domingo, 9 de março de 2014

O incendiário armado em bombeiro

Goste ou não goste, queira ou não queira, Cavaco não tem como fugir às suas responsabilidades no derrube do 2º Governo de José Sócrates, em 2011, pelo que, pelo menos nessa medida, é co-responsável por todas as consequências resultantes desse acontecimento: vinda da troika; programa de ajustamento; política de austeridade em duplicado, empobrecimento do país, aumento do desemprego, políticas seguidas por este governo com extremos de insensibilidade social de que Cavaco nunca se demarcou.
Direi, pois,  que Cavaco Silva se portou-se na circunstância, como um dos incendiários de serviço.  Se não foi ele que acendeu o fósforo, foi ele que carreou a lenha.
Porque não é lorpa, chegou há uns tempos à conclusão de que o programa de ajustamento vai saldar-se por um fracasso completo, por muito que o governo da parelha Coelho/Portas se farte de propagandear o contrário. Daí que, de há uns tempos a esta parte, Cavaco tenha vindo a defender um entendimento entre os (mal) chamados "partidos do arco da governação", tendo agora voltado a insistir no tema, no capítulo VI do prefácio do "Roteitos VIII"  (disponível aqui) onde se espraia em considerações várias como esta:  "Perante os desafios que Portugal tem de enfrentar no período "pós-troika", torna-se fundamental a existência de um compromisso de médio prazo entre as forças políticas comprometidas com o atual programa de assistência financeira. Esse entendimento deveria estender-se até ao final da próxima legislatura e incluir, pelo menos, um compromisso de estabilidade política e de governabilidade, de adoção de políticas compatíveis com as regras fixadas no Tratado Orçamental que Portugal subscreveu, de controlo do endividamento externo, de reforço da competitividade da nossa economia e de estabilidade do sistema financeiro."
Como é evidente, Cavaco tenta agora fazer de bombeiro, mas não é menos óbvio que o incendiário não é a pessoa mais indicada para desempenhar o papel. 
Compromissos com a natureza e o alcance do proposto por Cavaco, só depois de o povo português se pronunciar sobre as alternativas que todos os partidos venham a apresentar. Negociar qualquer acordo, nas costas do povo, por parte do PS pode (é) do agrado de Cavaco, mas um tal acordo teria de ser visto como uma traição ao país e, em particular ao seu eleitorado e um benefício ao infractor.
Acordos com esta direita e com Cavaco, NUNCA! Em todo o caso, NUNCA antes de eleições legislativas.

4 comentários:

Graça Sampaio disse...

Boa análise! Ai se o PS vai nisso! Derreto todos os meus conhecidos do PS a começar pelo SG! Garanto-lhe!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não estou muito seguro que Seguro resista à tentação.
Já quanto a Cavaco, estou certo que é um biltre, armado em salvador da Pátria.

Anónimo disse...

Exatamente. No que ao PS diz respeito, o muito insultado SG, tem sido de grande coerência e não parece ter tendências suicidas. Assassinado não foi nem física nem moralmente, e não parece que depois de tanto cerco, insulto namoro, estela pronto a claudicar. Cavaco não tem poder nenhum, mas pode fazer mossa num povo crédulo, medroso. Temos que trabalhar/denunciar e empurrar/apoiar António José Seguro desde que mantenha/reforce a postura.

Majo disse...

~
~ Inteiramente, de acordo consigo, Francisco.

~ SG, não é tão ingénuo, como parece!

~ Desejo, acima de tudo, que se consiga um governo de pessoas, competentes e verticais que façam questão, de devolver a dignidade a Portugal. ~

~ Uma excelente e profícua semana. ~