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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

"Porque é que Paulo de Morais se cala sobre a corrupção?"

É inquestionável a pertinência da pergunta da autoria de Francisco Louçã, dirigida ao agora candidato à PR, Paulo Morais, um pretenso paladino da luta contra a corrupção.
A finalizar a sua crónica, escreve Francisco Louçã:
«No BES como na Câmara do Porto ou no PSD, a corrupção é um estado de espírito que indigna Morais, que sabe tudo mas que se mantém calado sobre tudo – no partido durante 35 anos, depois no mandato de quatro anos na Câmara do Porto e por outros dez anos depois de ter saído da Câmara. O silêncio é a sua profissão. Sempre que podia acusar um corrupto concreto não disse nada sobre corrupção . Sabe tudo e esconde tudo.
Portugal precisa da energia da democracia para combater a corrupção. Mas para isso precisa de seriedade, rigor e verdade, não precisa de silêncios.»
(Na íntegra: aqui)
(Imagem do Público)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"Acerca da ética do ódio e da credibilidade do jornalismo a sério"

«(...)
Diana Andringa, jornalista veterana, publicou há semanas Funcionários da Verdade, que nos ajuda a perceber alguns dos mais banais (...) riscos na vida dos jornalistas. O livro, que é uma tese de doutoramento e que apresenta uma investigação cuidada sobre a selecção das prioridades noticiosas, o alinhamento dos telejornais, a escolha dos temas noticiáveis e dos temas não-noticiáveis, usa alguns casos fortes para retratar a vida na TV portuguesa: o caso Subtil (um homem que se barricou numa casa de banho da entrada da RTP), a cobertura da campanha do referendo sobre o aborto e o caso do “arrastão” de Carcavelos. Em todos eles, houve enviesamento, escolhas duvidosas, populismo mediático, preconceitos, a lei do mercado das audiências a determinar erros de informação e até notícias falsas.

(...)

No entanto, nada nos prepararia para a ética do ódio, como a que surgiu vibrante no caso Sócrates. Ora, foi neste processo e foi entre jornalistas, como Manuel Carvalho sublinhou, que se exprimiu o mais desbragado ajuste de contas.

Francisco Gonçalves, “editor do Mundo” no Correio da Manhã, destacada função, escreve que José Sócrates não “parece merecer melhor destino do que a prisão”, até porque “se há alguma coisa a lamentar no seu caso é que a detenção tenha chegado tão tarde”.

No PÚBLICO, João Miguel Tavares clamou pelo seu direito pessoal “de presumir, face ao que leio nos jornais, às minhas deduções, às minhas convicções, à minha experiência, à minha memória e ao esgotamento de sete presunções de inocência, que Sócrates é culpado daquilo de que o acusam”. Ou seja, pelas “minhas deduções” e pela “minha experiência” em coisas como a compra da TVI pela PT, “presumo” que Sócrates recebeu não sei quantos milhões de euros sei lá de quem e que comprou uma casa milionária no Seizième.

Com o mesmo acinte, José Manuel Fernandes argumenta superiormente, noObservador, que “a a dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado”.

Ou seja, todos eles sabem que o homem é culpado e lamentam que a detenção seja tardia. Têm motivos de sobra para ter a certeza que ainda falta ao tribunal: João Miguel Tavares foi levado a tribunal por Sócrates, num processo patético por difamação, logo sabe que um sujeito tão arreliante só pode ser culpado; José Manuel Fernandes sabe, simplesmente porque sabe tudo; e o homem do Correio da Manhã sabe porque decerto leu as manchetes do seu jornal.

Ora, quando os jornalistas escrevem opinião – dizendo o que entendem sobre o que entendem – estão a arriscar-se a subordinar o seu dever de informação, bem como o peso social gerado pela visibilidade da função de informar, ao seu direito de ajustarem contas, de tomarem partido, até de suspeitarem. É porque são jornalistas com coluna publicada ou com editorial que a sua opinião conta, ou seja, importam porque se presume que farão o trabalho de jornalistas, mesmo quando o estão a contrariar, substituindo informação por uma campanha. Naturalmente, quando se dedicam a fazê-lo sob a forma sublime da conversa de café, o uso do poder discricionário da sua opinião sentenciosa é mais flagrante.

