quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A culpa é do mensageiro ? Não creio...

Manuela Ferreira Leite queixa-se de que tem dificuldade em fazer passar a sua mensagem nos meios de comunicação social, mas está redondamente enganada. O problema não está no mensageiro, mas na mensagem que, em vez de ouro só traz pechisbeque.
E nem é preciso fazer pesquisa, para o demonstrar. Basta atentar em "pérolas" como esta proferidas na mesma ocasião (ontem em Fátima, terra de milagres):
"Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite". Então quem ? Ela ? (Pergunto eu)
Pergunto-me se é possível demonstração mais cabal de um espírito tacanho. Em vez de mostrar as "jóias", guarda-as a bom recato, com receio de lhe serem roubadas. Mas se as guarda, como é que chegam ao nosso conhecimento ? (Pergunta puramente retórica, porque, infelizmente, o cofre está vazio).
E como é que se pode queixar do mensageiro, se ela mesmo afirma que guarda a mensagem?
Contradição irresolúvel!
E, já agora, volto a interrogar-me: Que mal tem se as suas "excelentes" ideias forem copiadas ? Não saberá ela que mais vale o original do que a cópia ? Demonstre ela que tem ideias que, ainda que copiadas por outrem, não deixarão de lhe ser atribuídas. Oxalá as tivesse!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O melhor é virar-me para os passarinhos ...

Bando de gaivotas na Praia de S. Torpes (Sines)
(Para ampliar, clicar sobre a imagem)

"Case study" em duplicado

Questionado sobre a recente manifestação dos professores, Cavaco Silva não se quis pronunciar, mas lembrou que existe “direito constitucional à manifestação”, diz o PUBLICO.PT
Aqui temos o exemplo perfeito de uma não-notícia e de uma lembrança escusada.
Nem a "notícia", nem a lembrança adiantam nada.

Change ... Yes he can !

Com Barack Obama, as mudanças já começaram e o 20 de Janeiro ainda vem longe ...
"El presidente electo de Estados Unidos, Barack Obama, pondrá en marcha nuevas normas que restrinjan el poder y la influencia de los lobbistas en su futura Administración, que debutará el próximo 20 de enero. "Barack Obama ha prometido cambiar la forma en la que funciona Washington y reducir la influencia de los lobbistas", ha dicho John Podesta, copresidente del equipo de transición presidencial, durante una rueda de prensa en Washington.
Esas reglas prohibirán a los miembros de grupos de presión donar dinero durante las semanas de transición entre la Administración Bush y el nuevo Gobierno de Obama, una norma que ya aplicó el demócrata durante su campaña electoral. Además, todo aquel que haya desarrollado en los últimos 12 meses actividades de asesoramiento político en el marco de un lobbie no podrá trabajar en la misma áerea durante la etapa de transición entre las dos presidencias. De la misma manera, los políticos que trabajen durante la transición y después sean contratados por lobbies no podrán tener acceso a la Administración en un año.
Al parecer, varios grupos de presión han ofrecido estos días recomendaciones al equipo presidencial sobre quién debe ocupar los cargos de relevancia en el nuevo Ejecutivo, informa la BBC. Pero con Obama parece que han topado con un hueso duro de roer. Tanto él como John McCain acentuaron en sus respectivas campañas el lado populista de sus mensajes y cargaron fuertemente contra el poder, a su juicio desmesurado, de los grupos de interés en Washington. "Hay que acabar con los lobbistas de una vez por todas, de tal forma que sus oscuras negociaciones de pasillo nunca más se impongan a las voces de la clase media y a los intereses comunes de los norteamericanos", llegó a decir Obama.
(in EL PAÍS.COM)

