quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mais vale prevenir que remediar ...

A prestação do aval por parte do Estado aos seis bancos que emprestaram 45o milhões de euros ao BPP, para o salvar de uma situação de aperto derivada da depreciação dos seus activos, tem levantado uma onda de indignação que até chegou à bancada parlamentar do PS, no pressuposto de que a intervenção do Estado se destinou a salvaguardar "as grandes fortunas" geridas pelo BPP.
Tal intervenção também suscitou algumas dúvidas por estas bandas, mas não parece justificável o alarido que por aí se levantou. Explico (ou melhor, tentarei explicar) porquê.
Desde logo, não é verdade que o aval do Estado venha a salvaguardar "as grandes fortunas", porque, caso o aval venha a ser accionado, o Estado vai ressarcir-se do que venha a pagar em honra do aval, através da venda dos activos dados como contragarantia, o que, a acontecer, levará à falência do BPP, com as inevitáveis perdas para os accionistas (que suponho serão os detentores das "grandes fortunas").
Por outro lado, parece evidente que, sendo os activos dados em garantia ao Estado suficientes para cobrir as responsabilidades decorrentes do aval (e não há motivos para duvidar de tal facto, sabido que a avaliação de tais activos foi feita por técnicos do Banco de Portugal, como agora veio a lume) não há o risco de virem a ser envolvidos dinheiros públicos na operação, conforme se garante aqui.
Dir-se-á que, depois de, num primeiro momento, o ministro das Finanças ter afirmado que a situação do BPP não implicava qualquer risco sistémico, a intervenção do Estado não faz sentido. Ora tal facto não impede que, ponderados todos os dados e informações (designadamente os dados relativos aos compromissos do BPP face à banca internacional) o ministro não possa ter chegado a outra conclusão, como parece ser o caso. Na verdade, se há quem afirme que a falência do BPP não iria afectar internacionalmente a imagem do sistema financeiro nacional, também não falta quem assegure o contrário e afirme mesmo que "o efeito de uma falência como a do BPP implicaria um aumento do custo da emissão de dívida pública"
Perante opiniões e sinais contraditórios e vivendo-se actualmente uma situação de grande instabilidade e desconfiança nos mercados financeiros internacionais, em que qualquer pequeno incidente de percurso tende a ser sobrevalorizado (facto que convém lembrar), o ministro das Finanças optou por seguir o velho ditado do "mais vale prevenir que remediar". Quem se atreve a condená-lo por isso? Eu não, tanto mais que tenho de partir (como qualquer pessoa de boa fé) do pressuposto de que a avaliação dos activos dados em garantia ao Estado é séria e, consequentemente, de que não há o risco de os contribuintes virem a pagar os custos da intervenção do Estado.
"Deixar correr o marfim", perante estas circunstâncias, é que talvez não fosse a atitude mais prudente. Aliás, imagino o clamor que não se levantaria se, por inacção do Estado neste momento, o custo da dívida pública viesse a conhecer um agravamento, como alguns admitem.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Público": Nova estratégia, ou jornal oficioso de Belém ?