Este é o caso dos acórdãos de Tavares, Fernandes e Gonçalves sobre o processo em apreço. De facto, eles não sabem nada: não sabem o suficiente sobre os factos, porque ninguém o sabe entre o público, e mostram saber pouco sobre a lei, que tinham obrigação de conhecer. E, se apresentam conclusões, simplesmente porque consideram que o seu próprio ódio pessoal é suficiente para condenar outrem, estão não só a desmerecer a profissão de jornalista, porque abusam do seu poder, como estão a escrever torto por linhas pouco direitas.

O que se esperaria de um jornalista seria o tratamento da informação com os dados disponíveis, sem aceitar ser porta-voz de alguém que na acusação (ou, noutros casos, na acusação ou na defesa) use a comunicação social para ganhar tempo e convicção para a investigação que ainda não terá obtido resultados bastantes. E esperar-se-ia igualmente que tratasse todos os casos da justiça com o mesmo critério: seja Ricardo Salgado, seja José Sócrates, seja quem for tem o direito a essa resistente regra social, que abrange do mesmo modo as obrigações da informação e da opinião pública, que é o direito de defesa.

Se esse direito for enfraquecido, teremos o pior de todos os resultados: a corrupção será facilitada, pois a justiça claudicará, acusará erraticamente e condenará quando calha, porque lhe faltará investigação que conduza a acusações consistentes sobre factos, preferindo então usar a facilidade da coluna de jornal e substituindo as provas pelo imediatismo da sentença lavrada em ódios de estimação. Era melhor levar a sério o perigo da corrupção, que é monumental em Portugal: a transparência da vida social, a informação rigorosa e a lei equitativa podem combatê-la, mas o jornalismo serviçal de uma ideia, de uma pessoa ou de um ódio é manifestamente irrrelevante ou prejudicial contra a justiça justa.»

(Francisco Louçã. Na íntegra: aqui)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

"Uma moçãozinha se faz favor para destroçar a tropa fandanga que ocupou S. Bento"

«Estou indignado com a hesitação da direita acerca da insigne questão que mais se discute nos cafés, em casa e nos intervalos do trabalho e que tem Portugal em suspenso: vão ou não os legítimos apresentar uma moção de rejeição que arrase com o bando de irresponsáveis que ocupou o parlamento? Vão apresentar a folha que não vai deixar pedra sobre pedra, que rebenta tudo num fogo de artifício que ilumine Almada?

Chegou-me aos ouvidos, ou lendo uma gazeta, que havia dúvidas entre os legítimos. Não posso acreditar.

Anda o eurodeputado frenético na televisão, vociferam os cabos partidários, marcham as concelhias a oferecer tropas, houve até uma manifestação de 40 pessoas contra o golpe de Estado e eu sei que não são tantas quanto a indignação que ferve pelo país, mas são só os arautos da vaga fulminante que está para chegar, e há quem se amedronte, quem hesite, quem se pergunte, quem consulte o comité?

Já era de desconfiar pelo ar seráfico com que Passos Coelho se sentou para tirar fotografias para o cartão de deputado, ele, que é primeiro ministro pela graça altíssima. E pelo silêncio divertido de Portas, como se preferisse a farra dos debates, já não há mais viagens, nem feiras internacionais, nem contratos nos Emiratos Árabes Unidos, nem Cazaquitão, nem Venezuela, nem Roma, nem Berlim, nada de nada. Já era de desconfiar pelos abracinhos de Costa a Merkel, a fingida.

Há marosca no ar, notei isso quando os chefes dos legítimos passaram pelo corredor nos Passos Perdidos como se aquilo fosse o seu lugar, e então o destino, os deuses, o cosmos, até os amigos? Cem nomeações nas últimas horas, ora quantas famílias ficaram esquecidas, digam lá? Não, nunca, jamais, cada portaria, cada venda assinada à pressa foi uma confissão de que esperam que se instalem os ilegítimos ou, nem quero pensar, aceitam os golpistas e recomendam-lhes o ministério.

Foram traídos pelo homem de Belém, é certo. Magoou, não se esperava isto mas antes um arroubo de patriotismo e de partido que fechasse as portas, aqui não entra gentalha, não passarão nunca. O homem resmungou e exigiu explicações, logo ele que sabe tudo e raramente se engana, como se pudesse ter dúvidas sobre a tragédia nacional que foi aquela gente alcandorar-se ao poder, mas cedeu, traiu é a palavra certa, deu posse àquela maralha e retirou-se altivamente para o esquecimento.

