sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Qual é a pressa?


Apesar de António Costa já ter definido, por mais de uma vez, qual o calendário e quais as várias (3) fases para apresentação das suas propostas, calendário que culminará com a apresentação do programa eleitoral do partido, raro é o dia em que não aparece um qualquer bicho careta, vestido com as cores do PSD ou do CDS a exigir que Costa apresente as suas propostas sobre tudo e mais alguma coisa. Hoje, então, foi um corropio. com vozes a reclamar explicações, dentro e fora do Parlamento, o que não deixa de ser estranho. Por duas razões. À uma, porque no Parlamento a direita no poder (por obra e graça de Cavaco e duma senhora que dá pelo nome de Aldrabice) teve hoje a oportunidade de ouvir de vários deputados (e designadamente de Ferro Rodrigues e de Vieira da Silva) algumas das ideias que o PS quer concretizar se o eleitorado o convocar a ser Governo, ideias de que, pelos vistos, a direita (PSD e CDS) não gostou, se atentarmos nas reacções vindas dessas bancadas, como se pode comprovar aqui e aqui).
Por outro lado, também não se compreende o porquê de tanta pressa por parte da direita, quando se sabe que, por vontade dos dois partidos da coligação, a realização das próximas eleições legislativas, se tal poder estivesse nas suas mãos, seria adiada, não apenas para Setembro/Outubro do próximo ano, mas sim lá mais para as calendas gregas.
Com espírito construtivo, deixo aqui uma sugestão:
Se estão assim tão interessados em conhecer em pormenor as propostas do PS e as políticas que este partido se propõe levar a cabo caso seja encarregue da governação do país, então juntem-se à multidão dos que reclamam a realização, quanto antes, das eleições legislativas. Se têm muita pressa em conhecer as propostas do PS, metam também pressa numa ida até Belém: Cavaco é duro de ouvido em relação ao clamor do povo, mas tem ouvido afinado para as ordens de Coelho. Aliás, em bom rigor, Coelho nem precisa de abrir a boca. Se Coelho lhe der a entender, por sinais, o que pretende é quanto basta para Cavaco obedecer.
(Os meus agradecimentos à Emys orbicularis, por ter aceite servir de ilustração a este texto.) 

Em decomposição acelerada



É, designadamente, o caso do ministério da Educação, às mãos de Nuno Crato: Diretor-geral do Ensino Superior é a terceira saída na Educação em 41 dias.

É um supor?

Mas não só, acrescento eu. Para um pantomineiro, como Passos, tudo é um supor. Espanto é que ainda haja por aí quem suponha que Passos é indivíduo para levar a sério. 

A Suécia está de parabéns!

A Suécia, ao reconhecer a independência da Palestina, prova que ainda há Estados e governantes que se regem por princípios. Tratando-se de algo raro nos dias que correm, todo o realce dado ao acto de reconhecimento por parte da Suécia é mais que justificado. 
(Fotografia obtida a paartir da edição impressa do "Público")

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Passos resolve ?

Sim, resolve. Mal.
(Reeditado)

Vice-primeiro-ministro ou caixeiro-viajante?

Portas termina no México "uma missão e pêras"
Incapaz de delinear uma reforma do Estado com pés e cabeça, o vice-trampolineiro Paulo Portas gasta o seu tempo polindo assentos de aeroportos por esse mundo fora. Será que ainda há algum aeroporto de província por onde este caixeiro-viajente não tenha passado? 
(notícia e imagem daqui)

O rapazola que já não sabe a quantas anda*

(*Tendo em conta os antecedentes, considera-se como hipótese muito provável que nunca tenha sabido.)
(Notícia e imagem daqui)

Na creche

Coelho e Portas, supostamente primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro do actual (des)governo de Portugal passam a vida aos beliscões um no outro, comportando-se como garotos.
A irresponsabilidade de que dão provas é de tal ordem que às tantas é de supor que os dois imaginam que estão numa creche.
(Imagem daqui)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Portas desfeiteado

É evidente que o facto de o empresário mexicano Carlos Slim ter faltado, sem qualquer explicação, ao encontro previamente anunciado com Paulo Portas no âmbito do jantar oferecido pelo Ministro das Relações Exteriores do México, constituiu uma desconsideração que Portas não podia ter evitado e há que lamentá-la. No entanto, Paulo Portas, se  fosse um pouco mais modesto e menos dado a exibições e se não tivesse feito alarde do encontro, poderia ter evitado passar pela vergonha de se ter ficado a saber do tratamento a que foi sujeito.
Dizem que Portas é inteligente. Se for verdade, talvez o incidente lhe sirva de lição para aprender que a modéstia nunca assentou mal a ninguém.
(notícia e imagem daqui)

Sacudir a água do capote

Sabe-se agora que o Banco de Portugal teria preferido que a solução do caso BES passasse pela injecção de dinheiro disponibilizado pela troika, sendo igualmente verdade que eram da mesma opinião os banqueiros que nesse sentido se pronunciaram dias antes da tomada de decisão. E sabe-se também agora que se não foi esse o caminho seguido foi porque a ministra das Finanças recusou essa solução, forçando, consequentemente, o Banco de Portugal a optar pelo modelo da divisão do banco "em BES bom e BES mau".
Os factos agora conhecidos contrariam frontalmente as declarações quer de Passos Coelho, quer de Maria Luís Albuquerque, visto que ambos remeteram para o Banco de Portugal, desde a primeira hora, todas as responsabilidades pelo decidido.
Os factos dizem pois que Coelho e Maria Luís, uma vez mais, mentiram. Mas não só: confirma-se também que este governo é especialista em fugir às suas responsabilidades e em sacudir a água do capote.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

De vingativo a mesquinho

Ordem Militar de Cristo

Não me parece que seja caso para valorizar, positiva ou negativamente, a iniciativa tomada por Ascenso Simões ao  enviar uma carta a Cavaco Silva pedindo-lhe que atribua a José Sócrates a  Grã-Cruz da Ordem  Militar de Cristo, como tem sido tradição seguida sem interrupções até agora.
Duvido, no entanto, que  José Sócrates esteja interessado em receber uma tal condecoração das mãos de Cavaco Silva, embora esteja também convencido de que não se recusaria a recebê-la por considerações de ordem institucional a que Sócrates é particularmente sensível. 
Seja como for, o que importa sublinhar é que o facto de Cavaco persistir na sua atitude não diminui em nada a dignidade do não agraciado, nem as suas muitas qualidades e méritos. Ao invés, não direi o mesmo em relação a Cavaco. Na verdade, se alguma ilação se pode tirar da recusa da condecoração, recusa que tem todo o ar de ostensiva, é a de que na Presidência da República tem assento um homem com muitas qualidades: de vingativo a mesquinho não lhe falta nenhuma. 
(Imagem daqui)

Números não é com eles...

"Chega a ser patético"

«O primeiro-ministro indignou-se com os jornalistas por, supostamente, dizerem que a despesa pública está igual a 2011: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que gente que se diz independente tem de assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que toda a gente diz..."

