segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E poderia ser de outro modo ?

Goste-se ou não de Durão Barroso, como político, (eu, p.e. não gosto, por razões que ficam para melhor oportunidade) não me parece que o Governo português tivesse outra alternativa que não fosse a de apoiar a sua recondução, em Dezembro, ou noutra altura. Proceder doutra forma seria retirar a pouca visibilidade que Portugal tem a nível mundial, como pequeno país que é. E Durão Barroso, goste-se ou não, é português e, como tal é referenciado em tudo quanto é comunicação social, a nível do Globo.

A lição mal estudada ?

Quando Manuela Ferreira Leite nos vem dizer, repetidamente, que "não há dinheiro para nada" e vemos o Presidente da República convergir com a posição do Governo, defendendo que os investimentos rentáveis, privados ou públicos, devem ser concretizados e que não é por causa da crise que devem ser adiados, temos que concluir que a "aluna" tem a lição mal estudada.

Um novo paradigma ?

Quando se assiste às sucessivas suspensões da laboração por parte de grandes empresas ( em Portugal e no estrangeiro, como é este caso, e este, a simples título de exemplo) e quando vemos grandes indústrias europeias a pedir apoio aos Estados, reclamando programas maciços de investimento e descidas de impostos, a par de despedimentos maciços, como este, pergunto-me se, afinal, a crise da economia mundial não é bem mais profunda do que o previsto e se se poderá resolver simplesmente com as medidas agora preconizadas, designadamente, pelos países do G-20.
Mais profunda não há dúvida que é, face às previsões iniciais, até porque os países produtores de petróleo (inicialmente beneficiados com a crise e a subida do preço do petróleo) estão a ver os seus projectos de investimento ir por água a baixo, face à descida do preço do crude para níveis impensáveis há poucos meses.
Face a todo este panorama e a ser verdade que já são necessários 2 planetas para suportar a actual população mundial, interrogo-me (outra vez) sobre se não seremos todos forçados a aceitar a emergência de um novo paradigma que passará, designadamente por: i) uma sociedade menos (muito menos) consumista; ii) novas formas de intervenção dos Estados na economia; iii)maior cooperação entre os Estados, com o consequente abandono das políticas imperialistas e de confrontação armada e, ao invés, com maior investimento nas políticas de educação e de erradicação da pobreza no mundo; iv) maior e mais decidido investimento na investigação e produção de energias alternativas; v), um novo modelo de produção, que admito seja capitalista (porque mais eficiente) mas menos agressivo, em que o lucro não seja o único fim a atingir, porque temperado por outros factores, como sejam, a realização pessoal dos trabalhadores e a preocupação com a sustentabilidade do planeta Terra.
Utópico ? Sem dúvida, até ao dia em que não teremos outra opção.

O mistério da multiplicação dos preços




Sardinha fica sete vezes mais cara entre a lota e o mercado e o mesmo (ou parecido) se passa com pescada, (que é vendida ao consumidor a um preço três vezes superior ao da lota), com o polvo e o peixe espada preto (vendidos a um preço duas vezes e meia mais elevado do que o da lota).
O problema da multiplicação dos preços do pescado não deve ser de fácil resolução, visto que tantas vezes tem vindo a lume e tudo continua na mesma. Pergunto-me, no entanto, se a criação de uma estrutura de comercialização (cooperativa, p.e.) por parte das empresas de pesca não seria uma boa solução.
(Imagem daqui)

Demagogia quanto baste




Conclusão: Está visto que, para o BE, Sócrates é o responsável pela baixa das cotações no mercado mundial, e que em matéria de demagogia, o BE não precisa de lições.

Citações # 23

Porfírio Silva : 10 Teses sobre a crise da avaliação docente

Os cépticos têm motivos ...






... para começar a duvidar do seu cepticismo.


“Já disse várias vezes que queria fechar Guantánamo e mantenho”, disse Barack Obama na sua primeira entrevista televisiva, após a eleição.

(Imagem daqui)
Mais razões para os cépticos duvidarem do seu cepticismo, aqui ("Obama promete envolvimento enérgico na luta contra alterações climáticas" )
(reeditada)

domingo, 16 de novembro de 2008

Um caso perdido

Não sendo caso raro de ditadura e de desrespeito pelos direitos humanos em África (a propósito veja-se este belo texto de Mia Couto transcrito aqui) o Zimbabwe de Mugabe é, todavia, um caso único pela violência, pelas constantes perseguições movidas contra os adversários políticos (e não só) e pela dimensão da miséria a que o povo foi votado pelas políticas erradas do ditador em exercício há 28 longos anos.
Caso único, e também, pelos vistos, um caso perdido, pois apesar da sua idade (84 anos) e dos acordos que celebrou com a oposição vencedora nas urnas, nem a mediação de Mbeki, nem a pressão dos países vizinhos (uma e outra demasiado branda) conseguiram até agora levar o ditador a uma partilha do poder.