Mas agora chegou a hora da decisão, da nossa decisão. E peço. Não, exijo, exijo mesmo uma moção, uma carga de cavalaria pelo menos em papel para dispersar a turba, para arrasar esses maltrapilhos, para pôr na ordem a multidão. Uma moção enérgica, uma rejeição firme que permita aos nossos deputados não serem enxovalhados pelos descamisados que lhes vão perguntar pela consequência. Havemos de levantar os olhos e dizer: aqui está a vossa lápide, a moção acaba com os ilegítimos, sacode os fracos, devasta os planos que andaram a negociar com esses suspeitos que nem são os do costume, restitui a economia aos seus donos, confirma o caminho árduo e certo que os nossos chefes traçaram para o país, dá rumo à vida. A moção reconquista o nosso Portugal.

É só isso que devem discutir hoje de manhã na comissão respectiva. Mandar uma bombarda contra S. Bento ou ficar sentados. O CDS, de sangue na guelra, já autorizou a moção defenestradora. O PSD é que hesita, logo ele, o legítimo dos legítimos. Constou-lhes que Costa põe uma vela pela moção, que lhe dá um jeitão, que assim lhe oferecemos tem a sua moção de confiança e que, alegando a moção que ele é ilegítimo, fica-lhe reconfirmada a legitimidade porque é voto maioritário em órgão soberano, ou seja, a moção teria a virtude de antes de o ser já não era. Parco resultado para muito esforço, ajudar o adversário então, dizem estas insinuações maledicentes.

Constou-lhes ainda, no PSD, que a esquerda, nos seus tratos com o PS, prefere um CDS colado ao PSD por pactos de sangue e morte, do que solto a fazer cálculos eleitorais. Parece até que prefere que jurem que vão juntos às putativas eleições, mesmo que elas sejam mais tarde, que isto de esperar pelas colheitas do Verão parece mais coisa de agricultor rotinado do que de político sábio.

Não liguem, companheiros. Senhores e senhoras, às vossas armas e fogo à peça. Ou uma moção, pelo menos. Não podemos passar quase dois meses em aflições para que os legítimos, que são Passos e Portas, saiam agora mansamente de cena como se a sua vez tivesse acabado.

Não se rendam, não se calem, não deixem de mocionar o parlamento, sempre em frente, carga a trote, berros ao alto, mostrem como se atropela o centro, moderados são os cobardes, guerra sem quartel, não há prisioneiros.

Mas se não for porque a afronta exige um banho de rejeição, que seja pelo menos para que Portugal possa saber que a maioria que ficou minoria e que sabe que ganha mesmo quando perde porque está escrito no destino, e quem escreve o destino perguntará você, pois é a minoria que se declara maioria mesmo quando continua minoria, que demanda votos mas que lhe faltam, tudo talvez um pouco confuso mas o resultado é que importa: rejeitar os ilegítimos e entregar o governo a quem deve mandar, ganhando ou perdendo.

Porque sim, é o destino, e o destino é mais belo do que a aparência e os bons costumes. Nascemos para governar, a ilegitimidade é afrontosa porque questiona o destino. Varramos essa gente com uma moção e tenho dito.»
(Francisco Louçã)
(Reproduzido na íntegra, porque julgo que a publicação original não é acessível a quem não seja assinante do "Público" on line. Imperdível.)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O que tem de ser tem muita força!

«(...)
Terminaram os 51 dias de uma crise motivada pela mesquinhez institucional e pela irritação com os resultados das eleições. Terminou o jogo de Cavaco Silva e vamos chegando ao fim do seu mandato, já só basta esperar pela consoada. Como era evidente que não havia nenhuma alternativa, a pura perda de tempo só pode ser entendida pelas pessoas como um fracasso institucional. O alívio é e vai ser evidente.


Entretanto, alguns comentadores, diversos como são, parecem perdidos no nevoeiro em que preferiram mergulhar. João Miguel Tavares exigia ontem ao Presidente que se leve a sério, que fosse duro e constuitisse mesmo o seu governo. E qual seria esse governo tão garboso?

Rui Ramos e a invencível armada do Observador, perplexa e indignada, apelam a que o país se levante contra o golpe. E onde está essa turba que vai esmagar o parlamento?

Manuel Villaverde Cabral, elegantemente, invectiva Costa por causa dos “papeluchos” que assinou com a esquerda, concluindo que “o Presidente tem motivos de sobra para não reconhecer os «papeluchos» assinados por cada um dos partidos de «esquerda» como base de um governo credível e estável na presente conjuntura nacional e internacional”. E Cavaco porque é que não o ouviu?

