domingo, 14 de junho de 2015

Para que serve ter um presidente como Cavaco em Belém?

Para não variar, o discurso proferido por Cavaco nas cerimónias do 10 de Junho foi recebido pelos partidos da oposição com indisfarçável desagrado.
Acho que António Costa ao falar em "eco do Governo" acertou na "mouche". Cavaco, depois do derrube do Governo de José Sócrates e da chegada de Passos Coelho ao poder, chegada que Cavaco patrocinou, este nunca mais teve voz própria. Desde então, de Belém não sai outro som que não seja o eco das posições de Passos Coelho. Este, aliás, faz questão de tornar evidente que Cavaco não tem margem de manobra. Se, uma vez por outra, Cavaco se permite o devaneio de emitir uma opinião ainda que ligeiramente desalinhada, logo aparece Passos Coelho a mandá-lo fechar a boca, limitando-se Cavaco a "comer e calar".
A situação é tão estranha e surpreendente que, sem forçar demasiado a nota, até se poderia falar numa segunda vigência da Constituição de 1933, com Passos Coelho a fazer o papel de Presidente do Conselho e Cavaco o de  Américo Tomás.
Para se ter chegado a tal ponto, seguramente, algo de grave, em termos políticos, se passou entre os dois. Na falta de  pistas seguras, fiquemos pela constatação de que Cavaco, ao invés de ser, como lho impõe a Constituição, o garante do regular funcionamento das instituições, é ele próprio, a negação desse regular funcionamento. 
E, já agora, deixo por aqui também a pergunta: um presidente da República que se anula, enquanto tal, serve para quê?  

3 comentários:

Graça Sampaio disse...

«algo de grave, em termos políticos, se passou entre os dois.» Eu inclino-me mais para algo de grave em termos de finanças.... Deve haver um qualquer segredo sobre Cavaco que o Coelho tem escondido na cartola...

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...


Chicamigo
Em complemento do teu texto, permito-me juntar duas notícias de ontem (24 de Junho) publicadas pelo “Jornal de Notícias” Desculpa-me serem as transcrições tão longas mas, a meu ver merecem-no. A primeira é sobre o seu ego; a segunda diz respeito à privatização da TAP

«Em conversa informal com os jornalistas a bordo do avião que o transportou esta tarde para Sófia, onde irá iniciar na segunda-feira uma visita oficial à Bulgária, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, foi confrontado com as críticas ao cariz partidário do seu discurso na sessão solene do 10 de Junho.

A resposta foi pronta: "só faço aquilo que considero que corresponde ao superior interesse nacional", afirmou, reiterando que não participa em jogadas político-partidárias, não cede a pressões, venham elas "da direita, da esquerda, do centro ou das costas".
Mas, Cavaco Silva foi ainda mais longe, lembrando que depois de já ter vencido quatro eleições - duas legislativas e duas presidenciais - com mais de 50% dos votos, o seu "ego está mais do que satisfeito".

"Está no máximo, não preciso de mais nada", gracejou.

No último discurso do mandato no Dia de Portugal, o Presidente da República declarou que Portugal pode olhar o futuro com confiança, palavras elogiadas por PSD e CDS-PP mas que mereceram críticas da oposição.

Pelo PS, o líder parlamentar, Ferro Rodrigues, criticou o Presidente da República por ter tido "um discurso totalmente colado" ao do Governo, relativamente à crise e à sua evolução, enquanto o deputado do PCP António Filipe lançou farpas ao discurso "partidário" e de intervenção na campanha eleitoral feito pelo Presidente da República.»


TAP

«O Presidente da República disse, este domingo, estar "mais aliviado" relativamente à privatização da TAP, considerando que tudo aponta para que a transportadora aérea possa permanecer autónoma, com uma base de operações em Portugal e satisfazendo o serviço público.

Em conversa informal com os jornalistas a bordo do avião que o transportou para Sófia, onde inicia na segunda-feira uma visita de Estado à Bulgária, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, foi questionado sobre a privatização da transportadora aérea tendo confessado estar um pouco "mais aliviado".

"A maioria do capital é português, temos de aplaudir", disse.

Sem se querer alongar muito sobre o assunto, Cavaco Silva começou por recordar as suas afirmações no final de abril, quando disse recear que acontecesse o mesmo à TAP que a outras companhia de 'bandeira' europeias, como a Alitalia.

Interrogado sobre a avaliação que Bruxelas fará do negócio, o Presidente da República explicou que as informações que recebe são dadas pelo Governo e pela Direção-Geral da Concorrência, adiantando que a conjugação dos dois documentos aponta para que a TAP tenha possibilidade de permanecer uma "companhia europeia autónoma, com um 'hub' [base de operações] em Portugal, satisfazendo serviços públicos e mantendo as especificidades próprias" relativas ao Brasil e ao países africanos de língua oficial portuguesa.
À pergunta sobre ao valor do encaixe financeiro que o Estado estará com a venda da companhia aérea, Cavaco Silva respondeu com outra questão, interrogando os jornalistas sobre que valor que pagariam por uma empresa que tem uma dívida de mil e 60 milhões de euros.

O Presidente da República escusou comentar a possibilidade do negócio ser revertido - como já prometeu o PS, caso seja Governo - dizendo apenas que não contam consigo para participar em pessimismos e miserabilismos, numa alusão ao seu discurso na sessão solene do 10 de Junho.»


É de homem! (com caixa baixíssima)

Abç do

Pernoca Marota

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Infelizmente, vai servir para entrar na campanha eleitoral e dar apoio a este governo, sob a capa de estar a defender os interesses do país e dos portugueses.