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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Ventura: Votar a favor; votar contra; ou nem uma coisa, nem outra

Ao contrário do que previamente fora anunciado, em termos triunfalistas, pelo lider parlamentar do PSD (um tal Hugo Soares) e sem contestacão do Chega, a verdade é que André Ventura, por razões não explicadas, acabou hoje por votar no Hemiciclo de S. Bento, contra o chamado pacote laboral. Tal facto leva-me a trazer aqui nota de tal facto dado ter considerado como certa a dita aprovação, em publicação anterior, perante os dados disponíveis na altura.
Isto dito, devo acrescentar que subsistem todas as razões e mais uma para  manter as considerações tecidas no referido escrito, pois que, afinal, esta nova reviravolta acaba até por confirmar tudo quanto o que a propósito do comportamento de Ventura ali se escreveu.
Certo é, com efeito, que votar a favor; votar contra; ou nem uma coisa, nem outra, são, pelos vistos, opções perfeitamente aceitáveis para quem, como Ventura, não só não se rege politicamente por princípios como, em boa verdade, nem sequer está minimamente preocupado em saber quais os interesses da maioria dos seus potenciais eleitores. 
Lamentavelmente, estes, as suas principais vítimas, são tão cegos que não veem, ou não querem ver, que Ventura é o protótipo do político oportunista. Está provadíssimo que votará em tudo e no seu contrário, tudo dependendo do que pessoalmente, e em qualquer momento, mais lhe convenha. Convicções e princípios, está visto, são "artigos" que Ventura não tem em armazém.

sábado, 20 de novembro de 2021

Cometas breves ?

André Ventura, líder do Chega, depois de anunciar, com pompa e circunstância, que o seu partido tinha tomado a decisão de retirar o apoio ao Governo Regional dos Açores, viu-se contraditado pelo único deputado do seu partido no parlamento regional que assegurou, com toda a clareza, que " A última palavra há-de ser minha”. Se um deputado regional, sem especial notoriedade pública, se atreve a pôr em causa uma decisão dos órgãos do partido e também de André Ventura que com o partido se confunde em termos de opinião pública, é porque a autoridade dele já conheceu melhores dias e o partido já terá entrado em desagregação.
Por isso, pergunto-me: não serão André Ventura e o Chega dois cometas breves? Os dois, líder e partido, surgiram de repente do nada. O seu ocaso tardará muito? 
(Foto LUSA. Daqui

segunda-feira, 23 de março de 2015

Batota no AGIR

Se a notícia é verdadeira, a formação encabeçada por Joana Amaral Dias (na imagem) vai legalizar-se como partido, através de um "acordo" com o já existente  Partido Trabalhista Português (PTP) que, na sequência, vai mudar de nome passando a designar-se por AGIR-PTP (quiçá, por PTP-AGIR, que para o efeito tanto faz) poupando-se ao incómodo de recolher os milhares de assinaturas necessários para a sua legalização junto do Tribunal Constitucional.
Para uma formação que tem, dizem,  um programa, "centrado numa reforma do sistema político centrada nos problemas da participação popular e do combate à corrupção" era difícil encontrar melhor forma de, logo à partida, negar o núcleo central do "programa". De facto, logo ao nascer, manda às malvas a participação popular e dificilmente o "acordo" pode deixar de ser encarado como uma negociata, com toda a carga negativa que o termo contém.
Não há dúvida que o AGIR-PTP (ou PTP-AGIR) começa bem... Mal!
(notícia e imagem daqui)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Comissão de cortes"

Que sentido faz a criação duma comissão eventual para a reforma do Estado, se nem o governo, nem a maioria par(a)lamentar que a pretende criar,  apresentaram ainda qualquer documento ou qualquer proposta sobre a matéria?
A menos que a ideia seja a de debater os cortes propostos no relatório dito do FMI, mas encomendado pelo governo. Se assim for, à comissão deveria ser atribuída a designação de "comissão de cortes", como diz o líder da bancada parlamentar do PS, Carlos Zorrinho e, nesse caso, faz todo o sentido que os partidos da oposição se recusem a participar na palhaçada.
O dito não significa que os partidos da oposição se devam abster de participar num debate sério sobre a reforma do Estado ou que, inclusive, não possam e não devam as forças da oposição, tomar elas próprias a iniciativa de o promover, no Parlamento e fora dele, se entenderem que esse debate faz sentido. Se entenderem o contrário, que o digam claramente para ver se a gente se entende.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A discussão bizantina e a que importa fazer

