segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nova edição do conto do vigário


Sabe-se que a vitória do Syriza nas recentes eleições legislativas gregas desagradou profundamente a Passos Coelho, que não só não escondeu o desgosto, como, indo mais longe, contra todas as regras da urbanidade e da diplomacia, se permitiu classificar o programa do Syriza, sufragado pelo gregos, como um "conto para crianças".
A afirmação de Coelho não foi particularmente bem recebida pela crítica da "especialidade" e com toda a razão, até porque não é fácil encontrar uma explicação para o insólito comportamento de Passos Coelho. Admito, porém, que a explicação possa ter algo a ver com o facto de o próprio Coelho ser também ele um cultor do género conto. E se é verdade que o público alvo de Coelho não são as crianças, pois ele cultiva apenas o modelo do "conto do vigário",  não é de excluir que haja da parte dele o receio de que pelo menos uma parte da sua clientela abandone o "conto do vigário" para passar a deliciar-se com os contos para crianças.
É compreensível, pois, a meu ver, o seu receio, até porque Passos Coelho é incapaz, como está amplamente demonstrado, de fugir do modelo que tem vindo a seguir. O mais que ele consegue é fazer sucessivas edições do mesmo conto e, há que reconhecê-lo, até tem alguma vantagem em assim proceder. 
A primeira edição do conto do vigário por ele apresentado aquando das últimas legislativas teve um sucesso inegável. A edição seguinte, sob o lema "Que se lixem as eleições", foi outro êxito pelo menos ao nível dos órgãos de comunicação social que encheram paginas e prencheram horas de comentários favoráveis ao dichote. 
Com a aproximação das eleições legislativas, estamos já a assistir a uma nova edição do mesmo conto do vigário. O lema  "que se lixem as eleições" já foi chão que deu uvas. Na nova edição, o conto do vigário é multifacetado: ora se inventam sucessos que só existem na imaginação de Passos e dos seus apaniguados, ora se negam os factos por demasiado evidentes que eles sejam. Ou seja, toda a mentira é permitida, desde que não se lixem as eleições.
Não sei se o conto do vigário na nova edição vai ter sucesso. O que sei sim é que vigarista continuamos a ter. Tolos suficientes é que não sei. Mas não juro nada.

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

È natural que ele fale de contos de crianças. Afinal, sempre foi beneficiado e protegido por fadas madrinhas.