terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Alguma dúvida ?

"Ao qualificar o uso da venda dos quadros de Miró como uma “arma de arremesso político”, Cavaco Silva fechou os olhos à violação do quadro legal.
(...)
Considerar que a indignação expressa pela oposição partidária - materializada tanto no requerimento dirigido à Procuradoria Geral da República a solicitar a providência cautelar que impedisse a venda das obras, como no requerimento para abertura do Procedimento Administrativo de Inventariação e Classificação de Bem Cultural Móvel, dirigido à Direção Geral do Património Cultural - é uma espécie de resposta "politiqueira", é considerar que a defesa da legalidade - e por isso, da democracia - é um detalhe com que os partidos políticos não deviam perder tempo. Esta sistemática desvalorização dos procedimentos democráticos (meramente "formais", dizem) é um indicador muito claro da séria degradação da vida política, sobretudo quando ela é ativa e repetidamente usada pelo Governo. Ao qualificar este caso como uma "arma de arremesso político", Cavaco Silva patrocina e é cúmplice deste atropelo dos procedimentos legais."
(Hugo Mendes;" A importância da forma". Na íntegra: aqui. Sublinhado meu)

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

escrevi um post sobre o tema que vai mais ou menos no mesmo sentido

Majo disse...

~ Não tendo conhecimentos para poder avaliar os atropelos legais de Cavaco, posso avaliar os seus desastres, no âmbito da preservação dos nossos valores culturais.
~ Foi ele que mandou construir o edifício, onde agora funciona o CCB. Apesar das suas nobres funções, não deixa de ser um violento atentado à harmonia e simbologia arquitetónica.
Depois desta crassa prova de ausência de sensibilidade artística, ninguém se deve admirar da maneira cínica, como lavou as mãos, publicamente, no caso absurdo e grotesco, da venda das pinturas de Miró. ~