A discussão sobre quem recai a culpa da situação a que "isto" chegou, se sobre a troika, como quer a direita, se sobre o governo, é, a meu ver, uma questão em grande parte bizantina, porque não leva a lado nenhum: nem a acção da troika é escrutinável pelos portugueses, nem parece que haja alguém que esteja em condições de responsabilizar a troika pela desadequação das medidas por ela patrocinadas ou impostas e menos ainda quem esteja em condições de a despedir.
A discussão deve pois centrar-se na acção dos órgãos de soberania portugueses, que a esses, sim, podem  e devem os portugueses pedir contas. A começar pelos actuais governantes, entendido o termo de forma a abranger o presidente da República e a acabar nas forças políticas que forçaram ou foram cúmplices na vinda da troika que, é bom lembrar, não entrou Portugal adentro, por sua iniciativa.
Sabe-se que foi o Governo de José Sócrates quem assinou o memorando, depois de negociado com a participação do PSD e do CDS, mas também se sabe que, se alguém se opunha e opôs, enquanto pôde,  à entrada dos representantes do FMI, UE e BCE, foi Sócrates, o qual acabou por subscrever o memorando apenas e só porque, com a subida dos juros da dívida pública desencadeada após a queda do Governo na sequência da reprovação do PEC IV, não havia outra alternativa e o Governo, ainda que em gestão, era formalmente o único órgão de soberania com alguma (aparente) legitimidade para o fazer. Aparente, digo eu,  porque duvido muito que a competência de um Governo de gestão pudesse (e possa) ir ao ponto de assumir os compromissos decorrentes do acordo celebrado com a troika. Todavia, a legitimidade do Governo não foi, no caso, minimamente questionada por nenhuma força política, nem pelo presidente da República, o que, a meu ver, prova que o país não tinha mesmo outra alternativa nas circunstâncias criadas com a queda do Governo, na sequência da reprovação do PEC IV, concretizada na Assembleia da República, com os votos de toda a oposição parlamentar (PSD, CDS, BE e PCP), mas patrocinada e advogada publicamente por Cavaco.
Vistas as coisas sob este prisma, fica claro que, em última instância, a responsabilidade pela situação que se vive recai sobretudo sobre quem forçou a vinda da troika (presidente da República, PSD e CDS) mas também sobre quem contribuiu para a queda do Governo em cumplicidade com direita (PCP e BE).
Esta, sim, é uma responsabilidade que os portugueses podem escrutinar e esta é também a discussão que importa fazer. 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Julgava eu que a Constituição não era papel de embrulho


Que os partidos da direita tenham a Constituição da República na conta de um papel de embrulho pronto para ir parar ao lixo não é caso para admirar, pois sabe-se (e o actual PSD, em particular, não o esconde) que não morrem de amores por ela.
Ao invés, já é digno de espanto o facto de os partidos da esquerda (e, neste caso, reporto-me ao PS e ao PCP), alegadamente seus defensores estrénuos, admitirem que se passe por cima dela, sem sequer esboçar um gesto em sua defesa, se as conveniências políticas do momento forem nesse sentido. 
É esta a conclusão a que, com pena, chego, vistas as reacções destes dois partidos à iniciativa de requerer a fiscalização sucessiva da constitucionalidade da Lei do Orçamento levada a cabo por um grupo de deputados do PS e pelos deputados do Bloco de Esquerda.
O PS entendeu por bem, demarcar-se totalmente da iniciativa  e o PCP fez outro tanto, sendo que ambos estes partidos consideraram, aquando da discussão parlamentar do Orçamento, que a lei violava princípios constitucionais básicos. Aliás, o PCP, pela voz de Bernardino Soares, reafirma-o ao dizer que  “O corte é inconstitucional seja feito a todos os trabalhadores, seja feito apenas aos do sector público”. 
Mal vamos, pois, quando o presidente da República, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, dela abjura, como foi agora o caso, e quando nem os partidos da oposição se erguem em defesa dos princípios constitucionais.
E mal vamos, porque, por este caminho, o governo pode passar a violar impunemente a Constituição,  o Estado de direito passa a ser uma fábula e toda a arbitrariedade do poder passa a ser consentida. E lá se vão os direitos e liberdades que a Constituição nos garante e com eles até a noção de que vivemos numa democracia se esvai.
Como digo em título, julgava eu, antes destas cenas, que a Constituição não era papel de embrulho. Depois disto, já nem sei que diga.