BUSH: A confissão, a imagem e a responsabilidade

A forma genuinamente simpática com que George W. Bush saudou a eleição de Barack Obama, o modo pronto e amistoso com que o recebeu na Casa Branca, a sua preocupação em que a fase de transição entre a sua administração e a do presidente eleito corra de maneira perfeita, a par das suas recentes confissões à CNN, talvez justifiquem uma revisão da ideia (decerto preconceituosa como tantas outras) que pessoalmente tinha e tenho do Presidente cessante dos Estados Unidos.
Político "tosco", sem dúvida, facilmente influenciável pela sua entourage "neocon", como tudo indica, porventura ingénuo em demasia e manifestamente não dotado para desempenhar o cargo para que foi eleito, são pontos assentes e assim continuam. Bem intencionado, admito-o agora, sem o livrar das pesadas responsabilidades que a ele e a outros cabem. O Iraque e Guantánamo, designadamente, são nódoas que a história não apagará facilmente. Mesmo os não especialmente dotados têm obrigação de saber até onde podem ir e têm por isso de arcar com as suas responsabilidades, ainda que as dos instigadores não sejam menores.

Ao que se chegou !

Felizmente ainda há gente honrada nos sindicatos. Era suposto que sim e a afirmação supra confirma-o. A Zeus, graças.
O senhor Mário Nogueira, a não ser que dê boas explicações para as patranhas que inventa, (explicações que admito sempre como possíveis) é que já não se livra do ápodo de "mentiroso". Que ele era pouco escrupuloso no respeito pelo acordos celebrados, já se sabia e ficou demonstrado. Que também merecesse o novo qualificativo, fica registado, até prova em contrário.
Mesmo em situações de luta, convém não perder as estribeiras, sob pena de perda de credibilidade (digo eu) quando ainda se tem alguma (acrescento).

Dar palpites é fácil, julgar nem tanto ...


Alinhando na corrente, até aqui no blogue se considerou, em determinada altura, que terá havido da parte do BdP falhas em matéria de supervisão nos casos do BCP e do BPN.
Constâncio nega a existência de falhas, ou pelo menos a responsabilidade do BdP em não ter detectado, com antecedência, as irregularidades.
Considerando que Vítor Constâncio já deu provas, por mais do que uma vez, incluindo quando desempenhava funções políticas, de que actua com seriedade, seria estultícia da minha parte pôr em dúvida as suas palavras. Até porque é verdade que não é por existirem polícias que deixa de haver ladrões. E dar palpites é uma coisa, julgar é outra.
ADENDA: Justifica-se uma visita aqui, para se ver até onde chega o descaramento!

Este homem é uma "inteligência"

Decisão do governo regional da Madeira / Jardim avalia professores com “bom” por portaria.

Afinal, resolver o problema da avaliação dos professores até é fácil. Basta ter a lata e a "inteligência" de A.J. Jardim!
Senhores do "Contenente": Por que razão não seguem o exemplo desta luminária ?
(Imagem daqui)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ir à busca de lã e vir tosquiado

A crer na mais recente sondagem Correio da Manhã/Aximage (gráficos aqui ) a intenção de voto no PS, ao contrário dos "temores" revelados por comentadores deste "post" sobe, pese embora a contestação que o governo tem sofrido, por parte dos professores e dos seus sindicatos, nos últimos tempos.
Nestas circunstâncias, pergunto-me sobre se à contestação dos professores e à sua última manifestação não se poderá aplicar o velho ditado do "Ir à busca de lã e vir tosquiado".
Dir-se-á que a sondagem é anterior à manifestação e é verdade. Dá-se, porém, o caso de a contestação ser anterior e de a manifestação, pelo que se lia nos jornais, ter um sucesso antecipadamente garantido.

A necessidade aguça o engenho ...


... ou de como em Portugal também se fazem apostas certas...

