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sábado, 6 de março de 2010

Os números mirabolantes

recusa dos Sindicatos da Função Pública em aceitar a proposta do Governo de monitorização conjunta dos dados de adesão à greve, vem demonstrar que a preocupação das estruturas sindicais da Função Pública não se centra na informação, mas na propaganda. Já era de desconfiar, perante os números que  têm por hábito avançar. Números  que, por regra, são tão mirabolantes que não dá para acreditar. E não sendo credíveis, lá se vai a força da propaganda.
Os sindicatos da Função Pública perderam, pois, uma boa oportunidade para ganharem alguma credibilidade. Pensem nisso.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Masoquismo

Quando muitas são as vozes que afirmam que o Governo ao propor aumentos salariais de 2,9% para a função pública, o fez com propósitos eleitoralistas, por considerarem excessivos tais aumentos na actual situação de crise, eis que os sindicatos não se conformam e voltam às manifestações.
É óbvio que o Governo, mesmo que reconheça que os trabalhadores da administração pública perderam poder de compra nos últimos anos, não pode ir mais além, sob pena de se perder o controlo das contas públicas que tanto esforço tem exigido aos portugueses e que, dizem os entendidos, é essencial para que a economia do país não derrape ainda mais do que aquilo que já é previsível, face à crise económica internacional que também nos irá afectar, como agora já é claro para toda a gente.
Os sindicatos, sabendo que a situação profissional dos trabalhadores da Administração Pública, quer em termos salariais, quer em matéria de estabilidade de emprego (conquanto já não tão famosa como em tempos idos) é bem melhor que a da grande maioria dos trabalhadores portugueses, revelam, com estes exercícios, que têm manifesta tendência para o masoquismo. É que, não podendo o governo ser mais "generoso" (até porque se o fosse cairia o Carmo e Trindade, em termos de opinião pública) é claro que com estas manifestações, os sindicatos mais não farão que não seja bater contra a parede. Mas há, pelos vistos, quem goste. A isso chama-se masoquismo.
ADENDA: Desta vez, alguém não soube fazer as contas e precisa urgentemente de umas lições de cálculo elementar: Na manifestação estiveram entre 3 mil a 4 mil pessoas, segundo a PSP, e 50 mil segundo a Frente Comum. Ou alguém (PSP) se deixou dormir durante a contagem, ou alguém (Frente Comum) tem lentes de aumentar. Como não vi, não sei, mas lá que os números duma e de outra parte nunca mais se vão encontrar tal a distância que os separa, é quase certo.
NOVA ADENDA: Confirma-se a primeira hipótese (PSP a dormir) pois esta entidade acabou de rever para 20 mil a 25 mil o número de manifestantes.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O aumento é pouco ou demasiado ?


Todos, ou quase todos, os comentários que tenho lido sobre a Proposta de Orçamento para 2009, consideram que a proposta do Governo relativa ao aumento para Função Pública (2,9%) é eleitoralista e que, nas actuais circunstâncias, com a crise a entrar por todo o lado, tudo recomendaria uma maior prudência.
Sem negar as preocupações eleitoralistas do Governo, julgo que a proposta é equilibrada, tendo em conta que a função pública foi certamente durante os últimos anos um dos sectores mais afectados pelas restrições orçamentais. Sendo assim parece justa a intenção de repor algum do poder de compra entretanto perdido, até porque os sacrifícios devem ser repartidos por todos e não incidir apenas sobre alguns.
Todavia, não obstante todo o cenário de crise que atravessamos (e o mais que se adivinha e se receia) a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública prepara-se para mais uma manifestação a ter lugar no dia 21 de Novembro, para contestar o aumento proposto.
É caso para perguntar: Acham que é pouco, ou é demasiado ?
(Imagem daqui)