terça-feira, 22 de julho de 2014

Não se perde nada que valha a pena

"Apesar de ter celebrado os seus 40 anos com pompa e circunstância, o CDS está à beira do fim. Na verdade, este partido tinha essencialmente como bandeiras políticas a defesa da família, a protecção dos pensionistas e a redução dos impostos. Quanto à defesa da família, o PSD acabou de apresentar um relatório sobre a natalidade que repescou antigas posições suas sem lhe fazer uma única menção. Em relação à protecção dos pensionistas, o CDS foi incapaz de os defender no governo, tendo aceitado que as pensões fossem devoradas pela contribuição de solidariedade, inicialmente transitória, mas que agora vai passar a definitiva. Finalmente, em relação à redução dos impostos, a ministra das Finanças conseguiu transformar num nado morto a reforma do IRS precisamente no momento em que o seu secretário de Estado a anunciava. É verdade que o líder do CDS exibe hoje o pomposo título de vice-primeiro-ministro, mas é meramente simbólico, pois já não tem qualquer influência no governo.
Em condições normais, um partido a que isto tivesse acontecido tinha saído do governo. O velho CDS já rompeu coligações de governo por muito menos. Se hoje não o faz, é porque já nada vale eleitoralmente. Por isso neste momento o CDS precisa desesperadamente de uma coligação eleitoral com o PSD, mas nem essa o pode salvar. Se aparecer em coligação, o CDS não passará de um PEV para o PSD. Se concorrer sozinho, será trucidado eleitoralmente. Em qualquer dos casos, o CDS acabou."
(Luís Menezes Leitão; "O fim do CDS")

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Portas foi literalmente "comido" por Coelho. É bem feito.

Majo disse...

~
~ ~ Apesar de relatar o óbvio, pela sua assertividade e clareza, é uma excelente crónica de Luís Menezes Leitão.

~ ~ Paulo Portas, não passa de um ignóbil fantoche, completamente vendido e rendido ao fascínio do poder.