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segunda-feira, 17 de março de 2014

Verdade verdadinha

"Na coadoção, a votação à direita dividiu-se entre os que têm consciência e mantiveram o voto e os que não têm outro emprego e mudaram o voto"

(Paulo Ferreira; "As lágrimas da deputada Maria". Na íntegra: aqui)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Vergonha, não. Asco*

"Na passada sexta-feira, eu tive vergonha da democracia portuguesa, vergonha de ter contribuído com o meu voto para eleger deputados do PSD, vergonha de quem inventou um referendo por puro oportunismo político, vergonha de quem aceitou a disciplina de voto numa matéria de consciência individual, e vergonha por a co-adopção continuar a ser discutida como se fosse um assunto sobre direitos de adultos quando é, sempre foi e será uma questão básica de direitos das crianças."
(João Miguel Tavares; "Uma vergonha chamada PSD". Na íntegra: aqui.)

*Vergonha não tive, pois, ao contrário do João Miguel Tavares, não votei PSD e logo não tenho razão para me envergonhar por um acto que não pratiquei. O que esta maioria e esta governação me provoca, não é, pois, vergonha. É, pura e simplesmente, ASCO.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Como se mata a democracia

«A emoção quase lacrimejante com que uma dúzia de deputados do PSD levantou, anteontem, a mão no Parlamento para dizer que, sendo favorável à coadoção por casais do mesmo sexo, teve que votar a favor de um tonto referendo porque a isso foi obrigada pela liderança da bancada, é das coisas mais desprezíveis que me recordo de assistir na Assembleia da República.
Há quem veja neste gesto algo de nobre: não consigo perceber porquê. Num tema que envolve, antes de tudo e acima de tudo, a consciência de cada um e uma revisitação aos valores de cada um, num tema destes não pode haver condescendência. Só pode haver decência. Coerência. Aquiescência com aquilo que queremos e gostamos de ser. Não pode haver subserviência.
Os dedos erguidos carregaram, figurativamente, no gatilho de uma pistola. Cada estalido foi um estalo na democracia. Cada tiro acertou direitinho no alvo de que pretendia escapar: na cara de cada um de nós e no coração de cada um dos deputados. As lágrimas de crocodilo pretendiam esconder o haraquíri a que se submeteu cada deputado que optou por jogar este vergonhoso jogo. Ao invés, mostrou-o em toda a sua plenitude. Foi uma coisa infantil. Muito infantil. Que apenas 11% dos portugueses confiem nos deputados e 9% nos partidos parece, a esta luz, um verdadeiro milagre. Porque uns e outros continuam a brincar à roleta russa, imaginando que não há balas no revólver. Há.
Oiço vozes que tecem elogios grandiloquentes a Teresa Leal Coelho. Não as percebo, francamente. A deputada do PSD saiu do hemiciclo na altura de votar a realização do referendo, e a seguir demitiu-se do cargo de vice-presidente da bancada parlamentar. O truque não basta para merecer aplausos. A única coisa que, em bom rigor, lhe resta é decidir se quer continuar a integrar uma bancada que faz politiquice da mais rasteira com valores civilizacionais dos mais elevados. Quer? Fica. Não quer? Sai. Ela e todos os outros que ergueram piedosamente o dedo e rabiscaram conscientemente declarações de voto, procurando aliviar a consciência, assim como quem toma um ben-u-ron para aliviar uma dor de cabeça.
(...)»
(Paulo Ferreira; "Como se mata um deputado". Na íntegra: aqui.)

sábado, 18 de maio de 2013

Parabéns!

É, certamente, um passo ainda tímido no sentido de pôr termo à discriminação de que são vítimas as pessoas homossexuais, mas é, em todo o caso, um passo em frente na protecção das crianças e mais um contributo para a consagração do direito à plena realização pessoal de cada cidadão, independentemente da sua orientação sexual.
Repito: parabéns!