"Portugal apuesta por las energías renovables para reducir la dependencia del petróleo y lograr un desarrollo sustentable. El país tiene recursos naturales inmejorables para la producción de energía eléctrica, térmica y biocombustibles. Sol, viento, mar en abundancia. Y pocos habitantes. En tiempos de crisis, el mensaje oficial recomienda más ahorro y menos contaminación, y las autoridades predican con el ejemplo. En los tejados del palacio de Belem (Lisboa), que alberga la presidencia de la República, 126 paneles solares miran al cielo para aprovechar los rayos del astro rey. En los jardines del palacio de São Bento, sede del primer ministro, las aspas de una microturbina eólica giran al ritmo del viento.
Portugal dobla ya el objetivo para 2010 de la UE en consumo de energías renovables
La central solar de Amaraleja tiene 262.080 paneles y es la mayor del mundo
Sin petróleo, carbón, ni gas, y sin tecnología nuclear, Portugal asume el reto de liderar la revolución en Europa por una energía más limpia. La mayor central solar del mundo está en una gran planicie de Alentejo, en el sur; entre las montañas del norte, junto a la frontera con Galicia, se levantan los aerogeneradores del primer parque eólico de Europa; Portugal es desde septiembre pionero en la producción de electricidad a partir de la energía de las olas; y la compañía eléctrica estatal EDP Renovables ha inaugurado su decimocuarto parque eólico en Estados Unidos.
La Unión Europea estableció a través de la directiva comunitaria 2001/77 la meta de lograr en el año 2010 una cuota de consumo de energía de fuentes renovables del 22%. Portugal ya cumple con creces este objetivo, pues el año pasado estaba en torno al 42,1%, que le sitúa en el tercer lugar de la UE, detrás de Austria y Suecia. España ocupa la quinta posición, con el 29,4%.
La energía eólica es la punta de lanza y la más promisoria de las energías alternativas en el país vecino. En los últimos ocho años el crecimiento anual de los parques eólicos representó el 59,5% de la potencia total instalada de renovables, según un informe publicado hace unas semanas por el servicio de investigación del Banco Espirito Santo. En 2007, este banco fue líder en Portugal y tercero en el mundo en financiación de proyectos eólicos.
Entre los objetivos para 2010, el Gobierno del socialista José Sócrates pretende pasar de 2.526 megavatios instalados en junio de 2008 a 5.700 megavatios de energía eólica, con una inversión de 3.333 millones de euros, de un total de 5.500 millones de euros en renovables.
Una carretera empinada y sin asfaltar desde la localidad de Valença hacia la sierra de Anta conduce al parque eólico Alto Miño 1, en el extremo norte de Portugal, junto a la frontera con España. Diseminados a lo largo de 27 kilómetros de valles y montes de pino, eucalipto y carvalho (árbol autóctono de la zona), 120 aerogeneradores producirán 240 megavatios a final de año, cuando estén todos a pleno rendimiento. Se trata del campo eólico de mayor potencia de cuantos hay instalados en Europa, según datos de José Miguel Oliveira, director de Empreendimentos Eólicos do Vale do Minho (EEVM), la empresa que desarrolló Alto Miño 1, con participación de Endesa (32%).
En lo alto del monte y entre las nubes bajas asoma una pala de un molino de viento gigantesco que gira lentamente. Es un aerogenerador o turbina eólica, de 78 metros de altura. Más allá hay otro, y otro, y otro... Hasta 120 artefactos de los cinco subparques de Alto Miño 1, unidos en uno que enlaza con la red. El río discurre en paralelo a seis kilómetros, a lo largo de la frontera. "Antes de construir un parque eólico hay que estudiar a fondo el viento, las temperaturas de la zona, la lluvia. Durante cuatro años medimos el viento, que dividimos en tres categorías: débil, medio y muy fuerte. Aquí tenemos de las dos últimas", explica Oliveira.
Abajo se ve Anhoes, un pueblecito de 200 habitantes. Los pobladores de estos valles están felices con los enormes artefactos. Es cierto que afean el paisaje, piensan, pero al mismo tiempo han comprobado que el parque eólico ha traído dinero fresco. La empresa paga una buena suma a cada una de las 16 freguesías (consejos), que son los propietarios de las tierras: 840.000 euros al año. Además, los cuatro ayuntamientos recibieron una participación del 15%, que posteriormente vendieron por 20 millones de euros.
