercado interbancário estão a subir todos os dias por falta de confiança entre os bancos, confiança que, por isso mesmo, importa restaurar rapidamente, até porque quem paga a factura da subida das taxas de juro no mercado interbancário, acaba por ser o consumidor final e por duas vias: restrição do crédito e subida da taxas de juro dos empréstimos, designadamente nos empréstimos à habitação;
3) Finalmente, ao que afirma Sarkozy, a UE vai apresentada uma resposta coordenada para a crise financeira "nas próximas horas".
Já não era sem tempo, digo eu.
ADENDA: O Governo português também não quis ficar para trás e vai daí Sócrates resolveu anunciar que o Governo vai baixar o IRC para metade nos primeiros 12,5 mil euros de matéria colectável.
Em face do anunciado, duas conclusões se impõem: 1) Começou o bodo aos pobres (?); 2) demonstratum quod erat demonstrandum.
(Mensagem reeditada)