quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Portugal não é a Grécia"

É o que Passos Coelho tem andado para aí a apregoar, com os resultados que estão à vista: os juros da dívida pública portuguesa batem novos máximos e as taxas a três anos já superam os 19%.
A falta de solidariedade exibida por Passos Coelho perante as dificuldades da Grécia teve já o seu equivalente na proclamação do número dois do executivo espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba: "Não somos Portugal, não somos a Grécia, não somos a Irlanda".
Se a solidariedade entre os países europeus se mantiver idêntica à demonstrada por Passos Coelho e por Rubalcaba, bem pode a Espanha começar a preparar-se para seguir o caminho da Grécia, da Irlanda e de Portugal. As palavras de Rubalcaba não têm o poder de exorcizar o perigo de um eventual resgate. Eu diria até, olhando para o caso português, que Rubalcaba acaba de o anunciar.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Pilatos, finalmente, acordou

O homem que, ao longo de toda a governação do PS, não teve outra posição que não fosse a de advogar o "respeitinho" pelos mercados ("A retórica de ataque aos mercados internacionais não cria um único emprego") e que, insistindo na sua, afirmava que "não compensa absolutamente nada para a economia portuguesa e para o emprego em Portugal estabelecer uma retórica de ataque às posições dos mercados", vem agora, na sequência do corte do rating da dívida pública portuguesa em quatro níveis efectuado pela Moody's, esbracejar, dizendo "não haver a mínima justificação para que o rating de longo prazo de Portugal tenha sofrido tal corte".
Não critico a posição que agora tomou e muito menos ainda que tenha, finalmente, aderido à tese, que não é nova, de que "as questões em torno da avaliação e da notação financeira dos Estados-Membros da União Europeia devem merecer uma resposta europeia".
O que me pergunto é por que razão só agora se deu conta da irracionalidade dos "mercados" e  só agora acordou? Só agora é que lhe doeu? E porque não antes? O país não é o mesmo? 

À atenção de Cavaco, Passos, Portas, Vítor, Moedas & Cª

Protejam o estômago! 
Depois do primeiro murro, já aí vem o segundo a caminho: "O diferencial entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos superou esta tarde a barreira psicológica dos 1000 pontos base". Ou, para que não restem dúvidas: "O risco da dívida portuguesa atingiu hoje valores recordes em todos os ângulos possíveis de análise".
Muito provavelmente, os "murros" não vão ficar por aqui, que isto de derrubar governos, só para chegar ao "pote" tem os seus quês. Como já era bom de ver, desde os idos de Março. Aliás, só não viu quem não quis. Nada que me console, pois os "murros" atingem-nos a todos, culpados, cúmplices e inocentes. Lamento é que continue a haver quem não veja, ou faça de conta que não vê. Como esta Est(r)ela Barbot

Locupletamento à custa alheia

No Conselho de Ministros extraordinário realizado ontem, pouco produtivo para o país, mas altamente rendoso para os grupos económicos, o Governo decidiu abrir mão, sem quaisquer contrapartidas, dos "direitos especiais" (golden shares) na PT - Portugal Telecom, EDP - Energias de Portugal e na Galp Energia.
Diz o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que o fim das golden shares "resulta de um compromisso que tinha que ser realizado" (admito que sim) e que não está prevista "nenhuma compensação directa". Aqui digo: alto lá! Não está prevista, mas devia estar. Se o Estado abdica de direitos que possui e que têm, indubitavelmente, um elevado valor económico, sem nenhuma compensação, os grandes accionistas, que vêem aumentado o seu poder dentro das empresas, vão ter o seu património acrescido na exacta medida do valor de que o Estado prescinde. Chama-se a isto enriquecimento sem causa ou, se preferirem, locupletamento à custa alheia. Que seja o próprio Governo a "entregar o ouro ao bandido", de mão nem sequer beijada, eis  algo que não pode deixar de causar espanto.
É verdade que o ministro das Finanças afiança, a título de justificação para a perda que o Estado vai sofrer, que o Estado "vai beneficiar da valorização das empresas que vão ser privatizadas",  mas, ou sou eu quem não sabe fazer contas, ou é o ministro das Finanças. Como não desmereço de quem me ensinou a fazer contas, sou levado a concluir que é o ministro quem está enganado. Mesmo que se admita que venha a ocorrer a alegada valorização das acções no momento das privatizações anunciadas, certo é que continua a haver transferência de valor para os accionistas outros que não o Estado, até porque este não passa dum accionista minoritário cujo poder, dentro das citadas empresas, deriva, não do número das acções que detém, mas sim dos direitos especiais a que agora decidiu renunciar. Ou será que é por via da eventual (e cada vez mais improvável) valorização das 500 acções que detém na GALP que o Estado vai ser compensado da perda que agora sofre?
Pergunto-me: era preciso mandar vir do estrangeiro esta "brilhante" cabeça para não saber fazer contas de    diminuir e de somar?  Um qualquer Frasquilho não era capaz de dar conta de tão fraco recado?