El parque eólico evita las emisiones de CO2, unas 370.000 toneladas al año, lo que constituye su mayor virtud desde el punto de vista ambiental. Pero no hay que engañarse. Este tipo de instalaciones, sin duda más ecológicas que una central térmica por ejemplo, tiene también un impacto en el medio ambiente, según admite José Miguel Oliveira. Durante la fase de construcción hubo tala de árboles y algunos animales autóctonos desaparecieron del medio. Ya en funcionamiento, algunas aves y, sobre todo, murciélagos son diezmados por las aspas, que alcanzan los 40 metros de altura.
En el otro extremo del país, en la región con más horas de sol de Europa (3.000 al año), un mar de espejos gigantes ocupa 320 hectáreas, entre campos de olivos y encinas. La central solar de Amaraleja está en el sur de Portugal y es la más grande del planeta. Tiene nada menos que 262.080 paneles que, perfectamente alineados, se mueven durante todo el día en un sistema de seguimiento del sol que optimiza la producción eléctrica. "Ésta es la mejor zona de Portugal, tiene más horas de sol que el norte de África", dice el ingeniero Francisco Aleixo, director de esta central, que pertenece al grupo Amper Central Solar (propiedad de Acciona Energía).
Los paneles de silicio policristalino captan la luz solar, que es transformada en electricidad, de corriente continua a corriente alterna, en colectores desperdigados en toda la central. La planta tendrá una potencia máxima de 46 megavatios, que garantiza el suministro de 30.000 viviendas. La inversión total fue de 260 millones de euros, lo que indica que la energía solar sigue siendo la más costosa de las renovables. "Cuanto más se invierta, más bajará el precio", esgrime el ingeniero Aleixo.
En estos campos estaba el aeródromo abandonado Cifka Duarte (aviador portugués de los años treinta), que durante la Guerra Civil española fue utilizado por grupos de apoyo a Franco y más tarde por la aviación alemana durante la Segunda Guerra Mundial.
"Portugal ha sabido aprovechar la fragilidad energética en Europa. El Gobierno y los agentes económicos convirtieron fragilidad en oportunidad", dice Aníbal Fernandes, consejero delegado de Eólicas de Portugal, empresa con participación de Endesa. "En términos relativos, Portugal está entre los cinco primeros países del mundo en cuanto a energías renovables". Fernandes está convencido de que el mundo camina hacia un nuevo concepto energético. "Antes había grandes centros de producción lejos de los centros de consumo. Actualmente, hay varios centros medios (parques eólicos) con redes de interconexión, mientras la microgeneración abastece a pequeñas familias".
Portugal es desde el 23 de septiembre el primer país del mundo que produce seriamente electricidad a partir de las olas. El parque de olas de Aguçadoura, en Póvoa de Varzim, al norte de Oporto, fue inaugurado después de varios meses de retraso. La inversión ronda los 10 millones de euros. Antonio Sarmento, director del Centro de Energía de las Olas, una asociación privada fundada en 2003 que estudia y promueve esta forma de producir electricidad, asegura que es un proyecto claramente pionero. De momento, no está garantizada la viabilidad económica del invento.
Según este centro, hay 62 tecnologías posibles para el aprovechamiento energético de las olas. Algunas ya se han probado, como la columna de agua oscilante de Ilha de Pico (Azores) o el sistema Arquímedes. La costa portuguesa tiene un potencial para instalar unos 5.000 megavatios de potencia en energías de las olas. El costo de producción se antoja muy elevado, sólo comparable con la energía fotovoltaica. Es tres veces más caro que la energía eólica y dos veces más que la biomasa. La tarifa por el sobreprecio de la producción de energía del mar es de 245 euros por megavatio/hora, que significa el 250% más que la energía eólica y el 60% del coste de la energía fotovoltaica.
Portugal será también pionero en la comercialización de vehículos eléctricos. El Gobierno ha firmado un acuerdo con la alianza entre Renault y Nissan, que se ha comprometido a entregar 4.000 vehículos eléctricos en el año 2011. Una cantidad simbólica en un país con 5,6 millones de automóviles.
El economista Jeffrey Sachs, hoy director del Earth Institute de la Universidad de Columbia, escribía recientemente: "El mundo rico debe empeñarse en financiar un vasto programa de desarrollo tecnológico -energías renovables, automóviles de bajo consumo, edificios verdes- y un programa de transferencia de tecnología para los países en vías de desarrollo". Portugal ha asumido el desafío.
(Só a fotografia é da casa. O texto é de FRANCESC RELEA , publicado no vizinho "El País.Com")

