terça-feira, 18 de julho de 2017

Para quando o ministério das Preces?

É verdade que os especialistas na matéria consideram que os incêndios que anualmente assolam o país têm como causas principais o despovoamento do interior, o desordenamento do território, o abandono dos campos e a florestação à base de espécies que ardem com grande facilidade. Para qualquer pessoa de boa fé e que não desconheça por completo o interior do território do Continente este discurso faz todo o sentido.
Não é essa, porém, a leitura veiculada em geral pelos órgãos de comunicação social e pelos senhores jornalistas, mais interessados uns e outros em atirar as culpas para cima do Governo, por razões que eles lá sabem e que até eu facilmente adivinho. Por mera coincidência ou, o que é mais provável, não, os líderes da oposição fazem a mesma leitura. Ainda que tal não seja motivo para surpresa, forçoso é considerar como ridícula uma tal atitude por parte de anteriores governantes que nada fizeram para enfrentar o problema, tendo, isso sim, contribuído para o agravar, ao permitir a plantação do eucalipto sem limitações.
Especialmente risível é a actuação da actual líder do CDS, Assunção Cristas, que, quando ministra do governo Passos/Portas, perante o problema da seca que, na altura, atingia e afligia o país, em vez de agir, se limitou a proclamar: «Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza.». 
Para alguém que, quando ministra, resolvia os problemas da seca, recorrendo à fé, é de admirar que, a par das críticas dirigidas ao Governo, Assunção Cristas não tenha, até agora, apresentado a António Costa a proposta de criação do ministério das Preces a encabeçar por alguém com experiência na matéria. Dir-se-ia até que Assunção Cristas seria a pessoa indicada, pois não há dúvida que experiência em matéria de preces ela tem.
(imagem: Lusa/Paulo Cunha)

sábado, 15 de julho de 2017

Quanto mais esbracejam, mais se afundam!

Passos Coelho & Assunção Cristas *.
É o que inequivocamente mostra esta sondagem
De facto, o esbracejar de ambos a propósito dos incêndios que devastaram Pedrógão Grande e os concelhos limítrofes só serviu para que os inquiridos atribuíssem à actuação da dupla as únicas notas negativas (Cristas: 7,6; Coelho: 5,2).
* (ilustração daqui)

2 vezes NÃO!

Portugueses não querem, nem a demissão de Constança Urbano de Sousa, nem a de Azeredo Lopes, por muito que a realidade pese à esganiçada líder do CDS, Assunção Cristas!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Falta de legitimidade?

Não há maneira de a direita portuguesa perder o vezo de questionar a legitimidade da actual solução governativa, quer durante os debates parlamentares, quer fora deles. Os remoques a este respeito dirigidos ao primeiro-ministro durante os debates parlamentares, como os que ainda recentemente se ouviram durante o "Debate sobre o Estado da Nação", pela boca do deputado Montenegro  (PSD) atingem as raias da obscenidade.
Se a direita supõe que ganha algo com tal exercício, que serve apenas para provar que quem a ele se dedica convive muito mal com as regras da democracia, está mesmo muito enganada. 
A prova de que assim é podemos vê-la com toda a clareza na confiança depositada pelo povo na Assembleia da República, o órgão de soberania donde emana a legitimidade do Governo. De acordo com o Portal de Opinião Pública da Fundação Francisco Manuel dos Santos,  a percentagem de portugueses que confiavam no Parlamento andava, em Maio de 2013, pelos 13% e em Dezembro de 2015%, pelos 19%. Em Maio deste ano, essa percentagem atinge os 46% . 
Um salto desta dimensão tem um significado que não pode ser escamoteado: se hoje a confiança dos portugueses no Parlamento é  muito superior à manifestada ao mesmo órgão de soberania durante a anterior sessão legislativa é porque há também uma muito maior identificação dos portugueses com os seus representantes. Existindo essa maior identificação, é evidente, perante aqueles números, que a legitimidade que poderia ser posta em dúvida, não poderia nunca ser a do actual Governo.
Se fizesse algum sentido levantar a questão da falta de legitimidade em relação a qualquer Governo com sustentação parlamentar essa questão teria de ser posta em relação ao anterior governo liderado por Passos Coelho e sustentado na Assembleia da República por uma maioria de direita ((PSD e CDS) em que os portugueses depositavam uma bem menor confiança.
Se fizesse algum sentido, dizia eu, mas, para mim, não faz. Só tem sentido para quem age, em política, com o descaramento e a pouca vergonha do deputado Montenegro. E não só.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Não compreendesse eu o castelhano e ficaria sem saber...