E o que diz Cavaco?

A isto? Ou a isto ?Nada. Pilatos, a estas horas, dorme e ressona, cansado, de tanto lavar as mãos.

O servilismo não compensa

A prontidão, melhor dizendo, o servilismo com que  Passos Coelho se dispôs seguir os ditames dos "mercados", afirmando-se até capaz de os "surpreender", não os comove. Vimo-lo ontem com a decida do rating da dívida pública portuguesa decidida pela Moody's. Confirma-se hoje com o resultado do leilão de Bilhetes de Tesouro a três meses. A equipa "credível" de Passos Coelho (credível, não é, Moedas?) não só não conseguiu arrecadar o montante pretendido (1000 milhões de euros), como teve de pagar um juro superior (4,926%) ao cobrado na anterior emissão no mês passado (4,863%) quando a equipa "maravilha" de Passos Coelho ainda não tinha entrado em funções.
Está visto que o servilismo não compensa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Como foi possível fazer isto ao meu país?"

Os juros da dívida pública  não têm parado de subir desde o infausto dia em que Passos Coelho (PSD), Paulo Portas (CDS), Jerónimo de Sousa (PCP) e Francisco Louçã (BE) decidiram  chumbar o PEC IV, arrastando a queda do Governo liderado por José Sócrates. Desde essa fatídica data, também as agências de notação financeira têm vindo a reduzir sucessivamente o rating da República Portuguesa. Para a Moody's, o rating de Portugal já é "lixo".
Fazendo minhas as palavras de José Sócrates, também eu pergunto: "como foi possível fazer isto ao meu país?"

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Traduzindo o blá, blá...

Num tempo de austeridade como aqueles que vivemos em Portugal, não podemos esperar que nos tempos mais próximos ocorra uma melhoria significativa da situação social da nossa população”;
"Daí o apelo que eu tenho dirigido, para uma distribuição justa dos sacrifícios que se pedem aos portugueses”; citações extraídas desta peça, onde se adianta que, questionado sobre se o imposto extraordinário anunciado pelo primeiro-ministro na semana passada não agravará esta situação, Cavaco Silva escusou-se a comentar. “Ainda não conhecemos os pormenores técnicos, segundo, ainda não foi discutido na Assembleia da República, e só depois chegará à mão do Presidente”.
(Aguenta, "Zé"/ que quem agora te albarda / laranjinha é !)

Em abono do Álvaro...

Tenho andado a coleccionar, por aqui e por aqui, as "boutades" do Álvaro ministro, quando se vem a saber que já, enquanto académico, o Álvaro se tinha saído com esta outra: Afinal, se Malta, Chipre, e até Timor-Leste conseguem ser independentes, porque é que os madeirenses não poderão sonhar com uma autonomia total de Portugal?
Em abono do Álvaro deve, no entanto, salientar-se a  sua capacidade em tratar o Alberto João Jardim como "chantagista", sem sequer falar em chantagem.  
Chapeau!

Quem se lixa...

...nem sempre é o mexilhão. Bairrão também termina em "ão" e, para o par Guedes/Moniz,  é quanto basta.
Pelo menos, é o que o "Expresso" garante. Aqui

Caso arrumado ?

Primeiro garantiu que renunciava, se não fosse confirmada pela Assembleia da República  a sua "nomeação" por Pedro Passos Coelho para o cargo de presidente do Parlamento. Mais tarde tergiversou. Finalmente,  derrotado, Fernando Nobre, depois de breve hesitação, renunciou ao mandato de deputado
Caso arrumado ?
Sim, em relação ao "político" Fernando Nobre que demonstrou, durante a sua breve passagem pela política, que não passa de uma fraude.
Mas não arrumado em relação à negociata entre o actual primeiro-ministro e Fernando Nobre, negociata que não honra nem um, nem o outro.

domingo, 3 de julho de 2011

E que tal ministro do Desporto?