domingo, 13 de março de 2011

É chegada a hora

Vivem-se momentos difíceis, não há que negá-lo. Enquanto isso, os partidos vão-se entretendo em jogos florentinos, o Presidente da República, cúpula do sistema político, assume-se como contra-poder e os bem instalados na vida  fazem de conta que o caso não é com eles, cuidando, acima de tudo, em manter os seus privilégios e toda a minha gente, ao fim e ao cabo, se acha com direitos, mas não quer saber de deveres.
É evidente que, nestas circunstâncias, a situação não tem saída, ainda que José Sócrates, com a sua proverbial perseverança, se esforce para encontrar uma porta e um caminho.
Parece, assim, evidente, que se não houver mudança de circunstâncias, também não será possível abrir uma nova via, por estreita que seja.  E também me parece que a oportunidade está quase a chegar: com a recusa da aprovação do PEC IV, já anunciada pelo PSD, o PS não tem outra alternativa que não seja a de optar pela apresentação duma moção de confiança que, como é de prever, virá a ser rejeitada.
Não sei qual virá ser o resultado das eleições que a seguir virão, sendo porém certo que as dificuldades e a situação de aperto se vão manter se é que não se vão agravar, como é quase certo. Em todo o caso, recorrer a novas eleições é a única  forma de confrontar todos (Cavaco, partidos e cidadãos em geral) com as suas responsabilidades, a que, duma forma ou doutra, têm fugido até agora.
E permitam-me que confesse aqui, à puridade, que alimento o desejo inconfessável de ver como é que os partidos políticos, em geral, e Cavaco e a sua facção, muito em particular, se vão sair da mais que previsível embrulhada que se seguirá, pois uma coisa é certa: quaisquer que venham a ser os resultados das eleições, os sacrifícios estão para durar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Engolir em seco

Tanto quanto me apercebi ainda se não ouviu dos partidos da oposição uma palavra sobre os "impressionantes" resultados dos alunos portugueses nos testes do PISA.
Será que ainda não deram conta; será má consciência, ou será que estão ainda a engolir em seco?


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Procura-se parceiro(a) para a dança


Começaram hoje as conversações do Governo com os partidos da oposição tendo em vista a obtenção de possíveis acordos que viabilizem a aprovação do Orçamento de Estado.
Pelo que tem vindo a lume, parceiros para a dança à volta do Orçamento não serão, nem o PCP ("Não há abertura para uma mudança profunda que o país precisa", diz Bernardino Soares) nem o BE ("O acordo será difícil", considera José Manuel Pureza).
Nada de admirar, num caso e noutro, face ao que têm sido as posições defendidas pelos partidos situados à esquerda do PS, no hemiciclo de S. Bento.
Já à direita, as perspectivas parecem ser mais animadoras, com Manuela Ferreira Leite (PSD) a considerar que a reunião com o Governo decorreu "de forma correcta e frutuosa" e com o representante do CDS, Luís Queiró, a sair optimista do encontro com o ministro das Finanças.
A ver vamos, que eu, por ora, não estou muito convencido que o Governo vá encontrar um parceiro para a dança. O que não significa que o Orçamento não venha a ser viabilizado, pela via da abstenção dalgum dos partidos à direita ou de ambos. Isto, porque nenhum deles quer, por agora, um impasse que leve à realização de novas eleições legislativas.
Para chegar à dança, porém, era preciso bem mais que a abstenção. Só que a tal obsta, quer a distância mantida entre as posições dos eventuais parceiros, quer o terreiro do baile (leia-se: enquadramento orçamental) que, por força de circunstâncias bem conhecidas (a crise) também não é o mais favorável...
À dança, pois claro!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um criado às ordens? Não, obrigado !