Espero que a pontuação usada por mim na tentativa de reproduzir a oralidade do tribuno das Jornadas Parlamentares do PSD-CDS seja fiel ao pensamento exarado... Adiante.
Confesso, caro leitor e cara leitora: sou um preguiçoso. Quem preguiça, pensa; logo, eu preguiço.
Vagarosamente, portanto, meditei: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que a ministra das Finanças tem em assumir que a carga fiscal vai aumentar em 2015, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que o primeiro-ministro quer."
O ócio recordou-me a paralisia do Citius e a tentativa de culpar uma gigantesca sabotagem ao sistema, conspirada nacionalmente pelas chefias intermédias dos funcionários públicos: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que a ministra da Justiça tem em assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou", etc...
Poupando trabalho, analiso assim o arranque do ano escolar: "Chega a ser patético verificar a dificuldade do ministro da Educação em não errar, em assumir que é preguiçoso, que não lê, que não estuda, que não compara, que não se interessa a não ser em causar uma boa impressão..." Perfeito, não é?
Resolvo também cabular sobre as garantias dadas aos pequenos acionistas para investirem no BES, dias antes do seu colapso: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que (escolher entre o governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro ou o Presidente da República) tem em assumir que errou, que foi preguiçoso, que não leu, que não estudou..."
Sobre as gaffes permanentes de Rui Machete posso comentar, sem esforço e factual: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que o ministro dos Negócios Estrangeiros tem em assumir que errou..." e por aí fora.
Quanto a estas críticas de Passos, eu, jornalista mandrião, constato: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que o primeiro-ministro tem em assumir que errou, que foi preguiçoso, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão."

(...)»
(Pedro Tadeu; "Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos"; na íntegra: aqui.)

"O dr. Passos nunca errou.".

Muito bem dito, Nicolau Santos. Parabéns e, pela minha parte, obrigado.

domingo, 26 de outubro de 2014

Resta-nos assistir ao velório?

«(...)
O estado de dissolução a que chegou o [...] Governo é irreparável – uma remodelação não passaria de um cuidado paliativo. Os erros políticos dos seus ministros sucedem-se a um ritmo vertiginoso. O desnorte em relação aos impostos que se pagam ou as deduções que se conseguem com o Orçamento do Estado de 2015 raiam o limiar da anedota. A coligação regressou às noites das facas longas, com braços-de-ferro, queixumes e fugas para imprensa. O que leva então Pedro Passos Coelho a carregar este cadáver moribundo por mais um ano?
(...)
Por todas as razões e mais algumas, não faz sentido Passos manter o statu quo. O país tem absoluta necessidade de olhar para a frente e de discutir um novo ciclo. O Governo tem-se mostrado incapaz de o encontrar. Tornou-se uma colecção de náufragos vergados pelo peso dos erros de governação e por este clima pútrido que, a cada dia que passa, faz da coligação um pântano de hipocrisia política, com Paulo Portas a defender a “estabilidade” como se não se soubesse que a relação entre PSD e CDS está longe de estar estável. Com as condições de que dispõe e com um pouco de sorte, o Governo conseguirá quando muito fazer gestão corrente. Já não tem nervo para reformar. A bem de Passos, de Portas, de António Costa e de toda a oposição, a bem do Presidente e, principalmente, a bem de todos nós, era bom que caísse o pano nesta peça que já se esgotou. »

(Manuel Carvalho; «O "fico" de Passos nem a ele convém» (in "Público", edição impressa de hoje). Destaques meus.

Claro que sim. Claro que não.

«(...)
A questão é: o primeiro-ministro devia demitir os três ministros? Claro que sim. Sucede que há uma questão antes desta questão. Que é esta: o primeiro-ministro tem condições para demitir os três ministros? Claro que não. Basta pensar nisto: quem seria o louco, ou a louca, que aceitaria ir para um Governo cuja alma se aproxima dos 21 gramas? O poder de recrutamento de Passos e Portas é igual a zero. Ou quem seria o louco, ou a louca, disposto a ficar com as pastas em aberto, somando sarilhos aos sarilhos?
Aconteça o que acontecer, resta esperar que o estertor se complete. É da natureza das coisas.(...)»
(Paulo Ferreira; "Quanto pesa a alma do Governo?". Na íntegra: aqui)

sábado, 25 de outubro de 2014

"Patéticos" e "preguiçosos"


Não é que grande parte dos jornalistas da nossa praça não mereça os epítetos de "patéticos" e "preguiçosos" com que Passos Coelho resolveu brindá-los. Em todo o caso a acusação vinda da boca do suposto primeiro-ministro é um bom sinal, pois tem, de facto, o iniludível significado de que uma parte não despicienda da classe jornalística já deixou de acreditar nas patranhas do pantomineiro-mor e deixou de as reproduzir acriticamente em tudo o que é comunicação social. 
Já não era sem tempo!

Verdades como punhos #1

"Este Governo não tem uma ideia de país"

"A armadilha"

«(...)
O Orçamento do Estado para 2015 é um caso de estudo. Várias cenouras (ainda pequeninas, mas sugere-se que possam crescer) vão sendo lançadas a esses setores das classes médias: o quociente familiar, a ampliação das deduções à coleta, os vales de educação. Do outro lado da balança, há o corte de 700 milhões na despesa com educação e a redução em 100 milhões da verba destinada às prestações sociais não contributivas (complemento solidário, abono de família, rendimento mínimo, subsídio social de desemprego).

Claro que a punção fiscal continua de tal monta (aliás subindo!) que não será a atual maioria de direita a beneficiar desta brecha no apoio público ao Estado social. Seja por via dos combustíveis, ou do IMI, ou das taxas "verdes", ou do IRS, ou do preço da eletricidade, virtualmente nenhum setor das classes médias lucrará um par de euros. E estas são certamente das primeiras a dar-se conta dos truques e engodos do Orçamento, de que as rábulas da sobretaxa e da cláusula de salvaguarda são prova bastante.

Mas todos quantos, à direita ou à esquerda, desejam que Portugal continue alinhado com o modelo social europeu devem evitar cair na armadilha de pensar que um pouco menos de impostos seria justificação bastante para fragilizar ainda mais a rede social. Esse é o princípio do fim do contrato democrático.»
(Augusto Santos Silva. Na íntegra: aqui)

"Professor Kalango?"


(Imagem daqui)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Homessa! Então não é normal tanta "asneira" junta?

Não é normal tanta asneira junta, acrescenta Henrique Monteiro, o autor do texto supra.
Pois, ao contrário de Monteiro, eu acho que os desastres enunciados são perfeitamente normais quando se trata de um governo supostamente liderado por indivíduo que além de incompetente é um pantomineiro.
Henrique Monteiro está, aliás, muito enganado quando admite que aqueles resultados podem ser devidos ao azar, a mau-olhado,  a feitiço, a bruxedo, ou feitiçaria. Está enganado e bem enganado, pois está à vista de quem tem olhos para ver que de um governo que não presta e que, se houvesse em Portugal um Presidente da República digno desse nome, nunca teria visto a luz do dia, não é de esperar outra coisa que não sejam desgraças. As acima enumeradas são apenas uma pequena amostra e de somenos importância, quando comparadas com as demais.
Henrique, tome nota e deixe-se de lérias. 


