segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Bode expiatório ou o fim da impunidade ?

Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, foi hoje condenado a sete anos de prisão efectiva e a perda de mandato, bem como a pagar uma indemnização de 463 mil euros ao Estado tendo sido dados como provados os crimes de fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.
Sobre a justiça da sentença não me cabe pronunciar, por falta de dados, embora reconheça, tendo em conta o pedido do Ministério Público (prisão efectiva durante um período superior a cinco anos, e inibição de exercício de cargos públicos durante o mesmo tempo) que o colectivo dos juízes não usou de mão leve. O que não se lamenta, como é óbvio.
Já alegação por parte de Isaltino Morais que, após a leitura da sentença, se considerou um "bode expiatório" não me parece fazer qualquer sentido, sendo que também não se justifica afirmar que a sentença condenatória representa o fim do sentimento de impunidade para os crimes de colarinho branco.
E não faz sentido a alegação, porque tenho por seguro que da agenda dos juízes não faz parte arranjar bodes expiatórios e também não tem razão de ser a afirmação, porque "cada cabeça sua sentença". Se vier a ter, como se deseja, algum efeito dissuasor já não será mau.
(Reeditada)

3 comentários:

Anónimo disse...

Os dias estão mesmo muito poeirentos! Ainda cegamos! Pois bem, rumemos ao sul e afoguemos os desgostos no MAR de SOPHIA e, como ela, poetizemos....
Ei-la, sempre em estado de graça:

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Ginginha

Anónimo disse...

Que bonito!

Que bela metamorfose dos animais em plantas e todos, afinal, são flores...
numa constância do ser sem ser,
no fundo do mar, onde tudo calma,
e na areia, onde a onda bate?, afinal é como se tivessemos o coração distendido e magnânimo ao pé da boca...
fazendo os dois mar e areia eterno e sereno
e não menos apaixonado amor.

Anónimo disse...

A poesia é bonita, muita poesia faz falta na vida real, mas neste "post" também caberá dizer algo mais sobre sua exª .

A corrupção é muito difícil de provar e compreende-se que os juízes sejam rigorosos e não aceitem provas fáceis.

Na minha perspectiva ( que nunca vi sequer uma folha do processo, nem o conheço a "ele"), estão perdoados, quer os juízes, quer o MP.

Eu próprio ouvi várias "histórias" pouco abonatórias sobre o sujeito, mas acho que só com provas claras as pessoas devem ser condenadas.

O meu olhar sobre "ele" é o de uma pessoa que, por experiência de vida, não entende como é possível, com seriedade, enriquecer-se, assim, com aquelas "fontes"...

Daí que me sinta ligeiramente insultado com argumentos que acho tolos porque tolo me querem fazer passar ao tentar que eu acredite no inacreditável.

Eu percebo, que ele tenha sido eleito nas últmas autárquicas, até nem censuro o voto dos Oeirenses, tudo bem, devemos abrir a mente, ser tolerantes e compreender e aceitar que o povo de Oeiras lhe tenha dado o benefício da dúvida.

Agora, a partir desta condenação e tendo em conta os factos que FORAM CONSIDERADOS PROVADOS E A SUA NATUREZA, mesmo que haja recurso, entendo que, SE o povo de Oeiras voltar a votar nele massivamente, então, acho que vou censurar e vou querer que se faça um estudo sociológico rigoroso que explique esse "atordoamento" colectivo.

Em contraposição, acho que Fátima Felgueiras é um caso diferente, também pelo que leio e oiço, mas, aqui, a natureza dos factos provados foi insignificante quer em valor, quer em natureza de delito.

Portanto, eu não proibiria por lei que, quer um, quer outra ou outros, concorressem às eleições autárquicas.

Esperemos para ver qual o veredicto popular e confiemos na democracia.

Todos os partidos, têm, neste aspecto, telhados de vidro, uns mais que outros, mas, quem estiver limpo que atire a primeira pedra com sentido de responsabilidade e de isenção.