"El primer ministro portugués sale reforzado del debate de la Nación"
Por estranho que pareça, uma conclusão semelhante à publicada na edição electrónica do "El País", pelo jornalista espanhol Javier Martin não é possível encontrá-la nos media portugueses, como facilmente se pode comprovar. 
O facto significa inequivocamente que a direita domina toda a comunicação social portuguesa . A tal ponto que já nem se dão ao trabalho de disfarçar. Hélas!
(ilustração daqui)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Procuram-se...

Só não vê quem não quer: isto não é apenas um "crime". É, como diz o povo,"um crime e pêras". Ou mais pêras que crime, penso eu.
Em todo o caso, levando o Ministério Público tão a peito um "fait divers", sem qualquer relevância criminal e que vai acabar em absolvição, só é de estranhar que os "criminosos" (por quem tenho muita consideração, admito) tenham andado à solta durante um ano. E continuem.
O ridículo não mata, diz-se, mas talvez justificasse, neste caso, uma vassourada. No Ministério Público, entenda-se.

(imagem daqui)

domingo, 9 de julho de 2017

Lição sobre optimismo


«(...)
Optimismo – Há aqui uma lição para governos e governantes: o optimismo pela sua própria natureza nas questões públicas dura sempre pouco e é muito frágil. A realidade está sempre mais próxima do que corre mal do que o que corre bem.»
(José Pacheco Pereira: "Tribulações de um Governo optimista;" in "Público", 08/07/2017. Via)

Eu diria que a lição também é proveitosa para governados. Convém não embandeirar em arco. Nunca por nunca.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Mosteiro dos Jerónimos, hoje






"Obra-prima da arquitetura portuguesa do século XVI, está classificado como Monumento Nacional e inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO (1983). O Mosteiro dos Jerónimos situa-se numa das zonas mais qualificadas de Lisboa, um cenário histórico e monumental junto ao rio Tejo, local de onde partiram as naus e caravelas no tempo das Descobertas que viriam a dar “novos mundos ao mundo”. Na imponente fachada do Mosteiro, que se prolonga por cerca de trezentos metros, ergue-se o Portal Sul da Igreja, ricamente decorado, onde se destacam as imagens do Santo Patrono de Portugal, Arcanjo S. Miguel (ao cimo) e a imagem de Santa Maria de Belém, ou Nossa Senhora dos Reis (ao centro)." (Fonte)

"É preciso topete, falta de vergonha, descaramento"

«(...) 
A direita, melhor, esta direita encabeçada pela actual direcção do PSD utilizou o Estado como saco de boxe durante cinco anos. Que agora venha clamar contra o enfraquecimento do Estado para atender a todas as suas responsabilidades só não mata de vergonha porque ninguém morre de vergonha. (...) »
(Nicolau Santos: "Ena! Tantos defensores do Estado que estavam escondidos !". na íntegra: aqui)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Demissão imediata: a opção mais fácil, mas a mais perigosa.

A demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa e a do ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, aquela pedida logo no rescaldo dos incêndios que tiveram início no martirizado concelho de Pedrógão Grande e a do ministro reclamada na sequência do "roubo de armas de Tancos", continuam, pelos vistos, na ordem do dia.
Justifica-se, por isso, que também aqui se escrevam umas quantas linhas sobre o assunto.
Começo por salientar que tendo a concordar com a declaração da ministra da Administração Interna quando ela afirmou que pedir a demissão teria sido para ela a opção mais fácil, afirmação que, estou seguro, o ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes não teria qualquer dúvida em subscrever. Essa opção seria, sem sombra de dúvida, para qualquer deles, a forma mais expedita de se livrarem de todas preocupações relacionadas com os infaustos acontecimentos e ao mesmo tempo o melhor modo de fazer esquecer eventuais responsabilidades. Sabe-se como é: bodes expiatórios sacrificados, culpas expiadas.
Para o Estado e para o país, porém, a demissão imediata dos referidos ministros, tal como vem sendo insistemente reclamada pelos  estridentes líderes do PSD e do CDS, antes de apurados os factos e as correspondentes responsabilidades, seria um erro, visto que não há responsabilidade política sem culpa apurada, a menos que se entenda que a responsabilidade política dos ministros é objectiva, entendimento que não só não tem sustentação nem legal, nem constitucional, como é perigoso. De facto, alargue-se o conceito de responsabilidade política objectiva a todos os titulares dos órgãos de soberania (e, uma vez que se enverede por esse caminho, não haverá forma de parar) e extraiam-se as consequências. Duvido que se encontre melhor forma de decapitar o Estado.
Parece-me que os defensores da demissão imediata não perderiam nada se, por momentos, pensassem nisto.  O país era capaz de ganhar alguma coisa. 

