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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Mais uma queixinha

Não sei se o Governo consultou ou não a oposição para manifestar a disponibilidade de Portugal para receber prisioneiros de Guantánamo, no quadro do empenhamento da União Europeia em facilitar o encerramento daquele campo, como é intenção da futura administração norte-americana. Parece-me, contudo, que o caso não se reveste de tanta gravidade que justificasse tal consulta.
Seja como for, a líder do PSD, ainda que não consultada, não está impedida de fazer chegar ao Governo o que pensa do assunto e de dizer ao país se concorda ou discorda.
O país gostaria de a ver tomar posição sobre este e sobre outros assuntos, em vez de passar a vida a fazer queixinhas, pois tal comportamento revela ad nauseam a sua incapacidade.
Já agora, diga-se que aqui, na casa, se aplaude a decisão do Governo, decisão que, acrescente-se, dignifica o país. Eu acho.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Voos da CIA : Dúvidas persistentes

O facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros vir declarar que não tem conhecimento da existência de quaisquer documentos em Portugal que comprometam o actual ou anteriores governos no caso dos voos da CIA de transporte ilegal de prisioneiros não afasta as dúvidas sobre a questão, até porque Dias Amado não garante que esses documentos não existam.
É um facto que o documento secreto divulgado em Espanha por "El País", que revela que os Estados Unidos pediram autorização ao governo espanhol, na altura liderado por José Maria Aznar, para realizar escalas em aeroportos espanhóis, não prova que o mesmo tenha acontecido relativamente a Portugal e é também verdade que as referências ao nosso país são da responsabilidade do jornalista. Todavia, não é menos certo que os relatos sobre a passagem pelos Açores de aviões ao serviço da CIA e com destino a Guantánamo não são de hoje e têm sido repetidos.
Mesmo admitindo que não haja os tais documentos, há razões para crer, face a tais relatos, que houve voos e escalas desses aviões em território português. A hipotética inexistência de documentos que comprovem esses movimentos, ficar-se-á, provavelmente, a dever ao facto de os Estados Unidos nem sequer terem tido a gentileza, que tiveram com Aznar, de avisar as autoridades portuguesas. Não me admiraria nada, confesso. De todo o modo, a persistência das dúvidas justifica-se.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os cépticos têm motivos ...






... para começar a duvidar do seu cepticismo.


“Já disse várias vezes que queria fechar Guantánamo e mantenho”, disse Barack Obama na sua primeira entrevista televisiva, após a eleição.

(Imagem daqui)
Mais razões para os cépticos duvidarem do seu cepticismo, aqui ("Obama promete envolvimento enérgico na luta contra alterações climáticas" )
(reeditada)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Quousque tandem ?


De quando em quando, lá surge na comunicação social mais uma notícia sobre a prisão de Guantánamo, onde os Estados Unidos continuam a manter e a torturar prisioneiros, à margem de todas as leis, incluindo as suas. Desta feita, é notícia o facto de ter sido divulgado o primeiro vídeo de interrogatório realizado em Guantánamo, interrogatório levado a cabo por oficiais canadianos e a que foi submetido um jovem canadiano, na altura com 16 anos, de seu nome Omar Khadr e que se encontra na prisão há seis anos.
Gunatánamo é, simplesmente, uma vergonha e o que espanta é que haja alguém que tenha o descaramento de se afirmar defensor dos direitos humanos e autorize (Bush) ou pactue (tantos dirigentes internacionais) com uma tal situação.
Não estou muitas vezes de acordo com o PCP, mas neste caso, apoio inteiramente a sua proposta no sentido de ser interditado o espaço aéreo de Portugal aos voos com destino ou origem em Guantánamo. Portugal não pode, nem deve, ser conivente com o que se passa em Guantánamo, pelo que, ao proceder em conformidade com tal proposta, o Estado português mais não fará do que cumprir a sua estrita obrigação.
(A imagem foi copiada daqui)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Uma boa decisão para variar



A decisão é tardia e a más horas, pois levou anos para o Supremo dos EUA chegar à conclusão "que, apesar de se situar em território cubano, a base de Guantánamo funciona como se de território americano se tratasse, pelo que a Constituição dos EUA deve aplicar-se aí".

Ainda assim, tal decisão é de saudar, pois mais vale tarde que nunca: Pôr termo a uma situação vergonhosa de desrespeito pelos direitos humanos, para mais num país alegadamente paladino desses direitos, é sempre uma boa notícia.