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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mais uma perda

A notícia do falecimento de Manuel António Pina, poeta, escritor e jornalista, meu conterrâneo, porque natural do mesmo concelho (Sabugal), onde ainda não há muito tinha sido homenageado, tão frequentes vezes aqui citado, apanhou-me desprevenido.
É verdade que já há algum tempo que não via publicadas as suas crónicas no JN, crónicas que era um prazer ler, porque cheias de humanidade e de humor.
É mais uma perda, e grande, para as letras portugueses e para cada um dos seu leitores, onde me incluo. 
(síntese da sua biografia: aqui)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Não há mal que nos não venha...

Quem teve a felicidade de presenciar alguma actuação de Bernardo Sassetti, ao vivo, não pode deixar de ter a perfeita noção de que se tratava duma pessoa excepcional e dum músico dotado de extraordinários recursos. Por mais duma vez, ao ouvi-lo, tive a sensação de que se tratava dum génio.
Lamentar a sua morte, brutal e absolutamente inesperada, é pouco, porque a sensação que tenho é a de uma grande perda. Todos ficámos mais pobres. É o que sinto.
Lamentavelmente, os "fados" parecem definitivamente apostados em apartar do nosso convívio os melhores.  Para sempre, hélas!
(Imagem daqui)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um vírus preocupado com a consolidação das contas públicas

Está encontrada a explicação para o anormal número de mortes verificado nas últimas semanas e, afinal, a causa não é, nem na gripe I (de indiferença), nem na gripe C (de crise) nem na gripe P (de pobreza), como  o Carlos alvitrava aqui. O culpado pela mortandade é, segundo o  director-geral da Saúde, Francisco George , um vírus que dá pelo nome de A(H3N2) que afecta sobretudo os grupos etários mais idosos, os mais vulneráveis
Atendendo às suas vítimas preferenciais, parece-me que não será ofensivo, para o vírus, dizer que também ele   anda preocupado com a consolidação das contas públicas. Ou será?

Mau sinal !

O governo, pela voz do secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, considerou hoje que a avaliação da troika ao plano de reformas económicas “tem corrido bem”.
Mau sinal, digo eu, porque as notícias que vão surgindo não são nada boas. Muito pelo contrário. Mesmo numa área tão sensível como é a da saúde, área em que temos dois casos recentes que dão que pensar: o número  de mortes, nas últimas semanas, inesperado e ainda por explicar; e o anúncio pela Roche Farmacêutica de que vai interromper as vendas a crédito a 23 hospitais públicos com dívidas há mais de 500 dias.
Se no primeiro caso, muitas explicações são possíveis, umas mais plausíveis do que outras, podendo entre aquelas figurar o aumento da pobreza dos mais idosos que foram, de longe, os mais afectados, já o segundo caso evidencia que, para este governo, a saúde não é uma prioridade, sabendo-se que Portugal já recebeu mais de metade do empréstimo concedido pelo Fundo Monetário Internacional e da União Europeia. Ainda que mal pergunte: aplicado onde?
Digo mau sinal, porque, estando as coisas estão neste pé, com as condições de vida dos portugueses a piorar de dia para dia, tal só pode ter o significado de que as medidas impostas pela "troika" e a serem, a  crer na   tal avaliação,  bem executadas,  estão a ter um efeito contraproducente. O remédio em vez de curar, pelos vistos, mata. Não só em sentido figurado, mas até, ao que parece, no verdadeiro sentido da palavra.