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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Interessantes dias

Não vejo como classificar de modo diferente os dias que passam, se se vier a concretizar um entendimento entre todos os partidos de esquerda (PS, PCP e Bloco de Esquerda) que viabilize um governo de maioria formado, ou apoiado, pelos mesmos partidos.
Se tal se concretizar, teremos, finalmente, em Portugal uma democracia plena, em que deixará de haver filhos e enteados. 
Não é coisa de pequena monta. Diria mesmo que, se tal objectivo se atingir, ter-se-á, finalmente, cumprido o 25 de Abril. Na íntegra.

(Na imagem: Cynara algarbiensis. Eu não garanto que não possam ser dias difíceis, mas, mesmo admitindo que possam vir a sê-lo, não deixam de ser interessantes. Direi mesmo: empolgantes!)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Dupond e Dupont

"Sem sombra de divergência" é a fórmula encontrada pelo Diário de Noticias para classificar o debate entre Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, fórmula que é completada pelo título, não menos feliz, do Público, para quem, " Bloco e PCP trocam elogios e convergem nas críticas ao PS".
Alinhando no mesmo tom, diria eu que, em vez de um debate entre os dirigentes de dois partidos, assistimos a um diálogo em tudo semelhante aos dos celebrados Dupond et Dupont da banda desenhada.
E nada mais teria a acrescentar, se se não desse o caso de os dois intervenientes se mostrarem mais empenhados nas críticas ao PS do que em condenar com toda a veemência a política deste governo que envergonha o país e que tantos sacrifícios impôs aos portugueses ao longo desta legislatura.
Quatro longos anos de grande sofrimento infligido aos portugueses por uma equipa que, na sua ascensão ao poder, contou com a colaboração dos dois partidos da "esquerda da esquerda", não foram ainda, pelos vistos, suficientes para o PCP e o Bloco conseguirem identificar os partidos da direita, agora juntos na PáF, como o "inimigo principal". Pela amostra, dir-se-ia que, para PCP e Bloco, são necessários mais 4 anos para chegarem a uma conclusão a tal respeito.
Dito isto, torna-se evidente para quem anseia por ver a direita derrotada (custe o que custar) nas urnas, no próximo dia 4 de Outubro, que o voto em qualquer dois concorrentes (CDU e Bloco de Esquerda) é um desperdício. E hoje, mais do que nunca, sabendo-se que à esquerda do PS há pelo menos uma força política que não alinha na tese do "quanto pior, melhor" tese que tem sido, e continua a ser, a seguida pelo PCP e o Bloco. Pelos vistos e infelizmente.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Em Almada há coisas espantosas, não há ?

(Clicando, amplia)
Este é o "Cais do Ginjal requalificado", segundo leio, em título de caixa alta, no boletim municipal "Almada informa".
Requalificado, não me parece, face à fotografia tirada hoje.
É verdade que, no seguimento do título, os leitores são informados de que "No 'novo' Cais do Ginjal vão surgir espaços públicos, zonas de lazer e actividades económicas ligadas às indústrias criativas. Estes são alguns dos objectivos do plano de pormenor cuja elaboração já teve início".
O "requalificado" não passa, pois, de uma promessa feita, em véspera de eleições, pela força política que detém o poder municipal há 35 anos (CDU) e que, ao longo de todo esse largo espaço de tempo, foi incapaz de fazer o que ora anuncia. Como tal, vale o que vale, se é que vale alguma coisa, pois não se sabe o tempo que leva a concluir o plano de pormenor "cuja elaboração já teve início" (teve ?) e muito menos é conhecida a data para início e conclusão das obras. Talvez daqui por outros 35 anos. Não será ?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Uma referência mais, à esquerda ?