Conjugação do verbo falhar

«(...)
É sabido que o centro-direita há anos vinha clamando pela redução do peso do Estado, para poder baixar a carga fiscal e libertar meios adicionais para o investimento produtivo e para o crescimento mais forte da economia, quebrando o ciclo de década e meia de marasmo do produto.

Perante a exaustão, face aos financiadores externos, das fontes do financiamento público, em 2011, o volume real do PIB recuou uma década, o produto potencial caiu para pouco mais de zero e, ao fim de uma legislatura de forte austeridade sobre a população, não se vislumbra que os objetivos de mudanças de fundo na receita e na despesa públicas, inicialmente proclamados como essenciais pelo Governo atual, tenham sido alcançados.

Do lado da despesa, o que se pretendia era reduzir as despesas correntes das Administrações Públicas - bem como o investimento público - para mais do que compensar o agravamento da fatura dos juros da dívida. Decorreram quatro anos: o que nos indicam os números oficiais?

Em 2011, a despesa corrente pesava 43,1% do PIB; como os juros, então, só atingiam 3,6% do produto, a despesa corrente sem juros (a chamada despesa primária) chegava aos 39,5%.

É demais, é preciso cortar nas gorduras do Estado!, clamou-se em quase uníssono nos idos de 2011. Em 2015, fazendo as mesmas contas, constata-se que as despesas correntes pesam 44,6% do PIB, mas a fatura dos juros subiu para 4,9%. Conclusão: a despesa corrente primária, no próximo ano, representará 39,7% do PIB, 0,2 pontos percentuais a mais de 2011.

Se tivermos em conta que a despesa com pessoal ainda está reprimida com 80% dos cortes dos ordenados dos funcionários públicos, que se prolongam há 5 anos, não há dúvida: o objetivo de redução substancial da despesa do Estado (falava-se em diminuir a despesa corrente sem juros para a casa dos 33% do PIB!...) falhou.

Em contrapartida, a receita total passa dos 40,9% do PIB, em 2011, para os 44,6%, em 2015, com a parte de leão para o brutal agravamento fiscal sobre a classe média.

Exatamente o oposto do pretendido na última pugna eleitoral pelos vencedores de 2011. Estamos, nas próprias propostas orçamentais da maioria, perante uma realidade de pernas para o ar.»
(António Perez Metelo; "De pernas para o ar". Na íntegra: aqui. Destaques meus)

(Obs."Exactamente o oposto do pretendido" e "Exactamente o oposto do prometido" acrescento eu. Com ou sem acrescento, o texto António Perez Metelo só tem uma leitura: o actual governo falhou em toda a linha. Ou, como diria a outra: um "inconseguimento" completo. 

Foi v. quem prometeu um governo transparente?

Não foi certamente v. Quem fez essa promessa foi um tal Passos Coelho que, como se pode ver por esta amostra ("O Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) denunciou hoje que o Governo ainda não publicou a lista dos contribuintes de IRC que usufruíram de benefícios fiscais em 2013, o que acontece pela terceira vez.") faz, uma vez mais, jus ao título de trampolineiro-mor. A senhora representada na imagem que, como ministra ddas Finanças, tinha e tem a obrigação de prestar as informações em causa, faz parte da mesma escola. Óbvio, não?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Uma opinião do Catano!

Portugal ainda tem "uma margem razoável para aumentar impostos", diz este Katainen.
Uma opinião do Catano, digo eu.

Sem cabeça

Dizem as notícias que, hoje, na Assembleia da República, os ânimos se exaltaram, lá para os lados da maioria. Isto, porque, em resposta a uma provocação vinda da parte do líder do PSD,  o deputado do PEV, José Luís Ferreira, se lembrou de se dirigir aos deputados da maioria, recomendando:  "Metam lá [nas] vossas cabecitas que quem decide a intervenção dos Verdes são os Verdes."
Convenhamos que se justifica plenamente a indignação que perpassou pelos deputados da maioria. De facto falar em cabecita a quem tem dado provas de que não tem cabeça, é algo que não se faz. E muito menos no plenário da AR, onde o facto é particularmente visível.
(Imagem daqui

Como se prova, uma vez mais, que Passos tem conseguido "acertar em cheio"


O ministro Crato e a ministra Teixeira da Cruz têm concentrado, ultimamente, as atenções pelo caos que instalaram nos sectores que lhes estão confiados, Educação e Justiça, respectivamente.
É verdade que um e outra são inteiramente merecedores da atenção que lhes tem sido dispensada, porque os desastres por que são responsáveis têm uma tal dimensão que não é fácil encontrar situação paralela ou que se lhe assemelhe. 
A incidência das luzes sobre aqueles dois ministros não foi, no entanto, isenta de consequências. Teve, pelo menos, o efeito de fazer cair no olvido uma outra autêntica nulidade ministerial, a que dá pelo nome de Rui Machete. Se calhar, já pouca gente se lembra da deterioração das relações com Angola, no seguimento de declarações de Machete, que  no mínimo, terão de se considerar infelizes e impróprias de um diplomata.
Rui Machete, porém, insiste em permanecer na ribalta. Desta vez, para alcançar tal objectivo, não esteve com meias medidas. À falta de boas razões, lembrou-se de revelar informações sensíveis de segurança.
Perante  a "performance" de Machete à frente do ministério dos Negócios Estrangeiros, que outra conclusão se pode tirar que não seja a de que também no caso de Machete, Passos Coelho "acertou em cheio"?
(Imagem daqui)

Reforma ? Qual reforma?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Crato e o teste da ubiquidade