No passado dia 26 de Novembro, num editorial de que se deu nota aqui, o director do "Público", José Manuel Fernandes (JMF) a propósito da crise do BPN e da associação que vinha sendo feita ao facto de estarem ligados ao caso diversos nomes que fizeram parte dos Governos de Cavaco Silva, alertava para o perigo de o país se arriscar (...) a regressar ao clima de uma guerra de "terra queimada" onde nenhuma referência se salva: nem Governo, nem oposição, nem Presidente", finalizando com um aviso no sentido de que "... numa democracia em tempos de crise, optar pela táctica da "terra queimada" pode ser suicidário". Ao mesmo tempo, JMF insinuava que a associação do nome do PR ao caso BPN seria uma manobra levado a efeito por alguém com interesse em desviar as atenções (alguém que, concluía-se, pelo contexto, só poderia ser o Governo ou o PS).
Hoje é Luciano Alvarez, quem nas páginas do "Público", num comentário intitulado "A moribunda cooperação começa a resvalar para o pântano" afirma haver sinais de que "há uma estratégia do PS para atacar o Presidente da República enquanto político e enquanto cidadão". E os sinais que Luciano Alvarez detecta resumem-se aos seguintes factos: recusa do PS em "mexer no texto do Estatuto dos Açores"; recusa do PS em dar seguimento à sugestão do PR no sentido de ser criado um mecanismo de acompanhamento da nova Lei do Divórcio; tomada de posição de um assessor do primeiro-ministro que terá criticado em Outubro o veto presidencial ao Estatuto dos Açores; e finalmente, a referência, por parte de José Lello à "existência de rumores sobre Cavaco Silva e o BPN" (facto este tão grave ou tão pouco quanto as notícias que o Público foi veiculando sobre o assunto, ou quanto as declarações de Pedro Passos Coelho sobre o provável desconforto que toda a envolvência do caso estaria a criar em Belém).
Na perspectiva do jornalista e comentarista estes factos têm tal gravidade que o homem não está com meias medidas e vai de qualificá-los como "terrorismo político"! Nem mais, nem menos.
Que dizer perante estes escritos?
Falar em "guerra" e "terrorismo político" perante divergências absolutamente normais numa democracia, não só é claramente excessivo, como legitima, a meu ver, que se tire uma de duas conclusões: Ou (o que é mais provável) estamos perante uma nova estratégia do "Público" e do seu director que visa, sob o aparente tomar das "dores" do Presidente da República, continuar o ataque contra o Governo e o PS a que JMF já há muito se vem dedicando sob os mais diversos pretextos; ou (hipótese menos provável) o Público foi transformado pelo seu director, sponte sua, em órgão oficioso de Belém. Das duas uma, repito. JMF, que escolha.

A natureza no seu melhor # 9



Ui! que frio ...

...faz lá fora !

(Imagem daqui)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

De regresso às aulas... de português

Segundo o PUBLICO.PT Mário Nogueira, à saída de uma reunião com o Provedor de Justiça teria dito: "Queria deixar claro que a plataforma dos professores está unida, que a plataforma sindical dos professores não tem dúvidas de que é preciso de que os professores façam uma das suas maiores greves de sempre".
A ser correcta a transcrição do discurso de Mário Nogueira (repito se for correcta) o dirigente da Fenprof deverá tratar de regressar à escola com brevidade. Não como professor, mas como aluno. Para aprender português.
O uso do "de", onde esta partícula não faz falta nenhuma, revela que terá frequentado a mesma escola do autor do "Penso de que" e, pelo estilo, até diria que sim.

O Estatuto Político-Administrativo dos Açores

O PS mostra-se decidido a manter a redacção do Estatuto Político-Administrativo dos Açores sem qualquer alteração, apesar dos avisos de Cavaco Silva sobre a redução dos poderes presidenciais.
Sobre a divergência entre o Presidente da República (PR) e o PS relativamente a algumas normas do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, já aqui , em tempos, se deixou dito que algumas das objecções políticas do PR me parecia terem razão de ser, por, designadamente, não fazer sentido que, para a dissolução da Assembleia dos Açores, se exigisse ao PR o cumprimento de mais formalidades do que para a dissolução da Assembleia da República.
Admito, no entanto, que, nesta altura, não será fácil para o PS mudar de opinião, pois arrisca-se a que lhe colem o carimbo de oportunista, por aceitar, depois da realização das eleições regionais dos Açores, as alterações que não havia admitido antes.
Não me parece, por isso, plausível que o PS venha a aceitar os apelos do PSD no sentido de rever a sua posição.
Diga-se, entretanto, que convém não dramatizar esta divergência, pois a questão não tem que morrer aqui, uma vez que é possível requerer ao Tribunal Constitucional a verificação a posteriori, da constitucionalidade das normas, objecto de controvérsia, tendo, aliás, o PSD manifestado já a intenção de o fazer.
Ver-se-á, então, se as inconstitucionalidades apontadas são reconhecidas como tal pelo Tribunal Constitucional, o que, a verificar-se, nos levaria a concluir pela pouca atenção dada à questão pelos serviços jurídicos da Presidência que não suscitaram o problema na altura do primeiro veto presidencial, dando assim origem a discussões que teriam sido bem escusadas.
Actualização:
Vital Moreira considera que, nesta questão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, "o Presidente da República tem razão" e que a "posição do PS é insensata”. Concordo, como resulta do que acima ficou dito, com a primeira parte da afirmação. Quanto à segunda, revendo a minha posição, admito que o PS talvez pudesse reconsiderar a sua posição, tendo em conta que, com tal atitude, não procederia de modo diferente dos restantes partidos com assento parlamentar que, recorde-se, também votaram a favor do texto vetado pelo Presidente da República. Ora, tendo tal facto em consideração, o meu arrazoado sobre a eventual acusação de oportunismo, não faz, na verdade, muito sentido.
Nova actualização:
Hoje (4/12) é Freitas do Amaral quem vem dar razão ao Presidente da República no diferendo com o PS, sobre o Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Sem ir tão longe quanto Freitas do Amaral, que entende que esta questão põe em causa a "unidade da pátria", parece-me, face a tão abalizadas opiniões que o PS só por injustificada teimosia é que insistirá em manter a sua posição.