A "leoa" mostra as suas garras?


Mudando de tema (e de tom, para melhor) Manuela Ferreira Leite (MFL) acusa hoje o Governo de oportunismo e de ineficácia, responsabilizando-o por ainda não terem entrado quaisquer contribuições a que temos direito no novo quadro comunitário de apoio, ao mesmo tempo que dirige fortes críticas contra o ministro da Agricultura.
Não disponho de dados para saber se o que MFL diz corresponde ou não à verdade, mas como a resposta não costuma tardar, aguardo para ver se a "leoa" não quebrou, uma vez mais, as unhas (como, ontem, o meu clube contra o Leixões) .
(Digo "leoa", porque adepta do meu clube, se não erro.)
Adenda 1: Como previsto, a resposta não tardou e pode ser lida aqui e aqui, mas, por enquanto e por estranho que pareça, aqui não.
Adenda 2 : Comissão Europeia nega haver atrasos na atribuição das verbas comunitárias . MFL, se não quebrou as unhas, pelo menos errou o alvo.

Citações # 22

Com graça:
Ferreira Fernandes: O COMBATE AO EMBRULHO INVENCÍVEL

Com não menor graça, mas mais a sério:
Nuno Brederode Santos: À DESGARRADA

sábado, 15 de novembro de 2008

Um exercício inglório

Apesar de já ter podido chegar à conclusão de que os seus apelos à demissão de Vítor Constâncio do cargo de governador do Banco de Portugal (BdP) não encontram eco (o Governo, o PS e até o PSD fazem orelhas moucas), Paulo Portas não desiste da sua cruzada. Não se esquece, pelos vistos, do papel desempenhado por Constâncio na revisão do défice das contas públicas relativo ao exercício económico do último governo de que fez parte (o de Santana Lopes).
É, no entanto, um exercício inglório, quando, para além do referido, é também certo que mesmo entidades que criticam a actuação do BdP em relação aos casos do BCP e do BPN, entendem que, por uma questão de confiança, não é a altura mais oportuna para tomar uma tal decisão.

E não era suposto ?

Manifestação de professores terminou sem incidentes, diz o PUBLICO.PT.
Será que não era suposto ser assim ? Ele há cada uma !

Quando até a "graça" é notícia ...

Terminado o discurso por ele proferido durante a cerimónia de início das obras de modernização da Refinaria da Petrogal em Leça da Palmeira, Sócrates retomou o microfone para explicar porque havia trocado o nome do presidente da Petrogal (Ferreira de Oliveira) pelo de Faria de Oliveira (presidente da CGD), rematando com graça: "Tenho andado a pensar em bancos tempo demais. É altura de começar a pensar na economia real".
Porque será que o "dito" mereceu o destaque dado aqui e aqui ? Para responder, recomenda-se uma visita aos sítios indicados.

Citações # 21

Luís Capucha : A segunda revolução

Das manifestações e das mais-valias

Segundo o director-nacional da PSP, esta, por decisão dele, deixou de revelar o número de participantes em manifestações por ser uma informação sem “nenhuma mais-valia”, invocando o facto de haver sempre discrepâncias.
O director-nacional da PSP está a ver o filme ao contrário: É exactamente porque há discrepâncias que a informação da PSP constitui uma mais-valia. Sempre dá para ter outra versão que não a dos organizadores e sempre dá para comparar. Acho eu.

Qual défice, qual carapuça !

Segundo o respectivo grupo parlamentar, o PSD/Madeira nunca inviabilizou a eleição de um vice-presidente indigitado pelo PS para a Mesa da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM).
Ainda de acordo com a mesma versão, a não eleição do vice-presidente indigitado pelo maior partido da oposição (cargo previsto no respectivo regimento, já citado algures neste blogue) fica, afinal, a dever-se tão somente ao facto de o candidato indigitado pelo PS não merecer a concordância de toda a oposição.
Vendo bem, face a estas declarações, temos, afinal, que concluir que não há défice democrático na ALM. O que há, na verdade, é excesso! O respeitinho pela oposição vai a tal ponto que à maioria PSD/Madeira não basta a indigitação pelo maior partido da oposição, nem eventualmente os votos de parte da oposição. Não, o PSD/Madeira exige a concordância de toda a oposição e só então disponibilizará os votos estritamente necessários para a eleição.
É bonito! Digam lá que não !
Adenda: Ao comentário estive para acrescentar que se o ridículo matasse, o grupo parlamentar do PSD/Madeira já teria "batido a bota". Teria cometido uma injustiça, reconheço. É que ainda lá há alguém com vergonha na cara.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mais uma inventona ?