(imagem daqui)
O caso do professor que já vai nas 104 colocações tem servido para demonstrar até extremos chegou o caos no ministério da Educação entregue por Passos Coelho a Nuno Crato. Muito acertadamente, segundo o próprio Coelho.
Há dois modos de encarar o desastre na colocação dos professores e as declarações de Passos Coelho em defesa do ministro da Educação: a sério ou a brincar.
Se levados os casos a sério, temos de convir que Coelho e Crato são, pelo mínimo dos mínimos, incompetentes. E em grau nunca visto, nos cargos que um e outro, respectivamente, ocupam. Aliás, as declarações de Passos Coelho confirmando a bondade da escolha do ministro Crato são de tal forma insensatas e incongruentes que fica a dúvida sobre se o fulano "tem os 5 alqueires bem medidos".
Como recuso encarar a história pelo lado sério, atentas as consequências, resta ver o caso pelo lado jocoso, impondo-se a conclusão, vistas as coisas deste modo, de que o caso do professor das 104 colocações é a prova de que o ministro Crato está a efectuar um teste sobre o dom da ubiquidade.
O único caso de ubiquidade de que tenho conhecimento é o de Santo António que apareceu em dois lugares ao mesmo tempo: a  pregar em Pádua e a livrar o pai da forca em Lisboa.
Crato, por certo, conhecedor de um tal exemplo, está, tudo o indica, a testar os limites da ubiquidade, para averiguar em quantos lugares é que uma pessoa pode estar ao mesmo tempo. De facto, só assim se explica que o professor em causa tenha inicialmente obtido umas modestas 75 colocações, e já vá, nesta altura, nos 104 lugares, tudo apontando, aliás,  para a hipótese de o número não ficar por aqui.
Alguém é capaz de imaginar o que acontecerá se o teste de Crato acabar por ser bem sucedido ?
Eu não sou  capaz de antecipar todas as consequências, mas não há dúvida de que, em tal caso, ele terá conseguido levar a bom termo a, por ele, muito falada implosão do ministério da Educação. Realmente, para quê todo um enorme ministério, se Crato, com um professor por disciplina e com um mínimo de gastos, resolve o problema da educação no país e, simultaneamente, a consolidação das contas públicas ?
Se o teste resultar, quem é que ainda se atreve a afirmar que Coelho, ao escolher Crato, não "acertou em cheio"?

E ele não será um ET?


"Quantos de nós querem dizer obrigado?"*

«(...)
Não se esperava que Durão (...) fosse capaz de mudar sozinho o rumo da Europa. A pancada foi demasiado violenta. Dizer que outro no seu lugar teria feito melhor é apenas especular. Mas o pecado que o agora cessante líder da Comissão Europeia diz não ter cometido - a submissão incondicional à austeridade - depressa passou de original a terminal. Na realidade, a cura injetada no soro do doente acabou por matá-lo. O sacrossanto Pacto de Estabilidade e Crescimento ficou-se pela metade. A da estabilidade.
Durão tem razão quando afirma ter conseguido evitar a bancarrota de alguns países europeus, entre eles o nosso. Mas essa, diria eu, não é propriamente uma medalha que alguém goste de ostentar na lapela. Em especial porque essa "vitória" teve uma consequência nefasta: mais de 26 milhões de desempregados e uma profunda crise social, que transformou os europeus do Sul em bandidos e os do Norte em fidalgos. À reiterada pergunta "como sair da crise?", a Europa de Durão Barroso não encontrou uma resposta satisfatória. A Alemanha puxa para um lado, a França e a Itália, a acordar do coma induzido, tentam puxar para outro. É certo que o euro sobreviveu para contar a história. Mas à custa de quê? E de quem?
(...)»
(Pedro Ivo CarvalhoGoodbye, au revoir, adeusinho. Na íntegra: aqui)

(* Eu não.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

" O algodão não engana"


Se na sociedade portuguesa existe, nos dias que correm, algum consenso,  é o que vai no sentido da defesa da realização de eleições legislativas, no segundo trimestre do próximo ano, consenso que é partilhado não apenas por todos os partidos da oposição, mas também por variadíssimas personalidades e entidades conotadas com a direita e que se explica, antes de mais, por considerações de bom senso. Com efeito, sabe-se hoje que o país só disporá de um orçamento aprovado e em condições de entrar em vigor no início de 2016, se as eleições legislativas forem realizadas antecipadamente, não havendo qualquer dúvida de que o interesse nacional reclama que assim suceda.
Tal consenso só não é partilhado por Passos Coelho e pelos seus "rapazes", por razões mais que óbvias e é, por outro lado, certo que se desconhece qual a posição de Cavaco Silva que é, nem mais nem menos, a entidade que pode tomar a decisão sobre o assunto.
Embora se não conheça a opinião de Cavaco sobre o tema, sabe-se, todavia, que faz parte da retórica do seu discurso a invocação do "superior interesse nacional" para justificar a sua actuação como presidente da República.
Não havendo, neste caso, atento o consenso generalizado, dúvidas sobre qual a decisão conforme com o interesse nacional, que, já vimos, vai no sentido da realização antecipada das eleições, é óbvio que Cavaco tem à sua frente um teste que tirará qualquer dúvida sobre o que ele entende por "superior interesse nacional".
De facto, se Cavaco não tomar qualquer iniciativa no sentido da realização antecipada das eleições, ficaremos a saber, sem margem para dúvidas, que, para Cavaco, o "superior interesse nacional" se confunde, ou com o seu interesse pessoal, ou com o interesse do seus correligionários. Com o interesse nacional propriamente dito é que nada tem a ver. Em "abono" de Cavaco sempre se poderá dizer que "simples interesse nacional" não é exactamente a mesma coisa que "superior interesse nacional".
Ironia à parte, repito que margem para dúvidas é que não há, porque se trata de um teste do tipo "o algodão não engana".
Não antecipo qual virá a ser a decisão de Cavaco perante este teste, a que ele não tem maneira de escapar, mas atrevo-me a adiantar que o teste é também a última oportunidade ao seu dispor para evitar que a sua saída do palácio de Belém se faça pela porta dos fundos.

sábado, 18 de outubro de 2014

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Em decomposição


O secretário de estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho demitiu-se na sequência da publicação de notícias acusando-o da prática de plágio.
Quem não se demitiu, nem foi demitido, apesar do estado de decomposição do actual governo, foi o ministro da Educação, responsável politicamente pelo maior desastre de que há memória no iniciar do novo ano lectivo.
Repetindo o que já disse alhures, tal só é possível, porque a espécie de primeiro-ministro que preside ao governo em decomposição não tem o sentido do olfacto para se aperceber do fedor que o "morto" exala. 
Também é óbvio que do mesmo mal sofre o inquilino de Belém para consentir que o "cadáver" permaneça insepulto. Aparentemente tem nariz, cheiro também não tem, pela certa. 
(imagem daqui)

O último!

" A melhor coisa que há para dizer do último orçamento deste Governo é que é o último."

(Pedro Silva Pereira. Extractado daqui)

Graças a Zeus à Constituição da República!

Não é óbvio?

«(...)
As eleições legislativas do próximo ano deviam ser o gatilho desta discussão que se agiganta na Europa: podemos ser rigorosos e ambicionar crescimento? Podemos tentar, pelo menos tentar, uma outra via para sair da crise, que acautele o modelo social, que não implique mais despedimentos, mais cortes salariais e nas pensões, que pense, em primeiro lugar, nas pessoas e só depois nos gráficos e nos ratings? Podemos, de uma vez por todas, explicar à senhora Merkel que entre ter mais défice orçamental ou menos fome entre as crianças, nós escolheremos sempre a segunda? E não é isso óbvio?»
(Pedro Ivo Carvalho;" Você decide: menos défice ou mais fome". Na íntegra: aqui)

(Obs. Para Passos Coelho e demais elementos da Comissão Liquidatária a que alegadamente preside, é óbvio que não.)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Esmagados!

"Esmagados pelos impostos" é o que a capa do "Público" exprime relativamente ao OE para 2015.

