sexta-feira, 14 de março de 2014

O veto encenado

O veto presidencial incidente sobre o diploma que aumentava o valor dos descontos dos funcionários públicos, militares e forças de segurança para os respectivos subsistemas de saúde (ADSE, ADM e SAD) tanto pode ser visto como um veto inútil, quer como um veto útil.
O que primeiramente salta à vista é a inutilidade da decisão de Cavaco, visto que o governo, dispondo na Assembleia da República de uma sólida maioria absoluta, tem todas as condições para levar a sua avante. 
Como Cavaco não ignorava e não ignora que o veto seria facilmente ultrapassável pela coligação, o seu gesto pode ser visto a outra luz e, nessa outra perspectiva, é inegável  a sua utilidade. De facto, o veto, nestas circunstâncias é a melhor forma de Cavaco se demarcar, sem custos políticos para qualquer das partes, da política do governo.
Todavia, a forma como o governo se desembaraçou tão lestamente do veto, ao enviar, sem perda de tempo, para a Assembleia da República para aprovação o mesmo diploma redigido "rigorosamente nos mesmos termos em que (...) tinha sido aprovado em Conselho de Ministros em janeiro", leva-me até a crer que o veto, em vez de ser analisado como útil ou como inútil, deve antes ser visto como um veto combinado. Combinado e encenado.

2 comentários:

Majo disse...

~
~ Se é assim, como referiu, será, de fato, mais uma farsa deste governo do nosso descontentamento.

~ Eles vangloriam-se de progressos, mas não aliviam as cargas de espoliação.

~ E... "" O povo é sereno."" !!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ontem houve vetos encenados e hoje votos comprados