sábado, 8 de novembro de 2008

"Tudo como dantes..."

... quartel general em Abrantes" é o que está a dar! Para estes políticos e estes, mais estes e ainda estes, bom, bom é manter tudo como dantes. Querem lá saber se o ensino precisava e precisa de reformas! Se os professores não gostam de ser avaliados, acabe-se com as avaliações! A receita é simples e a posição é cómoda. Sem dúvida, que sim, mas o país não se governa com com gente timorata. Do que precisamos é de gente corajosa e esta, pelos vistos, não mora nas casas da oposição.

Arte pública em Almada # 10

Como as coisas vão acesas por aqui (vide comentários do "post" anterior) nada como plantar aqui um toiro bem armado para "defensão" do território!
A obra é uma escultura em ferro com o
Título: "O toiro"(suposição do blogue);
Autor: Jorge Vieira;
Local: Jardim da Casa da Cerca.

Nervosos e com os nervos à flor da pele

Se Mário Nogueira não está, bem parece, pela actuação da Fenprof, nos últimos dias, com apelos e declarações a torto e a direito. Quem, pelo contrário, não parece estar, são os "nervosos" por ele presumidos. E, em boa verdade não têm razão para estar, se bem aquilato do julgamento que os portugueses fazem da actuação do Ministério da Educação.
Eu não nego que os professores tenham razão de queixa porque, mal habituados, viram aumentar subitamente a sua carga de trabalho. Do que também não tenho dúvidas é que era necessário surgir alguém determinado a reformar um ensino que, apesar de bem financiado (tendo em conta as possibilidades do país), tinha e continua a ter um fraco retorno em termos de aproveitamento dos alunos. Esse papel tem sido desempenhado pela ministra da Educação, contra ventos e marés, como era e é necessário.
E tanto mais necessário quando é certo que os sindicatos do sector se têm mostrado incapazes de reconhecer que havia necessidade de reformas e que, pelo contrário, tudo têm feito para boicotar as iniciativas do Ministério, isto sem apresentarem propostas que não sejam as da manutenção do statu quo. E, o que é mais grave, que chegaram agora ao ponto de renegarem o Protocolo de Entendimento em matéria de avaliação, que subscreveram.
Se a actuação dos Sindicatos tivesse sido outra, mais maleável, decerto teriam encontrado da parte do Ministério outra postura também, com o que a educação e o país só teriam a lucrar, mas perante a defesa intransigente e à outrance do satu quo por parte dos sindicatos, à ministra não restou (nem resta) outra atitude que não seja a de se manter firme. O poder não está nos sindicatos, nem na Fenprof, nem no senhor Mário Nogueira, mas em que foi eleito para o exercer. Os sindicatos esquecem-se disso com frequência, como se esquecem também que quem governa não tem que ter apenas em conta os interesses de uma classe, por mais importante que seja, como é, de facto, a dos professores.
Uma nota final: Os sindicatos, se querem que o país os leve a sério em matéria de educação (eu, nesta altura, não os levo) e se acham que o modelo de avaliação profissional que acabaram por subscrever (e agora renegam) é inexequível ou desajustado, devem começar por apresentar uma proposta credível nessa matéria, pois a ideia com que se fica, face às declarações que se têm ouvido por parte dos sindicatos, é que estes não querem avaliação nenhuma, ou nenhuma que seja digna desse nome.
Por hoje é tudo, que tenho que ir tirar umas fotografias para corresponder aos apelos dos jornais que leio habitualmente e que, pelos vistos, também andam nervosos.
ADENDA 1 : Esta é a melhor prova de que a ministra não está nervosa!
ADENDA 2 : Prova de quem está nervoso é o senhor Mário Nogueira e os sindicatos: Aqui.
ADENDA 3 : Prova de que os jornais também andam com os nervos à flor da pele: Aqui e aqui.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

De "repentemente" ...

