Se Mário Nogueira não está, bem parece, pela actuação da Fenprof, nos últimos dias, com apelos e declarações a torto e a direito. Quem, pelo contrário, não parece estar, são os "nervosos" por ele presumidos. E, em boa verdade não têm razão para estar, se bem aquilato do julgamento que os portugueses fazem da actuação do Ministério da Educação.
Eu não nego que os professores tenham razão de queixa porque, mal habituados, viram aumentar subitamente a sua carga de trabalho. Do que também não tenho dúvidas é que era necessário surgir alguém determinado a reformar um ensino que, apesar de bem financiado (tendo em conta as possibilidades do país), tinha e continua a ter um fraco retorno em termos de aproveitamento dos alunos. Esse papel tem sido desempenhado pela ministra da Educação, contra ventos e marés, como era e é necessário.
E tanto mais necessário quando é certo que os sindicatos do sector se têm mostrado incapazes de reconhecer que havia necessidade de reformas e que, pelo contrário, tudo têm feito para boicotar as iniciativas do Ministério, isto sem apresentarem propostas que não sejam as da manutenção do statu quo. E, o que é mais grave, que chegaram agora ao ponto de renegarem o Protocolo de Entendimento em matéria de avaliação, que subscreveram.
Se a actuação dos Sindicatos tivesse sido outra, mais maleável, decerto teriam encontrado da parte do Ministério outra postura também, com o que a educação e o país só teriam a lucrar, mas perante a defesa intransigente e à outrance do satu quo por parte dos sindicatos, à ministra não restou (nem resta) outra atitude que não seja a de se manter firme. O poder não está nos sindicatos, nem na Fenprof, nem no senhor Mário Nogueira, mas em que foi eleito para o exercer. Os sindicatos esquecem-se disso com frequência, como se esquecem também que quem governa não tem que ter apenas em conta os interesses de uma classe, por mais importante que seja, como é, de facto, a dos professores.
Uma nota final: Os sindicatos, se querem que o país os leve a sério em matéria de educação (eu, nesta altura, não os levo) e se acham que o modelo de avaliação profissional que acabaram por subscrever (e agora renegam) é inexequível ou desajustado, devem começar por apresentar uma proposta credível nessa matéria, pois a ideia com que se fica, face às declarações que se têm ouvido por parte dos sindicatos, é que estes não querem avaliação nenhuma, ou nenhuma que seja digna desse nome.
Por hoje é tudo, que tenho que ir tirar umas fotografias para corresponder aos apelos dos jornais que leio habitualmente e que, pelos vistos, também andam nervosos.
ADENDA 1 :
Esta é a melhor prova de que a ministra não está nervosa!
ADENDA 2 : Prova de quem está nervoso é o senhor Mário Nogueira e os sindicatos:
Aqui.
ADENDA 3 : Prova de que os jornais também andam com os nervos à flor da pele:
Aqui e
aqui.