Pedro P. C. Bush

"Passos ficará na história portuguesa recente como George W. Bush ficou na dos Estados Unidos dos últimos anos."
(Daniel Deusdado; Extractado daqui). 

Orçamento: das duas, uma

«O que mais choca neste Orçamento é, pois, não estar explicado como vai ser garantida a "neutralidade fiscal" no IRS que vai descer para as famílias numerosas, nem quanto nem como desce, nem como vão os impostos verdes reformar a economia e penalizar os consumos e as produções poluentes. Ou o governo ainda não sabe o que quer, e então este Orçamento é um fantoche, ou sabe e não quer dizer, e então o Orçamento é uma dissimulação.»
(Pedro Santos Guerreiro. Extraído daqui)

E porque não um Orçamento fantoche e um Orçamento dissimulação em simultâneo? 

Uma tropelia do Citius?


Ao assumir a presidência do BES, Vitor Bento pediu a reforma antecipada do Banco de Portugal segundo aqui se noticia. Entretanto, no mesmo local afiança-se que Vitor Bento voltou na segunda-feira ao Banco de Portugal (BdP) como consultor do Conselho de Administração.
Como se trata de gente supostamente séria, algo de muito estranho se deve ter passado entretanto, para que alguém que se desligou do Banco de Portugal para poder assumir, num primeiro momento, a presidência do BES e, posteriormente, a presidência do Novo Banco, possa aparecer agora vinculado de novo ao mesmo Banco de Portugal. Terá sido mais uma das muitas tropelias do Citius que já chegou ao Banco de Portugal e fez desaparecer o processo de reforma de Vitor Bento?
Infelizmente, não é de excluir uma segunda hipótese, pois, aparentemente, em Portugal, já se perdeu a noção de decência e até a de legalidade. Pelo menos, no sector financeiro.
(Reeditada)
(Imagem daqui)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Mais 2 décimas de desconfiança

Como confiar nesta gente que há três e anos e meio vem (des)governando o país, se o que tem para oferecer, uma vez mais e logo à partida, são mais duas décimas de desconfiança?

Avisem Bruxelas!

Contrariando o próprio Passos Coelho e a ministra das Finanças que,  só tarde e a muito custo, se renderam ao que era evidente para qualquer pessoa com umas noções de contas de diminuir e de somar, Cavaco Silva veio afirmar terminantemente que, em nenhuma circunstância, os contribuintes terão que suportar o custo da resolução do problema do BES, por via das eventuais perdas que a Caixa Geral de Depósitos venha a suportar por via dessa resolução. Essas perdas, deduz-se da explicação cavaquista, como que se dissolvem no âmbito da actividade mercantil desenvolvida pela Caixa e, consequentemente, são irrelevantes do ponto de vista dos contribuintes. Nada mais falso. Essas perdas não se diluem. Pelo contrário, vão aparecer no balanço e é, por isso, possível saber os custos que o Estado e os contribuintes serão chamados a suportar.
Aliás, pela lógica desta peregrina tese, seríamos também compelidos a considerar que para o Estado e, naturalmente, para os contribuintes, são também completamente irrelevantes os prejuízos de toda e qualquer empresa pública, na medida em que também essas empresas desenvolvem uma actividade mercantil, onde as perdas milagrosamente (!) se esvaneceriam.
Estranhamente, as dívidas dessas empresas são contabilizadas, salvo erro, como dívida pública, E, como é óbvio, não deviam sê-lo, se nos ativermos à lição de Cavaco.
Teremos que avisar Bruxelas, ou será melhor não?

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Mentiroso, desmemoriado e desprovido de olfacto


É quase unânime a opinião no sentido de que a realização das eleições legislativas deve ter lugar antes do Verão do próximo ano, avultando entre as razões que têm sido invocadas o facto de que só nessas condições é possível assegurar que o orçamento para 2016 venha a ser elaborado pelo Governo que o irá executar, argumento que me parece decisivo e que deve prevalecer face a quaisquer outras considerações, por ser o único consentâneo com o interesse nacional.
Sabe-se, no entanto, que não é essa a opinião de Passos Coelho que já se manifestou publicamente contra a antecipação da realização das eleições. Não falta, porém, quem ache que essa solução até para o alegado primeiro-ministro seria vantajosa, atento o estado de decomposição em que se encontra o seu governo, estado de que ele, pelos vistos, ainda se não deu conta, o que é muito mau sinal. De facto, a ser assim, Passos Coelho, que já era tido, de há muito, na conta de mentiroso, e mais recentemente, de desmemoriado, revela que tem também graves deficiências ao nível do olfacto.
(Imagem daqui)

Sim, mentem!

Descarada e repetidamente.

Alguém ainda tem dúvidas ?

De que "Eles mentem.Uma e outra BES"

domingo, 12 de outubro de 2014

Bem mais loucos do que o suposto!

Fazer uma maratona de 18 horas para aprovar a proposta de lei do Orçamento de Estado é coisa de loucos, escrevi eu, mas, visto isto, forçoso é concluir que os tipos são bem mais loucos do que o suposto. 
Se o eleitorado tiver dois dedos de testa (não é preciso mais) onde é que esta gentinha estará em 2016?

É de loucos!

A sério. E deixam-nos exercer governar, o que é ainda mais espantoso!

sábado, 11 de outubro de 2014

Sinais de "sucesso"

A sacanice compensa?

«(...)
O défice orçamental de 2014 não ficará abaixo dos 4,8%. A dívida pública cresceu quase 40 pontos percentuais face a 2010. O desemprego está mais alto e o crescimento é mais baixo do que o objetivo fixado. O défice externo não foi corrigido. O orçamento navega à vista, entre cortes de salários, pensões e transferências sociais e aumentos de taxas e impostos. O ataque às rendas excessivas foi brando e o saneamento financeiro das empresas públicas de transportes está por concluir. E, contudo, parece que Bruxelas, Frankfurt e Washington deixaram de estar muito preocupadas. Até há quem já veja "margens", "folgas" e outras delícias semelhantes......

Como é isto possível? Como se explica que os mesmos que nos obrigaram a castigar sem contemplações um povo e uma economia inteira, porque tínhamos um problema de finanças públicas, se mostrem agora tão benevolentes, quando, em certos aspetos, o problema até se agravou?

Parte da resposta está aqui: ao contrário do que disse, a troika sabia que a causa do problema português não era apenas, nem sobretudo, interna. A partir do momento em que a intervenção do Banco Central Europeu pôs alguma ordem nos mercados financeiros, os juros das dívidas públicas desceram expressiva e consistentemente para valores razoáveis. Os Estados deixaram de ser presas fáceis da especulação. A "crise das dívidas soberanas" perdeu dramatismo.

Mas a outra parte da resposta é política. E essa é a parte mais importante.