Voos da CIA : Dúvidas persistentes

O facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros vir declarar que não tem conhecimento da existência de quaisquer documentos em Portugal que comprometam o actual ou anteriores governos no caso dos voos da CIA de transporte ilegal de prisioneiros não afasta as dúvidas sobre a questão, até porque Dias Amado não garante que esses documentos não existam.
É um facto que o documento secreto divulgado em Espanha por "El País", que revela que os Estados Unidos pediram autorização ao governo espanhol, na altura liderado por José Maria Aznar, para realizar escalas em aeroportos espanhóis, não prova que o mesmo tenha acontecido relativamente a Portugal e é também verdade que as referências ao nosso país são da responsabilidade do jornalista. Todavia, não é menos certo que os relatos sobre a passagem pelos Açores de aviões ao serviço da CIA e com destino a Guantánamo não são de hoje e têm sido repetidos.
Mesmo admitindo que não haja os tais documentos, há razões para crer, face a tais relatos, que houve voos e escalas desses aviões em território português. A hipotética inexistência de documentos que comprovem esses movimentos, ficar-se-á, provavelmente, a dever ao facto de os Estados Unidos nem sequer terem tido a gentileza, que tiveram com Aznar, de avisar as autoridades portuguesas. Não me admiraria nada, confesso. De todo o modo, a persistência das dúvidas justifica-se.

Cristiano Ronaldo ... muito verde!


Cristiano Ronaldo ganhou a "Bola de Ouro", prémio atribuído anualmente pela revista “France Football”, para galardoar o melhor futebolista do ano. Como a atribuição do prémio é o resultado de uma votação por um júri internacional formado por jornalistas especializados e representantes das confederações de futebol, não há razões para o contestar e compreende-se que Ronaldo e o seu treinador, Alex Ferguson, estejam felizes e não tenham dúvidas sobre a justeza do prémio. Eu, porém, não votaria nele. A meu ver, ainda está muito verde e não é pelo facto de ter passado pelo Sporting e aí ter decorrido boa parte da sua formação.
Esperemos agora que o prémio não lhe suba demasiado à cabeça, pois já a tem suficientemente levantada ! E nem sempre por culpa própria, diga-se. Os endeusamentos costumam provocar esse efeito.
(Imagem daqui)