A conclusão desta revolta é a indignação transformada em boicote. Explica Paulo Rangel: fogo contra o quartel general, será uma “oposição de princípio”. Terra queimada, votamos contra tudo.

Excelente notícia para António Costa. Não podia ser melhor, pois ao fazer um acordo com a esquerda, fora da tradição do PS, arriscou-se a alienar uma parte do eleitorado de centro, que é o lugar que o PS disputa. Mas que dirão essas pessoas se virem o PSD e o CDS perdidos numa política destrambelhada a oporem-se mesmo a decisões com as quais concordam? Jogatana política, desprezo pelo país, partidarite excessiva, uma prenda para o novo primeiro-ministro.
(...)»
(Francisco Louçã: "E se de repente lhe oferecerem um governo?". Na íntegra: aqui.)

(Não há que duvidar: a crispação da direita vai levá-la por "bom" caminho. Ao extremar posições, ao mostrar-se incapaz de reconhecer que não tem, como não teve, maioria no Parlamento que lhe permitisse viabilizar o seu governo e ao não reconhecer que, após o derrube do governo da PàF, era inevitável a formação de um novo Governo liderado por António Costa, Governo que é não só legal como inteiramente legítimo de acordo com todas as regras democráticas e constitucionais, a direita acaba por favorecer António Costa e por contribuir para consolidar os acordos celebrados com o PCP, BE e PEV. António Costa, por certo, agradece. E o país também.)

domingo, 14 de junho de 2015

"Há alguém por aí para enfrentar a triste degradação da justiça?"

«O caso Sócrates só podia despertar paixões épicas. Foi assim desde o início, será assim até ao fim. O recente episódio da proposta de prisão domiciliária voltou a atiçar essa fogueira, com comentadores a elogiarem ou a invectivarem a atitude do ex-primeiro-ministro e outros a denunciarem a sua máxima culpa. Uns com prudência e outros com concupiscência.

Sem prejuízo destas opiniões, não estou de acordo. Todas elas partem de uma posição irredutível e determinada: ou o homem é culpado (e então merece todo o castigo desde sempre) ou é inocente (e a recusa da prisão domiciliária é um assomo de dignidade). Decerto, será uma ou outra. Mas o meu ponto é que não temos meios para saber qual delas é a verdade. Só podemos supor, ou por solidariedade pessoal ou política, ou por um ódio de qualquer estirpe. E supor é insuficiente. Ora, não devemos basear a nossa atitude numa suposição, determinada unicamente por paixões, nem muito menos deixar que as suspeitas ou até convicções dos espectadores que somos todos se tornem o substituto da justiça.

Não podemos e não devemos, tanto mais que estamos a ser bombardeados pela mais longa fuga ao segredo de justiça de que me lembro. Se pensa que tudo se tornou possível, aperte o cinto de segurança que vai haver muito mais. Já tivemos a divulgação da gravação de um interrogatório umas horas depois da sua realização, usando o truque de entregar uma cópia à defesa para confundir o rastro do crime, e o que mais virá? Temos constantes e reiteradas antecipações em jornais de “provas” que não foram apresentadas à defesa e que nem podemos saber se figurarão sequer na acusação, e o que mais será? E nem sabemos quando será a acusação: um ano depois, um ano e meio depois, antes das eleições, depois das eleições?

Sugiro ao leitor que se mova então pela única certeza que podemos ter: este processo está a ser conduzido sem respeito pela justiça ou até pela decência. (...)»

(Francisco Louçã. Na íntegra: aqui. Destaque meu.)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bloco, ou nem por isso ?


Está visto que a liderança bicéfala proposta por Louçã  está longe de reunir consenso dentro do BE. Primeiro, foi a deputada Ana Drago a afirmar "que a possibilidade de uma liderança bicéfala tem apoiantes e adversários dentro do partido, recordando que há militantes que têm “outros modelos” de direcção".
Além de que, diz-se, a solução avançada por Louçã acaba por se traduzir numa menorização dos seus eventuais sucessores, sejam eles os apontados João Semedo e Catarina Martins, ou qualquer outra dupla, já que deixa a ideia de que, para Louçã,  só uma liderança a dois é capaz de desempenhar a tarefa de coordenação que ele executou até agora sozinho.
Não me cabe a mim pronunciar-me sobre as opções do BE relativamente à sua liderança, mas nada me impede de reconhecer que  as críticas, entretanto surgidas no seio do BE, não só fazem todo o sentido, como indiciam que o partido é cada vez menos um Bloco.
Suponho que daí não virá grande mal ao mundo. E, provavelmente, até muito pelo contrário.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O que diz Louçã...