"Não vamos inaugurar obras chutando o preço para os nossos filhos"
"Não interessa ter um grande treinador se tivermos um guarda-redes que deixa entrar 'frangos'"
(Álvaro Santos Pereira. ministro da Economia, etc.)
Parece-me, perante afirmações do estilo das acima reproduzidas, que o  "Álvaro" dava um excelente ministro do Desporto. Já como ministro da Economia, a conceber a empresa como se fosse uma equipa de futebol, o "Álvaro" não vai longe.

sábado, 2 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

De objecto útil a inútil

Como bem se nota aqui
"a) enquanto Sócrates esteve no poder, a sra. Guedes ia ter um programa na SIC;
b) quando foram marcadas as eleições, o programa da sra. Guedes ficou em stand-by;
c) como o PSD ganhou as eleições, a sra. Guedes foi descartada.A senhora Guedes não se apercebeu de que não passou de um objecto".
De facto, são coincidências a mais para não se concluir que a senhora Guedes foi tratada pela SIC do Dr. Balsemão como um objecto que, de útil, passou a inútil. Não serei eu a chorar lágrimas de crocodilo: só teve o que merece.  

Entornou-se o caldo, ou nem por isso ?

O anúncio do imposto extraordinário feito por Passos Coelho constitui uma resposta à letra e de sentido contrário relativamente aos avisos que Cavaco Silva tem vindo a fazer no sentido de que “há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos" e que os sacrifícios devem ser justamente repartidos.
De facto, o dito imposto é a negação mais cabal destes princípios, pois, por um lado, está à vista que, para o Governo, não há limites para os sacrifícios, uma vez que está por demonstrar a absoluta necessidade do "esbulho" e, por outro lado, é óbvio que a justiça na repartição não foi para aqui chamada, já que as vítimas do "saque" são fundamentalmente os trabalhadores e os pensionistas. 
A oposição entre os avisos de Cavaco Silva e as medidas anunciadas por Passos Coelho é de tal modo evidente que chega a ser acintosa. Será que o acinte levou a que o caldo entre ambos se tivesse entornado?
Como não se ouviu de Cavaco uma palavra que fosse que beliscasse a decisão do Governo, tudo indica que que não e que estão em sintonia. Retenhamos, pois, a conclusão de que os avisos vindos de Belém, quando a direita governa, não passam de flores de retórica. Nihil novi.

Transparências


Como o demonstra o deputado João Galamba (PS) na intervenção reproduzida  no vídeo supra, a justificação (derrapagem das contas públicas) apresentada pelo senhor Passos Coelho para proceder à criação do imposto extraordinário não tem fundamento.
Transparências à moda de Passos Coelho, não é ? 

Três numa penada

O senhor Passos Coelho, com o anúncio do imposto extraordinário que vai levar a cada um dos contribuintes com rendimentos superiores ao ordenado mínimo nacional o equivalente a metade do subsídio de Natal, se não bateu o recorde do "desdizer" (belo eufemismo, hein!) andará por lá muito perto. Na verdade, com tal anúncio,   o senhor Passos Coelho "desdiz-se" três vezes:  começa por se contradizer a si próprio, pois na oposição defendia que o défice público devia ser combatido prioritariamente pelo lado da despesa e não com o aumento de impostos e agora é o que se vê; quebra a promessa feita durante a campanha eleitoral de que o PSD não cortaria no subsídio de Natal, classificando como "disparate" os rumores que circulavam nesse sentido; e finalmente, tendo prometido que não iria usar a "herança" recebida como desculpa para as medidas que viesse a tomar, o senhor Passos Coelho não encontrou outra forma de  justificar o "esbulho".
Três numa penada é um bom começo para qualquer "quebrador" de promessas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Retrato pouco nítido

Como se salienta aqui e aqui, o menos que se pode dizer do currículo do senhor Pedro Passos Coelho, apresentado no Portal do Governo é que se trata dum retrato pouco nítido. 
O actual primeiro-ministro, a crer no Portal do Governo, nem teria currículo para chefe de serviços quanto mais para chefiar o Governo.