sábado, 27 de junho de 2026

No Governo de Montenegro, quem manda o quê e quem manda em quem?


Maria do Rosário Palma Ramalho, tanto quanto é sabido, é ainda, até ao  momento em que escrevo, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social do Governo supostamente liderado por Luís Montenegro, facto que, a confirmar-se, não só é estranho e muito surpreendente, como permite que se levantem dúvidas sobre quem é que exerce, de facto, as funções de primeiro-ministro.
Explico-me:
Sabe-se que o Governo encetou negociações com o CHEGA tendentes à aprovação da chamada Prestacão Social Única (ideia que já vinha do anterior governo do PS, se não estou em erro.) Não tendo tais negociações chegado a bom termo, por manifesta desconformidade das exigências apresentadas pelo partido de A.Ventura com os princípios fundamentais do nosso regime constitucional,  o Governo e o grupo parlamentar do PSD entenderam entrar em contacto com o Partido Socialista visando a aprovação da referida Prestação Social Única, em versão que não colidisse com os princípios fundamentais por que se rege a nossa vida colectiva. Foi possivél chegar a um entendimento, solução que se saúda.
Quem, pelos vistos, não esteve pelos ajustes foi a dita (ainda) ministra Maria do Rosário Palma Ramalho. 
Não esteve e continua a não estar, tendo-se permitido, enquanto ministra, criticar publicamente a solução encontrada, não se coibindo mesmo de afirmar: " O Chega teria sido o nosso parceiro preferencial". (Citação encontrada na edição impressa do Público de hoje). 
É evidente que a senhora Maria do Rosário Palma Ramalho enquanto cidadã pode ter as opiniões que bem entender e dá-las a conhecer pela forma que mais lhe agradar. Já como ministra, sob pena de pôr em causa a credibidade do governo e a autoridade do primeiro-ministro, a senhora não pode dar-se a tal luxo.
Perante o facto consumado e a gravidade da situação, parece evidente que, no caso, só são possíveis duas soluções: ou a ministra se  demite, assumindo a responsabilidade pela afirmação que fez em confronto com a posição governamental, ou Luís Montenegro terá que a demitir, se quiser manter alguma credilibiladede como primeiro-ministro. Não o fazendo, Montenegro, corre o risco sério de não mais ser levado a sério, pois permanecerá para sempre à dúvida sobre quem manda o quê e sobre quem manda em quem. 
(A foto da referida ministra usada como ilustração do "post" é da Wikipédia)

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