O mandato implícito no chamado programa de ajustamento era este: alterar o equilíbrio político-económico, a favor do capital; embaratecer o fator trabalho, diretamente e através da redução significativa da provisão de bens públicos, fosse na educação, na saúde ou na proteção; e acelerar a integração subalterna de Portugal na economia internacional, através da privatização do que restava de empresas públicas e da renúncia a qualquer estratégia política de defesa dos interesses e centros de decisão nacionais.

Este mandato não colhia nem colhe o apoio de todas as forças que contam na Europa. Pelo contrário, é motivo de uma tensão que está à vista. Paris não pensa o mesmo que Berlim, Roma não pensa o mesmo que Helsínquia, Estrasburgo não pensa o mesmo que Frankfurt, que por sua vez já não pensa o mesmo que Berlim. E assim por diante. Nem esse mandato de destruição do tecido económico e social pode ser imposto tal qual, contra um certo nível de oposição dos países. A Espanha e a Itália resistiram-lhe com estrondo e sucesso, à França e à Holanda nem se sonhava aplicá-lo, a Irlanda soube adequá-lo a si pelo menos tanto quanto se ajustava a ele.

Mas Passos Coelho esteve sempre do lado dos que forçavam este mandato, sempre se declarou convicto da sua razão e executor zeloso das suas consequências práticas. Teorizou, aliás, abundantemente sobre as "responsabilidades" do Estado social na anemia económica portuguesa, o "arcaísmo" da Constituição e a necessidade de "ir mais além da troika". O seu Governo falhou no défice orçamental, no défice externo, na dívida, na redução da despesa, na moderação fiscal. Mas não falhou no enfraquecimento brutal das condições de vida e do poder negocial dos trabalhadores. Não falhou na desvalorização radical do Estado. Não falhou na rutura do contrato social. Quase não falhou nas privatizações a eito e sem critério. E nem se esqueceu de faltar à defesa dos interesses nacionais, assistindo passivamente (para dizer o menos) à destruição de pilares da economia nacional, como os casos da TAP, do BES e da PT emblematicamente ilustram.

A troika recompensa-o agora, encolhendo os ombros a mais um ano de insucesso nas finanças públicas. É uma triste recompensa? Pois é. Mas o prémio tinha de ser tão miserável como o mandato imposto, cumprido e premiado.»
(Augusto Santos Silva; Mandato cumprido. Na íntegra: aqui)

A resposta à pergunta em título é, pelos vistos, sim.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A prova dos 9

Depois da contraprova, a prova dos 9.

De vento em popa!...


O país vai de vento em popa, diz este governo, apesar de a economia estar de pantanas. Como está à vista. Ou não está?
(Reeditado)

"A mentira tem perna curta e a versão oficial sobre a resolução do BES coxeia a olhos vistos"

"(...)
Apesar da patética protecção da Comissão Europeia, Governo e Governador do Banco de Portugal não podiam ir longe com a sua história da carochinha. Acabaram apanhados em flagrante e em delito. 

Quando muito se falava no Decreto-Lei aprovado à pressa num célebre Conselho de Ministros eletrónico, ocorrido no Domingo, dia 3 de Agosto - o próprio dia em que foi anunciada a resolução do BES - fui à SIC Notícias, numa entrevista com a Ana Lourenço (6-8-14), chamar a atenção para um outro diploma mais importante, que até então tinha passado despercebido. Tratava-se do Decreto-Lei que definiu o quadro jurídico ao abrigo do qual viria a ser feita a operação de resolução do BES e que foi aprovado de urgência no Conselho de Ministros de 31 de Julho, quinta-feira, o dia seguinte à divulgação dos prejuízos do BES. A relação desta iniciativa legislativa com a crise do BES era tão óbvia que, como então assinalei, o Governo preferiu omitir a sua aprovação no habitual comunicado do Conselho de Ministros e o Presidente da República acedeu a fazer uma promulgação simplex, despachada no próprio dia. Apesar do Governador do Banco de Portugal insistir que a decisão de resolução só foi tomada na tarde de sexta-feira, dia 1 de Agosto, o que tudo isto mostra é que antes dessa data estavam já em curso os actos preparatórios da resolução, actos esses que seriam, necessariamente, do conhecimento de múltiplas pessoas (pelo menos do Banco de Portugal, do Governo e da Presidência da República). E isto numa altura em que as acções do BES permaneciam cotadas em bolsa e sem que a CMVM fosse informada destes factos relevantes ou fossem adoptadas quaisquer medidas para assegurar a defesa do mercado. Certo é que, entretanto, muita gente perdeu dinheiro enquanto outros o salvaram: entre quinta e sexta-feira, as acções do BES desvalorizaram cerca de 65% e só nos últimos 42 minutos antes da suspensão da cotação foram transacionadas em bolsa nada menos do que 80 milhões de acções!

A revelação pelo Diário Económico de um documento da Direcção-Geral da Concorrência (DGComp), da Comissão Europeia, que prova que o processo que levou à autorização por Bruxelas da utilização de dinheiros públicos na resolução do BES teve afinal início a 30 de Julho confirma, para lá de qualquer dúvida razoável, que os actos preparatórios da operação de resolução são bem anteriores à tarde do dia 1 de Agosto. É certo, a Comissão Europeia, muito solícita, apressou-se a explicar que foi por sua própria iniciativa que deu início ao processo, a título de "monitorização da situação", depois de terem sido divulgados os prejuízos do BES. Só que esta explicação não bate certo. Em primeiro lugar, porque os resultados do BES só foram divulgados depois das dez da noite, hora de Bruxelas, e ninguém acredita que os funcionários da DGComp estejam de vigília aos resultados dos bancos ou andem a fazer noitadas para dar início a este tipo de processos administrativos. Em segundo lugar, porque o documento revelado pelo Diário Económico refere, expressamente, a base legal que serve de fundamento à abertura do processo: o artº 107º, nº 3, alínea b) do Tratado de Funcionamento da União Europeia. Vale a pena ler o que lá está escrito: "Podem ser considerados compatíveis com o mercado interno os auxílios (concedidos pelos Estados) destinados a fomentar a realização de um projecto importante de interesse europeu comum ou a sanar a perturbação grave da economia de um Estado-Membro". O que isto quer dizer é simples: o processo iniciado em Bruxelas nunca foi um processo de mera análise dos prejuízos de um banco. Foi, desde o início, um processo de apreciação da compatibilidade dos auxílios de Estado ao BES com as regras do mercado interno. Aliás, a DGComp não tem por função supervisionar bancos em dificuldades. Trata, isso sim, do respeito pelas regras da concorrência. E estas só estavam em causa não porque o BES tinha prejuízos mas porque estava em preparação a sua resolução. 

Diz o povo que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. E uma coisa é certa: anda muita gente a coxear nesta história."
(Pedro Silva Pereira; "Já leu o artigo 107?" Daqui)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Contra provas não há argumentos.

