sábado, 31 de maio de 2014

O risco de ficar a falar para as paredes

Relata o "Expresso" na edição de hoje que o anúncio feito por António Costa de que está disposto a disputar a liderança do PS, foi visto nos círculos da maioria governamental, como "uma catástrofe", expressão que, partindo donde parte, se compreende perfeitamente, visto que corresponde ao sentimento que perpassa pela opinião pública de que António José Seguro funciona para a actual maioria, como uma espécie de apólice de seguro. E, como é evidente, a decisão de António Costa constitui uma ameaça que coloca em risco uma tal apólice. 
Lamentavelmente, ao que parece, os círculos próximos do actual secretário-geral do PS continuam a não querer ouvir as vozes que surgem duma parte e de outra parte, escudando-se numa legitimidade que sendo inquestionável não é garantia de êxito. O tapar dos ouvidos e o fechar dos olhos nunca foi uma boa estratégia. Quem a siga, como parece ser o caso da actual direcção do PS, arrisca-se a ficar a falar para as paredes. De algum modo é o que já está a acontecer. Falo por mim.

Meriam também é das minhas

"Meriam Ibrahim já pode ser enforcada. Na sua infinita misericórdia, as autoridades sudanesas esperaram que ela parisse, o que aconteceu há dias, para poderem prosseguir, enfim, com a justiça. A justiça islâmica ditara que Meriam devia morrer por ter abandonado a religião islâmica e insistir em ser cristã. As autoridades dizem que ela, filha de muçulmano, é muçulmana. Pode dizer-se: fraco entendimento têm as autoridades sudaneses sobre a fé de um indivíduo para depositar a fé dele no acaso da fé de outro. Mas, para já, não se trata de um indivíduo, como já devem ter-se dado conta com a notícia do parto. É uma indivídua. Se vamos começar a discutir o livre arbítrio de uma indivídua... Num truque de advogados, Meriam diz que nunca foi muçulmana, que o pai, sim, mas abandonou-a e ela foi educada na fé cristã da sua mãe etíope. Uma coisa engraçada com todas as inquisições é porem as vítimas a sentir-se obrigadas a desculpas tolas. Um juiz barbudo diz "tu tens de te coçar porque o teu pai teve comichão" e em vez de se poder responder "meritíssimo, vá dar banho ao cão", uma Meriam tem de se justificar... Se fosse do Cascalhense FC e os sócios do meu clube, em nome do meu clube, tratassem assim uma transeunte, eu andaria com a foto desta ao peito. Como os juízes do Sudão são homens, digo aqui, para me limpar de tal companhia, que Meriam é das minhas. Não haverá em Portugal quem, até mais próximo dos juízes do Sudão, faça o mesmo?"
(Ferreira Fernandes; "Não é tempo de boa gente sentir?". Daqui)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A praga

Não vou fazer o balanço dos resultados das eleições para o Parlamento Europeu que tiveram lugar no passado dia 25, nem curar de saber das vitórias ou das derrotas, porque independentemente de quais tenham sido os vencedores e os vencidos, a verdade é que a praga que está a destruir o país, diga o Seguro(?) o que quiser,  não foi erradicada. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O voto como método indolor para erradicação de pragas

Está dito e muitas vezes repetido que o voto é uma arma nas mãos do povo, embora, infelizmente, muitas vezes os eleitores se esqueçam de a usar. Há, porém, alturas em que se torna imprescindível recorrer a ela. Por exemplo, contra pragas e não há dúvida de que este governo é mesmo uma praga que é imperioso erradicar. Se for através do voto, tanto melhor, pois o método é quase indolor. 

Perderam-se pelo caminho

É a conclusão a tirar desta peça onde se faz um resumo do que foi a campanha de Paulo Rangel e "Nuno (Trauliteiro) Melo", a dupla "maravilha" da "Aliança[contra]Portugal".

Eis o que nos diz a jornalista Márcia Galrão: 
"Em onze dias de estrada, de Setúbal a Viana do Castelo, Paulo Rangel e Nuno Melo repetiram vez após vez as mesmas mensagens", mensagens que a jornalista enumera desta forma:

1 A ‘pen' de Sócrates ;
2 O vírus socialista;
3 A saída da ‘troika' e o regresso de Sócrates.
A primeira mensagem parece indicar que a campanha em que estava envolvida aquela dupla nada tinha a ver com a eleição para o Parlamento Europeu. A segunda e a terceira confirmam a primeira impressão. Tudo ponderado, a ideia com que se fica é que, se a intenção da dupla era inicialmente participar na campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, a intenção foi-se perdendo pelo caminho. Tudo indica, aliás, que, em Aveiro, a dupla já tinha perdido completamente a rota.
Só resta a dúvida sobre o ponto onde irão encalhar.