... que não tenha sido já dito e repetido por centenas de vozes, para merecer a exclusividade de ser processado pelo Governo de Alberto João Jardim? Pelos vistos, para o recordista em matéria de insultos,  defender a necessidade da realização de uma auditoria às constas da Madeira “para proteger a região e todos os contribuintes no país inteiro que têm sido obrigados a pagar este descalabro das contas e este facilitismo das contas de Alberto João Jardim, que é o primeiro e único responsável pelo buraco financeiro da Madeira” é crime e uma ofensa ao "bom nome e honra do presidente do Governo e dos membros do Governo Regional da Madeira". 
Não sei até onde poderá ir a "sensibilidade" de Alberto João Jardim. O que sei é que é uma honra ser processado por um tal indivíduo e pela razão alegada que é, muito simplesmente, a denúncia de que a Madeira governada por AJJ se transformou num sorvedouro de dinheiro dos contribuintes.


Adenda:
Sobre a iminência da bancarrota da Madeira, o JM Correia Pinto acaba de publicar, no seu Politeia, um comentário cuja leitura vivamente recomendo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma vitória de "coissísima" nenhuma

O “consenso” sobre a renegociação da dívida, é a “maior vitória política do Bloco até hoje”, segundo  Francisco Louçã.
Lê-se, mas não dá para acreditar. A vitória de que fala Louçã, não é grande, nem pequena, é uma vitória de "coisíssima" nenhuma, pois, em boa verdade, não há, sequer, algum consenso.
De facto, para se poder falar em consenso, mister seria que os vários partidos tivessem o  mesmo entendimento sobre o que é a "renegociação da dívida". E não me parece que seja o caso: se por "negociação da dívida" se compreender a necessidade de acordar com os credores as condições dos empréstimos, contemplando, designadamente, o alargamento do prazo e a descida das taxas de juro,  o consenso entre os partidos estava assegurado à partida, pois nenhum partido é tão masoquista que não almeje alcançar tais objectivos. Não tem sido esse, porém, o entendimento do Bloco (e do PCP) que sempre falaram em "reestruturação da dívida" concebida como recusa do pagamento, nos termos a que o Estado está vinculado, independentemente de qualquer negociação prévia com os credores.
Será que, ao falar  em consenso, o Bloco quer significar que abandonou a sua tese e alinha agora com os partidos que aceitaram a negociação da "ajuda" financeira externa ?
Não acredito, mas admitindo que é essa a leitura correcta das palavras de Louçã, então estaríamos de facto perante um consenso. Só que, em tal tal caso, o que Louçã teria para apresentar não era "a maior vitória política do Bloco" mas antes a derrota mais rotunda. Das suas teses, claro está.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Louçã versus Passos Coelho

Se Passos Coelho estava confiante em que iria repetir, com Francisco Louçã,  a conversa de café que manteve com Jerónimo de Sousa, para malhar em José Sócrates e no PS, como cedo tentou, cedo também viu Louçã indeferir-lhe a pretensão, ao declarar que o debate com José Sócrates já o tinha feito e que estava ali para debater com ele.
E, com não menor presteza, Louçã arrumou com Passos Coelho ao acusar o PSD de ser "o campeão dos Estados Gordos", trazendo à colação, designadamente, o caso do "Jornal da Madeira", propriedade do Governo Regional (liderado pelo PSD) "que já custou quase cinquenta milhões aos contribuintes" (como se lembra aqui) e que não passa de um pasquim gratuito que não faz outra coisa que não seja propaganda do regime, e ao devolver a acusação de extremismo, afirmando que encontra "no PSD um radicalismo extremista que nunca tinha visto na democracia portuguesa", citando, muito a propósito, a ideia avançada pelo PSD de obrigar os beneficiários de subsídio de desemprego a fazerem trabalho comunitário, como se o subsídio de desemprego  não proviesse dos descontos feitos pelos trabalhadores para a Segurança Social, para acorrer precisamente ao casos de desemprego . E com tanta mais razão, acrescento eu, quando é o próprio coordenador do programa do PSD quem garante que “Nós vamos ser muito mais radicais no nosso programa do que a troika, vamos ser muito mais radicais”.
Derrotado no penúltimo round (em que Louçã nem sequer deixou passou passar em claro mais uma infeliz referência de Passos Coelho ao programa Novas Oportunidades, dizendo-lhe que faz um "estigma social" quando afirma que o Novas Oportunidades são um embuste) veremos como é que  Passos Coelho se sai no último  e decisivo. Para já, teve um mau ensaio. Louçã, pelo contrário, esteve impecável, começando pelo facto de não ir na "conversa" do adversário.

