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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Que cão lhes terá mordido ?

Contando a direita que já não lhe escapava o ovo ainda no oviducto da galinha, compreende-se que tivesse manifestado o seu desagrado perante a iminência de ver cair na Assembleia da República o governo por ela patrocinado. Eu, pelo menos, compreendo. O que já não se compreende - eu, pelo menos, não compreendo - é que a manifestação desse desagrado tenha ultrapassado todos os limites aceitáveis em democracia. Com efeito, a raiva que, de incontida, transpareceu de todas as intervenções vindas, quer das bancadas da direita, quer da bancada do governo, tem o indisfarçável significado de que em qualquer das referidas bancadas se convive mal com as regras da democracia.
Muito mal mesmo e para dizer toda a verdade, convirá acrescentar que a direita, pelo menos, a que está representada na AR, pela forma como se exprimiu na circunstância, transmitiu para o exterior a ideia de que está doente. A raiva, como se sabe, é uma doença que, ainda por cima, é contagiosa. Para evitar a sua transmissão todo o cuidado é pouco. Assim sendo e para bem de todos, tratem-se.
(Gravura da Wikipédia)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Já se respira melhor!

O governo de Passos Coelho & Paulo Portas já foi à vida. Aleluia!
(Imagem do DN)

Obrigado, Catarina Martins, Obrigado, Jerónimo de Sousa. Obrigado, António Costa.


Algumas  décadas de vida deram-me já a oportunidade de assistir a muitos acontecimentos memoráveis. Hoje é mais um desses dias. Fica marcado pela inédita rejeição na Assembeia da República, através do voto concertado dos deputados eleitos pelo PS, pelo Bloco de Esquerda, pelo PCP e PEV, do programa de governo apresentado pelo PSD e CDS coligados na PàF e, o que é ainda mais importante, pelo acordo dado pelos mesmos partidos à formação de um Governo do PS que contará com o apoio parlamentar dos demais partidos sentados à esquerda no hemiciclo do palácio de S. Bento 
Um dia grande, sem a mínima dúvida, porque  tem o indesmentível significado de que o 25 de Abril se cumpriu final e integralmente numa das suas mais importantes vertentes: a  da instauração duma democracia plena e definitivamente consolidada, onde todos os votos têm o mesmo valor  e onde não há partidos de primeira e de segunda.
Morreu o "arco da governação". Viva o "arco da constituição"!