Tropa-fandanga *

«(...)
Neste preciso momento, os oficiais não têm qualquer legitimidade para protestar. Pelo contrário, o Exército deve um pedido de desculpas ao país por ter falhado na mais básica das mais básicas das suas funções. O que o país precisa destes militares não é de oito páginas de paleio pseudo-patriótico para justificarem o cancelamento do que seria um vergonhoso ato de indisciplina. O país precisa de explicações muito claras sobre o que aconteceu em Tancos e só o Exército as pode dar. Talvez o facto de uma manifestação de militares fardados numa democracia consolidada ter passado pela cabeça destes oficiais ajude a explicar a balda instalada e este assalto tão absurdo que me parece mal contado.
Seguramente os portugueses serão solidários com as queixas dos militares perante os cortes absurdos que se continuam a fazer nos vários sectores do Estado, da saúde à educação, da segurança social à defesa. Desde que isso não sirva para o Exército atirar para longe as suas próprias responsabilidades. Primeiro expliquem-se, depois protestem. Primeiro mostrem algum sinal de vergonha perante o que aconteceu, só depois a indignação.»

(Daniel Oliveira, "Carta de uma tropa-fandanga " in Expresso Diário de 05/07/2017. Via onde poderá ser lido o texto na íntegra)

*Na verdade, com muito de fandanga e pouco ou nada de tropa.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Justiça de verão *

"Homem que ateou nove fogos leva pena suspensa."
* Em plena silly season. E mais não digo, que a notícia fala por si.
(Notícia e imagem daqui)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Estado entregue aos bichos? Sim, esteve.

Os graves e recentes acontecimentos que enlutaram o país (incêndio de Pedrógão Grande e dos concelhos limítrofes) e deixaram os portugueses atónitos (o "roubo de armas" em Tancos) fizeram com que os agentes e sufragantes da direita portuguesa tivessem chegado à conclusão que tais eventos são a prova de que o "Estado falhou". 
Até poderá vir a provar-se o falhanço, mas se tal vier a ser comprovado, é mais que evidente que a falta de resposta adequada por parte do Estado, nos dois casos, tem que ser imputada, em primeira linha, ao facto de o Estado se encontrar fragilizado em consequência de uma política de cortes cegos levada a cabo pela direita durante toda a anterior legislatura, política tendente a reduzir o Estado ao mínimo dos mínimos. Estranhamente, a mesma direita que proclama a falência do Estado nos dois casos, recusa-se a assumir a responsabilidade pelas consequências da sua política de austeridade, orgulhosamente assumida, ao tempo, por Passos Coelho, com o seu tão irresponsável quanto famoso "custe o que custar".  A atitude da direita, confesso, não me admira minimamente, pois esta direita já deu provas de enorme hipocrisia e os seus mentores são mesmo especialistas no exercício de sacudir água do capote.
Por isso mesmo, é imperioso desmascarar esta direita decididamente hipócrita e irresponsável. Quando um seu paladino, como JMT, se interroga nas páginas de um jornal sobre se "O Estado português está entregue aos bichos?" há que responder que sim, mas mudando o tempo verbal. De facto, o Estado português esteve entregue aos bichos durante quatro anos e meio, o longo tempo que durou a anterior legislatura em que toda a direita (PSD/CDS) esteve no poder. Como sempre acontece ,os buracos provocados pela bicharada levam sempre algum tempo a aparecer. Não admira, por isso, que só agora estejam a vir ao de cima.
(imagem daqui)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Temos golpe ?