BPP: Dúvidas por esclarecer

Não embarco na demagogia que por aí circula, até em cartazes, de que o Estado dá aos bancos o que nega às "pessoas", pela razão simples de que é evidente que se o Estado presta aval aos bancos é com a finalidade de assegurar que estes possam ter acesso no mercado financeiro internacional a fundos para eles, por sua vez, poderem financiar as "pessoas" e as empresas, a nível interno, a juros menos elevados do que seriam se não houvesse o aval do Estado. Isto parece-me claro e sem margem para dúvidas e demagogias.
Todavia, a prestação de garantias por parte do Estado aos seis bancos que se disponibilizaram a emprestar 450 milhões de euros ao BPP, já me levanta dúvidas. Se, como foi dito pelo ministro das Finanças, não havia "risco sistémico" porquê a prestação de garantias por parte do Estado?
A resposta, segundo tenho ouvido, prende-se com o receio de a falência do BPP e o consequente incumprimento de compromissos internacionais por parte deste banco poderem vir a afectar a confiança dos meios financeiros internacionais em relação a toda a banca nacional e ao próprio país. Admitindo (sem conceder) como boa esta explicação, ainda assim continua sem suficiente resposta esta outra pergunta que é a de saber por que razão não disponibilizaram os bancos (os primeiros interessados) os fundos necessários ao BPP, recebendo em garantia os activos oferecidos como contragarantia do aval do Estado.
Se os activos do BPP dados em garantia ao Estado valem os 672 milhões de euros em que foram avaliados (valor muito superior aos 450 milhões do financiamento) por que motivo, exigiram os bancos o aval do Estado e este acedeu a prestá-lo? Na resposta a esta questão é que a "porca torce o rabo".
Actualização:
Ao contrário de Louçã, não me parece que o acordo para salvar o BPP enferme de falta de cobertura legal (tantos foram os juristas duma parte e doutra a cozinhá-lo) e também julgo que a intenção do Governo não foi a de "proteger as grandes fortunas", até porque, se se der o caso de o banco entrar em incumprimento, o BPP irá mesmo à falência, pois os seus activos dados em garantia serão vendidos para o Estado se ressarcir do que vier a pagar em função do aval prestado. Continua sim sem explicação o motivo por que é que os bancos exigiram o aval do Estado e este aceitou prestá-lo, a ser real o valor dos activos.
Nova Actualização:
Como o PSD já marcou um debate parlamentar para amanhã sobre a intervenção do Estado no caso BPP, veremos o que Teixeira dos Santos terá para dizer e se as suas explicações serão suficientes para remover as dúvidas.

Sacudir a água do capote


Blair, Aznar e Durão Barroso viram as provas. Bush que lhas mostrou nem sequer as viu !
O homem pode não ser dotado de vista muito apurada, mas lá que ele é bom "sacudidor", está visto que sim: No capote (ver acima) nem uma pinga se vê!
(Imagem daqui)

Tenham dó ! (com actualização)

Há pelo menos seis dias que o PUBLICO.PT mantém, na primeira página, a chamada para a notícia "O Batman morre hoje". Assim, nem o Batman morre, nem a gente almoça. Tenham dó !
Actualização:
Graças ao apelo aqui deixado, o PUBLICO.PT fez o favor de retirar a notícia da morte do Batman. Um alívio, como facilmente se imagina.
No mesmo local surgem agora três notícias bem menos fúnebres. Diria mesmo que são notícias festivas, a começar pela atribuição do Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura a Perfecto Cuadrado Fernandez. ( Tendo em conta o nome do galardoado, que é "Perfecto", e o facto de fazer parte do júri a jornalista Clara Ferreira Alves, o prémio foi decerto bem atribuído e esperemos que futuramente entregue). Outra boa notícia é a criação pela União Europeia de um outro prémio, este de literatura para novos talentos, para galardoar talentos emergentes no campo da ficção de cada um dos países participantes. (Nada contra e tudo a favor, pois em tempos de crise, já que a realidade não é lá grande coisa, há que apostar na ficção). Falar em ficção remete-nos para a outra notícia que surge com o título um tanto enigmático Harry Potter voltou? Não exactamente..., que a mim não diz muito, porque pouco dado a magias, mas que não deixará de interessar a muitos fãs da autora e do Potter.
(Imagem daqui)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Uma administração não sectária

Ao escolher Hillary Clinton como secretária de Estado da Administração norte-americana, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama revela que não é um homem de ressentimentos (pois tinha razões de queixa contra Hillary Clinton pelo seu comportamento nem sempre elegante para com ele durante as primárias) e ao reconduzir Robert Gates (um republicano) ao Pentágono como secretário de Estado da Defesa, mostra que também não é sectário. Tratando-se de duas personalidades de peso e com experiência, a escolha de Barack Obama é uma excelente escolha.
Aplausos, pois !
(Imagem daqui)

A vanguarda (segundo o "evangelho" do PCP)

Imagem da "vanguarda" segundo o "evangelho" do PCP: Só e em marcha atrás!
(Imagem daqui reeditada)

Brechas na plataforma ?

Brechas na Plataforma dos professores ? Sinais aqui.
(Imagem daqui)

domingo, 30 de novembro de 2008

Árbitros a precisar de óculos ?