Os resultados das "primárias" provaram à saciedade que Seguro estava a mais, mas para quem ainda tinha dúvidas, os resultados da sondagem Aximage têm a utilidade de servir de contraprova. E contra provas não há argumentos. Não é? 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Buda(s)

Num país, como o Sri Lanka, em que a maioria da população (à volta de setenta por cento) é budista, a existência de numerosas representações de Buda, não constitui propriamente uma surpresa. Surpresa poderá ser a diversidade dessas representações, algumas de grande beleza, outras, a meu ver, nem tanto. Deixo. no entanto, o julgamento final ao visitante a quem proporcionarei, em próximos "posts", umas quantas imagens  recolhidas durante uma recente viagem àquele país.
Começando por um dos mais belos exemplares que me foi dado observar. Trata-se, no caso,  de uma estátua com cerca de 12m de altura, talhada no século V num bloco de rocha granítica, estátua que é conhecida pela designação de Buda de Avukana.




terça-feira, 7 de outubro de 2014

O Muro das Lamentações

A Justiça, a Educação, a Saúde, em suma, o país, está um caos e o governo feito em cacos, mas quantas mais vezes ouço Cavaco, mais me convenço que o Palácio de Belém se transformou no Muro das Lamentações. Sede da Presidência da República é que já não é.

sábado, 4 de outubro de 2014

"Até que a voz me doa"

"(...)
O último governo do PS foi o de Sócrates. O qual particularmente se empenhou em afrontar os problemas e fragilidades fatais de que Portugal padece, há muitos anos. A vida de todos nós depende disso. Mas logo foi acrescentado que fez tudo isso à bruta, com demoníaca sobranceria, pondo em desnecessário risco a democracia, essa coitada. O marquês de Pombal foi um notável governante, no século que lhe coube. Mas nós nem sequer nos questionamos sobre o que poderia ele ter feito, sem trucidar à partida a arrogância dos Távoras, sem incendiar previamente a escuridão da noite jesuíta. Limitamo-nos a pensar que o marquês era uma besta, ou ouvimos dizer isso e ficámos calados. Por cobardia pura, ou por ignorância crassa . Ora vejamos:
Na Saúde, Sócrates prosseguiu o SNS, saído das mãos do ministro Arnaut. Na Segurança Social, com Vieira da Silva, incrementou a protecção social, sem a qual metade dos portugueses caem de imediato na penúria mais crassa. Na Educação, com a ministra Lurdes Rodrigues, melhorou a escola pública, renovou instalações, criou oportunidades para adultos, introduziu línguas e tecnologias. E queria avaliar os professores, um quarto dos quais não possui capacidade nem conhecimentos para ser profissional do ensino. Aí entrou em cena o tribuno Nogueira, que desceu a avenida à frente das suas legiões, e retirou 300 mil votos ao PS em 2009. Mas o comité central conquistou cinco pontos eleitorais, é do que vive. Na Ciência, com Mariano Gago, a universidade portuguesa atingiu reconhecidos patamares de excelência, com efeitos que ainda sobrevivem. NaJustiça afrontou interesses corporativos das eminências da beca, e suportou-lhes por isso o azedume da bílis. Na Economia abriu campos de acção, nas viaturas eléctricas, nas energias renováveis, nas indispensáveis infra-estruturas, nas novas tecnologias. NasFinanças tinha recebido, em 2005, um défice de 7% e uma dívida de cerca de 90% do PIB. Em 2007 o défice estava em 2,9%. 
Em 2008 chegou da América a sarna do subprime. Seguindo as instruções da União Europeia, esse ninho de elites traiçoeiras, Sócrates abriu os cordões à bolsa para responder à crise. Aumentou o investimento público e o défice voltou a subir. Em 2010, perante a queda da Grécia e da Irlanda, perante isso da austeridade e o acosso das agências de rating, Sócrates apresentou o PEC IV. O resto é bem conhecido. 
Diga-se então clarinho, para se perceber bem: Sócrates foi o melhor primeiro-ministro que Portugal conheceu, na era democrática. Foi longamente acossado e ainda hoje é homiziado pela oligarquia alarve, pelos seus lacaios avençados, e pela estupidez atávica dos portugueses, cujo fadário é serem os cafres da Europa. Agora desesperam muitos, mas só podem contar consigo próprios
(Jorge Carvalheira. Na íntegra: aqui. Destaques meus)

Muito honesto o Marinho. Ou será o Pinto?

"Não é lícito alcançar o poder com recurso à mentira, ao logro e à fraude política" - Marinho e Pinto (M.P.), 1/2014.

"Aprecio o Movimento Partido da Terra porque está há anos na política portuguesa e as pessoas permanecem fiéis aos seus ideais. Essa ideia de barriga de aluguer, não. Há uma convergência de convicções, de valores, que me aproximou deste partido mais do que de qualquer outro. (...) quem vai pagar a campanha é o MPT, eu dinheiro não tenho" - M.P., 1/2014.

"Fui eu quem foi ter com o MPT. É um partido de gente boa, séria, que não anda na política com interesses pessoais" - M.P., 1/2014.

"O MPT é liderado por cinco amigos aqui de Lisboa que utilizam o partido para si próprios e suas famílias" - M.P., 10/2014.

"Vou ser uma formiguinha em Bruxelas" - M.P., 1/2014.

"O Parlamento Europeu só é uma prateleira dourada para quem não quiser trabalhar. Quem quiser, tem muito para fazer. Só é prateleira para aqueles que estão à espera de outros voos" - M.P., 5/2014.

"Só percebi que o PE não tinha iniciativa legislativa quando lá cheguei" - M.P., 10/2014.

"O PE é um faz-de-conta. Não manda nada. Havia indícios, havia sinais, havia algumas denúncias semiclandestinas de que o PE era aquilo que realmente é. Mas não há como estar lá e experimentar" - M.P., 10/2014.

"Sempre disse que ia candidatar-me às legislativas" - M.P., 8/2014.

"Portugal tem uma dívida pública completamente insuportável. É imoral e injusto. Não podemos deixar dívidas para os nossos filhos e netos, pelo menos dívidas incomportáveis" - M.P., 10/2014.

"Podemos precisar de 50 ou 100 anos para pagar, mas temos de afastar essa ideia de cortar a dívida. Pedimos dinheiro emprestado, gastamos o dinheiro e agora pedimos aos credores que nos perdoem? Não! Queremos é que a Europa faça investimento e crie condições de coesão" - M.P., 4/2014.

"Não sei se os deputados ganham tão mal como isso. Não é o dinheiro que atrai os melhores" - M.P., 1/2014.

"Em Portugal os deputados ganham pouco. Não é digno. Os órgãos de soberania em Portugal são mal remunerados" - M.P., 9/2014.

"O nosso regime democrático foi construído por quatro figuras notáveis: o Dr. Mário Soares, o Dr. Freitas do Amaral, o Dr. Álvaro Cunhal, o Dr. Sá Carneiro" - M.P., 1/2014.

"António Costa tem à sua volta um exército de oportunistas, de clientes famintos de lugares e benesses. Se chegar a PM vai levar esses clientes todos para o aparelho de Estado. Quem ficará a mandar neste país é a Mota-Engil, é a Fundação Mário Soares..." - M.P., 10/2014.

