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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Levem para casa

Não me parece que haja motivo para grandes festejos pelo facto de a agência de notação financeira Standard & Poor’s ter mudado de "negativa" para "estável" a perspectiva sobre a evolução da dívida soberana portuguesa, continuando, no entanto, a atribuir-lhe a classificação de "lixo".
Pergunto eu aos festejantes: Lixo "estável" é bom?
É? Levem para casa.

terça-feira, 7 de maio de 2013

"Enorme sucesso", "coisíssima nenhuma"

O "ave de rapina", mais conhecido por "astrólogo" Gaspar, e também por ministro das Finanças acha que a emissão de dívida pública a 10 anos, que hoje teve lugar, foi um "enorme sucesso".
Ora, não fossem as "condicionantes externas", a que este governo tão amiúde faz apelo para esconder as suas responsabilidades pelo desastre a que conduziu o país e outro galo cantaria.
Nenhuma das razões invocadas, e muito justamente, pela Moody's tem a ver com a actuação do governo, como é mais que evidente e, por isso, nenhum mérito lhe cabe. 
Sobre as rendibilidades elevadas fica tudo dito se recordarmos que Portugal vai pagar juros à taxa de 5,669%, quando a Alemanha se financia, a prazo idêntico, a  juros negativos (-0,4%) o que se traduz num diferencial entre as taxas de juro pagas por Portugal e pela Alemanha, superior a 6%. Isto evidencia claramente que, apesar de os investidores já contarem com a possibilidade de intervenção do BCE nos mercados secundários,  ainda assim atribuem à dívida soberana portuguesa um risco muitíssimo elevado.
Não é, por isso, muito difícil deduzir que, se  não fosse a confiança derivada da possibilidade de intervenção do BCE na compra de dívida soberana, o ministro Gaspar poderia, de facto,  ter ido aos mercados, mas vestido de pedinte e a pedir esmola.
Quando a economia portuguesa recuperar, o desemprego baixar e a pobreza diminuir, Gaspar poderá falar de sucesso. Enquanto tal não acontecer, o melhor que Gaspar tem a fazer é meter a viola no saco não vá alguém, sentindo-se insultado, lembrar-se de lhe enfiar a viola pela cabeça abaixo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vão fazer a vontade ao rapazola

Parece que se esfumou a hipótese de Portugal e a Irlanda virem a beneficiar das condições concedidas à Grécia, no âmbito do seu programa de ajustamento, defraudando-se assim as expectativas criadas pelas afirmações de Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, e alimentadas pelo ministro Gaspar.
A confirmar-se que tal hipótese foi ao ar, quem deve, a estas horas, estar todo satisfeito, é o rapazola que ultimamente tem feito as vezes de primeiro-ministro de Portugal o qual, desde logo, se mostrou algo incomodado com a eventualidade de Portugal aproveitar a boleia.
É que o rapazola não gosta mesmo nada que o Portugal ande à boleia e muito menos à boleia de um país chamado Grécia. Prefere, de longe, que Portugal ande a pé e se for descalço e com toda a carga às costas, tanto melhor.
Ao que tudo indica, os parceiros da Zona Euro preparam-se para lhe fazer a vontade. Lixa-se o país, é verdade, mas também já ninguém espera outra coisa desta espécie de primeiro-ministro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ser lambe-botas não compensa

"O governo alemão rejeitou hoje a hipótese de reduzir os juros dos resgates a Portugal e à Irlanda."
(Notícia integral, aqui)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Ah! Ah! Ah!

Lá se foi o AAA da França!
Ah!Ah!Ah! É muito bem feito! Não sabiam o risco que corriam ao deixarem o Sócrates andar por lá a aprender filosofia? Se não sabiam, ficaram a saber. Nunca é tarde para aprender. Sócrates que o diga.
***
E por cá ? Bom, parece que Portugal, para as três mais importantes agências internacionais de rating, é "lixo".
 Ah! Ah! Ah! Infundada, quando o presidente da Comissão Liquidatária se farta de apregoar que o destino de Portugal é empobrecer; quando a previsão de quebra do PIB, este ano, é a maior das últimas décadas, senão a maior de sempre; quando o ministro Raspar nem sequer é capaz de apresentar previsões para 2013; e quando, finalmente, Passos insiste em somar austeridade a mais austeridade, ignorando as advertências das  próprias agências de rating, segundo as quais o processo de consolidação orçamental "baseado unicamente no pilar da austeridade orçamental arrisca-se a tornar-se auto-liquidacionista"?
Peço desculpa, mas deixem-me rir (Ah!Ah! Ah!) para não chorar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Respigando em seara alheia:"Finalmente alguém sensato"