De repentemente, na véspera de mais uma manifestação dos professores, toda a gente tem uma palavra a dizer sobre a avaliação profissional dos professores: São os sindicatos que até assinaram um protocolo de entendimento com o Ministério da Educação sobre a matéria (não garanto que seja este o título do documento, mas a ideia é esta) e que se desdobram em declarações sobre isto e mais aquilo (e estão no seu direito, reconheço); é o PCP que, pela voz do deputado João Oliveira , acusa o ministério de "atropelar as leis" e forçar as escolas a "praticar ilegalidades" dando instruções às escolas para procederem às avaliações tendo em conta as alterações ao regime de avaliação que constam da proposta da lei do Orçamento (e eu pergunto qual é o mal ?); é a presidente do PSD, a quem se não tinha ouvido uma palavra sobre o assunto que defende "a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas".
Que se passa ? Será que este pessoal está com medo ? A manifestação, minha senhora e meus senhores, é contra o Governo ! A ministra da Educação, que está em cheque, até tem estado calada.
Haja calma ! Como dizia o outro: "O povo é sereno" !

Como explicar ?

Aprovado na Assembleia da República um voto de congratulação pela eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos da América voto que foi brindado com a abstenção do PCP, BE e PEV.
Como explicar uma tal atitude perante um facto com a dimensão histórica da eleição do primeiro presidente não-branco num país de maioria branca? Isto deixando de lado, quer a personalidade do presidente eleito, que as suas ideias e propostas, de longe, bem mais progressistas que as da administração cessante.
Saudades de Bush ? Faço o favor de não crer, mas fico sem explicação.

Bem prega frei Tomás ...

O apelo dirigido pelo primeiro-ministro chinês Wen Jiabao aos países desenvolvidos no sentido de alterarem o seu estilo de vida a fim de lutarem contra as alterações climáticas, até faz sentido.
Todavia, não inclui no mesmo saco, a própria China (um dos dois maiores poluidores do planeta, por via de uma indústria extremamente ineficiente em termos ambientais) e, pelo contrário, a China "prefere adoptar uma posição reservada quanto às suas propostas, considerando que caberá aos países desenvolvidos a maior fatia dos investimentos necessários".
O primeiro-ministro chinês merece, por isso, que se lhe aplique o velho ditado do "Bem prega frei Tomás: faz o que ele diz e não o que ele faz".
"Jogo do empurra" seria, porventura, o título mais apropriado para este comentário. E jogo que terá, dadas as vistas curtas dos governantes, a começar pelos dirigentes dos maiores poluidores, consequências nefastas para todos.

Mais uma montanha que pariu um rato

Não sei quem é que tem razão: Se o Ministério Público (MP) que deduziu a acusação contra Fátima Felgueiras por 11 crimes de participação económica em negócio, abuso de poder, prevaricação e peculato, se os senhores Juízes que a condenaram a 3 anos e 3 meses de prisão, com pena suspensa e perda de mandato, por apenas 3 crimes: um de peculato, um de peculato de uso e outro de abuso de poder.
Em última análise, até se pode dar o caso de nem aquele (MP), nem estes (Juízes), terem razão. Quem nos garante, perante tanta desafinação, que não é, afinal, a senhora autarca de Felgueiras (que proclama a sua inocência) e o seu advogado (que a alega) quem tem razão ?
Seja como for, uma coisa é certa: O julgamento, que durou anos, é mais uma montanha que pariu um rato. Mas uma montanha que nos saiu caro!
ADENDA:Reparo, entretanto, com surpresa, que Fátima Felgueiras não foi elevada aos altares, hipótese que, em dada altura, me atrevi a sugerir.

