sábado, 28 de fevereiro de 2015

Super-azelha, ou super-hipócrita ?


Se, como se infere da notícia do "Expresso" que a fotografia supra reproduz, o juiz C. Alexandre tem a possibilidade e a capacidade de "fechar o processo" que impende sobre José Sócrates et. al., então não há dúvida de que o advogado João Araújo tem toda a razão quando, reportando-se à constante violação do segredo de justiça de que o referido processo tem sido objecto, afirma que "não há fugas de informação, o que há é transmissão de informação a partir de quem controla o processo", numa alusão, segundo o referido semanário, aos magistrados do Ministério Público e ao juiz Carlos Alexandre. Alusão que, atento o teor da notícia, tem toda a justificação, pelo menos, em relação ao juiz.
Não sofre contestação que o processo tem sido objecto de autêntica devassa, desde a primeira hora, pelo que o juiz, pelos vistos, responsável pela sua guarda, ainda que, eventualmente, possa não ser directamente responsável pela "transmissão de informação", não tem forma de se livrar da responsabilidade de não ter sido capaz de evitar a persistente violação do segredo de justiça. Como lhe competia. A esta luz, ter-se-á de concluir que, no mínimo dos mínimos, o chamado "super-juiz" não passa de um super-azelha. 
"Casa roubada, trancas à porta" é um ditado popular que se pode aplicar com inteira justeza à alegada decisão de C. Alexandre, pois é evidente que a decisão chega tarde. Se no processo existia algum facto, cuja divulgação fosse do interesse da investigação ou dos responsáveis pela sua guarda, três meses foi tempo mais que suficiente para tais factos terem sido posto à disposição dos meios de comunicação social e divulgados, pelo menos, nas páginas do trio de pasquins com avença junto dos responsáveis pelo processo. Não é menos certo, por outro lado, que, graças à devassa do processo, o efeito pretendido pela investigação: a condenação na praça pública dos arguidos - foi já plenamente atingido. Como não ver, pois, na decisão do juiz C. Alexandre uma enorme dose de hipocrisia.
 E aqui chegados, falta a pergunta: super-azelha ou super-hipócrita?. A escolha é sua. 

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Devia era ter feito isso logo à partida, mas mais vale tarde do que nunca.