Vitória do Sporting na Liga sobre o Guimarães, por 2-0. Regista-se e aplaude-se. Todavia, a ser verdade o que se relata aqui, temos dois árbitros que não vêem. E logo por duas vezes, é demais! Manifestamente, é falta de óculos. Para remediar a falta de visão, de um deles, seguem já por, Correio Azul, estes que estão aqui à vista. Não são de primeira, mas, para um cegueta, servem perfeitamente. E é oferta !

A pedra no sapato

Por muito surpreendentes que possam parecer as palavras dirigidas por Jerónimo de Sousa, no discurso de abertura do XVIII Congresso do PCP, contra o Bloco de Esquerda (BE) (a quem acusou de "indefinição ideológica"; e de ter um "carácter social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante", para concluir que "A sua fixação é o PCP e a sua concorrência é sempre contra o PCP, caindo muitas vezes no anticomunismo") manda a verdade que se diga que são perfeitamente compreensíveis, se se atentar nos principais objectivos do partido.
O PCP tem, a meu ver, neste momento, dois objectivos claros: Por um lado o PCP tenta à outrance impedir a obtenção de uma maioria por parte do PS nas próximas eleições (daí os constantes ataques ao PS e ao Governo, servindo-se de toda e qualquer contestação a que puder deitar a mão e daí também que se não ouçam, nesta altura, ataques à direita, por parte do PCP e se assista até a alguma convergência com o PSD, partido que lhe convém não debilitar); por outro lado, quer manter, a todo o custo, a liderança do "povo de esquerda", já que se considera como o partido de vanguarda das classes trabalhadoras.
Qualquer destes objectivos é importante para o PCP, afigurando-se-me, no entanto que para o PCP, o segundo é (por estranho que pareça) mais importante que o primeiro.
Porquê ? Pergunto e respondo:
Se o PCP desse prioridade ao primeiro objectivo, parece óbvio que privilegiaria o diálogo e a convergência com todas as forças à esquerda do PS, até porque sabe que há pessoas que nunca votarão no PCP (por recusa dos modelos que propõe - vide Teses), mas não terão qualquer dificuldade em votar no BE (até pela "indefinição ideológica" de que o PCP o acusa e, neste caso, com certa razão).
Ora não é isso o que temos visto. Na verdade, toda a estratégia do PCP, nos últimos tempos, tem sido no sentido de se desmarcar das iniciativas levadas a cabo pelas forças de esquerda, incluindo a dita ala esquerda do PS.
Torna-se assim evidente que, mais que derrotar a direita (assunto nem considerado) e mais que impedir o PS de alcançar a maioria nas eleições, importa ao PCP conservar a imagem mítica de partido da vanguarda da classe operária (ou da classe trabalhadora, conceito mais abrangente) imagem que colou a si próprio e que é particularmente atractiva para os sectores mais saudosistas da sua militância e do seu eleitorado, pois lembra a heroicidade de outros tempos. E saudosismo no PCP é coisa que não falta, como ainda agora se viu no Congresso.
O BE, surge, neste ponto de vista, como um obstáculo inesperado (uma verdadeira pedra no sapato) até porque vão sendo cada vez mais frequentes as indicações das sondagens de opinião (a última vem publicada no semanário Económico de ontem) no sentido de o BE poder vir a ultrapassar o PCP, em termos eleitorais, pese embora a muito superior organização deste partido.
Esse facto constituiria uma situação particularmente traumática para o PCP, porque poria em causa a liderança da "esquerda da esquerda" e, de certo modo, representaria a queda de um mito (muito cultivado pelo partido). Ora, com mitos não se brinca, sobretudo quando os mitos já têm a consolidação de largas décadas, como é o caso.
Concluiria dizendo, que, ou muito me engano, ou os "ataques" do PCP dirigidos ao BE, (mais ou menos subtis, conforme as circunstâncias) vão ter continuidade, a menos que o BE aceite uma posição de subalternidade, hipótese que não me parece muito provável, mas que não descarto por inteiro.
Adenda:
Entretando, Francisco Louçã já reagiu considerando as palavras de Jerónimo de Sousa o “ataque mais sectário jamais feito ao Bloco de Esquerda” e, neste caso, é difícil não concordar com ele.
Actualização: No discurso de encerramento do XVIII Congresso do PCP, Jerónimo de Sousa parece confirmar a análise aqui expendida, ao fechar a porta a entendimentos com o Bloco de Esquerda e o PS, e ao apelar a uma "ampla frente social", liderada pelo PCP, claro está.
O PCP, embora vote à porta fechada, começa a ficar muito transparente, até para analistas de meia tijela, como é o meu caso.
Actualização (7/12): Vira o disco e toca o mesmo ! Aqui.
(A pedra, como se vê, é grande e veio de longe)