Os partidos da oposição, pelas atitudes que têm tomado, quer a propósito do Programa do XVIII Governo Constitucional, ontem apresentado, quer a propósito da questão da avaliação dos professores, parecem não terem ainda compreendido que o actual Governo, embora sem apoio parlamentar maioritário assegurado à partida, não sofre de qualquer capitis diminutio.
Pelas queixas ouvidas a todos os partidos com assento parlamentar, lamentando o facto de o Governo ter transposto para o seu Programa as propostas e as medidas constantes do programa eleitoral do PS (como se tal não fosse a única solução politicamente aceitável) e pelas exigências dirigidas ao Governo no sentido de suspender a avaliação dos professores, considerando uns e outros, em vários tons, que a não aceitação das suas exigências constitui uma manifestação de "arrogância", fica-se com a ideia que as oposições entendem que o actual governo se deveria comportar como um "criado às suas ordens" disposto a concretizar, não o seu programa, mas os deles e a acatar as suas exigências.
Estas atitudes (no mínimo, caricatas) parecem indiciar que os partidos da oposição ainda não se adaptaram à situação decorrente da actual composição do Parlamento, onde passaram a ter maiores responsabilidades, decorrendo estas do facto de o número dos deputados da oposição, no seu conjunto, ser superior aos deputados do partido apoiante do Governo, responsabilidades, que, com tais comportamentos, parecem pouco dispostos a assumir. Não terão, porém, outra alternativa, pois está visto que o Governo (e bem) não prescinde de exercer as suas competências constitucionais próprias.
Aos deputados dos partidos da oposição (que até têm a faca e o queijo na mão) não se pede outra coisa que não seja também o exercício das suas competências: se não aprovam o Programa do Governo, rejeitem-no; se não querem a avaliação dos professores revoguem-na, suspendam-na, ou façam o que muito bem entenderem. Terão é que arcar com as consequentes responsabilidades, como é óbvio. Assumam-nas, pois, deixem-se de queixinhas e portem-se como gente grande. O país cá estará para julgar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A virtude da prudência

O receio de derrubar o Governo através da aprovação de uma eventual moção de censura que venha a ser apresentada é tanto que ainda o programa de governo não é conhecido e já praticamente todos os partidos com representação parlamentar se pronunciaram no sentido de que não irão tomar a iniciativa de propor moções de rejeição e o PS, para não ficar atrás, também se irá abster de apresentar uma moção de confiança.
A palavra de ordem, por estes dias, parece ser a da prudência, quer por parte da oposição, quer por parte do partido do Governo e não é para admirar que assim seja: por contraditório que possa parecer, se a almofada da maioria parlamentar era cómoda para anterior o Governo, não o era menos para as oposições. Com a actual composição parlamentar, as oposições deixaram de poder contar com o álibi da maioria do partido do Governo, pelo que a sua responsabilidade torna-se muito mais evidente para os cidadãos e também as suas iniciativas e propostas ficarão sujeitas a um escrutínio bem mais rigoroso.
Tudo indica, pois, que soou a hora da virtude da prudência.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ainda acreditam em milagres ?

Como é sabido, com o aparecimento da crise económica mundial, o desemprego tem vindo a crescer em todo o mundo, fenómeno a que Portugal não escapou, se bem que os números, felizmente, não tenham atingido expressão idêntica à verificada em muitos noutros países, como é o caso, para não irmos mais longe, da vizinha Espanha, onde o desemprego anda perto dos 20% da população activa.
Tudo isto é conhecido e não sofre contestação que, enquanto a economia mundial não recuperar da crise, o desemprego também não diminuirá. Infelizmente é assim e, pelos vistos, não há volta a dar.
No entanto, todos os meses temos vindo a assistir, aquando da publicação dos números dos desempregados por parte das entidades oficiais, a manifestações retóricas por partes dos partidos da oposição. Também, desta feita, não escapámos a idêntico exercício, com a divulgação dos dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, segundo os quais o número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 29,1 por cento em Setembro em relação ao mesmo mês do ano passado e aumentou 1,7 por cento face a Agosto: uns (PCP) exigem respostas aos números “mais graves de que há memória”; outros (BE) consideram que o número de desempregados é “marca de uma governação que falhou”; e, finalmente, outros (PSD) querem que “rapidamente o Governo diga o que vai fazer para estancar esta situação”.
Trata-se de pura retórica, pois ficamos, lamentavelmente e uma vez mais, sem saber quais são as soluções propostas por estes partidos para enfrentar o drama do desemprego. Se calhar, foi por isso mesmo, que os eleitores, mais confiados no empenho do Governo em aumentar o investimento público e em minorar os efeitos do desemprego até onde as finanças públicas o têm permitido (que é o que, em toda a parte, está ao alcance dos Governos) do que em proclamações vãs, resolveram, nas recentes legislativas, confiar de novo ao PS a responsabilidade de formar governo.
Se os partidos da oposição não apresentam soluções será só porque ainda acreditam em milagres ?
Adenda:
Não será ainda o "milagre" esperado, mas são boas, em todo o caso, estas notícias: os Centros de Emprego colocaram 7.021 desempregados em Setembro, o que corresponde a um aumento de 3,5 por cento em relação ao mesmo mês de 2008 e de 39,6 por cento em relação a Agosto; ao mesmo tempo, verificou-se em Setembro um aumento do número de ofertas de emprego de 15,7 por cento em relação ao mesmo mês de 2008 e de 4,4 por cento face a Agosto. Sinais de alguma retoma da economia ? Toda a gente, suponho, deseja que sim.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quando a responsabilidade cede o passo à demagogia