Sócrates: "Uma campanha* que alternou entre o ódio e a imbecilidade"


(*Trata-se da campanha da direita, claro)

Combata a praga

É normal que as pragas se combatam por todos os meios ao alcance das vítimas. O actual governo português liderado por dois políticos que têm uma relação de conflitualidade permanente com a verdade, a ponto de, aparentemente, já nem saberem a sua morada, não passa de uma praga empenhada em destruir o país, tarefa que, de há três anos a esta parte, tem vindo a desempenhar com todo o afinco e não menor êxito.
Como praga que é, há que combatê-la por todos os meios ao nosso alcance. Neste momento, o que está mesmo à mão é o voto nas eleições do próximo dia 25.  Votar contra esta praga, no dia 25 é, por isso,  para além do cumprimento de um dever cívico, um acto de legítima defesa. Contra pragas.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Um tiro pela culatra

Um tiro pela culatra foi a designação (bem adequada) encontrada pelo ""Expresso" para qualificar a  acção organizada pela  Aliança:  Portugal  integrada na campanha para as eleições para o Parlamento Europeu em que Manuela Ferreira Leite (ex-presidente do PSD, um dos partidos da coligação) se encontra com  Paulo Rangel e Nuno Melo para tomar um pequeno-almoço e acaba a recomendar "Votem em A, votem em B, mas votem" .
Eu só não subscrevo integralmente a recomendação porque, não sendo masoquista, está fora de questão a recomendação de voto no A de "Aliança: Portugal". 

A dívida pública a trepar

Informa ao Banco de Portugal (BdP) que "a dívida pública portuguesa subiu para os 132,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do primeiro trimestre, acima dos 129% registados no final de 2013". Fica a saber-se por outro lado que o governo já previa, de  facto, no Documento de Estratégia Orçamental 2014-2018, que a dívida continuaria a subir este ano mas apenas até aos 130,2% do PIB. Os dados do BdP confirmam, pois, que a dívida pública pública continua a subir, mas não só. Confirmam também que ela sobe a um ritmo muito superior ao previsto. Ou seja, a dívida pública não só sobe, também já trepa.
Ora, com um governo "poupadinho" que passa o tempo a vangloriar-se com a baixa da taxa de juros da dívida pública (como se o fenómeno fosse devido a mérito seu, que não é, como é sabido) e que cortou cerce e sem qualquer critério no investimento público, os resultados anunciados pelo BdP surgem como algo simplesmente impossível. De facto, se os juros da dívida pública baixam; se o governo não investe e não é, alegadamente, despesista; e se nunca se cobraram em Portugal, impostos tão elevados,  para onde se somem os dinheiros públicos ?
É uma pergunta que se impõe, parece-me. E não só. Também acho que até ao próximo dia 25 os portugueses gostariam de saber.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Por falar em pecados...

Escreve Fernando Medina em « "Europa connosco"?»: "Ao longo destes três anos, o atual Governo sempre se recusou a contribuir para esse novo padrão de relacionamento europeu. Nunca teve, por exemplo, a preocupação de melhorar o programa de ajustamento português. Pela simples razão de que partilhou com os países credores a visão de que a aplicação da austeridade expiaria os nossos pecados. Afinal de contas, para o Governo, a arquitetura da zona euro estava perfeita e o problema das economias periféricas resumia-se a um problema de despesa, de dívida e de salários demasiado altos

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Aproveitando a boleia deste escrito de Fernando Medina, onde se fala da Europa, do governo português e da sua visão sobre a forma  de "expiação dos nossos pecados" e estando os portugueses convocados para, no próximo dia 25, irem votar nas eleições para o Parlamento Europeu, pergunto-me se este momento não será exactamente o mais azado para pedir contas a este governo pelos seus muitos "pecados" com origem não apenas na sua política de austeridade "custe-o-que-custar", mas também na sua manifesta incompetência e para o punir na medida dos sofrimentos que ao longo dos últimos  três anos tem vindo a causar à grande maioria da população portuguesa, com destaque para os desempregados, os reformados e pensionistas, os funcionários públicos e os trabalhadores em geral..
A pergunta é meramente retórica, como é evidente, pois não tenho a menor dúvida em responder afirmativamente. Aliás, digo mais, se os partidos do governo juntos na  "Aliança [contra] Portugal", não forem severamente penalizados nestas eleições então teremos de concluir, a contragosto, que os portugueses são a tal ponto conformados que não merecem melhor.