"Os oficiais do Exército estão a ser convocados por email para uma manifestação na próxima quarta-feira, em Belém, em protesto contra a forma como cinco comandantes de unidades foram exonerados pelo chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) na sequência do roubo de armamento de guerra em Tancos, na semana passada."
"O plano é começar com uma concentração às 11h30, em frente ao Monumento aos Mortos, na zona da Torre de Belém, e depois seguir em marcha silenciosa em direção ao Palácio de Belém. Aí, os oficiais deverão depor simbolicamente as suas espadas, perante a residência oficial do Presidente da República, que é o comandante supremo das Forças Armadas."( Fonte

Não parece que uma exoneração "temporária", baseada na necessidade de evitar interferências nas investigações sobre o caso do roubo de armas em Tancos, justifique tamanho alarido. E porque assim é, também não parece completamente absurdo admitir que entre os militares (de direita, presumo) haja gente interessada em desestabilizar a situação. Não estaremos ainda perante uma tentativa de golpe, mas não é de excluir, tal a desmesura do gesto, a hipótese de haver pessoas interessadas num qualquer ensaio nesse sentido.
Veremos. Em todo o caso, quem está por detrás da convocatória deve ter presente que "fascismo nunca mais."

sábado, 1 de julho de 2017

Um eurodeputado devoto do "Photoshop"

Para começo de conversa, há que reconhecer que o eurodeputado Paulo Rangel não tinha qualquer obrigação de comentar as lamentáveis declarações de Passos Coelho, líder do seu partido, sobre a suposta existência de suicídios por ele anunciados a toda a comunicação social e por ele atribuídos á falta de apoio psicológico às populações vítimas da grande calamidade que foram os incêndios que devastaram uma boa parte dos concelhos da Região Centro, suicídios que, afinal, não existiram a não ser na cabeça de quem não recua perante nada para colher dividendos políticos.
Sobre o assunto e sem reparo de maior, "de Conrado poderia ter guardado o prudente silêncio"  admito eu, mas a partir do momento em que se serve da coluna no "Público" (onde semanalmente pode destilar todo ou parte do seu veneno), para censurar um interveniente menor, o até então desconhecido João Marques, provedor da Misericórdia de Pedrógão Grande, alegadamente, futuro candidato pelo PSD à presidência da Câmara do mesmo concelho,  já lhe não é lícito escamotear a actuação vergonhosa de Passos Coelho em todo o caso.
E não pode escamotear, insisto, porque, na circunstância, se alguém agiu errada e levianamente foi precisamente Passos Coelho. Pese embora a Rangel, o dito João Marques é, no caso, um interveniente menor, mesmo que seja verdade ter sido ele quem forneceu a Coelho as (falsas) informações sobre os (inexistentes) suicídios, verdade de que duvido por razões que deixo para melhor ocasião, ou seja, para depois de obtida mais completa informação. O interveniente maior é, inquestionavelmente, Pedro Passos Coelho, porque, mesmo que a informação fosse verdadeira, só alguém sem escrúpulos é que se teria atrevido a usar a desgraça alheia para obter ganhos políticos falando de suicídios, um tema considerado pela generalidade dos especialistas como sendo de especial melindre, a merecer ser tratado com pinças.
Passos Coelho foi, por isso mesmo, objecto de censura generalizada a ponto de vários órgãos de comunicação social terem falado, a propósito do caso e do protagonista, em "suicídio político", fatalidade que, no entanto, não chegou à consumação, porque, passado o primeiro momento de estupefacção perante tamanho disparate, acabaram por surgir os socorristas de serviço.
O político salvou-se in extremis, é certo, mas as sequelas são, por enquanto, bem visíveis. Há, pois, todo um trabalho a desenvolver, pelo menos, para as disfarçar, se não for possível fazê-las desaparecer por completo. Esse é, claramente, o objectivo de Paulo Rangel com a nota por ele dedicada ao caso, ao fazer incidir todas as luzes sobre uma figura menor que pode ser conhecida localmente, mas que nada diz à generalidade dos portugueses, aproveitando a oportunidade para, ao mesmo tempo, apagar da fotografia a imagem de Passos Coelho. 
A técnica usada por Paulo Rangel não é nova e, se não estou em erro, é usada com alguma frequência por políticos, para falsear a história, sempre que tal se revela conveniente ao editor fotográfico. O procedimento, é óbvio, não abona nada a favor da honestidade intelectual de quem assim actua.
Não pretendendo, por ora, ir mais longe, por aqui me fico.
(ilustração daqui)