Visitas recomendadas ...

... ou de como se chora por pouco, quando se podia e devia chorar por muito !

Odete Santos denuncia ataques às liberdades de Abril é o título dado pelo PUBLICO.PT à intervenção (muito aplaudida) de Odete Santos no XVIII Congresso do PCP a decorrer em Lisboa e em que a ex-deputada citou vários casos que aqui se reproduzem seguindo a lição da fonte.
À cabeça é referida "a lei dos partidos políticos aprovada em 2003, que impõe regras que os comunistas consideram uma interferência na liberdade de organização partidária, nomeadamente ao impor o voto secreto nas eleições internas, quando o PCP votava tradicionalmente por braço no ar". (Uma restrição e pêras, digo eu, tanto mais que a regra visa precisamente assegurar a genuinidade do voto, como é evidente para qualquer espírito sem preconceitos).
De seguida é referido o "caso recente de dois jovens militantes do partido que foram condenados ao pagamento de 350 euros de multa por terem pintado, num viaduto em Viseu o lema da JCP “Transformar o sonho em liberdade”, sem autorização camarária". (Pagar uma multa prevista na lei é mesmo uma grande limitação da liberdade, mas só para a Drª Odete Santos para quem, pelos vistos, a lei não é igual para todos, pois a alma da senhora até "cai ao chão e chora", quando "há tribunais que aplicam uma justiça de classe").
Finalmente (segundo a fonte) a ex-deputada denunciou "as invasões de sindicatos pelas forças da ordem”, como tal qualificando as visitas feitas pela polícia a alguns sindicatos, na véspera duma manifestação de professores, (se não estou em erro), para fazerem algumas perguntas sobre a organização das deslocações, como se as sedes dos sindicatos gozassem de alguma imunidade especial ou de algum privilégio de extraterritorialidade.
Perante tais "atropelos" às liberdades, talvez fosse oportuno recomendar à ex-deputada, para esta aprender o que é a liberdade (ou antes, a falta dela), uma visita a países que as Teses do Congresso proclamam como exemplos de construção duma sociedade socialista, a saber: Cuba (onde vigoram as mais amplas liberdades, incluindo a de ser preso por simples delito de opinião que ela e os seus camaradas exercem em Portugal, sem qualquer restrição - felizmente, acrescento eu, que prezo tanto a minha liberdade quanto a dos outros); China que a toda a hora é acusada de violações gravíssimas dos direitos humanos e que não hesita em matar os opositores do regime (que me abstenho de qualificar como comunista por respeito que tenho pelo verdadeiro); ou Coreia do Norte que mais não é que um imenso presídio colectivo. Para já não falar do Vietname e do Laos, (bons exemplos para o PCP) países que, como é sabido, também não deixam os seus créditos por mãos alheias nesta matéria de falta de respeito pela liberdade.
25 de Abril, sempre! Digo eu.
Actualização: Entretanto, lê-se aqui que o Comité Central do PCP é hoje eleito, por voto secreto, pelos cerca de 1500 delegados ao congresso numa reunião à porta fechada. Isto significa o quê ? Transparência ? Será ?
(Imagem daqui)
(Reeditada)