A partir de uma notícia que dá conta da existência de uma investigação levada a cabo pela Unidade Especial de Investigação, relativa a dois processos de loteamento na zona oriental de Lisboa, passa-se, sem mais nem menos, para uma outra onde já surgem os nomes de Santana Lopes e Carmona Rodrigues, como investigados por corrupção. Só mais tarde se procura emendar a mão, com as declarações de um dos visados (Santana Lopes) que terá recebido, segundo afirma, a garantia do procurador-geral da República de que a investigação não é dirigida a nenhuma pessoa em concreto e adianta não ter tido qualquer intervenção em qualquer dos dois processos de loteamento.
Pergunto-me se isto é jornalismo e se a honra das pessoas é coisa de somenos, para ser tratada com tanta ligeireza. A dupla resposta é: Não é !

Por Terras de Ribacôa : Vilar Maior

(Vista geral do Castelo - torre de menagem e cerca)
(Torre de menagem e porta principal de entrada no recinto amuralhado)

(Interior da torre de menagem)

(Vista parcial do interior do recinto amuralhado)

(Ruínas da Igreja de Santa Maria do Castelo)

(Pormenor do remate do pelourinho - gaiola aberta com colunelos)

(Pelourinho)

Vilar Maior é uma povoação e freguesia do concelho do Sabugal. Foi sede de concelho e vila no período compreendido entre 1296 e 1855. O pelourinho está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933 [Decreto nº 23 122, (DG 231 de 11-10-1933)] e ao castelo foi atribuída idêntica classificação em 1996 (Decreto 2/96, de 6 de Março).

Desta vez, de acordo...

Sindicatos de professores lamentam insinuações de manipulação de alunos . E, desta vez, a meu ver, têm razão. Não dignificam ninguém, nem contribuem para o indispensável apaziguamento no sector da Educação, as afirmações (para já, sem provas) atribuídas ao deputado Vitalino canas, de que os alunos estão a ser instrumentalizados por "alguns radicais e alguns professores", afirmações que são repetidas, com alguma nuance, pelos secretários de Estado, Jorge Pedreira e Valter Lemos.
Segundo o Presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, "é incorrecto, é injusto e é ilegítimo estar a deixar no ar suspeitos sobre a origem das manifestações que alguns alunos estão a realizar". Subscrevo e acrescento que, sem provas, tal comportamento é inadmissível por parte de membros do Governo.
Perante tanta inabilidade dos secretários de Estado da Educação, pergunto-me, se não será altura de mudarem de vida. É que apagar fogos com gasolina, é perigoso, digo eu.

Not good, but not so bad...

Portugal estagna no terceiro trimestre , de acordo com Instituto Nacional de Estatística (INE). A notícia não é boa, mas podia ser pior, se, à semelhança da Alemanha, Espanha, Itália, Estónia, Hungria e Reino Unido, se tivesse verificado em Portugal um crescimento abaixo de zero no mesmo período. Dá para embandeirar em arco, perante estes resultados ? Seguramente que não, até porque as perspectivas futuras, segundo a UE e a OCDE não são animadoras.
Justificar-se-á, então, rever para já, tal como pede o PSD, o cenário macroeconómico em que assenta a proposta de Orçamento do Estado para 2009? Parece-me que não, até porque o relativo optimismo que dele transpira talvez se justifique hoje mais do que ontem e felizmente que o governo, não dando seguimento à preces da oposição e em particular da líder do PSD, entendeu manter os investimentos previstos em matéria de obras públicas. A recessão, nas actuais circunstâncias e face ao que se passa nos países europeus de maior dimensão e com os quais temos relações comerciais mais intensas, continua ser uma hipótese provável, mas, se o governo desse ouvidos às sugestões do PSD, a recessão seria não só provável, mas mais que certa.
Adenda 1: Entretanto, Sócrates é um optimista incorrigível. E faz bem. Não estarmos em recessão, quando tantos países europeus já caíram nela, até parece milagre! Ou antes, talvez não!
Adenda 2 :Para o PCP e BE, Portugal encontra-se à beira da recessão. Dizer o óbvio, até eu !
(Reeditada)