domingo, 8 de maio de 2011

Megalomania

Para quem ouviu o discurso do furibundo Louçã, na Convenção do Bloco de Esquerda,  é difícil não concordar com Jerónimo de Sousa quando afirma que  “O BE não se liberta da mania das grandezas”.
O que é grave, porque, como se sabe a megalomania distorce a realidade, distorção que, no caso do Bloco é já um dado de facto.
Com efeito, como é que o Bloco se propõe formar um Governo de esquerda, quando todas as sondagens conhecidas lhe atribuem uma acentuada diminuição nas intenções de voto e quando o ódio a Sócrates (que só tem paralelo no PSD de Passos Coelho) tornam impossível qualquer aproximação ao PS ?  
(Reeditado)  

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fazer o mal e a caramunha

De facto não conseguiu. Louçã, porém, não pode escamotear a responsabilidade que também lhe cabe no facto de Portugal de não ter outra alternativa, uma vez que também contribuiu, com a rejeição do PEC, para  que o país estivesse na actual situação.
Louçã esquece que, com a rejeição do PEC, as notações da dívida da República desceram em catadupa e os juros subiram num ápice, atingindo valores incomportáveis.
Louçã pode ter fraca memória, mas eu, por exemplo, não esqueço.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O "número" de Louçã


Francisco Louçã, ao anunciar, hoje, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, que o Bloco de Esquerda irá apresentar uma moção de censura, daqui a um mês, quando ainda há dias afirmava que uma tal moção não fazia sentido e que o Bloco não faria o jogo da direita, fez um "número" digno duma bailarina em bicos de pés.
Uma "irresponsabilidade colossal" foi como o primeiro-ministro qualificou o anúncio e com inteira razão. De facto, trata-se de pura irresponsabilidade, uma vez que é patente que o "número" de Louçã, fica apenas a dever-se ao desejo de se antecipar à bancada do PCP que já tinha avançado com essa possibilidade, na ocasião desvalorizada por Louçã. E irresponsabilidade grave, porque o mero anúncio da moção, independentemente do  sucesso ou insucesso desta, vai contribuir, por certo, para o agravamento da taxa de juro a pagar pela República em futuros financiamentos a que terá de recorrer, como toda a gente sabe. Provavelmente já amanhã, senão ainda hoje, vai ser possível confirmar se esse agravamento vem ou não a caminho, através da evolução das taxas de juro no mercado secundário da dívida soberana. A confirmar-se a hipótese, lamentavelmente quem irá pagar a conta não será o irresponsável Louçã, mas os portugueses. Espero que estes, ao menos, lhe venham a apresentar a factura.
(Imagem de Bailarina na barra de Botero tirada daqui)

domingo, 28 de março de 2010

Louçã anda muito preocupado...

... com o que ganha o Presidente Obama. E daí talvez não, porque para termo de comparação até tinha bem melhor: os prémios de qualquer banqueiro americano. Pela certa, o que o preocupa é ganhar mais uns tantos votos, nem que seja à conta da inveja que sempre motiva a plebe.
É política rasteirinha? É, mas é o melhor que ele sabe fazer.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Patuscos ou tolos ?

