sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ponto da situação

"Para a generalidade dos portugueses, o novo ano começou sem despertar entusiasmo, envolto em preocupações, até mesmo com alguma tristeza.
(...)
Temos todos pela frente um tempo muito difícil. Poucas serão as famílias que não têm alguém no desemprego. Encontrar ocupação remunerada tornou-se quase um milagre. E a tendência é claramente para o problema se agravar.
A baixa do consumo é patente: o comércio não vende, os restaurantes estão vazios, os automóveis ficam parados à beira de casa.
O encerramento das empresas é constante.
(...)
O Estado, falido, reduz as ajudas e até corta tudo o que pode nas pensões devidas a quem descontou, para as receber, uma vida inteira. Fala-se de fome, nos meios urbanos, atingindo mesmo a classe média, endividada, com empregos perdidos e as próprias habitações em risco.
Parece haver quem julgue que o empobrecimento generalizado vai produzir uma profunda mudança de paradigma na sociedade portuguesa. 
(...)
Entretanto, o Governo vende o que tem sem olhar a quem, pelo melhor preço, sem estados de alma e sem preocupações estratégicas. Aparentemente cansados da decadência europeia e da fraqueza americana, já nos vemos testa de ponte para a entrada em força da China, o novo poder ascendente, na área euro-atlântica. Até lá, a emigração ressurge como projeto de vida, enquanto o discurso oficial alterna entre o conselho a emigrar  e a apresentação dos emigrantes como heróis de uma nova epopeia lusa.
Com um horizonte tão cerrado, ninguém se atreve a anunciar o fim da crise sob pena de cair no ridículo. Continuamos a aguardar a necessária agenda para o emprego e o crescimento, única via para cumprir os nossos compromissos internacionais.
Estamos todos assustados, temendo que à austeridade reinante seja preciso a acrescentar mais austeridade, o que é previsível a até se pode dizer que nas condições atuais já vem nos livros...
(...)"
(João Bosco Mota Amaral; Um País triste e assustado; in edição impressa de hoje do "Expresso")

Feito o diagnóstico, falta procurar e encontrar o remédio, sendo certo que a cura não se obtém com mais do mesmo. Seguramente.

1 comentário:

Ana Paula Fitas disse...

Caro Francisco,
Fiz link... e agradeço.
Um abraço.