Mandaria o simples bom senso que os partidos que defendem a existência de uma avaliação de desempenho para os professores, se abstivessem de revogar ou suspender o actual sistema, antes de construída uma solução alternativa. Todavia, parece que não vai ser assim, pois os partidos da oposição mostram-se empenhados em conseguir o que não puderam alcançar na anterior legislatura, ou seja, a suspensão do actual modelo de avaliação e o fim da divisão da carreira entre titulares e não titulares.
A definição de um novo modelo e de novas regras, pelos vistos, pode esperar e, antecipo eu, vai esperar até às calendas gregas, porque é mais que sabido que as estruturas sindicais e os movimentos dos professores não vão aceitar qualquer solução que não seja o fim de toda e qualquer avaliação e é mais que certo que os partidos que agora cedem à pressão dos professores, também não vão ter coragem, no futuro, para enfrentar os interesses corporativos da classe docente.
Quando a responsabilidade cede o passo à demagogia, o resultado não podia ser outro que não este.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A bem da República !

Não obstante os vários partidos da oposição terem desenvolvido, durante a recente campanha eleitoral para a Assembleia da República, todos os esforços para tirarem ao PS a maioria absoluta, tendo alguns deles feito desse objectivo o seu principal cavalo de batalha, a verdade é que, nenhum deles, nem o PSD, nem o CDS, nem o BE, nem o PCP, se dispuseram a participar num governo de coligação, nem a chegar a qualquer tipo de acordo que permitisse a estabilidade da governação. Tal facto demonstra que nenhum deles é capaz de arcar com as suas próprias responsabilidades, preferindo antes, porque é mais fácil, assumir-se como partidos de protesto. Já se sabia, aliás, que todos tinham um pretexto para invocar: a política alternativa de "Verdade" à moda do PSD, o caderno de encargos do CDS e a alegada política de direita levada a cabo pelo PS que não consentiria aproximações à esquerda (leia-se BE e PCP).
Perante tanta porta fechada, o PS e José Sócrates não têm, como já era antecipado, outra alternativa que não seja a de formar um governo minoritário. Pese embora as muitas dificuldades que vai encontrar, espero que governe a bem da República. Na altura própria, cá estarão os eleitores para premiar a coragem de uns e pedir contas a outros. Vamos a isso !

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Preocupados com o défice, ou nem por isso ?

Com a divulgação dos números sobre a execução orçamental não faltaram vozes da oposição a denunciar a derrapagem das contas públicas, nem os alertas sobre o aumento do défice. O PSD, em particular, afiançou mesmo estarmos perante um "desastre".
É, pois, com alguma perplexidade, que vejo que toda a oposição se manifestou a favor de uma petição reclamando que o IVA passe a ser pago ao Estado após o recebimento e não após a emissão da factura. Sabendo-se que, independentemente das razões técnicas que justificam o actual regime, uma tal medida iria contribuir pata o agravamento do défice, como justificar tal posição?
Com razões eleitoralistas, por certo. Com seriedade é que não.

domingo, 19 de julho de 2009

Discurso sobre a vergonha !