Paulo Teixeira Pinto apresentou uma queixa-crime, por "difamação e calúnia", contra Francisco Louçã, por este ter afirmado publicamente que o desembarque no Terreiro do Paço organizado pela Causa Real (a que Teixeira Pinto preside, se não erro) no dia 5 de Outubro (data da implantação da República) e o cortejo nocturno que se lhe seguiu, aos gritos de "Viva a Monarquia", era uma acção "patusca" promovida por "um banqueiro milionário associado ao período do colapso da liderança do BCP".
Não estou a ver bem onde é que Paulo Teixeira Pinto encontrou razões para se sentir ofendido. Ele lá saberá, mas admito que tenha sido pelo facto de Louçã lhe ter chamado "banqueiro", pois, de facto, já não o é. Ora isto de se chamar banqueiro a alguém, nos tempos que correm, pode ser tido, como se sabe, como uma ofensa grave!
Seja como for, certo é que a queixa não agradou ao Bloco de Esquerda e daí o ter emitido um comunicado considerando a mesma "uma ameaça (...) inaceitável, que pretende limitar a liberdade de expressão". Nem mais, nem menos!
Ora bem: se Louçã se pode permitir a liberdade de qualificar a referida acção da Causa Real como "patusca", teremos também de convir que considerar como "ameaça inaceitável" à "liberdade de expressão" a queixa-crime apresentada por um cidadão, no exercício do seus direitos, é uma ideia não menos "patusca". Ou será, antes, simplesmente, tola ?
(Imagem daqui)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Queda do Muro: ele baralhado e eu confuso

Num texto publicado no Esquerda.net, a propósito da queda do Muro de Berlim, Francisco Louçã ora vira o bico ao prego, ora o prego ao bico.
Não consegue, com efeito, disfarçar o seu desconforto com o histórico acontecimento, com afirmações como estas: "os vencedores estão sempre a reclamar a sua vitória, por medo dos que esmagaram" e "Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, floresce assim a ideologia contentatória". Porém, logo a seguir, no mesmo texto, afirma que é necessário "Compreender a derrocada de uma mentira, de um sistema social esgotado no privilégio e na desigualdade, na repressão e na censura, no militarismo e no Gulag". E conclui que "A queda do Muro foi o episódio final de uma agonia perante a tensão social insuportável. Mas também ensina que o socialismo só pode ser o contrário do Muro: liberdade contra a censura, responsabilidade contra o controlo sindical, todos os direitos sociais, incluindo o pluripartidarismo, a liberdade de formar sindicatos ou de fazer greve."
Esta última conclusão não me parece abonar-se nem com a prática, nem com a teoria dos defensores do sistema comunista, onde ele se inclui, se não erro. Seja, porém, como for, seguindo o seu raciocínio, não seria consequente da parte de Louçã juntar-se à multidão dos que festejam o acontecimento como sinal de uma libertação? Eu diria que sim. Todavia, Louçã não vai por aí, o que me leva a concluir que ele anda mesmo baralhado.
E eu a ficar confuso.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Louçã foi atropelado

Francisco Louçã não só foi atropelado pelo resultado das eleições autárquicas em Lisboa e no Porto, (onde o Bloco de Esquerda não conseguiu eleger um só vereador que fosse) como deu um grande trambolhão em termos de votação nacional, ficando desta vez, longe dos resultados do PCP, que, a estas horas, tem razão para festejar, neste particular.
Para quem, antes e depois das legislativas, se apresentava com o "rei na barriga", o "atropelamento" e o "trambolhão" destas eleições autárquicas representa uma dura lição. Julgo, no entanto, que ele, com a arrogância de que tem dado provas, não a vai aprender. Pelo menos, logo à primeira, mesmo que alguns dos seus camaradas do Bloco lhe peçam atenção.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Antes esquerda "caviar"?

Louçã não gosta, pelos vistos, que associem o Bloco de Esquerda, de que ele é o único dirigente visível, com a extrema esquerda, o que de facto não deixa de ser surpreendente, vindo de quem dirige um partido que ocupa, sem mostrar qualquer desconforto, antes com agrado, o lugar mais à esquerda do hemiciclo de S. Bento e que, ainda há dias, afirmou que ele (Louçã) é hoje o que sempre foi, um trotskista, por definição, um revolucionário radical.
Ao que parece, prefere, para encobrir o seu radicalismo, situar o Bloco na chamada "esquerda socialista". Só que esta "marca" já tem dono e o lugar da "esquerda socialista" já pertence por direito próprio e histórico ao Partido Socialista que dela se reclama, há muito, mesmo antes do Bloco nascer, partido que ele (Louçã) e o Bloco elegeram como inimigo principal, como se viu durante toda a legislatura, com ataques violentos que chegaram ao ponto de tentar dividir o PS, com o aliciamento de Manuel Alegre (tentativa que, felizmente para o país, saiu frustrada) ataques que se tornaram ainda mais virulentos durante a actual campanha eleitoral, ao ponto de Louçã definir como objecto principal do Bloco, não a derrota da direita (e que direita!) mas sim impedir que o país possa dispor de um governo de maioria liderado pelo PS*. Para Louçã e o Bloco, a vitória consistirá em impedir um Governo PS apoiado numa maioria parlamentar, pretendendo, no fundo, que das eleições resulte não a governabilidade e a estabilidade do país, mas antes o seu contrário, já que não admite qualquer solução de compromisso para assegurar uma e outra.
Louçã pode não gostar do enquadramento político que lhe atribuem, mas terá de se conformar com ele, pois esse enquadramento (extrema esquerda) é o que a história reservou e reserva aos partidos políticos que lhe deram origem. Assumi-lo até lhe ficaria bem. Negá-lo, pode ser politicamente conveniente, mas não é sério, o que é falta grave para quem, a toda a hora, se enfeita com os atributos da seriedade e da transparência.
Não tendo o direito de se situar na "esquerda socialista" e não gostando da colagem à "extrema esquerda", será que Louçã e o Bloco preferem a designação de "esquerda caviar", designação que, já por mais de uma vez, lhe vi atribuir ?
Esta "marca" está livre.
* (Até já sabem que o Bloco cumpriu o objectivo e que agora nada será como dantes. Bruxos ?)

