sábado, 28 de fevereiro de 2015

Um caloteiro em ano de eleições

Passos Coelho desculpa-se de não ter pago à Segurança Social o que devia ter pago, ao longo dos anos de 1999 a 2004, alegando que não foi notificado para pagar a dívida. Tal alegação não pode deixar de ser vista como uma desculpa de mau pagador. Ou de caloteiro, como diz o povo.
Não sei se Passos Coelho foi ou não notificado para pagar, nem curo de saber, porque esse facto não tem a mais pequena relevância na apreciação do caso. Na verdade, Passos Coelho, tal como qualquer outro contribuinte, tinha a obrigação de pagar o que devia, independentemente de notificação. Aliás, como é patente e notório, a  notificação só tem lugar quando o contribuinte está em falta. Era, nem mais nem menos, o caso do faltoso Passos Coelho. 
O gabinete do primeiro-ministro que, pelos vistos, está ao serviço não do primeiro-ministro, mas do cidadão Passos Coelho, vem dizer em comunicado que este "manifesta (...) a sua perplexidade para a circunstância de terceiros estarem alegadamente na posse de dados pessoais e sigilosos relativos à sua carreira contributiva, os quais nunca lhe foram oportunamente transmitidos pelas vias oficiais, e para o facto destes serem agora manipulados e objecto de divulgação pública em ano eleitoral".
Supondo que o dito gabinete, embora se exprima em português pouco escorreito, transmite fielmente o pensar e os sentimentos do sujeito, o comunicado leva-nos a estranhar a perplexidade de quem, sem o menor sobressalto. tem assistido impávido ao vasculhar da vida de alguém que já ocupou funções idênticas às dele. 
Ah! Já me esquecia: o fulano diz agora que já pagou. Ainda que assim seja, o pagamento só terá sido feito depois de ser questionado pelo PÚBLICO, o que, a ser verdadeiro, demonstra que, "em ano eleitoral", até o caloteiro mais renitente acaba por pagar, logo que tornada pública a dívida.
Ó "pote", a quanto obrigas!

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Os ladrões deste jaez normalmente também são caloteiros.