"C'est tout la même chose"

O que transporta o moliceiro? Gente ou mercadorias?
Jean-Claude Juncker, candidato da direita (Partido Poupular Europeu) à Comissão Europeia, apoiado pela Aliança [contra] Portugal, representada no barco supra por Paulo Rangel e Nuno Melo responderia naturalmente: é tudo a mesma coisa.

Gato por lebre

Que este governo é especialista na venda de gato por lebre é um dado de facto que, de há muito, se conhece. Mesmo assim, por vezes, a  propaganda atinge um tal nivel de descaramento que a realidade oculta pela máquina da mentira, quando revelada, ainda consegue ser motivo de surpresa. Para mim, pelo menos.
Veja-se o caso das exportações que o governo tem feito passar como um extraordinário caso de sucesso. Onde estará o sucesso tão apregoado se, imagine-se,  "A taxa de crescimento das exportações portuguesas abrandou desde que entrou o novo Governo e a Troika - ver gráfico [infra]. E  [se] abrandou de forma muito acentuada"?

(Citação e gráfico retirados daqui)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Frases da campanha (V)

(Um Francisco Assis extremamente polido (e ainda bem) a pronunciar-se sobre um candidato da Aliança [contra] Portugal que se tem portado da forma mais vergonhosa em toda a actual campanha eleitoral para o Parlamento Europeu. O seu companheiro de lista, Nuno Melo é que é conhecido por  "Nuno (Trauliteiro) Melo". Rangel, porém, não desmerece do qualificativo. Antes pelo contrário. Dir-se-ia até que andaram ambos na mesma escola. Se calhar, na escola de Portas. Não terá sido?)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O que fazem as más companhias!

Eu até que tinha alguma consideração, para não dizer simpatia, pelo senhor Juncker, agora apresentado como candidato do Partido Popular Europeu à Comissão Europeia. O homem, embora conservador, parecia um indivíduo equilibrado, supostamente culto e aparentemente cordato. 
Eis que, de um momento para o outro, passa-lhe pela cabeça vir dar uma "forcinha" aos seus amigos da Aliança [contra] Portugal, e a partir daí assistiu-se a um desenrolar ininterrupto de asneiras. E das grossas. Contágio de Paulo Ranger e de Nulo Melo? 
Sim, com grande probabilidade. Daí que o senhor Juncher se alguma lição tem a tirar desta sua excursão,  é a de que deve evitar a todo o custo as más companhias.

Azar dos farsantes

"Tudo indica que Passos Coelho seguiu o seu próprio conselho e decidiu emigrar. Na realidade paralela em que parece ter assentado arraiais, Passos teve uma visão e decidiu vertê-la num documento intitulado The Road to Growth - a medium term reform strategy for Portugal.

Nesse documento, Portugal é apresentado como um país que se tornou mais competitivo, mais sustentável, mais equitativo; enfim, mais tudo, porque o ajustamento foi um enorme sucesso e permitiu regenerar o país (e os portugueses). É isso que justifica que Passos escreva que we are different country today (...) Portugal is finally back to growth.

Acontece que, no exacto dia em que o governo apresentou este documento, o INE publicou um outro, intitulado Contas Nacionais Trimestrais - Estimativa Rápida, que (mais uma vez) mostra que a retoma que o governo decretou existir não passa de uma (recorrente) ficção: no primeiro trimestre de 2014, quando comparado com o trimestre anterior, a economia caiu 0.7% em termos reais. Portugal, portanto, is not back to growth.

Para além da queda (em cadeia) do PIB, e segundo os últimos indicadores, o emprego cai (-40 mil), a população activa cai (-60 mil), a produção industrial cai (-3.6%), o índice de volume de negócios da indústria transformadora cai (-17.4%).

E o que já se sabe do mês de abril não augura nada de bom: o consumo de electricidade - que é um indicador que está fortemente correlacionado com a actividade económica - depois de cair (-3.6%) em março, voltou a cair em abril (-0.9%). Os indicadores de confiança da indústria, da construção, do comércio dos serviços e dos consumidores, depois de sucessivas melhorias ao longo de 2013, estagnaram em 2014, realidade que se manteve em abril. Se a isto juntarmos os dados do investimento - que caiu mais de 30% desde o início do programa e não consta que vá recuperar de forma robusta - rapidamente percebemos que o futuro, seja ele qual for, não inclui seguramente uma road for growth.