"O que disse o vice-presidente da bancada do PS e tanta celeuma levantou é o óbvio: um Governo que se preocupasse exclusivamente com os interesses dos portugueses e não fosse um mero núncio local dos interesses dos "mercados" deveria ter como absoluta prioridade a renegociação da dívida.
É hoje claro para quem observa, sem palas ideológicas, a situação portuguesa que nunca conseguiremos pagar a dívida nas condições usurárias que nos foram impostas, as quais, gerando recessão e bloqueando o crescimento da economia, constituem o principal obstáculo a esse pagamento, forçando sempre a novas e sucessivas "ajudas", numa espiral de endividamento cujos resultados estão à vista na Grécia.
Assim, a reestruturação da dívida será, mais tarde ou mais cedo, uma inevitabilidade. Aos credores interessa que seja o mais tarde possível, quando o país estiver já completamente exaurido e sem património que vender ao desbarato. Nessa altura, tudo o que puderem ainda sacar será bem vindo. Aos portugueses interessa que seja já, enquanto ainda dispomos de uns restos de soberania.
A desassombrada afirmação de Pedro Nuno Santos, de que devemos "marimbar-nos para os credores" e usar todas as armas para obter condições que nos permitam pagar o que devemos e sobreviver como país independente, seria o desiderato patriótico de qualquer Governo que não agisse apenas como submissa correia de transmissão dos interesses da Sra. Merkel.
(Negrito meu)
Manuel António Pina in JN

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mais ou menos, tudo na mesma

A cimeira da União Europeia, qualificada à partida como a cimeira do tudo ou nada, terminou, mas, ao que tudo indica, em relação à crise do euro e das dívidas soberanas, a actual situação vai continuar mais ou menos na mesma. 
A UE continua dividida, não apenas devido à intransigência do Reino Unido que pretendia obter "algumas derrogações às regras europeias de regulação dos serviços financeiros", mas sobretudo devido ao facto de o coro continuar desafinado, pois são quase tantas as vozes e os tons quantos os países representados. É verdade que há excepções como é o caso de Passos Coelho cuja voz se rege pelo diapasão da senhora Merkel, mas o número dos afinados não dá para formar um coro que se faça ouvir aos "mercados".
Com a Europa a duas velocidades, sem que se tenham afastado todas as dúvidas sobre a aprovação do acordo intergovernamental a consagrar um novo pacto orçamental entre os 17 países do euro e continuando o BCE a não assumir o papel de financiador de último recurso dos Estados membros, é muito provável que a instabilidade da zona euro se mantenha tal como como as ameaças das agências de rating que, ao que parece, já nem elas acreditam na receita da senhora Merkel/Passos Coelho: “Estratégias de ajustamento que se baseiem apenas num pilar, a austeridade, correm o risco de o remédio tornar a doença pior”.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Quem te avisa, amigo é"

"Espanha paga mais que a Grécia para emitir dívida"

"Hoje, (...) Espanha testou o mercado obrigacionista pela primeira vez após a conquista da maioria absoluta por Rajoy, com a realização de dois leilões de dívida de curto prazo a três e seis meses que tiveram como resultado uma subida explosiva do preço conseguido.

No leilão a três meses, o Tesouro espanhol pagou 5,11% pela emissão de 2.012 milhões de euros, quando há um mês, numa emissão com características semelhantes, tinha pago 2,292%.

Mas não só: foi também um preço superior ao pago pela Grécia (4,63%) a 15 de Novembro numa emissão a 13 semanas, e acima do valor pago pelo Tesouro português numa emissão de bilhetes do Tesouro realizada a 16 de Novembro, que resultou numa taxa média ponderada de 4,895%."

Os "mercados" avisam: não é com Governos de direita, nem com mais medidas austeridade em cima de mais austeridade que se resolve a crise das dívidas soberanas. A lição tanto é válida para o lado de lá da fronteira luso-espanhola, como para o lado de cá.
"Quem te avisa, teu amigo é".

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Não às obrigações europeias

Passos Coelho, contra a opinião de muito boa gente,  por essa Europa fora, incluindo Durão Barroso (que não sei bem se cabe no conceito de boa gente) continua a manifestar-se contra a emissão de obrigações europeias como forma de ultrapassar a crise das dívidas soberanas. Tem sido essa a sua atitude, desde que foi ao beija-mão da senhora Merkel. Não sei se a opção se baseia na preocupação de se apresentar como um "bom aluno" ou se, mais simplesmente, é pura subserviência.
Seja uma coisa, ou seja outra, há de servir-lhe de muito, se a situação grega se degradar até ao ponto de a Grécia se declarar em bancarrota, situação que os analistas consideram cada vez mais provável.
Se se chegar a esse ponto, Portugal não se livra das consequências, como é mais que evidente. Em tal hipótese, muito apreciaria que Passos Coelho explicasse ao país, onde é que ele e o país se agarram para não irmos todos na enxurrada.

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Como foi possível fazer isto ao meu país?"

Os juros da dívida pública  não têm parado de subir desde o infausto dia em que Passos Coelho (PSD), Paulo Portas (CDS), Jerónimo de Sousa (PCP) e Francisco Louçã (BE) decidiram  chumbar o PEC IV, arrastando a queda do Governo liderado por José Sócrates. Desde essa fatídica data, também as agências de notação financeira têm vindo a reduzir sucessivamente o rating da República Portuguesa. Para a Moody's, o rating de Portugal já é "lixo".
Fazendo minhas as palavras de José Sócrates, também eu pergunto: "como foi possível fazer isto ao meu país?"