Citações # 26

..."É que se genuinamente acreditam que os professores aceitam ser avaliados por um sistema seriamente avaliador e diferenciador, devem desenganar-se. Quem tem ligação directa ao meio dos professores sabe que, na sua generalidade, os professores não aceitam perder a autonomia que se habituaram a ter dentro das escolas. E não se poderá dizer que essa autonomia foi sempre mal aproveitada. Muitos bons professores fizeram dela bom uso. Mas muitos e muitos professores que entraram para o ensino por ser essa a única saída profissional disponível, têm feito dessa autonomia o desprestígio da classe.
A reforma proposta nas suas diversas vertentes, tenta reorganizar a escola, nomeadamente através da sua hierarquização. Isso é absoluta e definitivamente rejeitado pela generalidade dos professores. Até mesmo pelos bons professores que nada tinham a perder com isso, mas que viveram durante anos e anos uma organização de escola em que eram todos colegas e ninguém pedia responsabilidades a ninguém. E se prestar contas incomoda algumas pessoas, pedi-las não incomoda menos. Assim se juntam todos na rejeição.
Se alguém tinha dúvidas das seriedade das críticas anteriormente apontadas ao jovem sistema de avaliação proposto, creio que não podem mantê-las quando após a sua eliminação pela tutela, os professores insistem na rejeição do sistema. Fica claro que não eram aquelas anomalias, aliás ridiculamente não corrigidas por quem tinha de operar o sistema, a verdadeira razão da luta."
Texto completo e autor: aqui .

sábado, 29 de novembro de 2008

As contas furadas

Têm-se ouvido sucessivos avisos por parte dos professores de que a sua luta (ou melhor dizendo, a não capitulação por parte do Governo face às suas exigências e às ameaças dos seus sindicatos) vai prejudicar eleitoralmente o PS (e até aqui na casa já se viram comentários nesse sentido).
Pois bem, segundo uma sondagem hoje publicada no semanário "Económico", as intenções de voto no Partido Socialista continuam a subir. Não se justifica, pois, a "apreensão" dos professores. Acrescento que tal resultado até se compreende perfeitamente: Perante a ofensiva dos sindicatos dos professores (apoiados ou servindo a estratégia do PCP e do BE) e perante a atitude oportunística dos partidos da direita (PSD e CDS) a mostrarem ser mais que timoratos e ter pouco sentido de Estado, o PS revela-se como a única força política capaz de se opor e de impedir a "captura" (o termo não é meu) do Estado por parte de interesses sectoriais ou corporativos (termo que também colhi algures). E, assim sendo, quem entenda e defenda que o interesse geral do país tem que prevalecer sobre os interesses particulares de toda e qualquer classe profissional não tem hoje qualquer outra alternativa que não seja apoiar o PS.
José Sócrates ao defender, como o defendeu esta manhã, perante a Comissão Nacional do PS, que a avaliação dos professores é uma questão que envolve o primeiro-ministro e o Governo e não apenas a ministra da Educação, prova, se dúvidas houvesse, que é um político sem medo e o único (a nível partidário) a ter capacidade para levar a nau a bom termo, nestes tempos de cólera e de crise económica mundial.

Efeito de contágio ?

A agressão a murro, estalada e pontapé de uma professora da Escola EB 2,3 de Jovim, Gondomar, por parte de um aluno e que ontem teve lugar, é um caso de violência escolar que temos que lamentar e repudiar vivamente. Não se trata, como é sabido, de um caso isolado, pois o assunto tem sido debatido na comunicação social, pelo menos desde que veio a público o vídeo da agressão de uma aluna a uma professora por causa do telemóvel.
Até porque o caso não é virgem e também porque é um facto que a violência nas escolas não é só de agora, não é lícito estabelecer uma relação de causa a efeito entre o desrespeito com que os alunos tratam os professores e idêntico comportamento que os professores têm tido para com a ministra da Educação. Para não ir mais longe (por uma questão de decência), lembro aqui apenas que um das expressões mais usadas pelos docentes para a tratarem é o de "sinistra ministra".
Não sendo lícito estabelecer tal relação, não deixa de ser para levar a sério (pelos professores) a hipótese (que admito) de que a atitude desrespeituosa dos professores face à ministra da sua tutela em nada ajudará ao estabelecimento nas escolas de uma relação saudável (ou menos conflituosa) entre alunos e professores.
Não estou a simplificar, até porque reconheço que a violência escolar tem muitas causas e alguns pais serão mesmo os mais responsáveis. Em todo caso sublinho que sempre ouvi dizer que os maus exemplos são mais fáceis de seguir do que os bons.
Vão por mim!