É evidente que o apoio dado por Carvalho da Silva à candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa faz mossa, e não pequena, à candidatura da CDU, liderada por Ruben de Carvalho, por muito que este tente disfarçar, cumprindo o seu papel, é bom de ver.
Como também é fácil compreender que Carvalho da Silva, ao mesmo tempo que manifesta o seu apoio à candidatura de António Costa ( o "quero desejar-lhe uma boa ponta final de campanha e dizer-lhe que os lisboetas e Lisboa precisam da sua vitória" é demonstração inequívoca de tal apoio) garanta à direcção do seu partido (o PCP) que a sua posição “tem em conta condições concretas e os objectivos presentes na disputa eleitoral por Lisboa”, não pondo em causa o seu apoio “claro e inequívoco” à CDU e aos seus “objectivos gerais no conjunto das suas candidaturas”.
Carvalho da Silva, com efeito, não deixou de ser comunista e, consequentemente, estranho seria que não manifestasse o seu apoio "claro e inequívoco" à CDU, em geral. Só que ele, ao contrário da direcção do seu partido, é capaz de distinguir o essencial, em cada circunstância, essencial que, na disputa eleitoral em Lisboa, passa por vencer a direita. Agindo nesta conformidade, Carvalho da Silva torna-se, se não o era já, numa importante referência para a esquerda em geral. Acho eu. Ou talvez não, tendo em conta este esclarecimento. Bem escusado.
(Reeditada)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Autárquicas (Almada): Quase fora da moldura

(Clicando, amplia)
Maria Emília de Sousa, actual presidente da Câmara de Almada, surge à frente no cartaz, mas quase a sair da moldura.
Sinal de uma candidatura a prazo?
E, já agora, ainda que mal pergunte:
"CDU a Vencer. Almada a Perder", não daria melhor rima ?
"Desenvolvimento mais" ? Mais do mesmo? Não, obrigado.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"Louros": O seu a seu dono

Não há político que se preze (ou que tenha direito a menosprezo) que não tenha a preocupação e não envide esforços em publicitar a obra feita. É natural, tanto mais que estamos em ano de eleições.
O que já não é natural (e muito menos curial) é que alguém procure coroar-se com "louros" que lhe não pertencem. É isso, no entanto, o que faz a presidente da Câmara de Almada, em texto que abre o Boletim da Câmara Municipal de Almada (nº 146, deste mês) em que a edil almadense chama a si os "louros" por uma série de realizações levadas a cabo pela Administração Central (ou seja pelo Governo da República) e que vão desde o Hospital Garcia de Orta, ao Palácio da Justiça, passando pelas unidades de saúde, instalações da GNR e da PSP, Metro, Polis da Caparica, incluindo também construções simplesmente anunciadas, como a Estrada Regional 377-2 e o IC 32 (Trafaria/Coina).
É verdade que a presidente da Câmara afirma que "Há, sem dúvida, que reconhecer a intervenção dos governantes para resolver problemas da sua responsabilidade e competência, em Almada como no resto do país, como é seu dever". Até parece, por estas palavras, que a "intervenção" dos governantes foi coisa de somenos. Os méritos, pelos vistos, cabem-lhe a ela. Tanta modéstia até espanta. Pena é que não tenha levado a modéstia ao ponto de reconhecer que os atrasos verificados na conclusão e entrada em funcionamento do Metro, bem como nas obras do Polis da Caparica são, senão na totalidade, pelo menos em boa parte, da responsabilidade da Câmara a que preside.
E, já agora, por que não reivindicar também os "louros" na não requalificação da frente ribeirinha de Cacilhas (uma vergonha) tantas vezes prometida e nunca concretizada? Ou na não resolução do destino a dar aos terrenos da Lisnave?
É evidente que a Câmara de Almada (há décadas com a actual maioria da CDU) tem obra feita, não lhe podendo ser negado mérito pelas realizações levadas a cabo. Todavia, problemas por resolver também não faltam. Os dois apontados e os problemas do trânsito na cidade, agora agudizados com as obras do Metro, são apenas alguns. A responsabilidade pela não solução desses e doutros também não pode e não deve ser escamoteada. Digo eu.