Diga o governo o que disser, a paragem da refinaria de Sines não explica tudo. O que explica (quase) tudo, e que o governo não aceita, é que os sinais positivos de 2013 só existiram porque uma parte da política de austeridade prevista foi travada pelo Tribunal Constitucional (TC). O primeiro orcamento rectificativo de 2013 foi, na prática, um orçamento expansionista, isto é, keynesiano. Sim, quando comparado com o orçamento original, o primeiro rectificativo limitou-se a repôr salários e pensões. Perante isto, e como sempre disseram os críticos da austeridade, é natural que a economia recupere. E recuperou.

Infelizmente, e para mal do país e dos portugueses, o governo, que sofre de uma dissonância cognitiva, concluiu o inverso do que manda a lógica e viu nesta recuperação económica a validação da sua estratégia. Como não percebeu que foi o facto de ter sido (parcialmente) travado que permitiu a (ténue) recuperação económica de 2013, é natural que o governo não perceba que reincidir na estratégia de austeridade e voltar a cortar salários, pensões e prestações sociais é o contrário do que o país precisa, porque mata toda e qualquer retoma.

O sucesso do programa e a retoma, já sabemos, têm o estatuto de verdades oficiais. A retoma, se ainda não está aí, há de estar. Com este governo, com estas políticas e - sobretudo - com a visão mitológica sobre as causas da nossa crise, o único futuro que o país pode ambicionar é um futuro permanentemente adiado."

E, por culpa dos farsantes, azar também nosso, como é bom de ver.

domingo, 18 de maio de 2014

Frases da campanha (IV)

"O PS não será nunca o terceiro partido da direita, como parece desejar uma certa esquerda"."Era bom que aprendessem com a lição de Álvaro Cunhal em 1986".
(Manuel Alegre)

Frases da campanha (III)

"A tese do despesismo socialista é falsa e facilmente desmontável";
"O problema dele [Paulo Rangel] não é que as nossas palavras sejam dificeis, mas que as nossas palavras sejam verdadeiras".


sábado, 17 de maio de 2014

Passos Coelho, por uma vez, sem exemplo, falou verdade

"Demos conta do recado", afirmou, com ar triunfante, Passos Coelho, embora na fotografia aqui ao lado não pareça lá muito entusiamado. Desta vez, no entanto e para variar, há que reconhecer que falou verdade.
Se o objectivo da política do seu governo era, como tantas vezes proclamou, o "empobrecimento" do país, não restam dúvidas de que o objectivo foi plenamente atingido, com os níveis de satisfação das necessidades da população portuguesa a conhecer recuos contabilizados, não em anos, mas em décadas. Porventura o "êxito" alçancado terá até ultrapassado as suas expectitivas mais optimistas. O país está, de facto, muito mais pobre do que o que seria imaginável há três anos. Passos Coelho tem pois toda a razão para se gabar e para proclamar que deu conta do recado. Olá se deu! Os muitos milhares de portugueses que ele, com a sua política, lançou no desemprego e na pobreza que o digam.

O governo da Dona Inércia

"Que ninguém tenha ilusões, se alguém espera deste Governo o virtuosismo do Ronaldo bem pode esperar sentado porque este Governo é mesmo o da D.Inércia" (Antonio Costa)

Um novo lema, a mesma política

Pelo que já se conhece, através do DEO, a política deste execrando governo continuará a pautar-se pela austeridade. Se houvesse necessidade de confirmação,  aí estão as palavras da eminência parda que dá pelo nome bem apropriado de Moedas que garante que o fim do programa de assistência financeira a Portugal "não significa o fim do ímpeto reformista", ímpeto que até agora não se traduziu noutra coisa que não fosse em aumento dos impostos, sem paralelo no passado; em cortes perfeitamente arbitrários nas pensões e nos salários dos funcionários públicos e, last, but not least, na desvalorização sistemática e por todos os meios, legais e ilegais, do factor trabalho.
O tal "ímpeto reformista" decorreu até agora sob o signo do "empobrecimento", mas a expressão deve ter, entretanto, perdido o encanto de que gozava nos corredores governamentais e um novo lema foi descoberto, mais apropriado para levar ao engano os incautos. É com isso que este governo está a contar quando agora fala em "Caminho para o Crescimento".
Depois de tanta mentira, só alguém muito distraído, se deixará cair no logro. Distraídos, no entanto e pelo que se tem visto até agora, é algo que em Portugal não falta.
Hélas!