"Não vou ceder ao fácil, ao popularucho, não vou ser populista. Quero trazer mais honestidade à política, menos teatro, menos mentira, mais autenticidade" - M.P., 10/2014.

"Os factos notórios não carecem de demonstração. Em política o que parece é" - M.P., 10/2014.

(Fernanda Câncio; Mais honestidade; Daqui)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Já é muito melhor o ar que se respira

Jerónimo e Louçã, a mesma luta!

«Perante uma nova liderança no Partido Socialista, com maior capacidade de mobilização do país para uma verdadeira alternativa política, a esquerda parlamentar à esquerda do PS insiste no mesmo erro de sempre e parece querer escolher o seu lugar do lado de fora.
O PCP, pela voz do próprio Jerónimo de Sousa, apressou-se a classificar como "farsa" (!) o extraordinário exercício cívico que levou quase duzentos mil portugueses às sedes do Partido Socialista e a outros locais públicos para escolherem, por voto livre e secreto, o seu candidato a primeiro-ministro. Certamente orgulhosos da sua longa história de candidaturas únicas votadas de braço no ar, os comunistas não se mostraram impressionados pela abertura e pelos procedimentos democráticos do PS.

O Bloco, por seu turno, que já vinha somando ao seu declínio eleitoral um processo de acentuada desagregação, entrou em nova convulsão interna e viu o seu próprio líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, escolher esta feliz ocasião para se candidatar à liderança em nome de um argumento verdadeiramente extraordinário: o de que a liderança bicéfala de João Semedo e Catarina Martins revelou uma "excessiva abertura" (!I) a entendimentos com o PS.

Certo é que Francisco Louçã, patrono da liderança bicéfala e eterno inspirador do Bloco, acusou o toque. A tal ponto que esta semana teve de vir a terreiro, num longo mas interessante comentário no Público, para confirmar a ortodoxia bloquista e definir a doutrina oficial, explicando que "a esquerda" (leia-se: o Bloco e o PCP) não só fez muito bem em chumbar o PEC IV em 2011 e derrubar o Governo do PS abrindo o caminho à direita e ao FMI, como deve tornar a fazer o mesmo se no futuro um outro Governo "do centro" (leia-se: do PS) insistir na "continuação da austeridade". E é o próprio que desfaz todas as dúvidas: "não estamos a falar do passado, estamos a discutir como se deve comportar a esquerda perante um governo de António Costa".

Os argumentos de Louçã para justificar a posição do Bloco no derrube do Governo socialista são fundamentalmente dois. O primeiro, é uma questão de fé: com o PEC IV "continuaria a pressão financeira e haveria sempre uma posterior intervenção da troika". Não terá grande interesse especular sobre a realidade virtual e menos ainda discutir a fé de cada um. O que sabemos, de ciência certa, é que o PEC IV tinha o apoio formal do BCE e foi esse apoio do BCE que permitiu a outros países, como a Espanha e a Itália, evitar a intervenção da ‘troika'. Até hoje. E nisto é que não há nenhuma questão de fé: são factos. 

O segundo argumento de Louçã merece mais discussão: a esquerda não podia apoiar o PEC IV, diz ele, porque esse programa "não era uma alternativa à austeridade" e não era diferente do programa da ‘troika' senão em "detalhes menores". Deixemos de lado o "detalhe menor" que era todo o contexto da discussão do PEC IV (numa omissão muito reveladora, em nenhum momento Louçã situa as escolhas governativas da época no contexto da resposta europeia à crise das dívidas soberanas, como se fosse possível discutir alternativas em abstracto, independentemente da sua viabilidade concreta) e recordemos apenas alguns dos "detalhes", que Louçã apelida de "menores", e que fizeram a diferença entre o PEC IV e o programa da ‘troika' aplicado pela direita: corte do 13º e do 14º mês dos funcionários públicos e dos pensionistas; aumento do IVA da restauração e da energia para a taxa máxima; "enorme" aumento de impostos, incluindo o aumento de 30% no IRS. Estes e muitos outros "detalhes" levaram à execução do dobro da austeridade inicialmente prevista no Memorando e, sem dúvida, a muito mais sacrifícios do que resultaria de um programa moderado como era o PEC IV, destinado a vigorar enquanto a zona euro acertava o passo, como veio a fazer, na resposta à especulação nos mercados financeiros.

A argumentação de Louçã, como seria de adivinhar, leva-o a uma conclusão taxativa: para aprovar as medidas propostas pelo Governo do PS (o anterior e provavelmente o próximo) a esquerda teria de tornar-se "igual à direita". Não deixa de ser uma conclusão extraordinária. Depois de três anos de governação feroz da direita, frontalmente contra a Constituição e o Estado Social, perante um retrocesso histórico na economia e um brutal agravamento do desemprego, da pobreza e das desigualdades, uma certa esquerda continua a recusar-se a reconhecer a diferença entre o PS e a direita. Mas é aqui que Louçã parece deixar escapar um detalhe que talvez não seja menor: se é para ter quem se limita a repetir esta conversa contra o PS, a esquerda já está servida há muito tempo. Não precisa do Bloco para nada.»
(Pedro Silva Pereira; "A esquerda, Louçã e os detalhes". Daqui)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Novas do "sucesso"

Não vale a pena fingir que um tal resultado não foi querido pela direita no poder, ou seja, por Cavaco, Passos Coelho & Portas. Na verdade, o aumento da injustiça social foi querido, prosseguido e alcançado. A direita pode, pois, com inteira justiça, falar de "sucesso".

Um governo de lacaios

A França e a Itália, apresentaram, esta semana as suas propostas de Orçamento para 2015, propostas que deixam claro que os dois países pretendem mais flexibilidade e mais tempo para reduzir o défice até aos 3%. Ao invés, Portugal, através do seu governo, demarcou-se daquela posição e defendeu que o que foi combinado é para cumprir. E a Alemanha, pelos vistos, gostou. (Fonte).

A Irlanda terá, segundo a notícia, assumido posição idêntica à do governo português, mas das razões da Irlanda não me cabe a mim curar. 
Pelo que respeita a Portugal, há que sublinhar, desde logo, que a notícia nada tem de surpreendente. Desde que tomou posse, o actual governo português tem-se comportado em relação à Alemanha, como um governo de lacaios que sistematicamente aparece a secundar as posições da suserana, por muitos contrárias que sejam aos interesses nacionais. 
Alguma explicação há-de haver para que este governo permaneça fiel a uma relação da qual até hoje Portugal não colheu qualquer benefício, a não ser um ou outro elogio saídos da boca do senhor Schäuble dirigidos, em tempos, ao dr. Gaspar e, ultimamente, à drª Albuquerque, elogios que por certo lhes farão bom proveito mas completamente irrelevantes no que diz respeito aos interesses do país.
Será que quem alguma vez se assumiu como lacaio, como lacaio permanecerá toda a vida? Será esta a possível explicação para tamanha subserviência?

Reforma da justiça?