O anúncio por parte de José Sócrates de que o programa eleitoral do PS vai incluir novas medidas de âmbito social, incluindo um novo subsídio para as famílias abaixo do limiar da pobreza e o reforço da rede de cuidados continuados, suscitou um amplo coro de reacções por partes das forças de esquerda, PCP e BE, (o que não deixa de ser motivo de espanto) mas também por parte dos partidos da direita (o que é mais compreensível).
O discurso de Louçã é pura demagogia porque desvaloriza todas as mediadas tomadas pelo actual Governo (e as anunciadas) no sentido da diminuição da pobreza e da desigualdade social e ao mesmo tempo centra as suas diatribes no aumento do desemprego, como se este não fosse o resultado directo da crise económica que afecta todo o globo. Louçã sabe que é assim; que tal fenómeno não é um exclusivo de Portugal; e que, pelo contrário, há países bem mais afectados por esse flagelo, incluindo alguns que nos são próximos. Como sabe também que o problema não é algo que qualquer governo possa resolver isoladamente (nem sequer o governo da maior potência mundial - os Estados Unidos) e que só a nível global poderá ser encontrada a solução, através da concertação de polítcas e de objectivos. Se o problema é global, a solução, global terá de ser. Toda a gente o sabe. Ora, Louçã não é tolo e se insiste no tema é porque o seu discurso não é sério.
O PCP não usa de maior seriedade, pois continua a acusar o Governo de ter agravado a pobreza e as desigualdades, afirmação que é contestada pelos dados apurados pelo INE que demonstram que durante a actual legislatura se verificou exactamente o contrário.
Paulo Portas, o inimigo número 2 (lugar que lhe cabe, depois do avanço de MFL ) das medidas de política social tomadas pelo Governo, designadamente no âmbito do rendimento mínimo, arma-se em futurólogo e prevê que as promessas feitas pelo primeiro-ministro não são para cumprir, ao mesmo tempo que se arroga o mérito da redução da pobreza em Portugal, esquecendo-se, decerto, que a redução da pobreza se verificou não enquanto ele esteve no Governo com Durão Barroso e com Santana Lopes, mas durante a actual legislatura. Aliás, foi em 2003 que se atingiu o recorde de desigualdade quando a direita (CDS e PSD) estava no poder. Factos são factos e não conversa fiada, matéria, em que P. Portas, pedindo meças a qualquer outro, ganha.
No entanto, quem vai mais longe é M. Ferreira Leite (who else?) porque não só repete a acusação de Paulo Portas, mas indo mais longe, considera uma vergonha o anúncio do primeiro-ministro.
Ora, como bem diz José Sócrates "o dever de um líder político é fazer propostas e apresentar o seu programa, e não esconder as propostas" e vergonha é, digo eu, esconder as suas propostas ou ideias, com receio de serem copiadas (como faz, ou diz fazer MFL) ou dizer hoje uma coisa e amanhã outra. O "rasga/não rasga" é já, reconhecidamente, a marca de MFL e a atitude de esconder (o quê, falta saber) é ela, sim, uma vergonha e ao mesmo tempo a prova de falta de ideias (sérias e consistentes).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Guilty !

Até à conclusão do processo disciplinar não sei (e por mais que gritem, ninguém sabe) se Lopes da Mota incorreu, ou não, nalgum ilícito disciplinar, com a história das "pressões". É o que mandam as regras do Estado de direito, que alguns (a começar pelos partidos que as criam) mandam às malvas sempre e quando tal lhes convém. Mas culpa tem e dela não se livra: aceitou, manifestamente, por falta de critério, companheiros de mesa e de conversa que não são de confiança.

sábado, 9 de maio de 2009

Que "ricos" partidos (!!) (!!!) (!!!!)

Segundo noticia o "Expresso", na sua edição impressa de ontem, o PSD, com uma representação parlamentar muito inferior à do PS (logo com direito a receber uma subvenção do Estado, em conformidade com o número dos seus deputados, também muito inferior à do PS) propõe-se gastar com a campanha para as eleições europeias de 7 de Junho (de acordo com o respectivo orçamento) mais 700.000,00€ do que o PS (2.200.000,00, contra 1.520.000,00€), duplicando (!!) os gastos em relação à campanha anterior em 2004, enquanto que o PCP, ainda de acordo com a mesma notícia, orçamentou o triplo (!!!) do que gastou nas mesmas eleições em 2004 e o Bloco de Esquerda o quádruplo (!!!!).
Alguém falou em crise ?
Não por estes (!!)(!!!)(!!!!) lados.