terça-feira, 5 de junho de 2012

Tudo conforme com as "expectativas"

A execução orçamental do primeiro quadrimestre deste ano correu mal, com a receitas a diminuírem  e as despesas a aumentarem, com um comportamento inverso ao previsto e orçamentado? Pode ser, mas    respondem, em coro, Passos/Coelho e Gaspar, nada disso está fora das expectativas do governo.
Em março, assistiu-se a um abrandamento nas exportações? Parece que sim, mas o responsável da AICEP, Pedro Reis, já tem resposta pronta: o abrandamento era "expectável".
Este gente, por contraditório que possa parecer, é capaz de ter razão. Apostando no pior, todos os resultados que fiquem aquém, são "expectáveis", quando não são mesmo dignos de celebração.
Até o desemprego que, no dizer de Relvas, o ministro morto-ressuscitado-até-ver, tirava o sono ao governo, está dentro das expectativas. Se as coisas, neste domínio (como noutros) correrem mal, como tem vindo a acontecer, sobem-se as expectativas. Foi aliás, o que o governo acabou de fazer ao estimar que o desemprego  possa vir a atingir 16%, em 2013. E fez bem, pois evita assim que a equipa da Comissão Liquidatária (vulgo, governo) ande por aí com olheiras de gente mal dormida.
Entretanto, valha-nos Zeus, apesar de Passos/Coelho andar por aí a apregoar que "Os portugueses já não estão perante o abismo com que nos defrontámos há praticamente um ano atrás". E volta a ter razão: "os portugueses já não estão perante o abismo". Graças a ele e à sua equipa, já lá caíram. E, como é bom de ver, não será graças a Zeus, a quem acabo de dirigir um apelo, que de lá sairão.

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Quando tivermos de pedir novo resgate também irão dizer que estava dentro das expectativas e até a oposição ( mas não só...) já tinha avisado
Abraço

folha seca disse...

Parece-me que tem razão caro Francisco Clamote.
Há aquela anedota (macabra)do médico que se dirige ao doente em estado terminal e lhe diz: o senhor não vai morrer! Perante o alívio do doente, o médico dispara: nos próximos 6 meses.
Abraço
Rodrigo