sábado, 19 de setembro de 2009

Louçã, o "mártir" e os "favores"

No dizer de Louçã, José Sócrates fez um "favor" ao Bloco de Esquerda, ao chamar a atenção para alguns aspectos do seu programa, como as nacionalizações e as propostas de extinção de todas as deduções em sede de IRS, em matéria de saúde e de educação, e o fim dos benefícios fiscais atribuídos aos PPR.
Agora é o "Expresso" a fazer-lhe outro "favor", ao revelar, na edição de hoje, que Francisco Louçã investiu 30.000 euros em PPR. É ele, uma vez mais, quem tal afirma.
Começando por aqui: Louçã fala em "favor", neste caso, porquê ? Porque, no dizer dele, "os dirigentes bloquistas deixam de lado os seus interesses pessoais em benefício do interesse público". Ou seja, segundo ele, Louçã e os seus camaradas bloquistas são uns "mártires" que sacrificam o interesse pessoal em nome do interesse público. No meu bem mais modesto entender, ou não sabem fazer contas para investir num produto não rentável, de acordo com o seu programa, ou, o que é mais provável, pois não os tenho na conta de tolos, andam a fazer demagogia barata, demagogia que, no entanto, com a retirada dos benefícios fiscais, iria sair cara à classe média.
Deixemos de lado as deduções em matéria de saúde e de educação que afectariam, sem margem para dúvidas, e uma vez mais, a classe média e passemos às nacionalizações. Ignoro as razões que levam Louçã a dizer que José Sócrates também lhe fez um "favor", ao chamar a atenção para este ponto do programa do Bloco de Esquerda, mas admito que talvez Louçã se refira ao facto de Sócrates se ter esquecido de dizer quanto é que as nacionalizações da banca e das empresas de energia custariam ao bolso dos contribuintes. Pelas contas do "Expresso" (edição de hoje) seriam 51.000.000.000€ (cinquenta e um mil milhões de euros). É obra, pois cabem nestes números não sei quantos TGV. E anda a Drª Leite preocupadíssima com um só!
Quanto a Louçã, já lhe ouvi dizer que as contas fazem-se depois e que, por ora, não interessam. O dinheiro envolvido é dele, ou é dos contribuintes ? Uma tal posição será própria de quem é responsável ? Ná, digo eu.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A estocada do telemóvel

Cada um é como é e Francisco Louçã e Paulo Portas são como são e isso ficou claro no debate entre ambos. Políticos inteligentes, sem dúvida: um mais agarotado (Portas) outro mais sisudo (Louçã), mas ambos agressivos. Francisco Louçã, no entanto, parece em baixo de forma. Ainda não recuperou do debate com Sócrates, ao que parece. E a terminar, Portas, de direita até à medula, sem dúvida, mas sempre matreiro, presenteou-o ainda, no final, com uma estocada: a do telemóvel.
Claro que não foi bonito, mas não usa Louçã, com frequência, dos mesmos expedientes?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O PBX de volta !

Pelos vistos, ainda não completamente recuperado do debate de ontem, Francisco Louçã veio anunciar: "Nós sómos os socialistas". Os verdadeiros, os do PBX (Partido Berdadeiramente Xuxialista), acrescento eu.
Como diz o outro: Há que tempos que não ouvia isto !