A Câmara de Lisboa novamente debaixo de fogo

Depois do escândalo na atribuição de casas pertencentes ao município, a Câmara de Lisboa volta a estar debaixo de fogo. Desta feita está em causa o facto, denunciado pelo PÚBLICO, de grande parte dos funcionários do Departamento Jurídico da Câmara de Lisboa acumular ilegalmente as suas funções públicas com a advocacia em regime de profissão liberal.
Embora duvide que tal situação seja exclusiva do município lisboeta e que a mesma não tenha réplicas noutros municípios do país e em muitos outros organismos públicos dependentes da Administração Central, a iniciativa do PÚBLICO é sempre de louvar. Pode bem ser que a denúncia de um caso sirva de estímulo a que também noutros locais se ponha a termo a uma situação de ilegalidade que aqui presumimos ser, não geral, mas generalizada.
Sublinhe-se, entretanto, que mais grave que a ilegalidade cometida pelos funcionários é a complacência com que os respectivos responsáveis a aceitam, sabendo que está em causa o interesse público: Um funcionário que acumule o exercício de uma actividade privada com o exercício de funções públicas terá inevitavelmente de prejudicar o exercício destas últimas.
Acrescente-se que a situação denunciada é tanto mais chocante quando é certo que existem centenas ou milhares de pessoas licenciadas em direito que não encontram ocupação condizente com as suas habilitações. A Ordem dos Advogados terá, com certeza, uma palavra a dizer sobre a matéria e pena é que a denúncia pública de situações de ilegalidade, como esta, não tenham partido dela.

Lavar as mãos como Pilatos

Vir dizer, como o faz David Justino, ex-ministro da Educação e actual assessor do Presidente da República, que "a educação está ser demasiado fustigada", sem curar de "saber quem tem razão", tem o sabor de um lavar das mãos como Pilatos.
Dada a inutilidade do pronunciamento do assessor da Presidência, não se percebe porque se deu ao trabalho de quebrar o silêncio. Podia continuar de bico calado que não fazia a mínima diferença, acho eu.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ameaças contraproducentes

Que reina o descontentamento entre os militares é uma evidência, pois aí temos as manifestações e os pronunciamentos de vários político-militares (Loureiro dos Santos e Vasco Lourenço, p.e.) para o confirmar.
Que tenham razão nesse descontentamento já, para mim, é duvidoso, pondo a questão em termos objectivos, já que, do ponto de vista subjectivo dos militares, a resposta terá de ser afirmativa.
Explico-me: É claro que as Forças Armadas (FA) perderam a importância e a consideração pública que já tiveram e é compreensível que aos militares não agrade tal situação, que, no entanto, (sublinhe-se) não resulta de qualquer acto do poder político, mas simplesmente da mudança das circunstâncias. O 25 de Abril (que é um crédito que as FA têm sobre o país) já vai longe e é um dado objectivo que o papel reservado às F.A., nos dias de hoje e por força da evolução do país e da situação internacional, não é o que já foi noutros tempos. Estes factos explicam muita coisa, incluindo a pouca preocupação do poder político pelo estatuto dos militares, atitude que, muito provavelmente, não contrasta com a opinião da população portuguesa, em geral. Digo isto, porque não falta em Portugal quem se interrogue sobre o interesse em manter umas FA, com a natureza das actualmente existentes, quando, pelo menos aparentemente e aos olhos de qualquer leigo na matéria (como é o caso da grande maioria dos portugueses) a defesa da soberania nacional não depende da sua existência.
Neste contexto e sem pôr em causa a legitimidade de os militares fazerem ouvir a sua voz e de reivindicarem os seus direitos, parece-me que as ameaças (assumidas ou não e veladas ou menos veladas) por parte de alguns militares, podem vir a revelar-se como contraproducentes.
Volto a explicar-me: Se os portugueses em vez de verem nas suas F.A. uma fonte de segurança, as passarem a percepcionar como uma ameaça às suas instituições políticas (que, funcionando melhor ou pior, resultam da vontade popular) é evidente que mais se acentuará a desconsideração de que os militares actualmente se queixam.
(Reeditada)